O troféu de cristal que Belen segurava despedaçou-se em inúmeros fragmentos.
Estilhaços espalharam-se por todo o chão.
"Perdão, mil desculpas..." Jayde ficou imóvel por um instante antes de se agachar apressadamente para recolher os cacos. De repente, um lamento de dor escapou de seus lábios.
Lanny, preocupado, apressou-se em erguê-la. Ao notar o sangue em seus dedos, disse com firmeza: "Por que está tentando recolher vidro quebrado? Deixe que um funcionário cuide disso depois."
"Sinto muito", murmurou Jayde, lançando um olhar constrangido para Belen, cujo semblante estava lívido. "Sinto muito de verdade. Eu... acabei quebrando seu Troféu de Prestígio em Dança sem querer."
Para qualquer pessoa dedicada à dança clássica, aquele prêmio representava o mais alto reconhecimento.
Mas agora, o troféu estava irremediavelmente destruído.
Ao ouvir a menção ao Troféu de Prestígio em Dança, Lanny franziu levemente as sobrancelhas.
Era impossível esquecer o quanto Belen se mostrara emocionada ao receber o prêmio — ela riu com lágrimas nos olhos durante toda aquela noite, tagarelando animadamente ao seu lado.
Embora ele não compreendesse o valor simbólico da dança, sabia que troféus simbolizavam reconhecimento — algo que também prezava como lutador.
"Belen, foi completamente sem intenção...", disse Jayde, com os olhos marejados, agachando-se mais uma vez para recolher os pedaços de vidro.
No instante seguinte, Belen agarrou a gola da blusa dela.
Então um estalo seco ressoou quando a mão de Belen atingiu o rosto de Jayde.
Uma marca rubra e intensa se formou na bochecha de Jayde.
O ambiente ficou carregado de tensão na ampla sala de estar.
"Por que está fingindo ser inocente?" Belen lutava para manter a compostura, mas o descontrole da situação e a lembrança de Jayde deliberadamente colidindo com ela despertaram sua indignação. "Revise as imagens das câmeras de segurança e veremos se foi mesmo um acidente."
Um traço de desconforto cruzou o olhar de Jayde ao ouvir a acusação.
"Basta!" Assumindo uma postura defensiva, Lanny posicionou-se à frente de Jayde e seu olhar gélido encontrou o de Belen. "Estamos falando de vidro quebrado, nada mais. Seu valor como artista não se apaga por isso. É realmente necessário reagir com tanta agressividade assim?"
Belen não sabia o que dizer.
Ela encarou Lanny, sem conseguir conter a sensação de sufocamento.
"Jayde não fez isso propositalmente. Você precisa parar de agir com tanta dureza." Lanny observava com cuidado o rosto machucado de Jayde e preparava-se para bater em Belen.
Contudo, após piscar lentamente, hesitou, recuou a mão e afirmou: "Se você encostar nela de novo, não terei piedade. Agora, vá embora daqui."
Os olhos de Belen ardiam, e uma onda de emoção a fez prender a respiração.
Por fim, ela inspirou fundo, puxou sua mala e deixou o local apressadamente.
Ao sair da vila, deparou-se com uma chuva intensa.
Caminhando lentamente sob o aguaceiro, Belen foi tomada por lembranças, de quando Lanny defendeu sua dignidade aos catorze anos.
Naquela ocasião, ela havia conquistado sua primeira grande vitória em uma competição e estava voltando para casa orgulhosa com o troféu nas mãos.
De repente, um bêbado agressivo o derrubou, o troféu quebrou, e o homem o chutou para longe enquanto a insultava.
Sem hesitar, Lanny reagiu com um soco direto no nariz do agressor, depois, a carregou nas costas até em casa enquanto ela chorava silenciosamente.
Assim que chegaram, ele passou a noite juntando, com cuidado, os pedaços do troféu quebrado.
Belen jamais esqueceu o momento em que ele lhe devolveu o troféu, os olhos vermelhos de tanto esforço, dizendo com orgulho: "Veja, parece novo. Nem parece que foi quebrado."
Ele a valorizava tanto naquela época, mas agora estava disposto a atacá-la por causa de outra mulher...
Belen então retornou ao apartamento que alugava próximo ao campus, completamente encharcada pela tempestade.
Infelizmente, contraiu uma febre alta após a exposição à chuva e permaneceu acamada por dois dias.
"Ding-dong..." A campainha soou.
Antes que Belen pudesse se levantar para atender, ouviu passos apressados se aproximando.
Com certa dificuldade, ela ergueu os olhos e se deparou com Lanny, cujo olhar escuro estava fixo nela, carregado de tensão.
No instante seguinte, ele agarrou sua garganta com força e exigiu: "Onde você escondeu Jayde?"
"Cof, cof..." Belen lutava desesperadamente para respirar, sentindo que poderia perder os sentidos a qualquer instante. "Eu... eu não sei..."
"Fale de uma vez!" Lanny liberou o aperto em seu pescoço apenas para agarrar seus cabelos com força. "Acabei subestimando você. Foi ousada o suficiente para sequestrar Jayde."
"Isso não é verdade!", retrucou Belen, encarando-o com firmeza. "Ah..."
Um grito escapou de seus lábios quando, repentinamente, Lanny a ergueu e a lançou sobre seu ombro, saindo do apartamento em passos determinados.
A porta foi fechada com violência.
Belen foi arremessada para o banco traseiro do carro de Lanny.
Sem saber qual era o destino, tudo o que ela sentia era a aceleração crescente do veículo.
Pouco depois, pôde ouvir o som do mar quebrando ao longe.
Diante deles, o oceano se estendia escuro e imenso, com um enorme navio de cruzeiro delineando-se contra o céu noturno.
Lanny desceu do carro, abriu a porta de trás e puxou Belen sem cerimônia, arrastando-a em direção à costa.
"Mãe..." Belen mal podia acreditar no que via ao deparar-se com Ellen ali, amarrada pelos pulsos e tornozelos no convés. Seu rosto empalideceu imediatamente.
"Mmmph!" Ellen estava com a boca coberta com fita adesiva, e seu olhar desesperado repousava sobre a filha.
"Você pode até se recusar a revelar o paradeiro de Jayde, mas sua mãe pagará o preço." Ao terminar a frase, Lanny fez um sinal para os homens no barco.
"Mmmph!"
Belen observou, horrorizada, enquanto Ellen era colocada dentro de um saco de juta. A abertura foi amarrada com uma corda e, em seguida, o saco foi lançado ao mar.
Splash! As águas se agitaram violentamente.
O saco boiava e afundava com o movimento das ondas, submergindo e emergindo de forma intermitente.
"Por acaso você enlouqueceu, Lanny?" Belen agarrou a gola da camisa dele, sua voz embargada de desespero. "Eu não tenho relação alguma com o desaparecimento de Jayde. Minha mãe passou por uma cirurgia pulmonar. Você está matando-a..."
Suas palavras se perderam em meio aos soluços.
"É mesmo?" Lanny soltou uma risada seca. "Os dois responsáveis pelo sequestro dela participaram dos ensaios escolares com você. O celular dela foi encontrado em uma loja de conveniência, com mensagens ameaçadoras enviadas do seu número."
Enquanto falava, ele retirou o celular de Jayde do bolso e exibiu as mensagens supostamente enviadas por Belen.
"O interesse dele por você é apenas passageiro. É melhor se afastar antes que a situação piore."
"Você não passa de uma mulher sem recursos. Não se iluda achando que vai subir na vida o seduzindo."
"Se não terminar com Lanny, vou me certificar de que desapareça de uma vez por todas."
Com os dentes cerrados, Belen rebateu: "Essas mensagens não foram enviadas por mim. Por que está tão certo de que fui eu a responsável? Por favor, Lanny, imploro que liberte minha mãe!"
Lanny estreitou os olhos. "Porque eu sei o que sente por mim."
Diante de tal afirmação, Belen sentiu o coração acelerar, então permanecia em silêncio, incapaz de responder.
"Faz tempo que sei que você nutre algo por mim. Agora que meu coração pertence a outra, você a vê como rival", vociferou Lanny, tomado pela fúria. "Nunca imaginei que fosse tão mesquinha, Belen. Mesmo que eu não amasse Jayde, jamais corresponderia aos seus sentimentos. Pare de me perseguir. Agora, diga-me onde ela está!"
"Eu não sei!", bradou Belen, à beira do colapso emocional.
Ela tentou correr em direção ao mar, mas Lanny a conteve com firmeza.
"Ainda insiste em mentir? Muito bem. Então sua mãe encontrará seu fim esta noite." Dizendo isso, ele voltou-se para os homens ao seu comando. "Cortem a corda."
"Não..." Os olhos de Belen se arregalaram em puro terror, enquanto sua mente se tornava um vazio absoluto.
Ela queria impedir, mas estava imobilizada.
A corda que ligava o saco ao convés foi cortada, e ele afundou lentamente nas profundezas do mar.
"Mãe, mãe..." As lágrimas deslizavam pelo rosto de Belen, que, em um gesto desesperado, cravou os dentes no pulso de Lanny.
O sabor metálico do sangue invadiu sua boca quase de imediato.
Nesse instante, um dos homens de Lanny surgiu apressado. "Senhor Lewis, localizamos a senhorita Gilbert!"
Os olhos de Lanny se acenderam com a notícia. "Onde ela está? Leve-me até ela."
Em poucos segundos, ele e os demais partiram às pressas.
Aproveitando o momento, Belen correu em direção ao mar e lançou-se nas águas escuras.
O frio cortante da noite a envolveu por completo, arrancando-lhe o fôlego. Ainda assim, ela nadava com todas as forças, até que finalmente avistou o saco.
Exausta e com as pernas quase entorpecidas, conseguiu, com esforço, arrastá-lo até a areia da praia.
"Mãe, por favor. Você precisa ficar bem..." Com as mãos trêmulas, Belen desfez os nós da corda, revelando o rosto desfalecido e pálido de Ellen, inconsciente.
Ela não hesitou em agir e imediatamente solicitou uma ambulância.
O trajeto até o hospital foi feito às pressas. Belen, em estado de choque, observava, impotente, enquanto Ellen era conduzida às pressas para a unidade de emergência.