Capítulo 2

GUSTAVO

Dias atuais...

— É hoje o dia que esperei por cinco anos, a minha formatura, e agora posso exercer sem medo minha profissão — repito enquanto me olho no espelho.

Ouço uma batida na porta e sei que é a minha maior incentivadora e inspiração, minha linda vozinha, Ana.

Ainda moro com ela, mesmo tendo uma boa poupança e vinte e três anos, não consigo deixar minha avó sozinha.

— Pode entrar, minha linda.

Assim que ela me vê, coloca as mãos na boca e vejo que seus olhos estão marejados.

— Meu lindo, que orgulho sinto de você. Apesar de todas as perdas, nunca se abateu e levou cada tombo como um obstáculo a ser superado. Fiquei com medo quando você largou sua carreira por uma velha desastrada...

Coloco dois dedos em seus lábios, como sinal de que não deve continuar a falar essas bobagens.

— Minha linda, fiz o que deveria fazer e nunca tive tanta certeza de que estava no lugar certo como tenho hoje.

— Vamos, meu lindo, deixa essa velha arrumar sua gravata, já estamos atrasados.

Dou mais uma olhada no espelho e saio para dar mais um passo rumo ao meu futuro.

No caminho minha vozinha fica especulando se não tenho ninguém me esperando. Ela sempre me enche de perguntas sobre namorada, mas ainda não achei a pessoa que me fizesse abandonar a vida de solteiro convicto.

Não sou santo, longe disso, afinal já saí com calouras, formandas e até uma professora.

Mas minha avó não precisa saber disso.

Meu lema atualmente é pego e não me apego.

Chegando na faculdade, vou vestir minha beca enquanto minha avó vai se sentar na primeira fileira para me aplaudir de pé, como ela sempre falou que faria.

A colação de grau começa e me emociono a cada lembrança que vem em minha mente, principalmente quando provei não ser somente mais um rostinho bonito.

Muitos apostaram que não passaria da primeira aula de anatomia ou que não conseguiria concluir meu TCC em um mês, que entreguei na data e ainda tirei a nota máxima.

Assim que somos convidados a nos levantar e esticar a mão direita para o juramento, meu coração até para pôr um instante e começo a absorver cada palavra pronunciada.

"PROMETO EXERCER A PROFISSÃO DE FISIOTERAPEUTA COM ÉTICA E HUMILDADE. RESPEITAR A DIGNIDADE E OS DIREITOS DAS PESSOAS. E DEDICAR MINHA VIDA PROFISSIONAL AO CUMPRIMENTO DOS PRINCÍPIOS DE UNIVERSALIDADE, EQUIDADE E INTEGRALIDADE NA ATENÇÃO À SAÚDE.

JURO DESENVOLVER A PRÁTICA FISIOTERAPÊUTICA COM BASE NO CONHECIMENTO CIENTÍFICO E RECURSOS TÉCNICOS POR MIM ADQUIRIDOS, DURANTE O PERÍODO DE FORMAÇÃO. COMPROMETENDO-ME A APROFUNDÁ-LOS E ATUALIZÁ-LOS SEM MEDIR ESFORÇOS.

ASSEGURANDO ÀS PESSOAS SOB MEUS CUIDADOS, O BEM-ESTAR FÍSICO, PSÍQUICO E SOCIAL."

Recebo meu diploma e estou pronto para começar minha caminhada de atendimento e ajuda na recuperação dos pacientes.

Assim que acaba a cerimônia, cumprimento meus colegas de classe e agora de profissão e vou ao encontro da minha fã número um, a minha avó.

Assim que me aproximo, vejo o orgulho estampado nos olhos.

— Meu lindo, parabéns. Que você alcance todos os seus sonhos. O céu é o limite sempre.

Abraço minha avó e a chamo para a comemoração que terá em um sítio e que a galera organizou.

Ela dá uma desculpa e diz que tem muitos problemas a serem resolvidos no SPA, mas que não é para me preocupar e ir me divertir um pouco.

Faço que acredito no que diz e me despeço dela.

Tenho certeza de que ela vai para casa e só inventou essa desculpa porque pensa que me atrapalha.

Conheço dona Ana há muito tempo.

Acompanho minha avó até o Uber que ela pediu para não ter que me preocupar em levá-la para casa e sigo para a chácara onde está rolando a festinha pós-colação com meus pensamentos a mil.

Minha avó, assim que saiu minha aprovação no TCC, me cedeu um espaço no SPA, para começar meus atendimentos. Lá, vou montar um centro de reabilitação pequeno, por enquanto, mas o suficiente para começar.

Entre as áreas que estagiei e as pessoas que atendi, os casos que mais me chamaram atenção foram os ex-atletas.

Percebi que muitos perdem a vontade de lutar e isso mexeu comigo.

Aqueles que lutam todo dia e têm como meta conquistar um lugar no pódio, de repente, não têm forças para lutar a batalha mais importante que a vida lhe deu.

Foi aí que percebi que ser fisioterapeuta não era apenas exercícios e terapias para se restabelecer os movimentos ou o proporcionar o bem-estar. Vai muito além disso, afinal a mente precisa estar equilibrada para se ter algum resultado.

Passei a ler muitos livros de psicologia sobre esse assunto e inclusive foi o tema do meu TCC.

Chego na festa e meus amigos, Alê e Fábio, já vem me encontrar com uma latinha de cerveja na mão e na outra um copo de uísque.

— Cara, você demorou demais, já estava pensando que não viria mais.

— Estou aqui, não estou? Vamos comemorar!

Pego a latinha de cerveja, dou um gole e vejo a Dani e a Helen se aproximando com um sorriso sacana, que traz promessas do que pode acontecer.

Hoje à noite é uma criança e irei me lambuzar.

Depois de algumas latinhas, muitas conversas com as duas me alisando e me beijando. Seguro na cintura delas e seguimos para uns dos quartos livres.

Já sai com as duas, mas nunca ao mesmo tempo.

Assim que entro, Dani ataca minha boca em beijo necessitado enquanto aperto a bunda de Helen que geme com o toque mais firme.

Deixo a boca de Dani e sigo para Helen que não fica atrás e me beija com maestria.

Já estou duro e doido para me enterrar nas duas.

Enquanto beijo Helen, Dani se abaixa e tira minha calça. Assim que ela abaixa minha cueca, meu pau salta livre. Olho para ela que levanta o olhar, coloca a língua para fora e lambe a cabecinha do meu pau que está brilhando devido o líquido do pré-gozo. Solto um gemido e agarro os fios de cabelo de Dani prendendo em um rabo de cavalo, ditando a velocidade.

Helen ao observar a cena, retira seu vestido, ficando apenas de calcinha fio dental de renda preta e observo seus lindos seios com os mamilos duros de tanto tesão. Enlaço sua cintura e começo a trilhar beijos e lambidas do seu pescoço até seus lindos seios que merecem a devida atenção. Assim que abocanho um, ela geme.

Dani se levanta, lambendo os lábios e me empurra para me deitar na cama. Helen sem perder tempo, começa a me chupar enquanto retiro a camisa. Dani retira seu vestido e diferente de Helen, ela já está sem calcinha com sua boceta pingando de tesão.

Peço para que ela monte em meu rosto e me delicio, chupando, sugando, mordendo enquanto ela geme e rebola em minha boca.

Quando está quase gozando, ela pede para trocar de posição com Helen, que rapidamente retira sua calcinha e se senta em minha boca.

Dani veste meu pau com a camisinha e senta nele, gemendo.

Enquanto ela cavalga, continuo chupando Helen que aperta seus seios e geme se esfregando em minha boca.

— Gu, eu vou gozar — Dani diz gemendo enquanto sinto suas paredes me apertarem.

— Gu, eu também vou, sua boca foi feita para isso. Caralho! — Helen diz aumentando a velocidade de sua rebolada.

— Vocês duas são deliciosas. Hoje passaremos a noite toda fodendo.

Dani se entrega ao ápice gritando enquanto Helen treme e se entrega ao prazer.

Eu não me seguro e gozo pela primeira vez na noite.

***

Chego com o sol já raiando em casa depois de uma noite regada a sexo.

Como prometi dei muitos orgasmos as duas, assim como elas me proporcionaram deliciosos momentos de prazer.

Vou para meu quarto, tentando não fazer barulho para não acordar minha vozinha que está deitada no sofá.

Sei que ela está me esperando, mas quando pergunto sempre nega, dizendo que pegou no sono assistindo TV.

Beijo sua testa, a cubro e vou me deitar.

Preciso descansar para começar agilizar meus contatos e iniciar os atendimentos.

Acordo já quase anoitecendo e vou à procura da minha avó.

Sigo pelos cômodos vazios e encontro um bilhete na mesa da cozinha.

"Meu lindo, fui ao SPA para encontrar uma amiga que precisa muito conversar.

Espero voltar logo.

Te amo."

Peço algo para comer pelo aplicativo e enquanto espero, olho as fotos da festa.

Meu Deus, ontem perdemos o controle.

Bebi demais, mas estava consciente de todos os meus atos e quanto foi gostoso passar parte da noite com a Dani e a Helen.

A campainha toca me tirando dos meus devaneios, minha comida chegou.

Quando minha avó chega, estou acabando de comer, mas peço para ela me acompanhar. Ela nega dizendo que já comeu, porém, tem algo muito importante a me falar.

Paro de comer e presto atenção nela.

— Meu lindo, acho que você é a solução para minha amiga. A filha dela, uma ex-atleta, sofreu um AVC cinco anos atrás, deixando como sequela a perda total dos movimentos do lado direito. Depois de um tempo fazendo fisioterapia sem surtir efeito, ela simplesmente desanimou e não aceita qualquer ajuda profissional.

Como sei que é uma área de seu interesse eu te indiquei. Minha amiga pediu para que ligue para ela amanhã.

— Ok, vozinha amanhã ligo para ela — digo animado.

Limpo minha bagunça, beijo minha avó e volto para meu quarto, pensando sobre o que ela acabou de me falar e se serei capaz de ajudar essa mulher.

Respiro fundo e sinto uma certeza me invadir.

SIM, EU SOU CAPAZ.

Capítulo 3

MELISSA

Mais um dia na minha vida, isso se posso chamar de vida.

Já passaram cinco anos e continuo aqui, na mesma, dependendo da ajuda da minha mãe.

Como minha mãe diz tenho que agradecer por estar viva e que de todas as sequelas possíveis do AVC, ter ficado com uma que dá para se ter uma vida boa.

Mas se coloca no meu lugar, eu amava jogar, correr, sair, estava rodeada de pessoas que se diziam amigas e olha como estou hoje, sozinha e com meus fantasmas.

Tudo bem que me isolar e não deixar as pessoas se aproximarem ajuda bastante para isso acontecer, mas não me sinto bem em conversar.

As pessoas me olham com dó e isso me mata a cada dia um pouquinho.

Podem achar que não vejo, mas quando passo, ouço os cochichos e vejo os olhares em minha direção.

“Olha lá, a coitada não anda direito.”

Ou então.

“Tão jovem e bonita nessas condições...”

Isso é um dos motivos que me fizeram desistir de sair.

Podem pensar, "nossa como ela é fraca", ou, "ela não tentou".

Mas posso afirmar que tentei tudo que foi sugerido, fisioterapia convencional e ocupacional, passei por inúmeros médicos, psicólogos e agora querem que eu vá ao psiquiatra.

Assim que sai do hospital, tive acompanhamento primeiramente quinzenal e depois foi espaçando para mensal, bimestral, semestral e hoje é anual.

Faço uma bateria de exames para ver se não há possibilidade de formação de novos coágulos.

Usei anticoagulante por alguns meses após o ocorrido, mas com o passar do tempo não houve necessidade de continuar o uso. Além de tudo que passei e passo, aplicar a medicação na barriga era horrível.

Minha mãe nunca desistiu de tentar e para não desagradar a ela, que cuida tanto de mim, nunca reclamei.

Mas agora, depois de cinco longos anos, estou cansada de falsas esperanças e acordo todo dia já dominada pelo bichinho da tristeza.

Minha irmã, nesses últimos anos, apesar de ter alcançado o sucesso como estilista, se tornou uma pessoa amarga e arrogante.

Sempre que ela está em casa, faz questão de me lembrar da minha deficiência e da culpa de ter gastado toda a poupança, que minha mãe tinha deixado para nós, em tratamentos. Isso sem contar as vezes que ela joga na cara que só tenho os melhores cuidados ainda porque ela ajuda a mamãe.

Confesso que escutar isso só me faz sentir uma completa inútil.

Claro que ela só diz isso quando mamãe está longe, porque na frente de minha mãe, ela finge me dar força e ser a irmã exemplar que só quer o bem para sua irmãzinha caçula.

Nunca mais poderei ser quem eu era, e simplesmente não quero saber como recomeçar.

Para mim, minha vida acabou naquele jogo.

Sabe aquele sentimento que a vida estava indo para o rumo certo e, de repente, tudo acabou?

É exatamente assim que me sinto.

Estava me tornando reconhecida no esporte, tinha acabado de dar meu primeiro beijo no Renato, minha paixão desde os doze anos e iria cursar Educação Física na faculdade.

Mas depois que cai e tudo ficou escuro, perdi tudo.

Quando acordei, não era mais Melissa Carvalho, a pivô de sucesso, era apenas a sombra de Melissa, ou a coitadinha da Melissa.

Renato ainda me visitou assim que sai do hospital, mas ao me ver tentando me levantar e cair, por não ter firmeza na perna direita, ele se foi e não voltou mais.

Pensando bem, ele fez o certo, não se deve perder tempo com alguém que nem se amar mais se ama, quem dirá ao próximo.

Minhas "amigas", Tati e Carol, ligam raramente e sempre estão ocupadas entre jogar e namorar.

Nunca fizeram uma visita com mais de trinta minutos de duração e ainda ficam me olhando com pena.

Minha mãe fala que é coisa da minha cabeça, mas infelizmente não é.

Ela é a única que me vê como sempre fui.

Óbvio que ela se tornou superprotetora, mas ela sempre diz que sou capaz e que isso é só uma fase de autoaceitação.

Mal sabe ela que já passou pela minha cabeça, diversas vezes, sumir do mundo e deixar de ser um estorvo para ela, ou até mesmo para tirar essa dor que me corrói por dentro, que me consome e não me deixa viver.

Hoje vem mais um fisioterapeuta em casa e sei que vai ser mais um que irá sair correndo daqui, assim que começar os meus joguinhos.

Minha mãe bate na porta e atrás dela tem uma mocinha que deve ter minha idade. Ela é baixinha e está com o jaleco da Frozen.

Sério, só pode ser brincadeira!

Talvez ela ache que assim irá me animar ou que sou uma criança grande de vinte e um anos.

Minha mãe se aproxima com um sorriso lindo e um olhar de súplica pedindo para que eu me comporte e não faça como fiz com os outros.

Nádia, a fisioterapeuta, começa a falar com a voz fina tentando me animar e diz que se fizer todos os exercícios, irei ganhar um pirulito.

A coisa só vai piorando.

Estou completamente sem reação em ver a mulher que tem a minha idade me tratar como um bebê.

Assim que ela me toca, começo a gritar e chorar como se tivesse me machucado, inclusive simulo as lágrimas escorrendo pelo rosto.

Nádia fica atônita, sem saber o que fazer e pede mil desculpas.

A cada toque seu, grito e ela se atrapalha mais.

É aparelho de choque que cai, é peso que rola pelo chão...

E eu estou como?

Rindo por dentro e interpretando por fora.

Nádia continua tentando fazer os procedimentos e eu chorando.

Não demora, ela recolhe tudo de qualquer jeito e sai correndo com lágrimas nos olhos.

Juro que até comecei a ficar com dó, mas não quero a ajuda de ninguém, ainda mais da Frozen.

Passado um tempo minha mãe entra no quarto e se senta do meu lado.

— Minha filha, o que você fez com a Nádia? Ela é um doce e foi a única a aceitar vir aqui. Já briguei no convênio e era quem estava disponível. Com ela, já são o que, oito ou nove que você dispensa de alguma maneira.

— Mãe, ela parecia uma criança vindo brincar de boneca. Achou que deixaria que ela encostasse em mim?

— Minha filha, todos que vem tem um defeito. Ou é ignorante, ou você não foi com a cara. Teve até um que você falou que cheirava chulé e te dava enjoos.

— Mamãe, mas era verdade. Ele já chegava aqui fedendo, não dava, né?

— Minha filha, não sei mais o que fazer, juro que estou entregando os pontos. — Abaixa a cabeça e sai do quarto com lágrimas nos olhos.

Eu não queria isso, mas ela não entende que quero ficar só.

Os dias passam e com eles ainda consigo dispensar dois psicólogos e um psiquiatra.

Vejo minha mãe cada dia que passa mais triste e minha irmã, que veio passar um mês em casa, mais terrível que nunca.

Mudando toda a rotina dos últimos anos, minha mãe entra no meu quarto avisando que vai se encontrar com uma amiga e que não sabe que horas voltará. Ela me dá um beijo na testa e se vai.

Fico olhando para a porta fechada e quando ela abre, minha irmã aparece toda produzida, usando saltos altíssimos.

Ela me olha com desdém depois para seus pés e diz sem qualquer culpa:

— Olha que lindo meu novo sapato. Pena que nunca usará um desses. — Dá uma gargalhada e se vai, me deixando sozinha com meus pensamentos.

Sozinha em casa, com a dificuldade que ainda possuo de me locomover pelo ambiente, mesmo com as adaptações, vou até à cozinha e como um lanche que minha mãe já havia deixado pronto.

Assim que termino, volto para a cama e para mais um fim de dia.

No dia seguinte, minha mãe me acorda com um sorriso no rosto e uma esperança no olhar.

— Minha filha, acho que encontrei quem irá te ajudar na recuperação.

— Mais um, mãe?

— Esse é diferente e você irá adorar a companhia dele. — Ela me dá um beijo e completa: — No fim da tarde, ele estará aqui. Esteja pronta. — Sai do quarto.

Fico perdida em meus pensamentos.

O que terei que aprontar para afastar esse novo profissional?

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