Capítulo 2

"O que é tão engraçado, Janice?" Laurie inclinou a cabeça, confusa.

"Estou rindo do absurdo da própria tolice, de como, repetidas vezes, me rendi, só para alimentar a ganância sem limites de vocês", respondeu Janice, com uma risada carregada de ironia cortante.

"Ganância? Não é seu dever, como irmã mais velha, fazer concessões para a Delilah?" A réplica de Laurie vinha envolta em uma autojustificativa presunçosa, alheia ao fato de que a centelha de esperança nos olhos de Janice já se apagara há muito tempo.

Respirando fundo para se firmar, Janice declarou com determinação: "Fiquei sempre recuando, na esperança de que meus sacrifícios acendessem pelo menos uma faísca de afeto em você. Mas meus esforços foram inúteis, desprezados e pisoteados como se não passassem de fracassos."

Sua voz ergueu-se, ecoando com força pela sala.

Janice levantou-se do chão, sua postura agora refletindo uma mistura de desafio e força. "Você me prometeu uma vida de opulência quando voltei para a família Edwards. E no entanto, o que recebi? Nem mesmo a cortesia de uma refeição decente. Diga-me, além de me usar e me esmagar, você já agiu com um pingo de humanidade?"

Com as mãos apertadas contra o peito, Janice continuou: "Eu sou sua filha! Você já me chamou de 'querida' sequer uma vez?"

Sua risada então irrompeu, histérica, mas transbordando amargura.

Laurie franziu a testa, e sua voz gelou ao responder: "E não é tudo porque você quer me ouvir te chamar de 'querida'? Está bem. Querida! Era isso que você queria?"

Com uma risada aguda e quase maníaca, Janice balançou a cabeça. "Senhora Edwards, sua tentativa patética de amor fingido até que é divertida."

Naquele instante, sua risada cessou abruptamente, seus olhos tornando-se frios e penetrantes. "Não desejo mais seu afeto. A partir de hoje, rompo todos os laços com a família Edwards."

"Isso é rebeldia descarada!" Laurie exclamou, a fúria palpável, enquanto agarrava o chicote novamente e o desferia contra Janice.

Janice, porém, interceptou o látego sem esforço, sua expressão séria e resoluta. "Ainda quer me bater? Outrora, eu era sua filha e tolerava a disciplina materna. Agora, não temos mais nenhum vínculo. Com que direito levanta a mão contra mim?"

Um sorriso malicioso distorceu os lábios de Janice, sua anterior mansidão substituída por uma aresta desafiante.

Ela arrancou o chicote das mãos de Laurie, balançando-o com casualidade no ar. "Você acabou de me bater. Parece justo retribuir na mesma moeda."

"Vai fazer o quê?" Laurie recuou, com uma expressão de choque, enquanto Janice se transformava de vítima dócil em uma figura de coragem intimidadora.

Com um estalo ensurdecedor, o chicote atingiu o corpo de Laurie, deixando uma ardência intensa em seu rastro.

"Como você ousa me bater?!" Laurie gritou de dor, sua raiva atingindo o ponto de ebulição. "Você não vai sair impune!"

"Janice, como pôde bater na mamãe?" Delilah exclamou, chocada.

Janice lançou um olhar glacial para Delilah, fazendo um calafrio percorrer sua espinha. Delilah não conseguia se livrar da sensação perturbadora, ponderando sobre a mudança drástica em Janice.

"Se está tão preocupada com ela, por que não toma a chicotada no lugar dela?" Janice atirou as palavras, que cortaram o ar.

E o chicote partiu, atingindo Delilah com força.

"Ai!" Delilah gritou quando o látego a atingiu, uma onda de dor intensa dominando seus pensamentos.

Ela não conseguia acreditar. Janice devia ter enlouquecido para agredi-la assim.

"Janice, pare com essa loucura! Não vou permitir que machuque a Delilah!" Laurie rugiu, correndo para envolver Delilah em seus braços, ignorando a própria agonia.

Mas Janice foi implacável, seu chicote atingindo Laurie repetidas vezes, sem piedade.

Os gritos de dor de Laurie ecoavam pela sala, seu corpo tremia, seus olhos reviravam como se estivesse prestes a desmaiar.

Mas aquela agonia não era nada comparada ao sofrimento que Janice suportara por um ano inteiro. Ela ainda estava se contendo. Caso contrário, Laurie já teria sucumbido.

"Janice, por favor, pare! Você está matando a mamãe! A culpa é toda minha. Bata em mim se for preciso, mas por favor..." Delilah implorou, suas palavras sendo interrompidas quando Janice a arrancou do abraço protetor de Laurie.

"Janice, solte a Delilah!" Apesar de seu próprio sofrimento, Laurie ainda se preocupava com a filha adotiva. Que "grande" mãe ela era!

"Você não é alérgica a manga?" Janice perguntou com um sorriso sinistro nos lábios.

"O que diabos está fazendo? É melhor me soltar agora mesmo! O pai vai voltar a qualquer momento, e quando souber o que você fez com a mamãe, vai acabar com você!" O coração de Delilah batia descompassado no peito, suas mãos trêmulas paralisadas ao lado do corpo enquanto encarava Janice com horror.

"Então vou garantir que você desapareça antes que ele possa me tocar."

Janice agarrou um pudim de manga da mesa e o pressionou contra os lábios de Delilah.

Delilah se contorcia e se debatia, mas a força de Janice era de aço, sufocando-a enquanto o pudim era forçado garganta abaixo.

"Pare, Janice! Você vai matá-la!" Laurie esbravejou, sua voz tomada pelo terror. "Alguém, por favor! Detenham essa loucura!"

Reagindo aos gritos de Laurie, os empregados se aproximaram rapidamente de Janice.

Sem hesitar um instante, Janice brandiu o chicote e o estalou no ar, atingindo com força um dos empregados. "Mais um passo, e você está morto!", ela declarou, seus olhos brilhando com uma determinação glacial que paralisou os empregados no lugar.

Eles trocaram olhares de incredulidade. Aquela era realmente a mesma garota sempre acostumada a suportar o sofrimento em silêncio?

"Delilah, por favor, fale comigo!" Laurie chorou, rastejando em direção à filha, lágrimas escorrendo por seu rosto. "Não me assuste assim!"

"Senhora Edwards, talvez seja hora de você testemunhar como sua querida filha lida com suas reações alérgicas."

Janice zombou e saiu da sala com passos firmes. Aquele lugar não parecia mais um lar.

Os empregados se reuniram, suas expressões uma mistura de preocupação e perplexidade. Eles não estavam acostumados a ver uma demonstração tão ousada de insubordinação vinda de Janice, que geralmente era tão mansa e complacente.

A lembrança de Janice batendo em Laurie e forçando Delilah a comer pudim de manga pairava no ar, um lembrete arrepiante daquele sofrimento.

Capítulo 3

Janice saiu da mansão da família Edwards, o olhar percorrendo lentamente a rua silenciosa e vazia. Apesar da dor persistente que a atormentava, uma leveza peculiar florescia em seu peito.

Ao refletir sobre o ano que passara com os Edwards, reconheceu o caráter sufocante de sua existência ali. Movida por um desejo profundo pelo calor familiar, havia se aprisionado voluntariamente, alimentando em vão a esperança de obter um pouco de afeto deles.

Infelizmente, tudo o que encontrou foi pura indiferença e exigências incessantes.

Janice lançou um último olhar para a mansão, cujas paredes exalavam um esplendor altivo, testemunha silenciosa do orgulho aristocrático.

"Vamos ver quanto dura sua grandeza sem mim", murmurou para si mesma, desviando o rosto. Ao dar o primeiro passo rumo à nova liberdade, uma voz a deteve inesperadamente.

"Senhorita Edwards, você é mesmo uma caixinha de surpresas."

Janice se virou. Diante dela, acompanhado por um guarda-costas, estava um homem em uma cadeira de rodas.

Seus traços eram de uma beleza impressionante — os contornos do rosto marcantes, a presença dominando a luz ao redor com naturalidade, mesmo sentado.

No entanto, era um homem com uma deficiência. Exatamente essa deficiência levara Delilah a desprezá-lo, obrigando a família Edwards a trazer Janice de volta para tomar o lugar da irmã em um casamento arranjado com ele.

"Senhor Green, o que quer dizer com isso?" A voz de Janice era cortante, os olhos se estreitando com uma intensidade palpável que anunciava perigo.

Arqueando levemente a sobrancelha, Aiden Green a observou com expressão curiosa. "Devo admitir minha surpresa. Não esperava que você, sempre tão dócil, revelasse um lado tão formidável. Inesperado."

"Esteve me observando?" O tom de Janice ficou mais gelado, os punhos se cerrando sutilmente enquanto se preparava para um possível confronto.

Imperturbável, Aiden fez um gesto discreto para que os guarda-costas mantivessem as posições. "Considerando que você é minha noiva, acho mais do que normal me interessar por seus assuntos, não concorda?"

"Sim", concordou Janice, a postura suavizando-se à medida que se aproximava de Aiden. "Mas está realmente disposto a me aceitar como sua noiva? Lembro-me bem de sua atitude anterior para comigo — bastante desdenhosa, beirando o desprezo."

"Isso ficou no passado", respondeu Aiden, a voz embargada enquanto mantinha o olhar fixo em Janice, cujo olhar já não mostrava vestígio de vulnerabilidade. Naquele momento, percebeu uma mudança nela, como se fosse uma pessoa completamente diferente. "Agora acredito que você é de fato adequada para ficar ao meu lado."

O sorriso de Janice dançava na brisa noturna, os cabelos esvoaçando como fios de seda. Um sorriso belo, mas de tom gélido. "Senhor Green, vamos direto ao ponto. O que realmente deseja?"

Aiden arqueou as sobrancelhas, intrigado. As mudanças por que ela passara eram ainda mais significativas do que imaginara. "Vamos fazer um acordo", propos.

"Certo, prossiga", instou Janice, o olhar fixo no dele com determinação.

"Você cortou os laços com a família Edwards. Quando Connor voltar, não vai deixar barato." A voz de Aiden era baixa e cativante. "Posso protegê-la da retaliação deles e oferecer o apoio necessário para que persiga suas ambições. Você os odeia agora, não é? Deseja vingança, suponho."

Os olhos de Janice se estreitaram, um lampejo de reconhecimento brilhando no fundo deles. Aiden havia atravessado sua fachada. A família Edwards presumira que trazê-la de volta fosse um gesto de caridade. No entanto, ela provaria que estavam errados — lhes mostraria o quanto eram ignorantes e a imensa riqueza e prosperidade que haviam perdido.

"E o que você quer em troca?", perguntou, a voz firme.

"Vamos registrar nosso casamento amanhã."

As palavras de Aiden deixaram Janice atordoada por um instante, mas logo seus lábios se curvaram em um sorriso. "Fechado."

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