Capa do Romance O alfa é a minha mascote

O alfa é a minha mascote

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Lord, um alfa dominante, encontra uma menina perdida na floresta e decide criá-la para ser sua companheira. Contudo, ela é raptada e ambos perdem o contato. Anos depois, Selena é uma veterinária sem memórias que resgata um lobo ferido em sua clínica. Sem reconhecer o passado, ela decide adotar o animal para salvá-lo. O que ela não imagina é que esse lobo é Lord, seu antigo protetor, que agora vive como seu bicho de estimação enquanto o destino os une novamente.

O alfa é a minha mascote Capítulo 1

Lord, alfa da alcateia de Luna, abriu a boca com um ligeiro suspiro. O sangue escorria das suas presas e manchava a neve sob as suas patas. Ao seu lado, o corpo da sua presa jazia sem vida. O seu peito inchou de satisfação. Ele era definitivamente o melhor da sua alcateia. Não era por acaso que ele era o alfa. Não importava o tamanho do animal que o enfrentava, não era páreo para ele.

Sacudiu a neve espessa do seu grosso casaco castanho. Depois levantou a cabeça e uivou. Não passaram muitos minutos até aparecerem três lobos no seu campo de visão. Quando parou, eram mais pequenos do que ele em tamanho, mas não em volume. Lord tinha organizado um programa de treino rigoroso para todos os membros da sua alcateia.

As suas terras eram grandes e um ataque de invasores era iminente, e cada membro tinha de ser capaz de se proteger com facilidade, incluindo as crias.

-Alpha- Senas, o seu beta parou, acenando com a cabeça.

Levem-no daqui- ordenou o Senhor, com uma voz firme e autoritária.

Não precisava de dizer mais nada. Para ele, só havia dois caminhos: ser atendido ou morrer por o ignorar. Ele era o alfa absoluto da sua alcateia, não permitiria a desobediência, ela tinha mantido a alcateia à tona durante quase 200 anos. E assim seria durante muitos anos.

Senas assentiu e, com um aceno de cabeça, os dois lobos atrás dele encarregaram-se de morder cada lado da enorme carcaça que faria parte do jantar desse dia e começaram a arrastá-la de volta para a mansão. O beta caminhava atrás do seu alfa sem dizer uma palavra. Ele sabia que o lobo mais velho andava com um humor bastante versátil ultimamente, mas quando matava... por mais orgulhoso que estivesse do seu feito, o instinto continuava desperto e o seu pescoço podia ser o próximo se não tivesse cuidado.

O Senas conhecia-o há anos. Tinham sido amigos de cachorros. Lord tinha-se destacado dos outros lobos, mesmo com apenas alguns meses de idade, e mesmo em tenra idade tinha conquistado o seu lugar como alfa da sua alcateia. Ele seguia-o fielmente como beta sem nunca questionar nada, o seu alfa era alguém com quem não se podia discutir. Quando ele queria alguma coisa, era simplesmente dele e se ele resistisse, o seu destino era desaparecer.

Avançaram vários metros na floresta branca como a neve, quando um som não natural chegou aos seus ouvidos. Todo o corpo de Lord ficou tenso e ele rosnou tão alto que os seus companheiros deram um passo atrás.

Se havia uma coisa que realmente incomodava o alfa, era o facto de entrarem no seu terreno sem a sua permissão... e o cheiro que se sentia na brisa suave e gelada era de... humanos.

Lord virou o corpo para a fonte do cheiro com os olhos raiados de sangue, decidido a acabar com eles. Odiava os humanos, eram seres desprezíveis e desrespeitosos. Por isso, se entrassem nas suas terras, morreriam. Já era suficientemente mau que muitos deles se tivessem instalado numa aldeia nos limites das suas terras.

Com o lobo a eriçar-se e a rosnar, começou a caminhar em direção aos invasores. Senas fez sinal aos outros dois para não se mexerem e seguiu o seu alfa a uma distância segura, para o caso de a situação se complicar. Não tinham ido muito longe quando o cheiro se tornou mais forte e os humanos eram visíveis, mas algo não estava bem.

Lord colou as orelhas à cabeça em sinal de alerta e aproximou-se dos torrões no meio da neve que estavam meio enterrados na neve. O som vinha deles, mesmo que não se mexessem. O alfa aproximou-se cada vez mais, cautelosamente, sentindo o peito latejar estranhamente à medida que se aproximava. Isso fê-lo cerrar os dentes.

Só quando estava junto àquelas trouxas de pano é que conseguia ouvir o som com mais clareza. Era intermitente, ora alto, ora baixo, sumia, voltava, assim como o pequeno movimento no meio do que pareciam ser dois corpos adormecidos no meio da neve. Que não estavam exatamente a dormir.

-Estão mortos, alfa- declarou Sena, passando por cima de um dos dois corpos, descobrindo a cabeça de um deles, puxando o tecido do capuz de pelo para trás, revelando os seus rostos já de cor violeta e rígidos, -Devem ter morrido há algumas horas.

Mas o Senhor não o estava a ouvir. Os seus olhos estavam fixos naquele pequeno corpo que se movia no meio dos dois corpos maiores e sem vida. Uma pequena mão, quase azulada, era visível quando sacudia o pano. E de novo aquele som, como se estivesse a chorar.

-Alfa... ele é uma cria humana, ainda está vivo- disse Senas em voz baixa. O mais provável é que o seu alfa o exterminasse como a qualquer outro humano que se cruzasse no seu caminho. Perguntou-se como teria sobrevivido, talvez devido ao calor que os pais lhe tinham dado antes de morrerem congelados, -Alfa- preocupou-se quando não o viu mexer-se.

Lord não conseguia mexer um pelo do seu corpo. Ali, tão perto, aquele som, aquele cheiro que se misturava com outros mais desagradáveis. Talvez...

Ordenou que todos os músculos do seu corpo se mexessem e deu alguns passos em frente, colocando as patas entre os corpos e baixando o nariz para a mãozinha. Esta moveu-se e quando o tocou o seu corpo estremeceu por completo, e não por estar muito frio, fazendo com que os seus olhos se abrissem de par em par.

-Alfa?- Senas apercebeu-se de que algo não estava bem com ele.

Lord engoliu em seco, o sangue no seu corpo latejava com tanta força que chegava a doer e havia algo a agitar-se dentro dele. Com cuidado, agarrou no pano que cobria protectoramente a cria humana e afastou-o dele, pondo-o a descoberto. E foi então que o viu.

Não, não era um simples cachorrinho humano que devia ter apenas um ano de idade. Não era uma simples rapariga com olhos muito azuis e cheios de lágrimas, que parou de se mexer e se concentrou nele com os olhos bem abertos. O alfa não precisava de ver mais, ouvir mais, sentir mais para saber.

Lentamente, transformou o seu corpo até ficar ereto, com mais de 1,80 m de altura. O seu cabelo comprido, cor de chocolate escuro, ondulava sobre as suas costas largas e nuas, e os seus músculos estavam tensos, muito esticados. Os flocos de neve que caíam sobre ele faziam um enorme contraste com a sua pele ligeiramente bronzeada, vários tons mais clara do que o cabelo, e davam-lhe um toque exótico acima da sua alcateia.

Senas, ao vê-lo, copiou-o sem perceber, deixando aparecer a sua pele branca e o seu cabelo louro em ondas suaves. O seu alfa não mataria a cria humana? Ela não entendia. Lord era um lobo fácil de prever... era muito básico, se bem que imprevisível por vezes. No entanto, ficou ainda mais chocada quando o viu baixar-se e agarrar o bebé nos braços, embalando-o como se fosse algo muito frágil. O bebé era tão pequeno comparado com ele que parecia que se ia partir a qualquer momento.

-Alfa... o que é que se passa?- o beta ficou surpreendido, nunca o tinha visto agir assim antes, a não ser que... -O que é que se passa?

-Senas,- o alfa ergueu o olhar, que pela primeira vez não era tão gelado como normalmente era, havia um brilho invulgar que estava neles, -Esta cria humana... é a minha companheira.

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