Capa do Romance NAS TERRAS DE MAKUNAIMA – PARTE 2

NAS TERRAS DE MAKUNAIMA – PARTE 2

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Nesta prequela, conhecemos José Carlos, professor de 32 anos e irmão de Pedro José. Sua rotina pacata em Roraima muda ao conhecer Vera Mara, veterinária recém-chegada de Manaus. Após salvar a colega de um grave acidente, uma conexão intensa surge, mas há um obstáculo: o namoro de Vera com o professor Ricardo. Entre a universidade e a Fazenda Sossego, José enfrentará dilemas profundos e paixões inesperadas, mergulhando em uma jornada de mistério e desejo nas terras de Makunaima.

NAS TERRAS DE MAKUNAIMA – PARTE 2 Capítulo 1

UM ANO ANTES.

Vera está em uma estufa da Universidade de Barra Mansa da Mata, onde um grave acabou de acontecer um acidente. Ela está sozinha, ferida e em desespero. Tenta pedir auxílio a alguém, através do rádio comunicador que conseguiu encontrar.

- Alguém, ... me ouve. Câmbio! – Sua voz tremeu, sentindo dor.

“Sem resposta. Preciso continuar tentando. Senão esse pode ser o meu fim!”

- Alô! S.O.S. – O rádio fez ruídos e estáticas.

“Será que Ricardo não está por perto!? Mantenha a calma, Vera. Pensamento positivo. Irei conseguir sair dessa...” – Vera ponderou.

- Ai! Que dor! Estarei perdida, se não conseguir ajuda!

- Câmbio! Ou ... seja lá o que tenho que ... dizer. Ai!!! ... – Sua voz falhou, devido a dor.

De repente uma voz grave, surgiu no rádio.

- Olá! Quem está na linha?

- Venha! Ricardo. Preciso muito de ajuda! Fui atacada... câmbio! - Suspiros.

- Senhora, tente se acalmar. E, me diga exatamente onde está.

- Ricardo, estou na estufa da universidade. Fui atacada... – Repetiu, sua voz fraca.

- Tudo certo. Estou indo. Não se preocupe muito. Apenas, continue falando comigo, senhora.

- Ricardo, meu amor, ... a sua voz, ... está diferente. Estou com muita dor, e ... ficando com frio! - A Voz de Vera era apenas um sussurro.

- É, que eu não sou o Ricardo. Senhora.

- Hã! Eu, deveria ... saber. Des – desculpe. Não estou nada bem! – A voz dela sussurrava.

- O que aconteceu, senhora? – Zeca tentou ouvir melhor, porém escutou apenas ruídos do rádio.

- Estou sendo atacada, ... por abelhas...

- Abelhas! Moça, sabe dizer se é alérgica?

- Nã - não. Mas, ... agora não tô enxergando nada. Minha visão, está embaçada. Sinto muita dor. – Sua voz continuou baixa.

- Por favor, continue falando. Já estou quase na estufa. – O rádio ainda fez uns ruídos.

- Moço, estou ficando, ... estou ... ficando ... cansada. Sinto ... frio!

- Moça, fique calma. Se possível, se proteja.

- Estou escondida. Mas, já fui picada ... várias, ... muitas vezes. Não sei ao certo por quantas abelhas. – Ela suspirou alto, e Zeca conseguiu escutar pelo rádio.

José está correndo, tentando encontrar o local.

“Deve ser por aqui. A estufa ... deixe-me ver. Acho que é por aqui.”

- Vera, alô! Me diga é este o seu nome?

- Sim, senhor! Me ajude, ... por favor! – A voz estava quase imperceptível.

- Estou a caminho. Agora, por favor! Apenas tente ficar, acordada.

- Vou tentar o máximo que eu ... que eu ... – A voz dela ficou bem mais fraca, até parar.

- Vera, ainda está aí?! Fale comigo. Não me deixe preocupado! Câmbio!!!

Neste momento o silêncio dominava o rádio comunicador.

“A voz parou... Será que ela desmaiou? Tenho que me apressar. Tenho que conseguir salvar aquela moça?” – Zeca bastante apreensivo, acelerou o passo.

- Senhora! Senhora. Continue falando. Vera, o que ia me dizer?! - Falou para o rádio, porém, apenas escutou os ruídos.

“Não posso perder essa mulher. Pelo bem da minha consciência. Ela tem que sobreviver!” – Zeca ponderou.

Zeca falou, apertando o rádio comunicador com força e acelerando o passo em uma corrida preocupada, até chegar à estufa.

Ao chegar na estufa, Zeca entrou coberto com sua jaqueta e um chapéu de proteção. Abelhas ainda voam em grandes quantidades por todos os lados.

- Cheguei senhora. Vera?! Moça, me responda! – Perguntou.

“Ela disse que estava escondida. Será que desmaiou? Ou coisa pior!” – Zeca pensou e ficou mais preocupado.

- Tenho que salvá-la! Nunca vou conseguir me acalmar. Se ela não ficar bem.

“Que droga! Onde será que o irresponsável do Ricardo se meteu?” – Pensou.

- Senhor, estou aqui! – A voz dela ressurgiu, muito baixa.

- Deixe-me ver. Acho que é por aqui. Vou seguir até onde acredito que a voz falou. – Disse, enquanto caminhava.

- Pronto! Cheguei. Agora vai ficar tudo bem. – Zeca respirou fundo, aliviado, seguindo rápido em direção a voz.

Vera estava encolhida, enrolada em uma lona amarela, bem no canto da estufa. Quase irreconhecível devido ao inchaço. As abelhas voavam aos montes por todos os lados do ambiente.

“Ainda bem que a moça ainda está viva!” – Ele refletiu.

- Se não estivesse me coberto também teria sido atacado.

Zeca foi até onde a moça estava encolhida e se agachou ao lado dela.

- Vera, estou aqui como prometi. Fique calma. Vim lhe ajudar.

- Moço, acho ... que minha pressão ... caiu. – Vera murmurou.

“O seu rosto está muito inchado e parece não conseguir abrir os olhos.” – Zeca analisou.

- A senhora consegue se levantar?

- Não. Estou me sentindo muito fraca. Com um pouco de frio. – Ela falou ainda baixo.

- Então, vou te carregar. Não se assuste. – Ele colocou sua jaqueta sobre Vera.

Algumas abelhas o picaram nas costas, mesmo assim ele cobriu o rosto dela com a sua jaqueta.

- Me escute. Segure firme, vou levar a senhora para o posto de saúde. É muito importante se manter acordada.

Pegou-a nos braços e seguiu rápido corredor afora. No caminho, Zeca encontrou-se com um acadêmico de veterinária.

- Ei rapaz! Como se chama?

- Sou o Davi, senhor. - Disse atento.

- Avise na reitoria que estou levando esta senhora ao posto de saúde, vou pegar o jipe verde do campus. Entro em contato pelo rádio em breve. Porém, como pode ver estou ocupado.

- Mas, é a professora Vera. Nossa professora de anatomia animal de veterinária! Pode deixar, professor.

- Outra coisa, algumas abelhas fugiram. Vá lá e peça ajuda para controlar os animais. Para não atacar mais ninguém.

- Claro que aviso, professor!

- Obrigado! Davi não vá esquecer.

Disse enquanto seguia rapidamente seu caminho.

- Ah. Então ela trabalha aqui também.

- Vou fazer tudo que me pediu, senhor. – Davi disse ao longe.

Zeca nem terminou de ouvir o acadêmico falar, apressado em salvar a professora, seguiu até a saída do campus com Vera no colo. Ele andou por pelo menos uns 500 metros, até chegar em frente à porta do campus. Deixou a moça deitada em uma cadeira perto da porta e foi buscar o veículo.

Alguns minutos depois, Zeca volta dirigindo o jipe, desceu do carro e retornou para buscá-la. Ainda com ar de preocupação, colocou-a no colo mais uma vez, até acomodar a moça no banco do passageiro.

- Aguente firme professora. Voltei e vou fazer o possível para ajudar a senhora! - Zeca falou olhando-a.

- Ricardo ... meu amor! – Murmurou confusa, tocando no braço dele.

Zeca suspirou, dividido entre sua responsabilidade e o desconcerto.

- Pelo amor de Deus, Ricardo! O que você fez de errado com essa moça? – Zeca questionou em voz baixa.

Eles seguiram pelo caminho que já estava escuro e com alguns buracos na estrada. Durante boa parte do trajeto ela continuava chamando por Ricardo e puxando um dos braços de Zeca.

- Por que estamos demorando tanto chegar no posto de saúde? Hoje parece tão mais longe!

Zeca dirigia rápido, atento aos buracos na estrada. Enquanto seguia seu caminho, a olhava pelo canto dos olhos. O semblante dele parecia preocupado.

“Ela ainda respira direito. O que é um ótimo sinal. O preocupante é que ela está um pouco fria.” – Ele ponderou, observando e arrumando a jaqueta sobre ela.

- Trinta quilômetros do Barra Mansa da Mata. É uma eternidade, quando temos que socorrer alguém. - “Por que esse posto de saúde parece estar tão longe daqui?” – Refletiu preocupado novamente.

- Que bom! Ela parece estar se acalmando agora.

De repente ela se aconchegou, abraçando sua cintura e sorriu de leve.

“Como assim?! Ela está me abraçando?”

Ele achou estranho, no entanto, não afastou os braços dela.

- Ricardo meu amor! Quem bom que veio me salvar. – Vera murmurou.

“Ela seria linda, se não estivesse tão inchada. No que estou pensando? Tô doido! Foco, Zeca! Que loucura é essa agora, imprestável?” – Ele bateu de leve no próprio rosto.

- Calma, dona. Já estamos chegando ao Posto de Saúde. Aguente só mais um pouco.

Ao chegar ao posto, Zeca precisou colocá-la novamente no colo até entrar no posto. Assim que entrou caminhou rapidamente e gritou, alertando aos enfermeiros.

- Por favor, alguém me ajude! Tem uma paciente que foi atacada por um enxame de abelhas. Preciso de ajuda urgente!!! – Zeca disse com voz alterada.

- Senhor, deixe a moça numa maca da sala de espera. Depois, volte para preencher a ficha. – Uma atendente o alertou.

- Claro. Espere um minuto.

Zeca, acomodou-a com cuidado no local indicado e voltou ao balcão de atendimento.

- Qual é o nome da paciente?

- Se chama, Vera.

- Nome completo?

- Não sei. – Ele coçou a cabeça.

- Qual a idade dela?

- Também, não sei.

- Por favor! O senhor sabe alguma coisa sobre ela? – A atendente reclamou.

- Sim, que foi atacada por um enxame de abelhas. Que trabalha na faculdade de Barra Mansa da Mata. E, que precisa de atendimento médico.

- Senhor, vai ter que descobrir mais.

- Espere apenas um minuto, já volto.

Ele se afastou, voltando a sala de atendimento, entrou bem devagar e ficou observando.

“Será que ela tem algum crachá no bolso do jaleco?” – Ele pensou.

“Mas, não posso meter as mãos no bolso de uma desconhecida. Talvez faça, se for para ajudar. Não! Nem por necessidade consigo fazer uma coisa destas.” – Ponderou.

- Entre senhor. É a sua namorada? Ela está recebendo o tratamento e vai logo ficar bem. – A enfermeira sorriu.

- O que!? Ela não... não, é minha namorada! – Zeca suspirou incrédulo. – Que loucura! – Ficou vermelho.

“O Ricardo deve ser um tremendo imbecil. Mas, é melhor me colocar logo no meu lugar.” – Zeca pensou.

- Ah, não. É que o senhor chegou aqui tão aflito. Assim, preocupado, parecia ser algo da paciente. Poxa, mil desculpas! – A enfermeira disse com um sorriso.

- Sem problemas. – Ele coçou a nuca. - Você pode me informar se ela tem algum crachá. Preciso de algumas informações.

- Sim, aqui está senhor. – A enfermeira entregou.

Zeca olhou para a foto do crachá, em seguida para a mulher que estava sendo tratada.

“Nem parecem ser a mesma pessoa. Nesta foto tem longos cabelos negros, olhos castanhos e lábios grossos. Que por sinal, são bem desenhados. O que eu estou fazendo? De novo! Devo estar carente!” – Ele refletiu preocupado.

Zeca lê: Vera Mara Sucupira, 30 anos - professora.

- Agora que tenho o nome e a idade vou levar até a recepcionista. O nome é Vera Mara de Sucupira e tem 30 anos. Nova para dar aulas em uma universidade. O que posso dizer sobre isso? Nós não temos muita diferença de idade e também faço o mesmo. – Ele esboçou um sorriso.

Em seguida, retornou e levou os dados a recepção. Os entregou para a recepcionista, retornou até a sala de atendimento. Porém, descobriu que a professora já foi encaminhada para outra sala.

- Pode me dizer onde a moça que eu trouxe a pouco está ficando? – Ele perguntou a enfermeira.

- A Vera, foi encaminhada para a outra sala, senhor. Fica logo no final do corredor à direita. É a sala de observação.

- Onde?

- No final do corredor, à direita.

Zeca, escutou a instrução seguiu até lá.

- Onde está a paciente que eu trouxe?

- O senhor é o noivo dessa paciente?

- Não, doutor. Passei por acaso no local que ela estava. Vi que precisava de ajuda e resolvi fazer o necessário.

- Ah! É que chegou aqui tão preocupado. Tirei conclusões precipitadas. Me desculpe senhor.

- Sem problemas, doutor. Como ela está?

- Reagindo bem ao tratamento.

- Já descobriu o que ela tem de verdade?

- Então, Vera teve uma reação alérgica leve. Parece ter sentido muita dor devido ao ataque das abelhas que atingiram, principalmente em seu rosto, perto dos olhos, o que causou inchaço e visão turva. Com sorte, não era alergia grave.

- Que alívio! Cheguei a pensar que não resistiria. – Zeca sorriu.

- Senhor, ela está fora de perigo.

- Fico pensando na dor que ela deve ter sentido na hora. Por isso, nem conseguiu sair da estufa. – Zeca falou. “Até esqueci que também fui picado nas costas.” – Ele pensou.

- A sorte dela é não ser alérgica. Senão, talvez nem tivesse tempo de chegar a ser atendida no posto. O senhor entende?

- Claro, doutor.

- Já fizemos a primeira parte do tratamento com os remédios necessários. Vou entregar aqui a receita. Vá até a farmácia, para receber os medicamentos necessários para continuar a fazer o tratamento em casa.

- Ela vai precisar de outros cuidados?

- Sim. Vai precisar fazer compressas geladas no local e tomar os medicamentos. Ela teve muita sorte do senhor ter encontrado. Mesmo não tendo histórico de alergia. O que essa senhorita poderia ter passado, poderia ser bem pior.

- Ainda bem que pude ajudar! Ela vai ficar quanto tempo em observação?

- No máximo uma hora, até termos certeza que a medicação fez efeito. Recomendo que fique a noite toda por perto, para ajudá-la. Não esqueça disso.

- Como não temos intimidades, passarei a recomendação para algum conhecido dela.

- Tudo certo então, preciso sair. Terei que atender outros pacientes.

- Obrigado, doutor.

- Obrigado, pela sua atitude, senhor José.

O médico saiu apenas balançando a cabeça em confirmação. Zeca virou-se observou Vera por um momento, acariciou a cabeça dela, que esboçou um leve sorriso, seu rosto ainda estava inchado. Depois, passou as mãos em seus próprios cabelos, aliviado.

“Ela está viva. É exatamente isso, o que importa.” – Zeca pensou com um leve sorriso.

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