Capítulo 2

O estranho arrepio percorreu sua espinha até a nuca quando foi puxada para cima com apenas um impulso. Erguendo os olhos avistou um grande homem com o dobro do seu tamanho. Lia o encarou instantaneamente encantada com o rosto bonito à sua frente, sentiu um calor incomum e tentou se lembrar se já havia visto tal beleza antes e não conseguiu.

Ele simplesmente parecia uma obra de arte de tão bonito. Vestido num terno preto de camurça fina muito elegante, parecia até mesmo um modelo. No entanto as roupas estavam desgrenhadas, a camisa aberta e gravata borboleta sem nó, não que isso o tornasse menos bonito, pelo contrário só realçou sua beleza humana. Seus olhos castanhos escuros – muito escuros – não tão grandes, as sombrancelhas intocáveis, os lábios desenhados, a expressão dura e máscula a deixou um tanto sem fôlego.

Ele por sua vez a encarava com curiosidade e um misto de preocupação, embora seu olhar estivesse escuro, seus olhos penetraram na íris de Lia como um feiticeiro querendo ler a mente de alguém. Ele sentiu a estranha obsessão de continuar olhando para ela naquele momento.

Sentindo-se intimidada e exposta com aquele olhar, ela desviou os seus sentindo suas estranhas se contraírem e esfriarem de modo insólito. Nunca havia sentido-se de tal forma, ressaltou novamente. O homem continuou estudando-a de cima a baixo enquanto sentia o coração acelerado.

Os dois estavam.

Lia quase tinha certeza que alguém em um país distante poderia ouvir suas batidas frenéticas e ela não entendia o porquê disso.

O homem nunca havia presenciado em sua frente, moça tão bela. Uma beleza diferente de tudo que já vira antes. As feições doces e perfeitamente desenhadas chamou sua atenção. O rosto aparentemente cansado – consequências de muitas decepções recentes – , os olhos caídos se abriram na intenção de observá-la mais um pouco, ele não conseguia não olhá-la, era linda demais e o deixara intrigado.

No entanto suas roupas rasgadas e feias não passaram despercebidas por, franzindo o cenho ele pensou que tipo de pessoa vagava pelas ruas com vestes furadas exageradamente antes mesmo de amanhecer o dia? Ela poderia ser uma mendiga. Ou realmente era.

— Muito obrigada... — agradeceu quando finalmente conseguiu respirar de novo — Aí! — exclamou ela sentindo uma dor aguda nas costelas.

— Você se machucou? — perguntou ele com olhar de solicitude.

— Não sei... Acho que sim. Está doendo muito aqui. — apontou para sua costela.

Então ele se aproximou com cautela para não assustá-la, naquele momento pensou em quando havia sido gentil com alguém antes mas ignorou tal pensamento quando ela mordeu o lábio inferior e uma expressão de dor nasceu em sua bela face.

— Posso? — pediu ele fazendo menção de levantar a blusa dela somente até ver seu ferimento.

Assim sendo, ela rapidamente olhou para o lado vendo um carro esporte mas muito chique com os faróis acesos e portas abertas, entregando que a pessoa saiu às pressas dele. Constatou o óbvio em segundos, fora ele quem quase a atropelou.

— Acho que não. — ela recuou dois passos assustada e quase voltou a cair no precipício.

— Por que? Quero apenas saber se está machucada. Não vou abusar de você. — disse ele um tanto irritado.

Lia sentiu o hálito de bebida alcoólica e não evitou a pergunta automática e decepcionada.

— O senhor está bêbado? — afirmou mais do que perguntou. Sua expressão chocada o fez soltar uma risada baixa.

— Não. — respondeu secamente.

— Mas é claro que está! O cheiro de álcool está tão forte que eu quase posso ficar bêbada também. — disparou ela contraindo a costela mais uma vez.

— Mesmo que estivesse, por que isso seria da sua conta? — seu tom saiu mais grosseiro do que ele pretendia, porém não se importou.

Nunca se importava com ninguém.

— Talvez porque quase me atropelou e estava dirigindo bêbado! Isso é crime! - o acusou horrorizada.

— Não seja dramática, as pessoas fazem isso todos os dias. Vai me dizer que não sabe que a maioria dirige bêbado por ai? — o homem deu de ombros e bufou.

— Eu não faço ideia da imprudência das pessoas. — disse ela e sentiu a dor aumentar, não evitando outra careta.

— De qualquer forma isso não é importante agora. Deixe-me ver o seu machucado. — o homem não esperou permissão e se aproximou de Lia puxando-a para longe do barranco.

— Você é algum tipo de médico? — indagou a moça não pensando em protestar quando a dor estava ficando muito intensa.

— Não. — respondeu ele posicionando a menina em frente ao seu carro, próximo a luz.

— Então para quê quer ver meu machucado? — questionou com um frio na barriga.

— Todo ser humano deveria saber alguma coisa sobre primeiros socorros. — comentou encontrando a luz exata para que pudesse examinar a garota. — Venha, aqui será melhor. — as mãos fortes do rapaz seguraram os quadris de Lia levantando-a facilmente para sentá-la no capô do carro.

— Pelo menos sabe o que está fazendo? — a jovem perguntou receosa.

— E por que eu não saberia? — respondeu perguntando ríspido.

— O senhor está muito bêbado, não acho que consiga distinguir alguma coisa nesse estado. — a menina implicou.

— Já disse que não estou bêbado! Se você não quiser que eu veja seu ferimento, eu vou embora sem nenhum peso na consciência. Estou apenas tentando fazer uma gentileza. — vociferou ele e a jovem semicerrou os olhos indgnada.

— Então não veja, oras. O senhor quem me atropelou, deveria ser eu a ficar chateada com isso. — Lia cruzou os braços irritada.

— Se não tivesse vagando de madrugada pelas ruas, nada disso teria acontecido! — acusou-a com grosseiria.

— Não acredito que agora a culpa é minha! — gritou zangada e fez menção de descer do capô do carro, no entanto foi impedida por ele.

Lázzaro segurou suas coxas automaticamente lançando-lhe um olhar de reprovação. Odiava ser desobedecido.

Formigamentos calorosos surgiram nela no local onde foi tocado por ele e se espalharam por todo o corpo. Os dois se olharam fixamente por alguns segundos e ambos sentiram-se estranhos como nunca haviam se sentido antes.

— Não faça escândalos, odeio isso. — censurou ignorando o que sentiu.

— Eu não posso nem me defender? — ela sibilou encolhida com a repreensão do grosseiro e ele bufou — Você quase me atropelou, estou machucada e agora eu sou a culpada? Não consigo me conformar com isso! — se irritou e empurrou o corpo forte dele para longe.

Logo suas mãos foram paradas por duas três vezes maiores, em seguida ele apertou fazendo ela gemer de dor ao mesmo tempo que sentiu sua pele arder.

— Você é o que? Uma criança de cinco anos? — bramou em desaprovação.

— Ai minha mão! Seu... Seu... Ah, seu grosseiro! — sorriu, nunca havia sido xingado de forma tão doce.

— Só fica quietinha está bem? — exigiu sussurrando e ela apenas assentiu não conseguindo mais dizer uma palavra se quer quando sentiu o toque quente.

Lia parou de respirar corretamente quando ele se aproximou dela e com os dedos longos levantou um pouco sua blusa, as coxas ficaram tão perto uma da outra que acabaram se encostando, o homem sentiu a teimosia de sua masculinidade pulsar, no entanto tratou-se de concentrar no machucado.

—Há alguns arranhões aqui, nada grave. — disse ele quando se afastou.

— Mas está doendo muito. — choramingou.

— Está recente, por isso o ardor e não dor.

— Quando digo que é dor é dor. Sou eu quem estou sentindo. — sentiu a irritação subir no sangue.

— Está bem. Não quero ocupar o lugar da segunda criança nessa discussão idiota. — bufou irritado.

— Não sou criança e muito menos idiota. — se defendeu com raiva.

— É sim. Agora fica quieta, sua gritaria está me dando dor de cabeça.

— A ressaca já deve estar começando e o senhor quer me culpar pela dor de cabeça. — murmurou baixo obedecendo mesmo sem perceber ao comando dele.

Sentiu o rosto vermelho de repente quando foi fitada pelos olhos escuros daquele homem que a encarou com uma sombrancelha arqueada.

Muito teimosa e faladeira essa pessoinha. Pensou ele.

— Você está vermelha, senhorita... — sussurrou com voz grave lembrando-se de não saber como chamá-la — Como se chama?

— Lia. Lia Hamilton. — engoliu em seco — E o senhor? — Tratou-o com a educação que ganhara de sua mãe.

— Lázzaro Bartholomeu. — replicou.

Lázzaro pegou de repente o pulso de Lia colocando dois dedos no inferior, dando um leve sorriso diabólico olhou para a garota que estava parecendo uma maçã vermelha, os rostos cada vez mais perto.

— Sua pulsação, está muito acelerada, senhorita Hamilton. Você está com medo de mim? — Provocou.

— M-Medo? — Ela sorriu nervosa — C-Claro que não. — balançou a cabeça.

— Cuidado. Da próxima vez, pode ser que seja um psicopata a atropelá-la.

Repentinamente Lázzaro se afastou com um sorriso travesso entrando em seguida dentro do carro, voltando em menos de dois minutos com uma pomada. Ele sempre tinha uma mini farmácia dentro do porta luvas contendo vários remédios para situações diversas e menos prováveis possíveis.

— Aqui. — entregou a ela — Espero que eu esteja redimido com você. Foi um prazer senhorita Hamilton. — proferiu num tom um tanto rude para o gosto de Lia.

Ela já descida do capô do carro, se afastou quando ele entrou no automóvel e dirigiu para longe. Finalmente conseguiu respirar direito e se perguntou que raios de sensações foram aquelas que sentiu quando o homem estranho tocou-na.

— Os gatinhos! — lembrou-se e então olhou para baixo ignorando a dor.

Pronta para descer de volta em busca dos seus bichinhos.

Capítulo 3

Lázzaro não podia negar que sentiu uma forte e estranha conexão com aquela menina, a qual ele nunca tinha visto antes, era apenas uma menina em sua visão, todavia o seu corpo traiçoeiro e mulherengo não pensou da mesma forma ao ficar excitado tocando somente centímetros da pele macia e quente de Lia.

Por outro lado logo tratou de repreender-se. Era uma mendiga, andarilha ou até mesmo garota de programa. O que uma moça "decente" estaria fazendo na rua uma hora daquelas e sozinha se não fosse algo desse tipo? Fora que suas roupas rasgadas também entregavam o estado crítico de pobreza em que a menina vivia.

Indignou-se quando percebeu que estava pensando tempo demais em Lia Hamilton enquanto dirigia de volta para casa, ainda engolindo a dúvida de não saber o porquê dela estar lá, sozinha, na rua, de madrugada... Sentia-se quase preocupado, e outra vez indignou-se consigo mesmo.

No entanto, tinha sido muito divertido a forma como ela reagiu a presença dele. Por alguns minutos Lázzaro até mesmo se esqueceu de sentir raiva ou amargura dentro de si, nem tratara ela de forma rude o que era uma característica e personalidade dele.

Mas de uma vez por todas havia de esquecer tudo aquilo.

Ao entrar no carro todos os seus demônios voltaram e ele precisava enfrentá-los.

Já tinha problemas demais em sua cabeça. Lázzaro estava um caco por dentro, no dia anterior havia recebido a pior notícia de sua vida, um maldito caroço entre o pulmão e o coração, bem escondido e por isso nunca houve sintomas antes, só foi possível ser descoberto depois que ele passou mal em um jantar de família.

— Eu sinto muito, Senhor Bartolomeu, mas só lhe resta um ano até que o caroço cresça. O inchaço causará fortíssimas dores podendo levar até mesmo a um infarto.

As palavras do médico ainda ressoando em seus ouvidos enquanto gradativamente seu coração se dilacerava, seu mundo se fechando engolindo-o na mesma intensidade que seu chão era tirado e sua dor parecia maior segundo por segundo.

Iria morrer em um ano provavelmente. Um vazio maior do que ele já sentia desde pequeno o tomou por inteiro e ele não sabia o que fazer para que mudasse algo em sua vida a não ser, fechar-se num casulo e esperar acontecer. Não havia nada a ser feito.

— Bom dia senhor Bartholomeu. A senhorita D'Ávila está esperando no escritório. — a governanta Magdalena o comunicou quando entrou no hall.

Lázzaro bufou estressado.

— Logo cedo? Eu queria pelo menos deitar na porra do meu travesseiro sem ninguém para me infernizar. Um dia ao menos! — grunhiu e andou pisando duro até o escritório.

Quando entrou na sala rusticamente decorada, ele fitou a mulher negra de pele perfeitamente cuidada, alta e de cabelos crespos num penteado impecável, vestida numa roupa social elegante.

— Bom dia e antes que comece a esbravejar, estou aqui para falar de negócios, embora eu esteja muito preocupada com você, sei o quanto odeia demonstrações de afeto. — a moça se pronunciou antecipadamente.

— Certo Marjorie. Diga-me, o que está fazendo aqui? — revirou os olhos enquanto sentou-se em sua cadeira retirando por completo a gravata e logo em seguida ascendendo um cigarro.

A mulher se afastou fazendo uma careta pelo cheiro forte da fumaça.

— Sua madastra e os filhos, entraram com um ação na justiça para pedir metade dos seus bens. — expôs ela.

Ele suspirou não se afetando tanto como Marjorie pensara, ele já esperava uma atitude como essa de sua maldita ex madrasta que nunca se conformou com o fato de Leopoldo ter deixado somente para Lázzaro toda a fortuna e nenhum centavo para ela e os filhos.

— Vadia desgraçada. — disse entredentes — Por que ela não aceita que o meu pai deixou essa porcaria de dinheiro para mim, e somente para mim? Eu não pretendo dividir algo que meu pai lutou tanto para ter, ele ter deixado tudo que tinha para mim, só me faz pensar em como confiava em meu potencial para cuidar de algo tão importante e valioso para ele. — Lázzaro disse com pouca emoção, mas raiva.

— Ela continua afirmando que Hayden é filho de Leopoldo, mesmo o exame de DNA dizendo o contrário. Pediu até mesmo para ela escolher a clínica alegando que você e seus empregados estejam falsificando os testes. — Marjorie revelou e então o homem cansado e estressado ascendeu mais um cigarro quando o primeiro se foi rápido demais.

— Eu odeio toda essa merda. Não pedi dinheiro nenhum, até porquê eu fiz minha própria fortuna. Meu pai apenas deixou comigo para que não fosse para o ralo com besteiras, que é o que Joyce é capaz de fazer se colocar as mãos no dinheiro. — tragou o cigarro.

— Mas o principal motivo que tive para vir tão cedo, é o fato de que ela corre grande risco de conseguir desta vez. O juíz concedeu a ela a chance de fazer o exame de DNA no filho em outra clínica, mesmo que seja com supervisão da justiça, você sabe como Joyce é capaz de tudo para conseguir o que quer, eu não gosto de subestima-la. — a linda Marjorie tinha um misto de preocupação e medo nos olhos.

Lázzaro cerrou os punhos muito irado para dizer qualquer palavra a não ser xingamentos infindáveis.

— E o que acha que devo fazer? — questionou servindo-se de um copo cheio de uísque.

— Talvez você não vá gostar muito da minha ideia. No entanto, para o momento é o mais apropriado. — ela previniu antes de dizer.

— Diga logo, Marjorie. Sabe que odeio rodeios. Direto ao ponto, vamos! — rudemente ele apressou-a.

— Temporariamente você deveria passar todos os seus bens, seus e os que seu pai te deixou, para o nome de outra pessoa, alguém que não seja do seu âmbito familiar. — lançou a resolução.

Ele poderia explodir de raiva naquele momento, era tanta coisa ruim acontecendo juntas que talvez morrer seria mesmo a melhor opção.

— Isso é impossível. Não confio em ninguém à esse extremo. — Comentou indignado.

— Temos uma semana antes da próxima audiência de petição da Joyce Gomez com o juíz. Espero que até lá nós consigamos resolver esse problema. — Marjorie D'Ávila pegou sua bolsa e caminhou até Lázzaro — Farei o possível para te ajudar, mas também depende de você. — com um beijo demorado na bochecha dele a mulher se despediu.

— Merda, merda e merda! — berrou jogando longe o copo vazio de álcool.

— Lázzaro? — Marjorie voltou como quem se lembrara de algo.

— O que é? Esqueceu alguma coisa?

— Não. Mas eu acabei de me lembrar daquela cláusula no testamento. — olhou-a desentendido — A qual diz que a nova senhora Bartholomeu também poderia ser a dona de tudo no seu lugar.

— A nova senhora Bartholomeu?

— Acho que a bebida e os cigarros estão fazendo você ficar burro. — exclamou ela impaciente — Isso significa que você precisa se casar! Seu pai queria muito que você, o único filho dele fosse dono de tudo e construísse um legado, um legado só é feito através de uma família, coisa que você não tem já que cada dia é uma diferente em sua cama.

— Não repita essa palavra novamente comigo. Casamento? Está maluca? — Lázzaro vociferou como se Marjorie estivesse blefando.

— Você não precisa amar alguém pra se casar. É só por conveniência.

— O que dá no mesmo da primeira opção, já que eu não confio em ninguém a ponto de me casar para entregar o legado do meu pai.

— As vezes é tão difícil te ajudar! Voltamos a estaca zero. Vou tentar pensar em mais alguma coisa, no entanto eu não posso fazer tudo sozinha. Veja se pode fazer algum esforço para se ajudar.

Marjorie se foi. Em seguida ele sentiu sua face ferver de ódio por tudo. Lázzaro sentia-se perdido, fracassado, desnorteado e sem mais nenhuma razão aparente para viver com todos os seus problemas o engolindo gradativamente como se a todo instante o universo estivesse pronto para acabar com ele.

Seguindo para seu quarto com ódio queimando no peito, encontrou uma das empregadas da casa limpando um móvel em uma posição totalmente expositiva, quando viu o patrão aproximando-se ela fingiu surpresa e endireitou a postura.

— Bom dia senhor Bartholomeu... — o cumprimentou mordendo os lábios. Não era a primeira vez que se insinuava para ele.

— Bom dia Nádia! — correspondeu e entrou para seu quarto.

Tinha tantas mulheres aos seus pés, todas as que queria, de todos os tipos e variedades. As vezes a mínima graça não existia mais, era sempre tudo monótono e igual. Para quê iria perder tempo se envolvendo com uma empregada?

Depois de sentir seu peito acalmar o ódio, seguiu para o banheiro onde tomou uma longa ducha gelada em seguida caminhando para a cama apenas com um roupão preto. Lá revirou-se na cama por várias horas seguidas antes de pegar no sono.

Meia hora depois Lázzaro acordou suado após ter tido um estranho sonho com a moça que quase atropelou mais cedo. No sonho ele tocava ainda mais intimamente a pele lisa da garota que ronronava em satisfação. Ele provava cada pedacinho dela e não se lembrou se já até mesmo na realidade, provara alguém tão saborosa – ficou assustado. Olhou para seu inferior e estava muito, muito duro.

Praguejando ele foi para o banheiro tomar outro banho, se recusaria a se tocar pensando em uma ninfeta mendiga e estranha. Era quase três horas da tarde quando decidiu que iria dar uma volta de carro pelas ruas da cidade precisava respirar um pouco de ar puro e encher a cara de novo como se não houvesse amanhã.

Vestiu uma camisa de botões preta manga longa, já que se recusava muitas vezes a sair sem roupas sociais – mesmo que para encontros casuais –, uma calça jeans preta e sapatos também sociais tomando assim o caminho pelas ruas da cidade. Sem rumo certo de para onde iria.

Lázzaro estava dirigindo há duas horas seguidas e quando deu por si, estava passando novamente pelo local de mais cedo, onde quase tinha atropelado Lia.

Dirigindo mais um pouco, seu coração maluco não evitou um salto quando ele avistou os mesmos cabelos escuros e corpo franzino que tocara na madrugada. Era ela, Lia Hamilton estava ali sentada na calçada de uma rua, quase anoitecendo e... Ela estava chorando, chorando muito.

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