Cap. 1 "Formigas"
Condado de North Yorkshire, território Britânico (Inglaterra), 1839...
Por uma estrada de terra seguia Elizabeth Stuart, a Condessa Fhilips York do condado de North Yorkshire, a "Grande Dama" da Coroa, a preferida da Rainha Victoria, mas para os íntimos apenas Liz.
A jovem seguia pela estrada enlameada em uma carruagem a caminho de sua cidade natal acompanhada por Sir Sigfrid, o homem mais implicante que Liz conhecera na vida.
O homem tinha um semblante enfadonho e frio, parecia ser muito perspicaz e sarcástico. Mas aqueles olhos amendoados caiam ao Lord como uma luva, Elizabeth jamais encontrou outro olhar tão fascinante. Existia um brilho sobre a luz que refletiam daqueles olhos, de fato aquele cavalheiro era bonito. Seu rosto era assimétrico com o queixo quadrado, seu nariz pequeno e curvilíneo lembrava muito as feições do Duque Smith, Tyler marido de sua amiga Charlotte, tanto que até poderiam dizer que os dois eram irmãos.
Mas ao olhar curioso e destemido de Liz, Sigfrid era muito mais charmoso e robusto que o Duque, seu amigo.
Ora ou outra, o cavalheiro acendia um charuto com cheiro forte de chocolate misturado a tabaco. Concentrava-se em ler um livro e desdenhava da mulher ao seu lado que lhe fazia companhia. Inquieta, a jovem parecia não ter paradeiro dentro da carruagem, as vezes estava por olhar a paisagem, que agora estava chuvosa, outras por murmurar sozinha ou cantarolar e em algumas ocasiões, olhava discretamente para Sir Sigfrid.
O jovem Lord era um dos homens de confiança da Rainha Vitória, um dos jovens mais notáveis do Reino Britânico. E apesar de parecer ser um rapaz simplório, escondia de todos sua verdadeira linhagem. Sir Sigfrid era o filho primogênito do antigo Duque Smith, também de Tyler seu amigo.
Em relação a linha de sucessão ao trono era o segundo pela ordem cronológica, mas como seu passado era algo desconhecido à todos, com excessão da própria Majestade por quem o tinha como um filho, Sigfrid não possuía ligação alguma com a família real por pedido dele. Tyler que era seu irmão também não tinha conhecimento sobre esse fato. Logo o Grande assassino do Reino era apenas um homem de confiança da Rainha aos olhos dos demais.
A verdade é que o rapaz a escoltava, afinal aquela não era qualquer mulher e sim a "Grande Dama". Sir Sigfrid estava demasiadamente envolvido nas questões da "Coroa Britânica", mas não sabia explicar o porque de decidir protege-la pessoalmente.
A senhorita Stuart era extremamente azarada e irritante, não conseguia permanecer calada e tinha um temperamento infernal. Seu caráter era de uma megera e sem mencionar em sua falta de modéstia.
Claro que existia o fator da beleza exótica e angelical que a moça esbanjava. Tinha os cabelos longos em um castanho dourado que refletidos ao sol exibia uma cor achocolatada, os lábios carnudos e avermelhados. Seus olhos eram de um verde ouro, encantadores tal qual o paraíso. Sua estatura era pequena e suas curvas eram redondas nos lugares certos. Sua pele era alva e de longe demonstrava sua maciez. A garota parecia um bibelô, uma boneca de porcelana.
Toda via, a moça era engraçada e possuía senso de justiça apurado, não havia pessoa tão complexa ao ver de Sigfrid.
O jovem cavalheiro está com a cabeça voltada para baixo, mas sempre acaba por olhar na direção da pequena encrenqueira. Até que em um determinado momento o olhar dos dois encontraram-se. Para mostrar que estava apenas incomodada com a fumaça do charuto, Elizabeth coloca a mão sobre a boca e finge tossir. Mas Sigfrid já havia convivido por algum tempo na casa dos Smith, onde a jovem foi dama de companhia de Charlotte Leblanc e assim conhecia o jeito sonso de Liz. Para acalorar a situação o rapaz percebendo o tédio da jovem começa a falar:
_Tem formigas no seu assento Senhorita? Nunca vi pessoa mais inquieta.
_Preocupe-se com seu lado da carruagem Senhor.
_Não esqueça que estou recluso a está carruagem por vontade da Rainha... Não por escolha, ou seja, pare de incomodar meus pensamentos com sua voz estridente e desafinada.
Elizabeth franze a testa apertando os olhos em direção a Sigfrid que permanece de cabeça baixa fingindo ler o livro e mostrando-se indiferente. Liz ficava possessa ao saber que a verdadeira intenção daquele homem inconveniente e mal amado era atormenta-la e assim mais uma vez, desde quando conheceram-se, uma disputa de quem irrita mais começou:
_Sou uma pessoa superior aos seus comentários nada inteligentes my Lord e somente pelo apreço que tenho a Rainha Victória, não o mando voltar para Londres imediatamente.
_Superior? Somente em cinismo my Lady Elizabeth, pois sua altura é inferior a tal qual uma formiga.
A Condessa estava bem diante de Sir Sigfrid e arqueia seu corpo para a frente agarrando a gravata do cavalheiro:
_Escute seu paspalho, acredito que seu único dever é seguir-me e proteger-me, já que a única coisa que existe em seu corpo são músculos e sua pouca inteligência está atravancada. Faça um favor a si mesmo e permaneça calado.
Sigfrid lança o olhar para baixo, encarando a pequena mão que segurava sua roupa e puxava seu corpo para frente. A vontade de segurar aquela mão e trazer o corpo todo da Condessa para mais perto do seu, era enorme. Mas o Lord volta seu olhar para o rosto ruborecido da jovem e fala:
_Senhorita solte meu traje ou não responderei por mim.
_E fará o quê? Não temo o Senhor!
Os dois encaram os olhos um do outro com ferocidade e estavam a ponto de estrangularem-se quando a carruagem tomba para o lado fazendo Elizabeth cair sobre o colo de Sigfrid, ficando a centímetros do rosto do homem, com as mãos apoiadas no peitoral do mesmo.
Logo o jovem cavalheiro pensou que suas preces foram atendidas, pois não foi necessário agarrar a jovem para poder ter um contato mais caloroso, afinal a mesma caiu sobre ele. Toda via Sigfrid desviou o rosto para o lado e falou para Liz:
_Senhorita acredito que deveria sair de cima de mim. Está esmagando meu corpo com o seu peso.
No mesmo instante a jovem dama fica com a face vermelha e seus olhos piscam algumas vezes acabando por soluçar:
_"Ic"...
☆Anotações de John Smith:
"_Não conheço alguém mais insuportável que tal Dama."
Cap. 2 "Mals modos"
Elizabeth Stuart, ainda permanecia com as mãos sobre o peitoral másculo de Sigfrid e conforme seus olhos encaravam a expressão séria do Lord, sua crise de soluços tornava-se mais intensa.
Dentro do peito do jovem cavalheiro seu coração batia de forma alucinada e Liz podia sentir a respiração de Sigfrid que ficava mais ofegante conforme continuavam tão próximos. Uma gota de suor surge na testa do jovem e escorre de forma rápida por sua fronte. Calores internos estavam começando a ficar visíveis e caso Elizabeth continuasse tão encostada ao mesmo seria impossível controlar uma ereção. Aquela aproximação com a Condessa abalava a concentração do "grande assassino", temido por todos, algo tão forte que o fazia entrar em frenesia e perde-se em pensamentos.
Sem resistir ao impulso o jovem acaba por voltar o olhar ao rosto de Liz que parecia assustado e envergonhado. O homem fica por segundos encarando aquela boca vermelha, lindamente torneada e convidativa. Ainda não tinha sentido o gosto dos lábios de uma mulher, mesmo vivendo a maior parte da vida entre guerras. O jovem Lord, tinha uma forma muito peculiar de pensamento sobre as criaturas femininas devido ter sido criado por sua mãe e avó durante boa parte da vida e depois em sua adolescência pela Rainha Vitória.
Como seria desrespeitoso com uma mulher, afinal exemplos maravilhosos o mesmo tivera?!
Nesta linha de raciocínio Sigfrid, jurou jamais desposar uma mulher sem ter compromisso firmado. Não cometeria o mesmo erro que seu pai. Mas o fato de que a jovem Condessa era incrivelmente linda não tornaria seu ideal de vida tão fácil de seguir. Mesmo sendo um homem de princípios, Sigfrid acabou por olhar de relance o decote do vestido que a garota trajava.
Seus seios estavam com boa parte do colun à mostra e pareciam espremidos dentro do espartilho que os envolvia. Revelava uma pele clara que contrastava perfeitamente com os olhos esverdeados e o cabelo castanho com nuances douradas da dama. Sigfrid engole seco a vontade que sente tomar um beijo casto daqueles lábios que tremiam devido aos soluços que aumentavam.
A condessa estava com o corpo caído sobre o colo do jovem Lord e suas mãos que antes puxavam a gravata do cavalheiro agora tocavam a parte músculosa do peitoral do rapaz.
Antes que Sigfrid fizesse algo do qual poderia se arrepender pelo resto da vida, apoiou suas mãos no quadril da jovem e a levantou colocando-a sentada novamente do outro lado da carruagem:
_Por favor senhorita controle seus modos.
_E o Senhor por obséquio retire suas mãos cheias de dedos do meu corpo.
Sigfrid ainda não havia se dado conta que permanecia com as mãos sobre a cintura de Elizabeth, e assim que foi chamado sua atenção, tratou de retirar as mãos mais que depressa. O jovem Lord suava e aquela tensão dentro da carruagem estava por sufoca-lo. Tão logo o mesmo desceu do veículo para verificar o motivo da parada tão brusca.
Devido a estrada estar enlameada a carruagem acabou por atolar e vindo a quebrar umas das rodas. A chuva começou a cair e ficava ainda mais difícil para o jovem Lord e o cocheiro conseguirem retirar o veículo do lugar.
Elizabeth permanecia dentro da carruagem, estava com as mãos trêmulas devido ao contato corporal com o jovem Lord mais cedo. Mas queria convencer a si mesmo que não havia acontecido nada demais e tudo foi apenas um fato isolado. Para provar a si mesma, que sentia por Sigfrid era apenas indiferença, a moça desceu da carruagem para oferecer ajuda e sair da estrada o quanto antes, pois a estalagem mais próxima ficava a uma hora do lugar onde estavam.
Os dois homens não perceberam quando a Condessa desceu os poucos degraus e subiu suas anaguas para poder movimentar melhor as pernas dentro da lama. Sigfrid e o cocheiro tentavam a todo custo moverem a carruagem e forçavam os cavalos que apenas deslizavam ainda mais sobre a grande poça de lama que aumentava devido a chuva que ficava mais intensa.
Liz deu a volta na carruagem e percebeu que os dois homens precisavam de um objeto para apoiar a roda e levanta-la para dar impulso. Retirou um galho que estava caído por perto e arrastou até os dois pasapalhos que só perceberam sua presença quando a mesma pigarreo:
_Usem isso como apoio. - A Condessa encarou o galho demonstrando o que deveriam fazer.
Sigfrid virou o rosto e observou que a jovem dama estava toda descabelada, molhada, com saia levantada na altura dos joelhos deixando a mostra seus tornozelos. Sem raciocinar muito o jovem Lord, caminhou até a Condessa e a arrastou pela mão até a carruagem:
_Isso são modos de uma Dama? - Sigfrid abaixou perante a jovem e puxou a saia da mesma para cobrir suas pernas - A Senhorita é realmente impossível. Saía agora da chuva e nunca mais levante suas anaguas na frente de outro homem.
_O Senhor é mesmo um ingrato. Não vê que estou tentando ajudá-lo.
_Não pedi a sua ajuda minha cara.
Liz fica indignada com a forma rude que o aquele brutamontes a trata e segue o homem que vira de costas e junta o galho que a mesma havia mencionado antes. Assim que a Condessa avança dois passos adiante, acaba por escorregar e cair de costas sobre a lama sujando todo seu corpo se espatifando totalmente dentro da poça.
Sigfrid que até então estava irritado com tudo ao seu redor olha para trás no momento em que Elizabeth caí. Porém sua atitude não foi a de um cavalheiro, pois ao invés de ir ajudar sua protegida, começou a apontar e gargalhar sobre o infortúnio da mesma.
Por sua vez, Elizabeth não deixaria ser ridicularizada por um infeliz qualquer. Sendo assim, juntou com as mãos parte da lama e arremeçou em direção do Lord que acabou por ficar com o rosto todo sujo e engolir lama, devido estar rindo de forma tão escancarada.
☆Anotações de John Smith:
"_É mais fácil lidar com um leão do que com o gênio infernal desta mulher."