Capítulo 2

Sarah

Enzo foi rápido. Enquanto arrumava as minhas coisas e as do meu filho, ele acionou os advogados e elaborava o acordo do divórcio. Após assinado, eu peguei as minhas coisas e as do meu filho, e me instalei em um hotel no centro da cidade. Deixei as minhas coisas na casa da minha amiga Mariah. Precisava desabafar, pois sabia que, na casa dos meus pais, seria julgada, ao contrário do que minha amiga faria.

Durante o caminho, pensei nas coisas que aconteceram hoje, confesso que continuo tentando entender onde foi que errei. Sei que meu casamento não estava as mil maravilhas, mas se não me queria mais, era simples, terminasse comigo e não me traísse, e pior ainda levou a amante para dentro da nossa casa.

Por mais que eu seja forte, nós temos nosso limite, e eu estou no meu limite.

Sinto por ter anos perdidos ao lado de alguém que não teve um mínimo de consideração por tudo que abandonei para servir a ele, a nossa família, deixei minha carreira e meus sonhos de lado, e para quê? Tenho a sensação de não ser boa para nada, não ser suficiente, ele me humilhou, ela me humilhou, naquele momento eu me senti um lixo, a pior mulher da face da terra, uma inútil, mas não vou deixá-lo perceber, vou dar a volta por cima, ele vai se arrepender do que fez comigo, vai se arrepender por cada palavra de humilhação que me disse.

Já anoiteceu, eu sigo sozinha andando pela rua quando um homem se aproxima e mexe comigo.

— Oh! Lá em casa! Vem se divertir comigo gracinha. — De longe dava para sentir o cheiro de bebida que exalava dele, ele se aproxima e cheira meus cabelos, eu fico com muito medo.

— Por favor, me deixe em paz, só quero seguir o meu caminho — Assim que terminei de falar, ele me agarra, e tenta beija meu pescoço, então dou um chute no saco dele e saiu correndo.

Joseph

Olá, meu nome é Joseph Martinelli. Tenho vinte e seis anos, sou alto, tenho cabelos castanhos claros e olhos castanho-claros. Não sou muito habilidoso, mas sou forte, de porte atlético e estou sempre em atividade física. Não sou de conversa fiada. Tenho uma rede de empresas, Grupo Martinelli S/A, uma cooperativa que atua em diversos ramos, como Tecnologia, Joias, Transportes entre outros.

Sou conhecido por ser frio e cruel. Também sou o chefe da Máfia Italiana, na região onde moro, mas essa minha vida no sub mundo, ninguém sabe, eu me mantenho reservado.

Eu tive um grande amor e não consigo parar de pensar nela, mesmo que no passado ela tenha me machucado, eu sigo entre amor e ódio por ela, mas nunca deixo de protegê-la, sempre estou de olho nos seus passos.

Um dos rapazes que coloquei para vigiá-la disse-me que ela havia saído de casa com uma quantidade considerável de malas. Fiquei bastante curioso; ela é casada há cinco anos com aquele homem idiota e, para mim, tudo estava bem no casamento deles. Agora, tenho que investigar o que aconteceu e o que aquele homem fez para ela.

Vou até perto do hotel onde ela se hospedou, fico de longe observando o quão linda ela está, mesmo com roupas casuais como calça jeans, camiseta e tênis, nada tem o poder de tirar sua beleza.

— Chefe, aquele homem está seguindo-a.

— Vamos aguardar para agir — Dou um sorriso quando vejo ela dar uma joelhada naquele escroto — Essa é minha garota.

Assim que ela sai correndo, eu desço do carro, vou até o homem que está gemendo de dor.

— Viu o que aquela vadia fez comigo? Se oferece, para depois se fazer de difícil. — Não penso duas vezes, desfiro um soco no seu rosto. Vejo um brinco no chão, abaixo para analisar, e com toda certeza é dela, pego um lenço e coloco no meu bolso. Fico olhando para aquele projeto de homem. Só de lembrar que ele encostou as mãos sujas nela, me dá vontade de matá-lo. Ele continua com a mão no saco, então lembro que ela sempre teve um temperamento forte e parece que nada mudou, sorrio com esse pensamento.

— O que vai fazer com ele chefe? Não podemos deixá-lo na rua.

— Leve-o para o galpão, depois vou fazer uma visitinha para ele. — Digo sorrindo, enquanto ele encolhe.

— Ok, chefe.

No dia seguinte…

Sarah

Hoje vou à reunião do conselho, o Enzo vai me anunciar como acionista majoritária.

Um friozinho na barriga, mostra-me o quando estou nervosa, devido a estar muito tempo fora do mercado de trabalho.

Para a reunião coloquei um conjunto social de saia, na cor preta, com uma camisa branca, e um colar que eu mesma desenhei, coloco uma sandália preta e sigo para Bella Signora's.

Chego na empresa e vou direto para a sala de reunião, onde todos já me aguardavam.

— Bom dia a todos, acredito que estão achando estranho a presença da Sarah em nossa reunião do conselho, mas se acostumem, pois a partir de hoje ela tem setenta porcento das ações, sendo assim, ela é a acionista majoritária e a nova diretora da empresa. — Enzo diz irônico. Alguns acionistas não parecem satisfeitos, antes que comecem a falar eu decido me apresentar.

— Olá, meu nome é Sarah Bummer, sou a nova diretora da empresa, como o sr. Enzo falou. Estou muito feliz e honrada por poder liderar este grande grupo. Quero garantir a todos que farei o meu melhor para atender às expectativas de todos vocês. — Uma voz falou:

— Por que escolheram uma mulher para o cargo? Não poderiam ter escolhido um homem?

— Impossível uma mulher fazer a gestão de uma empresa como está. — Diz o outro.

— Não falem assim, ela pode sim ter experiência, mas como dona de casa. — Um dos acionistas fala e todos os homens que haviam na sala riram do comentário. Eu não hesitei em responder a eles.

— Acredito que minha experiência, habilidades e conhecimento são os melhores para o cargo. Não escolhi ser mulher, mas acredito que minha identidade de gênero e minhas qualidades pessoais me dão uma perspectiva única para liderar este grupo. Acredito que posso usar essa perspectiva para trazer um novo ângulo para a empresa. — Escutar aqueles comentários machistas me deixou possessa, como podem ser tão escrotos.

— Pois é meus amigos, eu não tiro a razão de vocês, mas nos divorciamos e essa palhaçada fazia parte do acordo. — Enzo diz debochado.

— Uma dor de cabeça a menos, meu amigo. — Todos seguem rindo, eu sorrio também e falo:

— Ok, senhores, agradeço as felicitações gentis dos senhores, e independente do que acham ser certo ou não, a opinião de vocês não importa. Sou a nova diretora da empresa querendo ou não, então vou dar-lhes dar duas opções. A primeira podem seguir ao meu lado e juntos fazer dessa empresa um sucesso absoluto, a segunda podem vender suas ações para mim! — Alguns me olham curiosos, outros desacreditando — E aí, senhores, qual será a opção escolhida? Ah, só para lembrar a vocês, eu tenho formação, não sou uma qualquer sem preparação como meu ex-esposo tentou insinuar, estive afastada do mercado por um tempo, um erro que nunca mais cometerei, mas sou capaz de assumir tal cargo. Estou indo para a minha sala, caso queiram negociar suas ações. Caso optem por ficarem, terá uma reunião às dezesseis horas, estejam lá, agora deixa eu ir, pois tenho muitos relatórios para analisar — Dou uma piscadinha para o Enzo e saiu da mesma forma que entrei, com a cabeça erguida.

Capítulo 3

Sarah

Estou na minha sala analisando os balanços dos últimos anos, quando Giulia e sua mãe entram na sala.

— Até a sala dele você tirou, como pode ser tão oportunista. — Giulia diz.

— Quem te deu permissão para entrar na minha sala?

— Posso entrar a hora que eu quiser, meu marido é acionista aqui.

— Não, minha querida, seu amante, porque infelizmente ainda não saiu a merda do divórcio, devido às burocracias, sendo assim ainda é meu marido. Sai da minha sala, eu tenho mais o que fazer, não tenho tempo para perder com vadias desqualificadas. — Do nada a louca começa a se bater e a arranhar o próprio rosto. — Para de fazer isso, você é louca? — Eu disse sem acreditar no que via.

— Quem você pensa que é para agredir a minha filha? — a mãe dela me dá um tapa no rosto, essas mulheres só podem estar loucas, neste momento o Enzo chega para socorrer a amante, como se ela precisasse, na verdade, o que ela precisa é ser internada. A mãe dela vem para cima de mim de novo, eu seguro sua mão.

— O primeiro eu permiti, porque não estava esperando tal atitude, mas o segundo pode ter certeza que revido. — A mãe dela permanece em silêncio e se afastou de mim, mas Enzo tenta me agredir verbalmente e eu faço um gesto com a mão, para que ele se calasse. Dessa forma, a louca da Giulia parte para cima de mim com a mãe dela. Revido bloqueando e até mesmo agredindo-as, mas, com a roupa que estou usando, não é possível acabar com duas mocreias.

Os seguranças chegam e as tiram de cima de mim, eu solicito com a equipe de TI, as imagens da câmera de segurança da minha sala, causando espanto nelas e no digníssimo ex-marido, deixando-as nervosas. Ignoro a presença delas e peço para que o segurança me acompanhe até a delegacia.

— Não há necessidade disso. — Diz Enzo apreensivo.

— É melhor que me acompanhe, para não passarem vergonha quando os polícias virem buscar vocês.

Alguns minutos depois na delegacia…

— Por favor, senhora, me acompanhe. — O policial falou olhando para mim, eu o acompanhei até uma sala. Contei tudo o que aconteceu ontem e hoje na empresa e entreguei a cópia da gravação de uma câmera que fica dentro da minha sala para provar que não fui eu quem começou a briga e que foi a louca que se machucou sozinha. Depois que saí da sala, todos tiveram que fazer o mesmo, entrara um de cada vez na sala para dar a sua versão da história. Como já tinha feito a minha parte, fui liberada para ir para casa.

...

Joseph

Estou na minha sala, estudando alguns projetos, quando meu celular começa a tocar, olho no identificador é o Tomas, atendo, pois ele está responsável pela Sarah.

— Fala.

— Chefe acabaram de informar que a senhorita Sarah se envolveu em uma briga na empresa, ela está indo à delegacia denunciar as agressões.

— Estou a caminho. — Desligo a ligação e sigo para a delegacia.

Ao longe, observo sua saída da delegacia e fico extremamente furioso ao avistar sua roupa suja de sangue, com ferimentos no rosto e nas mãos. Fico tão nervoso que deixo a mão em punho para conter minha vontade de ir até a delegacia e agredir o ex-marido dela, ou quem quer que fosse que tenha agredido ela. Meus dedos ficam brancos devido à força que estou empregando para me controlar. Como eu queria ir até ela e cuidá-la pessoalmente, mas meu orgulho não deixa, então me acalmo e peço ao Tomás.

— Vá e compre os medicamentos necessários para a senhorita poder cuidar de seus machucados, duvido que ela vá fazer isso, entregue-os quanto antes. — Viro as costas e vou para o meu carro.

Sarah

Depois que sai da delegacia, decidi ir direto para o hotel, assim aproveito e pesquiso apartamentos mais próximo da casa da minha mãe, para poder ficar com o meu filho. Decido ligar por chamada de vídeo para minha mãe, esses dias, não consegui ir ver o Ian.

— Oi, mãe, o Ian está bem? — Digo assim que minha mãe atende.

— Está, sim, filha, como andam as coisas? — Minha mãe responde.

— Está indo mãe, mas uma coisa é certa, eu não ficarei chorando por ele.

— Ele não merece suas lágrimas, meu amor, por mais que doa, ele não merece, eu vou chamar o Ian.

— Oi, mamãe. — Como amo o som da voz dele, me traz paz na hora.

— Oi, meu anjinho, a mamãe está morrendo de saudades.

— Eu também estou, cadê o papai?

— Ele não está no momento, e você, está obedecendo à vovó e o vovô?

— Estou, sim, mamãe, o vovô me comprou um carrinho, olha que lindo! — Ele me mostra o carrinho todo empolgado.

— Que carrinho mais lindo meu amorzinho, logo a mamãe vai aí poder brincar com você! — Ele dá o sorrido mais lindo do mundo, então pergunto séria. — E você está tomando o medicamento certinho?

— É ruim, mamãe. — Ele faz uma careta linda.

— Sei que é meu amor, mas precisa tomar, é para o seu bem meu amorzinho.

— Está bom, mamãe. — Ele faz um bico fofo, que foi? Sou babona mesmo.

— Filho, a mamãe está procurando uma casa pertinho da casa da vovó, aí vou te buscar e moraremos juntinhos de novo. — Ele começa a pular de alegria.

— Oba mamãe. — Fico um bom tempo conversando com ele, por mais que ele tenha apenas quatro anos, é muito inteligente para a idade dele.

— Meu amor você sabe que não pode ficar pulando assim, agora a mamãe precisa desligar, eu te amo muito meu filho, nunca se esqueça disso.

— Desculpe mamãe, eu também te amo mamãe, muito, muito, muito… daqui até o universo.

Após desligar, volto a olhar os classificados, estava concentrada quando o interfone do quarto toca.

— Senhorita Bummer, deixaram um pacote para a senhorita na portaria, posso pedir para entregar, ou a senhorita vem buscar.

— Pode me entregar por favor, obrigada. — O que será que é?

Passam alguns minutos batem na porta, eu pego o pacotinho, quando abro acho estranho, tinha medicamentos para dor, pomada cicatrizante, gases, antisséptico, band-aids e faixas. — Que merda é esta? Quem mandou? — Decido ligar na recepção.

— Oi, por favor, a pessoa que me deixou o pacote, deixou o nome dele ou dela?

— Não senhora, apenas pediu para entregar em mãos, algum problema?

— Não, não, obrigada, boa noite. — Verifico se estão tudo lacrado, e estão, então decidi usar.

Após cuidar dos pequenos ferimentos, voltei aos anúncios de casas ou apartamentos para alugar, encontrei duas opções, mas estou cansada, quase não dormi na noite anterior devido aos eventos, fiquei revirando na cama. Voltei tarde da casa da Mariah, preciso relaxar um pouco. Decido tomar um banho de banheira, preparo um banho com sais relaxantes, e fico na banheira até a água esfriar, saio da banheira, enrolo na toalha e coloco uma roupa confortável, ligo a televisão, coloco em um canal aleatório, deito na cama e acabo dormindo.

No dia seguinte, chego na empresa e está um caos, então chamo minha secretária para saber o que aconteceu.

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