Ponto de vista de Elena
O olhar dele fixou-se em mim, sem hesitação. Encontrar aquele olhar foi como levar um choque-algo intenso, instintivo, quase como se me desafiasse com sua ferocidade. De repente, senti-me completamente exposta, como se apenas aquele olhar pudesse arrancar todas as camadas que cuidadosamente coloquei ao meu redor.
E, ainda assim, eu não conseguia desviar. Não queria.
Nossos olhares se cruzaram em uma batalha silenciosa, e o mundo fora das paredes espelhadas do elevador perdeu qualquer importância. Enquanto seus olhos percorriam devagar meu rosto marcado pelas lágrimas, o vestido amassado, senti o calor subir pelas minhas veias, e meu coração martelava dentro do peito.
Uma parte traiçoeira de mim-um instinto bruto e animal que eu nem sabia que possuía-clamava para que eu me jogasse nos braços dele, implorando para ele terminar com seus lábios o que tinha começado com aqueles olhos devastadores.
Esse pensamento me trouxe de volta à realidade como água gelada caindo sobre mim.
Que diabos você tá fazendo, Elena?
Me repreendi mentalmente, duramente. Esse homem era Eric Thompson. Bilionário Alfa. O lobo mais poderoso da Costa Leste.
E-o golpe mais cruel de todos-o futuro cunhado de Mark!
Gente do nível deles nunca olha duas vezes para mulheres como eu-não por algo real, pelo menos. Mark me ensinou essa lição da forma mais brutal possível. Eu não iria-não podia-ser tão tola outra vez.
Me levantei às pressas, limpando as lágrimas com as costas da mão. Apertei a bolsa contra o peito como se fosse um escudo, querendo desaparecer dali o mais rápido possível.
Me preparei para desviar dele, em direção às portas abertas e à tão desejada liberdade.
Ele não se mexeu.
Um muro de músculos e poder em um terno impecável, ele permaneceu firme na entrada, com os ombros largos praticamente preenchendo todo o espaço. Uma sobrancelha se ergueu um pouco.
"Você não pode sair desse jeito." A voz dele era gelada enquanto me encarava, os olhos penetrantes percorrendo meu corpo como se fossem uma marca queimada a ferro.
"De que jeito?" Retruquei, seguindo o olhar dele para baixo.
E, então, eu vi.
Minha respiração vacilou ao perceber-a parte da frente do meu vestido estava rasgada, expondo muito mais do que deveria. O calor tomou conta das minhas bochechas. Os seguranças. A luta. Eles devem ter rasgado durante aquele arrastão brutal até o elevador. Com mãos trêmulas, tentei juntar o tecido rasgado, pressionando-o contra meu peito com uma das mãos.
Mas por que ele soava tão... possessivo em relação a isso? Como se eu pertencesse a ele? Não me lembrava de já ter estado tão próxima dele antes, nem de ter trocado sequer uma palavra. Engoli a vergonha e levantei o queixo em desafio.
"O que eu visto é escolha minha," declarei, firme, enquanto tentava novamente passar por ele.
O braço dele disparou, envolvendo minha cintura, e ele me puxou de volta contra si com uma facilidade assustadora.
Eu não podia tolerar isso-esse preconceito casual de achar que tinha algum direito sobre meu corpo. Empurrei o peito dele, lutando para me soltar. Mas, no momento em que minhas mãos tocaram o calor que emanava daquele terno impecável, um desejo bruto e incontrolável percorreu minhas mãos, indo direto para meu íntimo. Tremi. Nossos olhares se cruzaram, e vi os dele escurecerem, a tempestade se formando neles com algo que parecia perigoso.
"Nem pense nisso," ele rosnou, cada palavra transbordando de desprezo arrogante. "Eu não vou permitir que ninguém apareça no casamento da minha irmã desse jeito, tão indecente, tão vergonhoso."
Aquilo foi o suficiente. Aquele tom presunçoso e moralista despertou algo feroz dentro de mim.
Deixei a bolsa cair no chão com um som satisfeito. Antes que pudesse pensar, antes que qualquer senso de razão pudesse me impedir, agarrei a parte rasgada do vestido e puxei.
O som do tecido rasgando ecoou no silêncio carregado. O que restou foi um microvestido justo, sem mangas, que mal passava das minhas coxas.
"E agora, está satisfeito?!" Cuspi, meu peito subindo e descendo enquanto o olhava com olhos em chamas.
Ele ficou completamente imóvel.
Então, um som baixo-quase um rosnado-escapou dele. Em um movimento ágil, ele me agarrou e me pressionou contra a parede, o corpo dele perigosamente próximo do meu. O cheiro terrestre dele me cercando, invadindo meus sentidos, enquanto meu coração disparava e minhas pernas ameaçavam ceder.
"Que jogo é esse que você está tentando jogar?" Ele rosnou próximo ao meu pescoço, o hálito quente contra minha pele, os olhos mais escuros, quase predatórios. "Quer atrair homens para o quê? É isso?"
"Que tipo de besteira você está falando?" Gritei de volta, empurrando com força o peito dele. "Estou presa num elevador com o vestido rasgado-o que exatamente você queria que eu fizesse? O que VOCÊ teria feito?"
A mandíbula dele endureceu. Não disse nada.
Sem uma palavra, ele arrancou o próprio casaco e o colocou sobre meus ombros. Antes que eu pudesse processar o que tinha acabado de acontecer, ele apertou o botão. As portas se abriram, e ele saiu com passos firmes, me deixando para trás, parada, envolta no tecido que ainda carregava o cheiro dele.
Saí do elevador usando o casaco enquanto as portas se fechavam friamente atrás de mim.
A humilhação queimava dentro de mim como fogo selvagem, as acusações dele ecoando na minha mente-palavras cruéis e cortantes insinuando que eu não passava de uma mulher vulgar, exibindo-me para receber atenção masculina. Donde subia garganta acima.
E, mesmo assim-
Envolvi o casaco em torno de mim com mais força. Aquele cheiro selvagem e masculino parecia se enroscar ao meu redor, entranhando-se na minha pele, tirando a força das minhas pernas e despertando algo que eu me esforçava tanto para reprimir, algo que me recusava a admitir.
Eu odiava isso. Odiava como meu corpo reagia desse jeito. E, pior ainda, odiava que fosse ELE-de todas as pessoas.
Eric Thompson-irmão da mulher que tinha roubado o Mark de mim. O último homem no planeta por quem eu deveria sentir QUALQUER coisa.
"Vejam só quem apareceu. Desenterrada por um gato talvez?"
A voz carregada de deboche congelou meus movimentos enquanto eu caminhava rapidamente em direção à saída, desesperada para escapar daquele pesadelo. Olhei para cima.
Selene. A irmã do Mark.
Continuei andando. Não tinha energia para lidar com os joguinhos dela.
Mas ela passou à minha frente, bloqueando meu caminho.
"O que está fazendo aqui, Elena?" O tom dela transbordava desprezo. "Querendo fisgar o meu irmão de novo, é?"
Antes que eu pudesse responder, duas amigas dela chegaram e se colocaram ao lado, me olhando com puro nojo escancarado, os rostos contorcidos em zombaria.
"Fisgar seu irmão de novo?" Soltei uma risada curta e seca. "Ah, me poupe. Nem com uma vara de dez metros eu encostaria naquele interesseiro e falso."
"Olha só quem tá falando!" A voz de Selene subiu um tom e, imediatamente, as outras começaram a rir, rindo com uma obediência ridícula. "Se não quer nada com ele, então o que está fazendo aqui, hein? Chorando e implorando pra ele voltar? Não tem vergonha de aparecer desse jeito?"
"O que eu faço aqui não é da sua conta-nem da conta da cobra do seu irmão, Selene." Minha voz saiu carregada do mesmo veneno que ela soltava.
Os olhos dela escureceram. "Negue o quanto quiser, mas não vamos aceitar lixo como você aparecendo pra estragar o grande dia. Saia daqui."
"Ah, por favor." Cruzei os braços, permanecendo firme, sem me mover um centímetro. "O drama de quinta categoria da sua família não tem absolutamente nada a ver comigo. Eu joguei fora o seu irmão patético muito antes de isso tudo acontecer."
Minha firmeza só alimentou a raiva dela. Ela estalou os dedos, quase gritando, "Seguranças! Aqui! Tirem esse lixo da minha frente agora!"
Não me mexi.
Os dois seguranças se aproximaram-mas pararam bruscamente. Os olhos deles caíram no casaco que pendia dos meus ombros. E então, o cheiro. Aquele perfume selvagem, dominante. Um sinal claro, inconfundível, de um Alfa.
Eles hesitaram.
Selene seguiu o olhar deles. Quando registrou o casaco-e os feromônios dominantes que a envolviam-o rosto dela se torceu em uma máscara de reconhecimento e ódio.
"Vadia," ela cuspiu, o veneno escorrendo da palavra em cada sílaba. "É só isso que você é, né? Sempre se entregando pra quem tem poder."
Algo dentro de mim se quebrou.
Minha mão se moveu antes que meu cérebro pudesse reagir.
O som seco do tapa ecoou pelo corredor enquanto minha palma atingia a bochecha dela com uma força sólida e satisfatória.
Ela arfou, levando a mão ao rosto, chocada demais para reagir.
"Senhorita Elena." Um dos seguranças falou, com a voz formal e com cuidado para não olhar diretamente nos meus olhos. "Por favor, deixe o local."
Eu já estava andando, minha coluna reta, o coração batendo tão alto que parecia preencher meus ouvidos. Não olhei para trás. Ninguém ousou me parar. Os seguranças mantinham distância, os olhares desviando nervosamente para o casaco ainda sobre os meus ombros.
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Do lado de fora, o tempo virou repentinamente e a chuva caiu pesada, sem piedade. Em segundos, eu estava encharcada, tremendo. O pânico apertou meu peito enquanto eu pensava no casaco. Eu não podia deixar que ele fosse arruinado. Corri para um canto escuro ao lado do prédio onde havia alguma proteção, encostei as costas na parede e rezei para que a chuva diminuísse.
Foi aí que senti.
Vozes baixas. Risadas ásperas. E passos pesados se aproximando cada vez mais.
Levantei os olhos, e meu estômago despencou.
Três homens saíram das sombras, os olhares deles rastejando sobre mim, devagar, deliberadamente.
"Meu Deus..." O sussurro escapou dos meus lábios, mal audível sobre o som da chuva martelando. "Alguém-qualquer pessoa-por favor, me tire daqui."
Ponto de vista de Elena
A chuva caía com mais força, martelando o abrigo como se soubesse que eu estava encurralada.
Os três homens se espalharam lentamente ao meu redor, bloqueando a luz e o ar. Os olhares deles me examinavam com malícia, e meu coração parecia que ia sair pela boca.
Meu Deus, eu preciso de ajuda! Rezei silenciosamente.
"Bem, o que temos aqui?" falou um deles, com um sorriso que não tinha traço algum de bondade. "Sozinha nesse pequeno esconderijo, hein?"
O segundo soltou uma risada baixa e desagradável. "E vestida assim? Não é meio óbvio?"
Meus dedos apertaram o casaco enquanto eu me pressionava mais contra a parede de concreto.
"Fiquem longe," eu avisei, tentando fazer minha voz soar firme, mesmo que o tremor nela quase me traísse. "Eu não quero confusão."
Eles trocaram olhares, um brilho divertido passando entre eles.
"Confusão?" o primeiro zombou. "Quem disse algo sobre confusão? Estamos só querendo fazer companhia pra você."
Meu coração continuava martelando tão alto que eu tinha certeza de que eles podiam ouvir. Olhei ao redor, procurando uma saída, qualquer brecha. Não havia nenhuma. Mas decidi tentar fugir mesmo assim.
No momento em que tentei passar correndo por eles, um deles se colocou na minha frente, rápido e sem esforço. "Não tão rápido," ele disse.
Virei para o outro lado, mas fui novamente bloqueada. Meu peito subia e descia em respirações curtas e ofegantes enquanto o pânico tomava conta. Foi então que senti umas mãos puxando o casaco.
"Solta!" eu gritei, mas o puxão foi forte. O tecido escapou dos meus dedos, e o ar gelado encontrou minha pele encharcada pela chuva. O vestido sem mangas grudava em mim como uma segunda pele, transparente e absurdamente revelador.
"Caramba," murmurou o primeiro homem, os olhos deslizando pelo meu corpo com uma fome descarada. "Olha só você, fingindo que não quer isso, vestida assim."
O segundo explodiu em risadas, seus olhos devorando cada curva minha. "Andando por aí como um sonho molhado, e espera que acreditemos que é inocente?"
Vergonha me consumiu, queimando mais que o medo. Eu me encolhi, abraçando-me com os braços enquanto tremia violentamente. "Não é nada do que estão pensando!" rebati, a voz cheia de raiva. "Fiquem longe de mim!"
Mas eles não ficaram. Avançaram.
Eu me debati, tentando acertar qualquer coisa - um rosto, uma garganta, qualquer ponto para me defender. Mas eu era só humana, e eles eram lobos. Nunca tive chance.
Um deles prendeu meu pulso, torcendo-o para trás, com uma eficiência brutal. A dor subiu pelo meu ombro.
"Me solta!" eu berrei, lutando.
O segundo me segurou pela cintura, os dedos cavando na minha pele. "Relaxa," ele murmurou ao meu ouvido. "É só uma brincadeira."
Eu chutei, me esforcei, joguei tudo que tinha para sair. Era inútil. Estava tremendo, molhada e fraca.
"Socorro!" gritei de novo, a voz rachando pelo terror. "Alguém me ajude!"
As risadas deles ecoaram. "Quem vai ouvir?" zombou um. "Todo mundo tá lá no grande casamento."
As lágrimas escorriam pelo meu rosto, se misturando à chuva. O medo esmagava meu peito, tornando impossível respirar. Fechei os olhos com força, rezando - implorando - por algo, por qualquer um que pudesse me salvar.
Uma das mãos desceu em direção à minha coxa.
Então-
"Soltem ela. Agora."
Os segundos seguintes foram um borrão de caos.
Um renegado foi jogado para o lado como se não pesasse nada. Outro gritou ao bater no chão com um estalo doído. O terceiro nem teve tempo de reagir. Eric se movia com uma precisão letal - sem movimentos desnecessários, sem piedade - apenas força bruta e devastadora. Quando acabou, eles estavam gemendo e fugindo, rastejando na chuva.
Então ele se virou para mim.
A fúria em seus olhos diminuiu levemente quando encontrou os meus.
Minhas pernas cederam.
Braços fortes me seguraram antes de eu atingir o chão, me puxando contra um peito sólido. Agarrei o casaco dele sem pensar, meus dedos se fincando no tecido enquanto meu corpo tremia.
"Peguei você," ele disse suavemente.
Eu não conseguia parar de tremer. O frio havia entrado nos ossos e minha cabeça girava. Sua mão roçou minha testa, o toque de repente cheio de urgência.
"Você está queimando de febre," ele murmurou, entre dentes. "Droga."
Ele me ergueu com facilidade, me segurando como se eu não tivesse peso algum.
Enterrei o rosto contra o peito dele, absorvendo o calor que emanava. O cheiro dele me envolvia, fazendo todo o resto desaparecer.
"Mantenha os olhos abertos, Elena," ele ordenou com força quieta.
Fiz um aceno fraco, segurando-o como se ele fosse minha única conexão com a realidade. Ele me levou até o carro com passos firmes.
"Hospital mais próximo," ele disse ao motorista. "Rápido."
A porta se fechou com um estrondo, bloqueando a tempestade lá fora. Continuei tremendo - de forma violenta, incontrolável. O gelo corria por minhas veias, enquanto minha cabeça latejava com um calor febril.
"Pare de se mexer," ele instruiu.
Tentei obedecer, juro que tentei. Mas meu corpo tinha sua própria agenda. Meus dedos o encontraram novamente, agarrando o tecido de sua camisa, puxando-me para mais perto da fornalha que era seu corpo.
"Tô com tanto frio." Sussurrei, patética e frágil.
Ele prendeu a respiração. Então começou a tirar o casaco, colocando-o sobre mim, suas mãos demorando-se um instante a mais do que o necessário ao ajustá-lo sobre meus ombros.
"Pronto," ele murmurou. "Isso deve te esquentar."
Mas o casaco não era suficiente. Só me fazia querer me enroscar ainda mais, chegar ainda mais perto. Apertei ainda mais sua camisa, pressionando meu corpo contra o dele, buscando mais daquele calor.
Sua mandíbula se contraiu. "Você não tá ajudando."
Por razões que eu jamais conseguiria explicar, o cheiro dele me envolvia como uma espécie de encantamento, um feitiço que eu não podia quebrar. O casaco de Eric tinha afastado o frio, mas também tinha feito algo muito mais perigoso - ele tinha desordenado completamente meus sentidos. Eu ansiava por mais calor. Mais dele.
Antes que eu percebesse o que estava fazendo, me aproximei ainda mais, subindo em seu colo, o montando como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se meu corpo reconhecesse algo que minha mente se recusava a aceitar.
"Elena." Sua voz era um aviso-baixa, áspera, no limite. "Não."
Mal consegui ouvi-lo. O mundo se resumiu ao ritmo de sua respiração, ao trovão do coração dele batendo sob minha palma, à presença esmagadora dele preenchendo cada canto da minha consciência.
Quando meus lábios encontraram os dele, algo se quebrou.
Ele xingou-um som rouco, gutural-e então a divisória de privacidade foi levantada, nos envolvendo em um casulo de escuridão e calor. Seus feromônios tomaram conta do espaço, densos e intoxicantes, fazendo minha cabeça girar e meu corpo doer de um desejo doce e desconhecido. Meu beijo era desajeitado, desesperado, mas desencadeou algo primitivo nele.
Cada fio de autocontrole que ele tinha se desfez.
Ele me puxou para mais perto, devorando minha boca com uma fome que falava de anos de contenção finalmente estilhaçada. Um gemido escapou de mim - vergonhoso, intenso - e meu corpo respondeu de formas que eu nunca tinha experimentado antes. O prazer percorreu meu corpo, forte, avassalador. Nem com o Mark eu tinha sentido isso - nunca tão selvagem, tão arrebatador, tão completamente perdida em outra pessoa.
Meu corpo arqueou contra o dele, me entregando ao calor crescente entre nós.
Eric acompanhava meu fervor, aprofundando o beijo enquanto suas mãos percorriam meu corpo, encontrando cada lugar que me fazia perder as forças, que me fazia desejar mais. Seus dedos deslizaram entre minhas coxas, abrindo caminho, descobrindo a prova do meu desejo através do tecido absurdamente fino que mal servia como roupa íntima. Um som grave, quase um rosnado, escapou de seu peito quando ele deslizou um dedo sob o material delicado, puxando-
O carro parou.
"Senhor." A voz do motorista ecoou, alheio à cena. "Chegamos."
O encanto se quebrou.
Eric ficou rígido, cada músculo travando como se tivesse sido atingido por água gelada. Então, ele se afastou abruptamente, sua expressão fechada de tal forma que parecia que uma porta tinha se fechado entre nós.
"Isso não deveria ter acontecido," ele disse, a voz rouca.
Eu queria perguntar por quê. Queria entender como fomos daquele momento-puro fogo-para essa frieza glacial em um piscar de olhos.
Mas o mundo começou a girar, minha visão ficou turva nas bordas...
E então tudo ficou escuro.