CAPÍTULO 02
Isadora Galanis
Vingarei a morte do meu pai nem que seja a última coisa que eu faça. Mas agora...
- Vem, Rose! Precisamos correr! - corri feito doida, e a Rose me acompanhou. Havia muitos carros ali parados, a maioria devia ser apreendido, tinha uma barreira os separando, e algumas bancas que vendiam alimentos.
Nos escondemos atrás de uma delas, e quando vi o cara ali nos procurando, eu gritei feito uma maluca:
- LADRÃO! LADRÃO! ELE TÁ ROUBANDO TODO MUNDO, EU VI! - Apontei o dedo pra ele. - OLHEM! ELE TEM COISAS NAS MÃOS!!! - Fiz cara de desesperada, e outra vez, corri sem olhar pra trás.
Entrei no meio de rochas grandes com a Rose, e falei:
- O trem está ali! Aqui tem dinheiro, você só precisa atravessar por aqui - apontei. - Vá até a encosta, de lá você pegará um barco, e irá para a ilha de Creta. Vamos nos encontrar lá no cais!
- Mas, e você, Isa? - perguntou com aqueles olhinhos desesperados.
- Eu vou despistar eles, para que não peguem você! Mas eu me garanto, e prometo te encontrar lá o quanto antes! Agora corre que o infeliz de vermelho já está saindo de lá! - Eu disse e a vi correr na direção do trem, e quando entrou, eu atraí a atenção do de vermelho, para que ele viesse atrás de mim e não da Rose, mas eu estava bem ferrada...
Assim que ele me viu, corri muito. Fiquei sem fôlego.
Entrei no meio de rochas para despistá-lo, e vi que tinha outros vindo atrás dele quando peguei uma curva. Mas eu precisaria correr mais, não poderia correr o risco de eles pegarem a Rose, pois ela não saberia se defender.
- Pare, sua rata de esgoto! Você não tem pra onde fugir! - olhei para a frente, e eu já estava à beira de um precipício, apenas mais um passo, e eu cairia de uma altura significativa, que provavelmente não sobreviveria se tivesse pedras lá em baixo.
- Quem é você? O que quer comigo? - questionei, mas eu já sabia o que ele queria, só precisava enrolar, quem sabe eu não pensava em algo.
- Meu nome é Apolo! Mas, isso não faz diferença pra você agora! Tem cinco segundos para dizer aonde está o mapa do dinheiro que seu pai escondeu - um deles falou, ele estava atrás do de vermelho, e eram os mesmos caras que mataram meu pai. O ódio me consumiu, e nem fodendo eu entregaria pra ele, preferia morrer naquele precipício com o mapa, do que entregar para o assassino. Com sorte as ondas do mar me jogariam para a costa.
- Vai dizer, porra!? - Gritou o de vermelho.
- Vão para o inferno! - eu disse, quando pulei de ponta no precipício, e nem vi mais nada ali.
Eu tive sorte que não havia rocha onde eu pulei, mas era um mar muito bravo, que batia em pedras grandes e muito próximas de onde eu estava. As ondas vinham por cima de mim e eu precisei me esforçar muito para conseguir ficar para cima, nadar contra a correnteza para conseguir sair dali. Não sei se ainda me olhavam ou se estavam atrás de mim, mas a única coisa que eu pensava naquele momento, era em sair daquela água viva, e encontrar a minha irmã. Eu precisava saber se ela estava bem.
Engoli muita água, e chegou um momento que fiquei exausta e precisei boiar, precisando retroceder um pouco o que eu já tinha nadado. Estava começando a ter cãibras e não conseguiria dessa forma.
Vi um pequeno barco se aproximando e alguém jogou uma corda com uma boia na ponta para que eu subisse.
Com as poucas forças que eu ainda tinha, consegui me apoiar, e quando cheguei na beira do barco alguém me ergueu. Eu não conseguia nem falar, ouvia algumas pessoas falando ao meu redor, mas naquele momento apenas vomitei um pouco da água que tinha engolido e levei certo tempo para me recuperar.
Minha cabeça girava enquanto eu tentava entender onde estava. O barco balançava levemente, e algumas vozes ao meu redor soavam abafadas, como se meu cérebro não conseguisse processar tudo de uma vez.
- Ei, moça, você tá bem? - uma voz masculina perguntou, mas eu não conseguia responder de imediato. Meu corpo tremia de frio e exaustão.
Tossi, sentindo o gosto salgado do mar na boca, tentei me levantar. Os músculos gritavam em protesto, mas eu não podia ficar ali parada. Eu precisava encontrar minha irmã.
- Rose... - murmurei, com a voz fraca. - Onde está minha irmã? Vocês viram uma garota, mais nova que eu, cabelo castanho, olhos claros? Ela pegou o trem...
O homem que havia me puxado para o barco trocou um olhar preocupado com outra pessoa. Eu não gostei disso.
- Não vimos ninguém assim, moça. Você estava sozinha no mar quando encontramos você.
Meu coração disparou. Eu sabia que ela tinha conseguido entrar no trem, mas será que ela chegaria até Creta? E se aqueles desgraçados tivessem pego ela antes? Minha mente se encheu de cenários horríveis, e minha respiração ficou acelerada.
- Eu preciso sair daqui - declarei, tentando me levantar de novo, mas minhas pernas cederam.
- Você mal consegue ficar em pé! Espera um pouco, vamos levá-la para um local seguro - um dos tripulantes insistiu, mas eu já tinha perdido a paciência.
- Eu não tenho tempo para esperar! Preciso encontrar Adônis Pachis. Só ele pode me ajudar! - soltei sem nem pensar, e todos os olhares se voltaram para mim.
Adônis Pachis era um dos poucos contatos confiáveis do meu pai, um homem que conhecia os submundos como ninguém e que poderia me dar pistas sobre os assassinos dele. Se alguém poderia me ajudar a chegar até Rose e me vingar, também era ele.
- Você quer encontrar Adônis Pachis? - O homem que me puxou parecia hesitante. - Esse cara não é fácil de lidar.
- Não me importa. Me levem até ele, ou eu mesma vou encontrá-lo - exigi, tentando parecer mais forte do que realmente estava.
O silêncio tomou conta do barco por alguns segundos antes que um dos tripulantes soltasse um suspiro.
- Certo. Mas você vai precisar estar preparada. Pachis não ajuda ninguém sem um preço.
Engoli seco, eu estava disposta a pagar qualquer preço para salvar minha irmã e fazer aqueles desgraçados pagarem pela morte do meu pai. Eu faria o que fosse necessário.
Quando chegamos, nenhum deles ficou comigo. Foram embora como sombras desaparecendo.
O lugar era intimidador. Ergui o queixo e logo falei com homens do lado de fora da propriedade.
- Eu preciso falar com Adônis Pachis! Ele está? - se entre olharam.
- Don Adônis, seria? Não o chame assim pelo nome sem autorização, ou correrá o risco de levar um tiro... ele está resolvendo coisas de negócios. Precisará voltar mais tarde! - um deles falou, e fiquei atordoada.
- Eu vou esperar, não importa o quanto ele demore. - Sentei no banco de madeira, procurando por todas as ruas que eu pude, tentando avistar a Rose ou alguma pista.
- Por aqui, moça! Espere aqui dentro - apontou o segurança enorme que surgiu de dentro.
- Obrigada - precisei entrar.
- Você veio a mando de quem? Porque não estou esperando nenhuma visita - perguntou, ao abrir a porta. Era um homem alto e bem encorpado, com algumas tatuagens no braço. Se virou para me olhar, colocou a mão na cintura, e eu quase caí durinha no chão...
Ele era lindo, porte grande, estava me olhando nos olhos. Por um momento a minha boca travou.
- Puta que pariu! - pronunciei. Eu já havia visto ele.
Capítulo 3
Isadora Galanis
- O quê disse? - o grandão perguntou, e agora que vi que falei alto demais.
- Você se chama, Adônis Pachis? - perguntei com receio, o cara era grande, intimidador.
- Sim! Mas, alguns me chamam de escorpião, outros de chefe, ou até Don. Adônis não é permitido para qualquer um! Quem te mandou me procurar? - parou na minha frente, e no seu movimento percebi que sacaria uma arma.
- O meu pai! Ou melhor... Galanis, mais conhecido como cobra.
Ele pareceu pensar em algo, tirou a mão da cintura e então se ajeitou encostando na beira da sua mesa. Parecia me analisar por alguns segundos.
- E, você é a metida que quase morreu esses dias por se intrometer nos meus negócios - falou dando uma volta ao meu redor de forma lenta e horrorosa, me senti sufocada, com ele me comprimindo. Fiquei sem ar.
- Eu não fiz nada. Foram vocês que invadiram o meu local de trabalho, e por sua culpa perdi o emprego! - Reclamei fechando a cara.
- Deveria me agradecer, você me parece muito petulante! Aquela merda de bar não é um emprego pra quem tem ambição. Tem sorte que te deixei viver. Quem vê demais sempre fecha os olhos mais cedo - rosnou e eu enfiei a mão na cintura igual ele fez anteriormente, me aproximei e coloquei a mão em cima da sua arma, mas ele foi mais rápido e a puxou antes que eu, sorriu disfarçadamente, parecia se conter muito, pois virou de costas pra mim.
- Boa tentativa, mas não me faça perder a porra da paciência e enfiar essa merda na sua garganta... agora diga logo o que quer, senhorita...
- Isadora Galanis - cortei - Agora me ouça, que se o meu pai falou que eu poderia confiar em você, então espero poder mesmo. - A princípio, tive receio. Quando o conheci ele estava nos fundos do bar em que eu trabalhava, torturando um oficial para tirar informações, o cara é nervoso.
- Diga, logo, porra - falou ele, mas agora não tenho medo. Se o meu pai falou, tá falado, já percebi que o cara é muito bem de vida e muito influente por aqui, então eu só precisava expor as minhas ideias.
- Quero ver sobre o acordo de casamento. Preciso de proteção para mim e para a minha irmã, Rose, que inclusive está desaparecida, você precisa me ajudar a encontrá-la. E, em troca, eu me caso com você como o combinado com meu pai - falei de uma vez, e ele riu.
- E, porque quer me castigar desse jeito? Eu não fiz nada para precisar me casar com você! Mas, não caso, mesmo! Se o cobra não está aqui não vou fazer uma merda dessas - fiquei apavorada. Sem o apoio dele, como eu faria as coisas?
- O quê? Você ainda nem me ouviu - lembrei da caixa e do que eu imaginava ter dentro. - Aposto que vai querer. Eu te ofereço a metade do tesouro de Gura. Tenho o mapa, e também já tenho noção de onde fica. Você casa comigo... por um contrato de três anos, me ajuda a encontrar o dinheiro, e protege nós duas das mãos do Apolo - ele pareceu pensar.
- Olha só... eu não quero ser indelicado, mas eu não vou casar porra nenhuma! Eu te ofereço abrigo, e proteção para as duas, até ajudo a encontrar a sua irmã, acabo com a raça desse idiota que nunca engoli, mas é só... eu não me casarei com ninguém, sou um homem solteiro e pretendo continuar comendo minhas gatas por aí.
O grandão estava dificultando as coisas, e vi que eu precisaria partir para o plano "B", senão eu não conseguiria o que pretendia, se ele fosse casado comigo, as minhas garantias seriam muito maiores.
- Já que tá se fazendo, vou jogar a real com você! Você tem uma dívida com o meu pai, ele me contou, agora me lembro bem. Nem adianta fazer essa cara aí... eu quero que se case comigo, assim como foi acordado com ele, a máfia é clara quanto a isso... faremos um documento de três anos, e você líquida a sua dívida. Sem contar que tem o dinheiro todo, que está envolvido! - falei, tirando a mochila e rezando para ter esse mapa lá, que por sorte, estava na caixa e estava seco, com o plástico que coloquei protegendo.
Meu coração ficou acelerado. A Rose dependia disso e o tempo estava passando.
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Adônis Pachis
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Essa mulher só pode estar de palhaçada comigo. Está me coagindo a me casar com ela, e eu não quero. Eu sei muito bem da dívida que tenho com o pai dela, pois quando eu estava à beira da morte ele me salvou e me tirou de lá.
Até entendo isso, mas o fato dela querer me forçar a se casar com ela por esse motivo, me enoja, não gosto desse tipo de mulher que precisa fazer chantagem para conseguir o que quer.
No começo até tinha achado ela gostosa, mas agora vou ser forçado a fazer algo que não quero por culpa dela, então não começamos nada bem. O que salva é esse mapa de Gura, isso sim eu tenho certeza que será uma proposta muito lucrativa.
- Está bem! Mas já vou avisando que não vou parar de ter a minhas amantes!
- Sobre isso, eu gostaria que o contrato tivesse uma cláusula, que proibisse a intimidade forçada. Você jamais encostará em mim sem que eu permita, isso é uma lei e não um pedido! - falou, como se eu fosse um abusador, e já tenho as minhas amantes e putas à vontade, pra quê faria isso... eu hein... mulher esquisita.
- Sem problemas! Desde que não se meta nas minhas fodas, tudo bem! - disse, mas já me arrependendo da loucura que eu me meteria.
Isadora é uma moça linda, tem um corpo saliente, não é magra, nem gorda, tem umas coxas grossas, uma cintura fina, e uma bunda... "caralho, que bunda gostosa!" Penso.
- Ei! Quer parar de olhar para a minha bunda! Eu vi, hein! Aquieta esse negócio aí no meio das pernas, que não tenho intenção nenhuma em usar! - falou irritadiça, e preferi nem responder...
Peguei o meu celular, e liguei para o meu advogado.
- Preciso que venha agora mesmo para o meu escritório! Preciso que redija um contrato de casamento.
- Agora, chefe?
- Agora, vamos!
- Tá! Já chego aí! - respondeu.
Fiquei com ela no meu escritório, e ela ficou falando de todas as coisas que aconteceu enquanto estava na sua casa, e eu decidi que preciso dar um jeito logo nesse Apolo , pois ele me trará muitos problemas, ele já sabe do mapa e virá atrás delas, então preciso cortar o mal pela raiz.
Quando o advogado chegou, fomos colocando para ele todos os quesitos que queríamos no documento.
Solicitei ao advogado que providenciasse documentos novos, para ambas, e liguei para um dos meus:
- Thomas! Tem ordens expressas para matar o Apolo! Vão agora mesmo para Atenas, e se certifique de que esteja morto! - pedi ao meu braço direito.
- Claro, chefe! Faz tempo que quero ver a boca daquele maldito, entupida de formigas.
- Não me desaponte! - olhei para a minha "noiva", que ironia...
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- Isadora! Vou pedir a governanta que te acompanhe, e poderá tomar um banho, e descansar. Também levará algo para comer, e já vou colocar uma equipe a procura da sua irmã, só explique a governanta como ela é, que iremos encontrá-la.
- E, quanto ao contrato? - perguntou.
- Ficará pronto apenas amanhã, descanse por hoje - mostrei a saída e chamei a governanta, preciso de espaço! Acabei de fazer a merda do século, e preciso me recompor o quanto antes.