Capítulo 2

Naomi Marck

Depois de seis aulas no período da manhã na faculdade, voltei para casa de táxi, pois vim com Peter e ele iria ficar para o jogo, não iria assistir o jogo como de costume pois precisava de um banho para a prova que me espera no segundo período. Chegando em casa me surpreendi ao ver meus pais na sala, como gota eles chegaram tão rápido da Suíça?

— Filha! — Mamãe diz me abraçando forte.

— Oi mãe. — Digo com a voz abafada pois estava espremida nos ceios de mamãe.

— Filhota! — Meu pai diz e me abraça. — A onde está Peter?

Jesus!

— AUBREEEEYYYY!!! — Gritei e ela saiu da cozinha com uma panela de brigadeiro.

— Pra você maninha. — Ela diz toda manhosa.

— Você não vai me comprar com brigadeiro. — Olho para a panela. — Vou comer esse brigadeiro aqui, e depois eu te mato. — Digo pegando a panela de suas mãos e me sentando no sofá.

— Também te amo. — Ela diz dando-se por vitoriosa

— Cadê Peter? — Mamãe pergunta novamente. A porta é aberta e meu namorado de mentirinha entra.

— Ouvi meu nome? — Ele pergunta todo sorridente deixando a mochila no chão perto da porta.

— PETER! — Dona Clarice e o senhor Frederico dizem em unissono abraçando Peter.

— Que recepção. — Peter diz e rir.

— E o jogo? — Pergunto com a boca cheia de brigadeiro.

— Adiado para o segundo turno. — Ele diz dando uma piscadela. — Tudo para que você consiga me assistir, meu amor.

— Hum. — Murmuro ainda de boca cheia.

— Fico muito feliz que vocês estão namorando. — Mamãe diz com cara de boba.

— Aubrey! — Peter a repreende.

— Desculpa cunhadinho.

— Essa aí tem a boca muito grande. — Digo.

— Percebi. — Peter murmura.

— Temos que fazer o ritual da família. — Papai diz me assustando.

— Ligarei para todos. — Mamãe diz e eu me engasgo.

— Ei, calma ai. Eu e Peter estamos nos conhecendo. — Digo tentando afastar a todo custo essa tradição que aos olhos dos outros é uma tremenda idiotice.

— Bobinha, vocês já se conhecem a muito tempo. — Aubrey se intromete.

— Amor, só deixa levar. — Peter diz me abraçando de lado.

— Então tá. — Digo e ele deposita um selinho em minha boca melada de chocolate.

— Aí que fofo. — Mamãe diz toda melosa.

Sub: Isso vai da muita merda!

Minha mãe foi para o escritório ligar para todos os familiares, papai foi contratar o buffet e as bebidas, e minha querida irmã foi preparar meu look e o de Peter.

Minha família é louca.

— Não me olhe desse jeito, você que quis isso.

A campainha toca e Peter vai atender e eu continuei comendo meu chocolate.

— Soube da novidade, parabéns Peter. — David diz entrando na casa. Meu coração gelou, parou, pulou pra fora do peito, foi em Marte e voltou quando ouvi a voz dele.

— Obrigado. — Peter diz ríspido.

— Vai passar pelo ritual para entrar oficialmente na família. — David diz esnobe.

— Oficialmente eu sou da família, como melhor amigo de Naomi, mas como nos tornamos namorados, só irei fazer o ritual de transição, os bisavós dela também eram amigos e acabaram por namorar e casar-se.  — Peter retruca.

A expressão de Deivd foi de surpresa, literalmente ele não sabe quase nada de nossa família, Peter é o esperto aqui.

— Amooorr! — Minha irmã desce as escadas correndo e pula nos braços dele. Fico muito feliz que ele a faça feliz, e espero que seja assim por muito tempo.

— Oii! — Ele pareceu rude.

— Naomi e Peter estão juntos, não é incrível? — Ela não ligou.

— Sim, é. — Ele foi irônico.

Sub: Que porra é essa?

— Todos confirmaram presença no ritual, será daqui a três dias. — Aubrey comenta para tirar a atenção do clima que se instalou aqui.

— Mais já? — Deivd pergunta indignado.

— Sim! — Aubrey responde toda feliz.

— O nosso demorou sete meses para acontecer. — Ele diz chateado.

— Isso por que Naomi e Peter se conhecem desde de pequenos, toda a família conhecem Peter, inclusive a família dele também. Nos dois fomos um caso diferente, pois eles precisavam ter a certeza de que você era o cara certo para mim. — Aubrey explica, mas a cara de Deivd diz que ele não esta nada contente.

— Como já lhe falei, só irei fazer a transição, de melhor amigo, para, oficialmente namorado. — Peter alfineta.

Deu para perceber a frustração de Deivd, e Peter estava se divertindo com isso, ele é e sempre será o genro preferido e perfeito, mesmo não sendo o verdadeiro.

— Deivd, você tem que entender, essa é a tradição da família. — Aubrey diz visivelmente irritada.

— Tradição muito da louca isso sim, não sei por que aceitei participar dessa palha...

— Não termine essa frase, não seja tão burro de terminar essa frase e acabar com o seu noivado. — Digo para amenizar a situação.

Aubrey estava intacta, parece que não acreditava no que estava acontecendo.

— Eu vou para a empresa. — Ela diz e sai de casa e nos deixa para trás.

Esse Deivd é idiota ou o que?

— Acho melhor você ir atrás dela, antes que ela anule sua entrada para a família.  — Peter alerta Daivd.

— Como assim? — O bocó pergunta.

— Ela pode terminar com você, e a sua aprovação para a família será anulada, cancelada, rasgada, jogada fora, entendeu agora, ou quer que eu desenhe? — Peter perdeu a paciência.

Deivd sai correndo atrás de Aubrey, Peter senta-se ao meu lado e toma a colher de minha mão e come meu chocolate.

— Ei! — Dou um leve murro em seu braço.

— Somos namorados, você tem que dividir comigo. — Ele diz dando risada.

— Deus mandou dividir o pão e não o brigadeiro. — Digo tomando a panela dele.

— Não seja maldosa, Naomi. — Ele diz preparado para me fazer cosquinhas.

— Está bem, eu me rendo. — Digo entregando a panela de brigadeiro para ele.

{...}

Capítulo 3

Peter Darcyk

Estava adorando a frustração de Deivd, estava me divertindo muito, mas que pena que ele acabou fazendo as coisas da forma errada. Aubrey saiu de casa bastante abalada, mas ela o ama e sei que acabará perdoando-o e tudo ficará bem no final. Naomi e Aubrey são duas idiotas em se apaixonar por aquele crápula, parece que são cegas.

Jesus!

— Esta pensando em que? — Naomi pergunta me encarando.

— Se eu fizer a transição, como vamos acabar com o namoro?

— Daremos um jeito até lá.

— O que não podemos deixar é que eles façam um casamento. — Digo pensativo. Tudo que eu queria, que Naomi percebesse quem realmente a ama.

— Isso não irá acontecer. — Naomi dia andando de um lado para o outro.

— Você sabe que eles são loucos,  e que me amam.

— Convencido! — Ela me da um murro no ombro.

Passamos um tempo assistindo filmes aleatórios e comendo muito, o tempo passou voando e logo chegou a hora de voltar para a faculdade, fomos juntos. Nos separamos na hora do jogo, fui para o campo e ela para a arquibancada, o jogo começou e por um momento olhei para Naomi e vi a reca toda lá, sangue do profeta.

Continuei o jogo, o  meu time ganhou, como sempre, fui para o vestiário, tomei um banho, vesti minha roupa, agora tenho aula de química. Fui até Naomi e ela estava nervosa, muito nervosa, e eu como bom amigo que sou sabia que tinha que tira-lá daquela zorra, toda a família reunida em um campo de futebol não é nada fácil, ainda por cima quando sua família é louca. Eles começaram a me parabenizar,  dizer que sempre shiparam Peomi, que estão empolgados, etc.

— Okay pessoal, daqui a três dias conversaremos todos, agora eu e Naomi temos aula. — Puxo Naomi e saímos de lá.

— Ufa! — Ela coloca o braço na minha cintura e eu no ombro dela. — Obrigada, te amo. — Ele fica na ponta dos pés e beija minha bochecha.

— QUE LINDO!!! — Todos dizem em unissono.

Olhamos para trás e todos estavam com caras de bocós, Jesus Cristo!

— Que tal fugirmos dessa família louca? Posso dormir no seu apartamento até o dia do ritual?

— Claro que pode, assim evitamos eles. — Respondo beijando sua testa.

— Por isso que te amo.

— Eu te amo mais, ruiva.

Seguimos para a sala de aula, pois iriamos ter mais três aulas a seguir.

Aubrey Marck

Estava tendo uma conversa séria com Deivd, já tinha alguns dias que ele estava agindo de maneira diferente comigo.

— Eu não sei Deivd, estou confusa, você nunca me tratou daquele jeito, e agora faz isso. Bem, na verdade você tem agido estranho comigo desde da festa de aniversário de 18 anos de Naomi. Não sei o que quero mais, não sei se deveríamos continuar com esse noivado. — Digo de uma vez, esperando que ele me entendesse, ou surtasse.

— Amor, por favor, me desculpa, não sei onde estava com a cabeça por esses dias, os problemas do trabalho estão me matando, sei que fui um idiota, mas eu te amo amor, não quero te perder, não sei nem o que faria sem você comigo. — Ele diz desesperado, inclusive deixando lágrimas caírem de seus olhos.

Ele se aproxima de mim, segura minha cintura e me puxa para mais perto dele, ele beija meu pescoço e eu arrepio. Eu sei que ainda amo ele, mas não tenho psicológico para todo esse piti, mas ao mesmo tempo estou tão confusa que eu não consigo pensar direito.

— Vamos tentar mais uma vez amor.

— Okay. — Concordo no impulso, vamos ver até onde isso vai. Mas, eu não me sentia insegura quanto a ele.

Naomi Marck 

Depois das aulas passei em casa, peguei uma mochila com roupas e sai de fininho sem que ninguém percebesse minha presença, estavam todos na piscina.

— Para onde vai mocinha?  — Aubrey diz me dando o maior susto.

— Para a casa do Peter, não quero ficar com esses loucos, eles vão nos fazer passar vergonha. — Digo com uma cara de desespero.

— Entendo! — Ela sorrir, mas sinto que está um pouquinho triste. — Vai logo, que eu vou despista-los.

— Obrigada maninha, te amo. — Saio de casa voando, entro no carro e Peter canta pneu.

Ele saiu tão rápido que parecia cena de filme de ação, aquela situação me deu um frio da barriga enorme. Fiquei com um nó na garganta, pensando que todos vão ficar umas feras quando descobrirem que eu não estou em casa, e ainda mais quando descobrirem que eu vou dormir esses dias na casa de Peter. Eles vão armar um pampeiro, já estou até vendo.

E isso me fez pensar de imediato, se alguém descobrir que esse namoro é uma farsa, e descobrir o real motivo do namoro falso. Espero que isso nunca aconteça.

Minha cabeça se tornou um tsunami de "se", se não der certo, se descobrirem, se eu magoar alguém, eu não quero imaginar ou pensar nessas coisas, mas minha cabeça insiste. Eu sinto que vou acabar enlouquecendo a qualquer momento.

{...}

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