Owen tinha que admitir que Douglas estava certo, já se sentia melhor e a festa nem havia começado. Andava pela propriedade enquanto Douglas e os amigos organizavam um palco improvisado para o som, um dos convidados seria o DJ da noite e estava curioso para saber o que o amigo havia preparado. As garotas se dividiram para fazer a decoração e os petiscos que seriam servidos naquela noite. Para algo dito “improvisado” eles estavam bem organizados.
— Ai, droga!
Owen ouviu o xingamento vindo de uma das árvores a sua esquerda. Viu uma pequena escada e um corpo se equilibrando entre o objeto e a copa. Aproximou-se devagar já imaginando de quem se tratava. Ellis tentava alcançar alguns limões, mas sem sucesso. A escada usada não era muito longa e a estatura dela também não ajudava muito.
— Precisa de ajuda? — perguntou ao se aproximar.
Surpresa com a presença, ela se desequilibrou mais, pendendo para um dos lados e quase caindo se não fosse a rapidez de Owen em manter a escada e ela no lugar.
— Você está bem? — perguntou ele.
— Estou, obrigada.
— Desculpe, eu não queria te assustar.
— Tudo bem, eu que estava distraída.
De cima, Ellis observava o homem que mantinha a mão em sua cintura mesmo quando já não corria o risco de cair. Engoliu em seco sentindo o calor dele atravessar a blusa e aquecer sua pele.
Deslizou pela escada com ele as suas costas e sentiu a respiração em seus cabelos. Virou-se para ele sorrindo timidamente.
— Não devia ter me oferecido para colher os limões, a vida já anda muito azeda e eu querendo piorar a situação caindo daqui de cima.
Owen sorriu mostrando os dentes muito brancos e fazendo Ellis quase se desequilibrar novamente.
— Eu farei isso para você — ofereceu-se ele.
Ela assentiu e o Owen subiu na escada alcançando facilmente os limões. De baixo Ellis observava o corpo delineado dentro das roupas que se ajustavam aos movimentos. Ela mais que ninguém era uma apreciadora do corpo humano. Seu trabalho como pintora nas horas vagas lhe exigia que fosse uma observadora dos detalhes e Owen tinha o tipo físico que ela adoraria retratar. O observando de perfil, ela podia ver os ângulos iguais e perfeitos. Um rosto atípico, uma beleza sem igual, másculo, porém suave.
Owen tentou entregar algumas frutas, mas percebeu que Ellis estava totalmente concentrada em uma análise de seu rosto e corpo. Sorriu ao perceber a curiosidade com que ela lhe observava.
— Tudo bem aí? — perguntou sorrindo.
— Sim... Ah, claro! Desculpe, eu não estava... — tentou se explicar. — É que eu pinto nas horas vagas, também faço gravuras... de pessoas e paisagens em geral. Então eu gosto de observar, para recriar — explicou na esperança que ele lhe entendesse.
— Que interessante! Não deve ser fácil, meus parabéns.
— Obrigada — respondeu tímida.
— E você vai me pintar? Desenhar?
— Você gostaria?
— Sim, eu gostaria — respondeu a olhando fixamente.
Ellis também permaneceu com o olhar vidrado no homem acima, o interesse mútuo era inegável. Sorriu para disfarçar a timidez e dessa vez aceitando os limões que ele lhe entregava.
— O que vão fazer com eles? — perguntou Owen mudando de assunto e evitando que ela ficasse mais embaraçada.
— Vamos misturar com vodka, tequila, usar nos petiscos...
— Então vão precisar de muitos.
— Sim — respondeu devolvendo o sorriso que ele lhe lançava.
— Seu primo disse que você trabalha em um museu — revelou sem esconder que ela fora um dos assuntos entre ele e Douglas.
— Sim, trabalho no Museu Real, no centro de Vitoria.
— Gostaria muito de conhecê-lo, dizem que é um dos pontos turísticos mais bonitos de todo o Canadá.
— Eu sou suspeita para falar, mas concordo. O museu Real da Colúmbia Britânica é muito lindo, tem um cinema e recebe exposições de arte regularmente.
— Me parece muito interessante.
— Quando quiser pode nos visitar, ficarei feliz em acompanhar você.
Owen já descia, vendo a cesta nas mãos dela cheia com os limões que acabara de colher.
— Será um prazer! — respondeu frente a ela que o olhou com um sorriso no olhar.
— Nunca pensei que os amigos do meu primo se interessassem por arte ou antiguidades.
— Eu gosto, sempre vou ao teatro e a concertos, ópera...
— Sério? — perguntou surpresa. — E sobra tempo para as noitadas, bebedeiras e a pegação?
Owen riu.
— Na verdade, eu já passei dessa fase.
— Hum! Deve ser por isso que é a primeira vez que te vejo em uma das “reuniões” do Douglas.
— Provavelmente — concordou. — E você, participa de muitas dessas festas?
— Não, essa é a primeira. Às vezes o acompanho quando vai assistir campeonatos de futebol em algum pub com essa mesma turma, então já conheço todo mundo e todo mundo já me conhece.
— Eu só conheço alguns, a maioria são desconhecidos para mim — revelou. — E você tem o mesmo mau gosto para times que o seu primo?
— Só vou para conversar e rir com as garotas, não entendo muito de futebol.
— Ellis! — chamou uma das garotas da porta da casa principal. — Conseguiu?
— Consegui! — gritou de volta.
Ellis tentou segurar a escada com a outra mão, mas não foi muito bem sucedida.
— Pode deixar que eu guardo — ofereceu-se ele.
— Obrigada.
Ellis lançou um olhar doce para Owen que mal conseguiu respirar. A viu seguir de volta para casa e permaneceu parado no mesmo lugar a admirando sumir entre as pequenas árvores.
***
A noite alguns convidados dançavam ao som da música eletrônica que tocava no jardim, enquanto outros se espalharam pelas mesas conversando e bebendo a vontade. A decoração do jardim estava simples, mas muito bonita. Lâmpadas coloridas enfeitavam as árvores ao redor, enquanto refletores potencializavam a iluminação. Sentiu a nostalgia tomar conta ao lembrar das festas que faziam na república da faculdade em Vancouver quando estudavam e onde conheceu os amigos ali presentes. Ainda nos primeiros semestres conseguiu seu primeiro emprego na área administrativa, em uma rede de hotéis e resort no qual agora era um dos administradores. O Shangri-La Hotel transformou-se em seu lar no fim de seu casamento e permanecia assim até agora.
Sentiu o peso de um braço em seus ombros.
— Não vai ficar só olhando, né? — Douglas o empurrou em direção a pista de dança improvisada e o lançou em direção ao grupo de garotas que soltaram gritinhos, divertidas com a invasão, enquanto os amigos riam da timidez de Owen. — Não se acanhem meninas, ele está solteiro. Na verdade está carente, precisando de consolo, então vocês podem ir para cima com vontade.
— Douglas, não exagere — pediu Owen.
— Você precisa se divertir, passou muitos anos casado, precisa se aventurar.
Uma das jovens se aproximou de Owen e o puxou para mais perto enquanto outra se posicionou atrás dele. Um dos amigos trouxe bebidas e os entregou.
— Um brinde aos longos anos de amizade e a liberdade — disse Douglas comandando o brinde.
Taças tilintaram e bebidas foram derramadas antes que muitos pudessem dizer saúde. Owen esvaziou seu copo e através dele viu a imagem mais bela de toda sua existência. Ellis, ao longe, conversava em outro grupo enquanto o observava pelo canto dos olhos disfarçadamente. Ela usava uma minissaia com estampas de flores e um top cujo decote deixava o volume dos seios muito provocantes. Cabelos longos e muito claros chamavam atenção em meio a escuridão da noite, uma tiara trançada com pequenas flores circundava sua cabeça, combinando com seu jeito meigo.
Seguindo o instinto, ela o fitou de lado encontrando os olhos de Owen a observando intensamente. Ellis sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não se sentia incomodada com o olhar dele, mas sim com a resposta dos seus sentidos a um estranho. O amigo do seu primo era charmoso, bonito e tinha uma seriedade em suas expressões que ela achava muito sensual. Não conseguiu deixar de pensar nele desde aquela manhã quando o recebeu e a fixa presença de Owen em sua mente só aumentou depois de sentir as mãos dele em sua cintura.
Quebrou o contato nervosamente voltando a atenção para as amigas, mas não conseguiu se concentrar no diálogo novamente. Pediu licença e se afastou até a mesa de bebidas. Ao longe pôde ver que Owen ainda dançava com as garotas e parecia se divertir muito. Pegou um prato e serviu-se de alguns petiscos.
— Estava me analisando para lembrar do que deve desenhar?
Ellis surpreendeu-se com a voz dele a suas costas. Não teve tempo de responder, pois ele já emendou outra pergunta:
— Dança comigo?
Viu-se segurando em uma das mãos de Owen e andando com ele até onde todos estavam. Apesar da aparente timidez, Owen mostrava-se bem decidido. Tinha uma aura sensual, apesar de ser contido. Não podia negar que estava impressionada, não só com a beleza, mas com a forma dele de agir. Impressionada e curiosa.
Mantendo uma distância segura, dançou com ele ouvindo seu primo os incentivar a chegarem mais perto um do outro.
Owen sorria divertido com as investidas de Douglas que não perdia a chance de bater em um deles tentando fazê-los desequilibrar e cair direto um nos braços do outro. Não demorou muito para que isso acontecesse. Ellis foi apoiada por Owen enquanto Douglas ria e vibrava com a conquista.
— Como ele pode ser tão besta? — perguntou Ellis.
— Ele pode ser bem pior, acredite! — respondeu Owen.
Ignorando os comentários, Douglas gritou para o DJ:
— Música lenta! — dirigiu-se a eles. — Vão se divertir e parem de me acusar.
Ellis olhava incrédula para o primo ainda apoiada em Owen, que gentilmente a virou em seus braços e a fez circundar seu pescoço com as mãos enquanto ele a envolvia com os braços. Os refletores daquela área foram desligados dando um ar mais íntimo. Gritos e risos foram ouvidos em meio a escuridão, apenas a luz do palco improvisado e das casas refletia no local. A música suave tocava e foi impossível não se deixar envolver pelo momento. Owen era tão suave, a segurava com determinação, porém com cuidado, como se fosse uma joia preciosa. Em meio aos feixes de luz viu o olhar sensual que ele lhe lançava e não conseguiu desviar o seu.
Owen era hipnotizante, sentia seu corpo pedir para que ele se aproximasse mais, queria provar do calor másculo. Os músculos bem definidos por baixo da roupa só a deixavam mais curiosa a cada minuto. Não perdia a oportunidade de observá-lo, e diferente do que havia alegado, não era só pela pintura. Owen chamava sua atenção, o magnetismo dele pedia por seus olhos, pedia para que ela o admirasse por inteiro. Nunca foi de se aventurar com estranhos, todos os seus namorados foram amigos antes e só sentiu algo por eles depois de algum tempo. Não que Owen seria algo seu, mas aquela atração era muito mais do que ela já havia sentido por qualquer homem.
Sentiu o coração disparar enquanto ele corria o olhar por seus traços como se pudesse acariciar seu rosto. Trocando o olhar por uma das mãos, descia pelas costas sensualmente. A música mudou e a batida diferente foi sentida, Owen aproximou-se mais, virou-a de costas e a encaixou entre suas pernas movendo-se com ela lentamente. Segurou as mãos delicadas fazendo-a se apoiar em suas pernas, as mesmas que ele a viu olhar interessada enquanto estava no alto da escada. Ellis mordeu o lábio inferior involuntariamente quando sentiu os músculos sob suas mãos, o gesto foi suficiente para Owen entender como um convite. Aproximou-se lentamente dos lábios dela tocando suavemente com os seus. O beijo a seguir foi delirante, invasivo e possessivo com ele apertando seu corpo e quase fazendo os seios pularem do top.
Envolvidos pela música sensual, deslizavam nas curvas que prometiam prazer e entrega total. Ellis pensou que seu coração pararia pouco antes de Owen interromper o contato das bocas. Seu corpo queimava pedindo por mais, enquanto ele ofegava e beijava seu pescoço querendo saborear a pele macia. Owen a fitou intensamente em busca de uma resposta silenciosa para aquilo que ele queria... Que ela queria...
Sorriram um para o outro sabendo que em nada adiantaria fugir, o prazer os aguardava.
Owen acordou sentindo a maciez do corpo feminino ao lado do seu. Já havia se esquecido como era bom ter uma mulher em sua cama, o cheiro suave, a pele aveludada, lábios doces e aquela sensibilidade que só uma mulher tinha, em gestos, palavras, olhar...
Abraçou Ellis beijando as costas nuas e admirando a respiração tranquila. Ela era linda e muito sexy. Maravilhosa.
Depois de um banho rápido foi a cozinha da casa principal, algumas pessoas já preparavam o desjejum enquanto outras apenas conversavam.
— Pensei que você fosse ficar na cama da minha prima pelo menos até o meio dia — falou Douglas.
— Não é uma má ideia, mas vim preparar o café da manhã dela primeiro.
— Que homem romântico — comentou uma das garotas que estava com eles na cozinha. — Preciso encontrar um desses, já que o meu me acordou para fazer o café dele. — revelou olhando para Douglas acusadoramente. Ele deu de ombros e sorriu cinicamente.
— Vou ajudar você! — Saiu e logo voltou trazendo uma bandeja.
Hábil, Owen não levou muito tempo para organizar um café da manhã especial, pois tinha muita experiência, passou alguns meses coordenando a equipe da cozinha no hotel onde trabalhava.
— O toque especial! — Douglas trouxe uma rosa que depositou ao lado de um dos pratos. Olhou para o amigo e acrescentou: — Ela vai gostar muito, Owen.
Ele assentiu e saiu.
Entrou no seu quarto e encontrou Ellis acordada, porém ainda deitada. Ela abriu um imenso sorriso ao vê-lo.
Owen depositou a bandeja ao lado dela na cama e também sentou-se. Pegou a rosa e beijou a flor entregando a ela.
— Bom dia!
***
Tomaram café da manhã enquanto conversavam sobre suas vidas. Ellis, muito curiosa sobre ele lhe fazia várias perguntas.
— E você gosta de trabalhar em um hotel?
— Muito, as vezes é bastante cansativo, mas na maioria é divertido. Lidar com pessoas não é tão complicado como a maioria diz. Você faz muitos amigos, conhece pessoas de todos os lugares do mundo. Um dia nunca é igual ao outro, não existe rotina e isso me atraiu desde o início. Não saberia viver em um emprego onde eu tivesse que fazer todo dia a mesma coisa.
— Isso parece ser muito bom. Eu também não tenho rotina no meu emprego, em nenhum dos dois. Todos os dias recebo pessoas de todos os lugares e penso em algo diferente, inovo, crio.
— Você é uma estudiosa e artista — elogiou. — Artistas tem uma alma muito livre, jamais conseguiriam viver em rotina.
— Então talvez você também seja um.
— Sim, mas eu sou um artista do povo, tenho que fazer manobras, mágicas e as vezes até algumas palhaçadas.
Ellis sorriu do comentário.
Owen era muito agradável, bonito, carinhoso e romântico. Não lembrava de ter conhecido algum homem como ele. Nenhum dos seus ex-namorados alguma vez haviam se importado em trazer café na cama para ela ou até lhe dar flores, uma única que fosse. Percebia agora o quanto esteve mal acompanhada durante todos esses anos. Imaginou quem era a louca que havia jogado fora aquele encanto de pessoa, sim porque pelo que seu primo lhe disse, Owen tinha alguém em sua vida.
— Você não pensa em ter sua própria casa?
— Sim, mas por enquanto não vejo necessidade. Passo mais tempo no trabalho do que em qualquer outro lugar. Muitas vezes sou chamado no meio da madrugada para resolver problemas, estar no hotel é mais prático do que sair de casa em uma emergência. Também viajo muito a negócios, então uma casa nesse momento da minha vida não seria um bom investimento.
— Owen, não quero ser indiscreta, mas não pude deixar de notar a cicatriz que você tem nas costas. O que aconteceu?
— Sofri um acidente quando era mais jovem, mas nada grave, estou inteiro. Só sobrou a cicatriz para lembrar que devemos estar sempre atentos — respondeu vendo o olhar doce fitá-lo intensamente.
Owen retirou a bandeja do colo dela colocando-a no chão, e aproximou-se com olhar sensual, fitando dos olhos aos lábios. Inconscientemente ela mordeu o lábio inferior tentando conter a ansiedade que fazia seu peito bater mais forte. Owen roçou os lábios nos dela, escorregando para o queixo delicado que foi mordido provocantemente. Ellis sentiu o calor da respiração masculina em seu pescoço e a mão que revelava sua nudez coberta pelo lençol. Sentiu a pele queimar enquanto ele deslizava o olhar por sua anatomia. Owen deteve sua análise para observar a reação no rosto dela, estava tomada de desejo, aguardando, desejando, suplicando que ele a tocasse.
Parecia que sua vontade estava descrita em sua face, pois ele sorriu maliciosamente ao olhá-la. Ellis já esperava o que vinha pela frente, o homem doce, meigo e gentil seria tomado pela fúria de um desejo incontrolável como na noite anterior, quando Owen a surpreendeu com a força de um prazer que ela jamais havia experimentado.
Sentiu o toque íntimo e delicado em sua pele excitada. Suspirou desejando que ele pulasse as preliminares e a tomasse por inteiro. Aquele olhar a havia deixado em chamas com as promessas do que estaria por vir.
— Owen — arfou. — Eu não quero preliminares. Não precisamos.
Ele a fitou com um olhar divertido.
— Mas é a melhor parte...
Ela sorriu.
— Você sabe bem que não é a melhor parte.
Puxou-o para cima e beijou-o como se a penetração de línguas pudesse amenizar os pedidos do seu corpo, mas a provocação causou labaredas. Enlaçou o quadril dele com as pernas pedindo silenciosamente que ele aplacasse aquela doce tortura.
Owen se preveniu e atendeu o pedido invadindo-a suavemente, mas com a segurança de um homem que sabia o prazer que era aguardado. O gemido que ouviu a seguir quase fez seu corpo entrar em ebulição. Ellis era um sonho em forma de mulher, era delicada e suave, sim, mas entre os lençóis era sexy e quente. O que poderia prometer aquela mulher para que ela fosse sua? Talvez não houvesse promessas suficientes para que ela ficasse ao seu lado.
***
— E você, há quanto tempo está solteira?
— Uns dois meses...
— Por que todas as mulheres sempre dizem que estão sozinhas há dois meses?
— Quer dizer que você vem fazendo muito essa pergunta?
Owen sorriu.
— Nem tanto! Estou só desde que me separei. Você é a primeira a quebrar meu “jejum” de oito anos com uma única pessoa.
— Estou lisonjeada! — Sorriu divertida junto a ele.
Owen a havia levado para além da propriedade onde estavam. Sentaram-se debaixo de um limoeiro e conversavam sobre suas vidas. Depois de uma manhã de amor, tudo que ele queria era saber mais daquela mulher encantadora.
— Em oito anos você foi completamente fiel? — perguntou Ellis cortando os pensamentos dele.
— Sim, totalmente.
— Você deveria amá-la muito.
Ele sorriu enigmaticamente.
— Mais que amar, eu respeitava. Mesmo quando percebi que já não existia amor, continuei sendo fiel, respeitando a confiança que era depositada em mim.
— Então, foi isso o que aconteceu? Você já não amava mais?
— Sim, depois de oito anos o relacionamento caiu na rotina, nada era como antes. Tentamos recomeçar, mas não adiantou.
— Eu sinto muito, deve ter sido difícil para vocês.
— Foi, mas estou melhor agora. É mais difícil continuar vivendo algo que já não faz mais sentido — disse enquanto acariciava a curva do pescoço dela com os lábios.
— Você tem filhos?
— Não, sem filhos!
Ellis assentiu e relaxou as costas no peito dele, desfrutando das carícias que ele lhe fazia. Owen aspirou o aroma que vinha dos cabelos dela.
— Esse é o melhor fim de semana que tive em muitos anos.
Havia percebido aquilo há pouco. Estar com Ellis era algo natural, estava se sentindo à vontade e livre. Era estranho, porém bom, muito bom.
Suspirou deliciando-se com a tranquilidade de ser quem ele era, sem medo, sem cobranças. Como era diferente estar ao lado de alguém sem ter que controlar suas emoções ou opiniões.
Ellis fitou o rosto próximo ao seu e não pode deixar de perceber a alegria no olhar dele. Gostaria de ter Owen não só durante aquele fim de semana, mas nos dias que se seguiriam. Ele era encantador.
Levantou-se o surpreendendo.
— Venha, quero te mostrar um lugar.
Owen levantou-se e de mãos dadas seguiu com ela. Enveredaram por algumas árvores e a cada passo a vegetação ficava mais densa. Folhas nos chão serviam como um tapete, musgos e plantas circundavam as árvores e deixavam o ar mais pesado.
— Onde estamos indo?
— Logo você vai saber.
Por sua altura, Owen teve que se desviar de vários troncos baixos. Ouviu o som de água corrente próximo, o solo agora estava mais úmido e as folhas caídas no solo apodreciam e se transformavam em adubo.
Ellis afastou uma cortina de trepadeiras e a frente deles surgiu uma linda queda d’água com um pequeno lago que se formava abaixo. Aproximou-se e as águas acastanhadas pareciam muito convidativas.
— Eu costumava vir aqui com meus pais nos fins de semanas que passávamos juntos em North Wood.
Owen observou o ar sonhador.
— Onde estão seus pais agora?
— Meu pai vive no Texas, ele tem outra família. E minha mãe mora em Nova York com meu padrasto — revelou. — Todos nos damos muito bem. Passamos o natal ou o réveillon juntos.
— Deve ser difícil ter pais separados.
— No começo sim, mas depois eles me mostraram que para amar alguém não precisa ter essa pessoa literalmente ao seu lado. Eu os amo e me sinto amada mesmo com meus pais longe de mim. Sei que posso contar com eles e eles sabem que podem contar comigo. Não deixamos de ser uma família.
— Amor não é posse — completou.
— E os seus pais?
— Eles vivem em Vancouver também e tenho um irmão. Estamos sempre em contato.
— Que bom! — disse simpática com um sorriso no rosto. Olhou para as águas e de volta para ele. — Está a fim de entrar?
Owen sorriu.
— Só se você vier junto.
Minutos depois banhavam-se nas águas geladas do lago, as roupas haviam sido deixadas nas pedras ao redor e o casal se divertia cruzando de um lado a outro. Ellis foi puxada enquanto nadava, os braços de Owen a seguraram pela cintura a fazendo interromper o nado. O corpo feminino foi moldando-se ao seu e despertando o desejo que ele ansiava ao lado dela. Os cabelos loiros agora estavam escuros, colados as costas e ao rosto. Retirou-os delicadamente enquanto sentia a pele de Ellis se arrepiar ao seu toque. Owen deslizou a língua no lóbulo da orelha dela enquanto subia as mãos para tocar os seios lindos, perfeitos e tentadores. Um longo suspiro foi a resposta dela ao tocá-los. Era indescritível como o desejo vinha forte nele ao vê-la gostar de suas carícias. Virou-a de frente segurando-a pelas nádegas e apertando-a contra ele. Ellis sentia a poderosa ereção em seu ventre e apertava seu corpo contra o de Owen mais e mais, a respiração ofegante, os olhares presos e os lábios ansiando por mais e mais. Podia ouvir o bater do seu coração no peito e desejou que aquele fim de semana fosse eterno.
De frente para ela Owen mergulhou lentamente sem desprender os olhares até que ficou submerso. Ellis soltou um grito de surpresa quando foi posicionada nos ombros dele e erguida. O grito de surpresa transformou-se em prazer. Ele provava o sabor de sua intimidade enquanto ela tentava se equilibrar segurando nos ombros e cabelos dele. Aquilo era loucura, a qualquer momento alguém podia surgir ali no meio da mata e os flagrar. Tentava dizer a ele, mas no fundo não queria interrompê-lo. Gemidos roucos escapavam de sua garganta e ela não via chances de controlá-los. Arranhava-o, puxava os cabelos e sentia uma necessidade crescente de gritar cada vez mais alto, até que Owen, habilmente, a tirou dos ombros levando-a de volta de encontro ao corpo dele e beijou-a como se sua salvação dependesse disso.
— Ellis, estou sem preservativo aqui, mas eu estou limpo.
— Eu também, não precisa se preocupar — respondeu ofegante de desejo.
— Então está tudo bem, estamos seguros?
— Sim!
Beijaram-se calorosamente enquanto Owen a penetrava. Abraçaram-se sentindo os corpos finalmente unidos e em brasa. Nem a água gelada da pequena queda d’água estava ajudando a conter as chamas do desejo urgente que queimava intenso em seus corpos. Se amaram sucumbindo a intensidade das sensações que os dominavam e ouviam seus gemidos e murmúrios ecoarem entre as árvores ao redor.
Deitaram na margem em busca de uma posição mais firme para as investidas intensas. Os dois se transformaram em um quando o orgasmo os arrebatou em ondas de prazer. Lado a lado, ofegantes e ainda em êxtase, fitaram-se longamente em silêncio. Nem sempre as palavras eram importantes, mas Ellis sentiu falta delas. Owen também sentiu que faltava algo naquele momento, mas não sabia o quê ou não tinha coragem para dizer. Sorriu e recebeu um de volta, a ternura aplacando a ansiedade de seu coração.
***
Owen acordou na manhã seguinte em sua cama e sozinho. Chamou por Ellis, mas não obteve resposta. A mala que ela havia transferido para seu quarto também já não estava lá, Ellis se fora. Depois de um fim de semana de festa, dança, bebidas e muito amor ela tinha ido embora e não sabia explicar a desolação que sentia naquele momento. Talvez estivesse sensível demais com perdas. Não houve promessas entre eles, tinha sido apenas um fim de semana. O melhor que teve ao lado de alguém, mas só um fim de semana.