Depois de desligar, Evelyn chamou um táxi e voltou para seu apartamento suburbano decadente.
Ela acendeu a luz amarela fraca, iluminando um pequeno espaço cheio de memórias do doce passado deles.
Chinelos combinando, chaveiros e violetas simbolizando amor inabalável a rodeavam.
Por toda parte que olhava, vestígios de Kristian permaneciam.
Antes fonte de alegria, agora só despertavam repulsa, ameaçando dominá-la.
Ela se virou e desceu as escadas, atravessando o corredor, e bateu na porta do dono do ferro-velho.
Sob seu olhar perplexo, ela disse sem rodeios: "Fique à vontade para levar tudo do apartamento 1603 sem custo. Leve tudo, mas não deixe nada para trás."
Ansioso pelo negócio, o proprietário assentiu e chamou seus trabalhadores para esvaziar o local.
Evelyn observou impassível enquanto eles esvaziavam o que antes era um lar aconchegante.
Estranhamente, o amor parecia pesado, mas deixar ir trouxe alívio.
Isso era o melhor.
Lágrimas por Kristian não valiam a pena.
Quando o apartamento estava finalmente vazio, Kristian entrou apressado, seguido por dois seguranças.
"Evelyn, estou de volta, você..." Ele se interrompeu, notando o vazio.
Olhou ao redor, incrédulo. "Evelyn, as flores que plantamos, nossas coisas — onde estão?"
Ela zombou, seu rosto transbordando de escárnio. "Kristian, estão no ferro-velho, onde coisas sem valor costumam ir. E você também."
Sua expressão congelou, sem palavras.
Seu olhar caiu sobre a mão esquerda dele, onde um anel — marca de outra mulher — agora repousava em seu dedo outrora esbelto.
Ao perceber seu olhar, ele envergonhado tirou o anel e o guardou no bolso, então sinalizou para os seguranças.
Momentos depois, eles trouxeram um vestido de noiva cravejado de diamantes rosa.
Ele sorriu calorosamente, estendendo a mão para ela. "Evelyn, isto é para você. Lembra como costumávamos admirá-lo na vitrine? Agora é seu."
Seu tom transbordava de afeto, como se nada tivesse mudado.
Seus cílios tremularam, a raiva surgindo. Ela puxou a mão para longe e deu um passo atrás. "Você está doente. Você se casa com Laura pela manhã e me traz um vestido de noiva à noite. Você acha que podemos voltar ao que éramos?"
Sua determinação o abalou. O pânico se insinuou, e ele dispensou os seguranças antes de cair de joelhos.
Apertando sua cintura como fazia antes, ele disse trêmulo: "Agora que estou casado com Laura, tudo é diferente. A família dela vai me apoiar, e meu pai vai me incluir no registro familiar. Serei um herdeiro legítimo dos Dobson. Não se preocupe, ela é apenas minha esposa no nome. Eu ainda te amo. Não pode ser minha querida protegida?"
Ele estava certo de que ela concordaria — três anos juntos não poderiam ser descartados tão facilmente.
Mas em seu olhar esperançoso, Evelyn sorriu suavemente, levantou a mão e o esbofeteou com toda sua força.
O estalo agudo ecoou claramente.
Ele cambaleou, segurando o rosto em choque. "Evelyn, por favor, pare com isso. Se sua família tivesse recursos para me apoiar, eu não teria precisado me casar com Laura."
Ele se levantou, fingindo paciência. "Passarei segundas, quartas e sextas com Laura, e terças, quintas e sábados com você. Não acha que é justo?"
Ela encarou seu rosto, buscando o homem que um dia conheceu.
Na faculdade, quando Laura ofereceu milhões para roubá-lo, ele devolveu os presentes e jurou que nunca se curvaria ao dinheiro.
Agora, ele não só se curvou, mas fez promessas absurdas.
Ela não respondeu. Em vez disso, tirou um isqueiro da bolsa, acendeu um cigarro e exalou lentamente.
A fumaça se enrolou entre eles. Ele franziu a testa, prestes a falar, quando ela o surpreendeu. "Evelyn, você está louca?"
Ela o ignorou, inclinando-se para pressionar o cigarro ainda aceso na barra do vestido.
Sorrindo inocentemente, ela disse: "Estou queimando coisas imundas. Este vestido é tão nojento quanto você, não é, Kristian?"
Ela passou por ele, deixando o fogo consumir o vestido que um dia sonhou em usar.
Kristian ordenou aos seguranças que apagassem as chamas e começou a persegui-la, mas a ligação de Laura o interrompeu.
Evelyn usou o cartão preto que seu pai lhe deu para reservar uma suíte presidencial no centro da cidade.
Deitada no colchão macio, ela se sentia deslocada.
Por três anos, para esconder sua identidade, dormiu em uma cama dura e trabalhou como garçonete para evitar depender de seu pai.
Todos os seus sacrifícios foram para provar seu amor, mostrar que seu pai estava errado.
Mas os pais planejam profundamente para seus filhos, e ele não estava enganado.
Seu erro foi não ver a ambição por trás do charme de Kristian.
Felizmente, como única herdeira do homem mais rico da cidade, ela podia se dar ao luxo de cometer erros.
Kristian confundiu uma joia com uma pedra comum. Ela aguardava ansiosa o dia em que ele se arrependeria disso.
Na manhã seguinte, uma batida despertou Evelyn de seu torpor. Ela abriu a porta, ainda sonolenta.
Três guarda-costas estavam ali, fazendo gestos respeitosos. "Senhorita Hayes, o Sr. Dobson nos enviou para escoltá-la. Ele arranjou uma nova residência para você."
Antes que ela pudesse reagir, eles a conduziram firmemente para fora do hotel.
Quando o carro se afastou, ela olhou para a rota desconhecida lá fora, uma centelha de inquietação surgindo dentro dela.
Aproveitando um momento em que os guarda-costas não estavam olhando, ela abriu seus contatos, pretendendo ligar para seu pai. Uma mão arrebatou seu telefone.
"Senhorita Hayes, as ordens do Sr. Dobson são claras. Nenhum contato externo sem a permissão dele." O guarda-costas guardou seu telefone e ficou em silêncio.
Evelyn cravou as unhas na palma da mão, obrigando-se a manter a calma. Força bruta não resolveria isso.
Ela não conseguia entender o que Kristian Dobson queria.
Logo, o carro parou suavemente em frente a uma mansão, estranhamente silenciosa, sem ninguém à vista.
Os guarda-costas a levaram para dentro, seu rosto fixo em uma expressão impassível.
Na sala de estar da mansão, um mordomo e duas empregadas esperavam. O sofá estava repleto de caixas de presente, deslumbrantes com luxo.
Ela examinou os itens—uma bolsa Chanel de edição limitada, um colar Van Cleef & Arpels, e outras peças de marcas de alto padrão.
Virando-se para o mordomo, ela perguntou sombriamente: "O que é isso? Kristian planeja me prender aqui como seu bichinho de estimação? Diga a ele para me enfrentar."
O mordomo abaixou o olhar, mudo. Os guarda-costas espelharam seu silêncio.
Ela quase riu de frustração, presa sem meios de revidar.
Por enquanto, ela tinha que aguardar a oportunidade e encontrar uma maneira de escapar.
Durante três dias, Evelyn viveu como uma boneca manipulada, cada movimento controlado.
Até uma ida ao banheiro vinha acompanhada de uma empregada estacionada do lado de fora, batendo a cada dez minutos para garantir que ela não tivesse fugido.
Ela pediu para tomar sol no quintal, mas o mordomo repetiu: "O Sr. Dobson proíbe você de sair deste quarto."
Justo quando sua paciência estava se esgotando, Kristian apareceu.
Ele não demonstrava remorso, relaxando no sofá, degustando vinho tinto. "Evelyn, você nunca poderia bancar essa vida, não importa o quanto tentasse. Deveria me agradecer por proporcioná-la a você."
Seu cabelo estava penteado para trás, seu terno caro combinado com óculos de aro dourado. Cada gesto seu transbordava arrogância.
Este não era o homem simples que ela conheceu um dia.
O dinheiro o havia consumido. Evelyn desviou o olhar, relutante em desperdiçar palavras.
Falar era inútil.
Kristian ignorou sua postura gelada, um sorriso tênue brincando em seus lábios enquanto sinalizava para o mordomo apresentar um vestido preto de ombro caído.
"Há um baile privado. Laura quer que você veja o mundo." Ele acariciou sua bochecha, como se acalmasse um animal de estimação.
Evelyn afastou sua mão, olhando-o fixamente. "Kristian, eu não vou a nenhum baile. Me deixe ir. Você me ouviu?"
Se não fosse pelas circunstâncias contra ela, teria dado um tapa nele até ele perder o sentido.
Ele a traiu. Por que agir como um amante devoto agora?
Era repulsivo.
A tensão pairou pesada, mas Kristian parecia imperturbável, como se tivesse previsto sua resistência. Ele tirou um colar com relógio de bolso de seu casaco.
Seu tom era despreocupado. "Este era um souvenir da sua avó. Não seria uma pena se quebrasse?"
Seus olhos piscaram com pânico. Ela soltou: "Não toque nisso. Eu vou."
Satisfeito, Kristian sorriu e convocou um maquiador para prepará-la.
Ela se sentou diante do espelho, coração dolorido, lágrimas escorrendo pelas bochechas.
No segundo ano juntos, Kristian havia pedido por sua posse mais preciosa. Tolamente, ela entregou o colar, dando a ele sua fraqueza.
Agora, ela se odiava por isso.
Meia hora depois, Evelyn seguiu Kristian silenciosamente para o baile privado da família Clarke.
O burburinho animado parou abruptamente com sua chegada.
Laura Clarke, equilibrando-se em saltos, correu para o lado de Kristian, enlaçando seu braço no dele. "Querido, só se passaram meio dia, e já estou com saudades."
Ela falou enquanto lançava um olhar desdenhoso a Evelyn.
Kristian tocou seu nariz de forma brincalhona. "Estou com você vinte e quatro horas por dia, e você sente minha falta após meio dia? Que carência."
Ruby Edwards, a fiel companheira de Laura, interveio. "Laura está apaixonada por você. Não subestime isso."
Com suas palavras, a multidão, como se ensaiada, lançou olhares de desprezo a Evelyn. Alguns até riram.