Capítulo 2

Oliver,

Depois da morte dos meus pais, decidi me afastar de tudo. Eles eram o meu alicerce, meu porto seguro. Deixei a empresa de telefonia InfinityPhone nas mãos do meu tio, irmão da minha mãe. Minha infância foi muito boa, eles me ensinaram muitas coisas. No entanto, na minha adolescência, eu era um cara muito inseguro e não conseguia me relacionar com nenhuma mulher. Após o que aconteceu comigo, acabei me privando de ter mulheres ao meu lado.

Com isso, ganhei várias famas de ser gay, principalmente pelos jornais e revistas de fofoca. Todos os dias me vejo em alguma página, onde falam sobre a minha sexualidade. É chato e irritante. Um homem não pode escolher viver sozinho? Tem que ter uma mulher, senão é taxado de gay?

Se eles soubessem o motivo pelo qual não me aproximo de nenhuma mulher, será que parariam de me colocar como centro das atenções? Acho que não. Poderia até ser pior, pois aí sim eu seria motivo de piada.

Os únicos que sabiam disso eram os meus pais, pois foi culpa deles que fiquei assim. A culpa foi minha, mas eles me disseram o que ia acontecer comigo, então eles têm uma parcela grande nesse caso.

Fiquei fora por três meses e soube pelo meu tio que lançaram um novo aparelho de celular. No entanto, houve muitas devoluções devido ao fato do aparelho não cumprir suas promessas, além de ter um preço elevado. O produto também apresentou várias falhas, levando a empresa à falência.

Não pude nem ficar em paz durante meu luto, pois se eu não voltar para a empresa, meu tio vai afundá-la ainda mais. Já estamos em falência, só falta fechar as portas.

Embora eu tenha meu próprio dinheiro com minhas economias e não precise mais trabalhar lá, a empresa é uma herança de família e eu jamais permitiria que ela desmoronasse, especialmente porque meus pais a construíram do zero.

Então, pego minhas coisas e volto para a Itália. Vou direto para a mansão, mas ao chegar, me deparo com meu tio esparramado no sofá. Olho no relógio e ainda é meio-dia, horário em que ele deveria estar na empresa e não em casa dormindo.

Pego o controle da televisão e a desligo, pois nunca vi uma pessoa dormindo enquanto assiste. Paro em frente a eles, cruzo os braços e observo atentamente o destruidor de empresas.

Pego uma almofada e jogo com força nele, e volto a cruzar os braços assim que ele acorda em desespero.

— Oliver... Você... Você voltou?

— Não, ainda estou lá. Sou apenas uma assombração que veio até aqui para te perturbar por você ter falido a empresa dos meus pais. Qual é a sua desculpa, tio?

— Eu não tive culpa. O último lançamento teve muitos problemas na fabricação, muitas falhas, o que causou muitas devoluções e parou as vendas. Com isso, até os modelos antigos ficaram sob suspeita.

— Eu vi o balancete e percebi que você gastou muito com produtos, mas o cofre da empresa está vazio. Eu poderia chamar a polícia e te denunciar por roubo, mas você preso não vai trazer o dinheiro de volta. Não sei o que você vai fazer, mas eu quero que a empresa volte a vender da mesma forma que eu deixei há três meses quando fui embora.

— Eu não peguei o dinheiro, ele foi usado para pagar as multas contratuais, já que as lojas não puderam ficar com os aparelhos.

— Sem desculpas, você precisa colocar os 10 milhões de dólares de volta na empresa e conseguir um novo aparelho para recuperar o negócio. Se vire.

Ele se levanta e fica de pé em minha frente. Sou até mais baixo que ele, se ele quer me intimidar, está no caminho errado, pois o único homem que eu tinha medo morreu junto com a minha mãe.

— Quanto você gastou nessa sua viagem?

— Não gastei nada da empresa, tenho minhas economias há muito tempo e usei delas. Não peguei nada da empresa, só deixei do jeito que o meu pai deixou. Não venha querer jogar a culpa em mim. Já está avisado, quero o dinheiro na conta da empresa até sexta-feira, e já comece a planejar o lançamento do novo aparelho.

Deixo ele sozinho, ele tem três dias para arrumar esse dinheiro, não me importa como vai fazer. Vou para o meu quarto, tomo um banho, pego o meu computador e começo a trabalhar em um novo modelo. Caso ele não consiga, eu vou tirá-lo da empresa e assumir as rédeas, mas ele nunca mais vai pisar lá. Passo quase a madrugada toda trabalhando, só paro quando são três da manhã. Desligo o computador e me deito para dormir.

Acordo pela manhã, faço minha higiene matinal, ligo o computador e faço os últimos detalhes no aparelho celular. Desço para tomar café da manhã e a empregada diz que ele saiu, que tinha uma reunião importante.

Ele não me falou nada dessa reunião. Termino o café e sigo para a empresa. Assim que chego na sala, uma mulher sai dela, com toda sua elegância. Ao descobrir que ela é sócia da empresa, meu sangue ferve. Esse foi o jeito mais fácil que ele encontrou para conseguir o dinheiro, mas não vai ser assim. Ele não vai colocar uma estranha dentro de uma empresa familiar.

— Vamos conversar na minha sala, tio. E você, espere aqui, pois vou trazer os documentos de volta para você assinar. Não vamos querer uma sócia.

— Eu já sou sócia, senhor Castilho. Se quiser que eu saia da sociedade, terá que pagar uma multa. Conheço bem os meus direitos.

— Pagar multa? Quer a empresa toda para você não?

Ela cruza os braços e me olha com um sorriso provocador. Quem essa mulher pensa que é? Não falo mais nada, viro as costas e chamo meu tio para a minha sala. Ele já entra revelando que ela vai investir a quantia de 25 milhões de dólares e ainda vai investir no novo aparelho. Ele estende uma pasta para mim, mostrando a ideia dela.

Começo a folhear as páginas e até que ela tem uma boa criatividade para o aparelho. No final, ela escreve sobre o aparelho..

"Ele será um aparelho revolucionário que redefine o conceito de tecnologia avançada. Este dispositivo, é uma verdadeira obra-prima da engenharia e da inovação.

Com um design elegante e futurista, o telefone é composto por uma tela flexível e transparente que se adapta perfeitamente ao formato do usuário. A experiência visual é simplesmente deslumbrante, com cores vibrantes e detalhes nítidos que saltam aos olhos.

Além disso, o aparelho possui recursos impressionantes que ultrapassam qualquer expectativa. Sua câmera é capaz de capturar imagens em resolução ultra-alta, com uma qualidade que rivaliza com as melhores câmeras profissionais do mercado. A tecnologia de reconhecimento facial integrada permite desbloquear o aparelho com extrema segurança e rapidez.

A inteligência artificial avançada do smartphone é verdadeiramente surpreendente. Ele aprende com o usuário e se adapta às suas preferências, tornando-se um assistente pessoal virtual extremamente eficiente. Ele é capaz de responder perguntas, fornecer recomendações personalizadas e até mesmo antecipar as necessidades do usuário.

A bateria de longa duração, garante um uso contínuo ao longo do dia, sem a necessidade de recargas constantes. E, graças à tecnologia de carregamento sem fio, o aparelho pode ser recarregado de forma rápida e conveniente.

O aparelho também oferece uma experiência de entretenimento imersiva. Sua capacidade de realidade virtual integrada permite que o usuário mergulhe em mundos virtuais incríveis, proporcionando uma sensação de imersão sem precedentes."

— A ideia dela é boa, porém é muito avançada para a nossa empresa, não acha?

— Eu acho que é disso que precisamos para impulsionar a InfinityPhone. Preste atenção nos detalhes e dê uma chance a ela e a sua ideia.

— Chame-a aqui. Vou fazer a reunião com ela sozinho. — Meu tio sai e a chama de volta para a minha sala. Só espero que essa mulher não me dê trabalho, ou posso até ficar sem nada por ter que pagar multa para ela. Mas a manterei bem longe daqui.

Capítulo 3

Liv,

Espero ansiosamente enquanto eles terminam de conversar, como se estivesse presa, sem alternativas caso ele não me aceite aqui. Será difícil encontrar outra empresa à beira da falência, ou pior ainda, ter que começar do zero e montar meu próprio negócio, algo que desconheço por completo. Talvez eu devesse considerar uma empresa de assassinato por encomenda ou até mesmo formar uma nova máfia. Dessa forma, meu pai entenderia que esse é o meu verdadeiro caminho, em vez de ficar presa atrás de uma mesa usando roupas sociais.

Após alguns minutos, o senhor Braga sai da sala e se aproxima de mim. Ele me informa que seu sobrinho deseja falar comigo a sós. Decido usar todo o meu poder de sedução para conquistar sua aprovação. Tudo o que preciso é permanecer aqui e fazer com que o dinheiro do meu pai triplique até o final do ano. Depois disso, poderei voltar para minha vida na máfia.

Respiro fundo, solto o ar e entro na sala dele. Seus olhos já estão fixos em mim, como se estivesse me avaliando minuciosamente. Decido adotar uma expressão inocente, para que ele não perceba quem eu realmente sou. Ele estende a mão, indicando que eu me sente na cadeira em sua frente, enquanto ele coloca os cotovelos sobre a mesa e me observa atentamente.

— Não me olhe assim, senhor Castilho, ou eu posso me apaixonar. — Ele se mexe desconfortavelmente na cadeira, pigarreando a garganta e ajustando sua postura.

— Eu li o seu plano para o novo modelo, você não acha um tanto exagerado?

— Tem que ser um aparelho impecável, no qual ninguém possa encontrar falhas. Meu celular atual é de última geração, mas ainda sinto que falta algo nele. Por isso, coloquei todos os recursos que considero essenciais para este lançamento.

— Por que escolheu a minha empresa?

— Porque ela está à beira da falência, e, sabe, eu adoro um desafio. Levantar essa empresa, que está na lista negra da população, será o ápice para todos nós, concorda?

Ele morde o canto da boca, pensativo, e depois abaixa o olhar para as imagens do celular que projetei. Ele abre sua pasta, retira um papel e me entrega. Nele, há um modelo de celular, que se assemelha ao que descrevi.

— Vamos incorporar todos esses elementos nesse aparelho, mas o design do meu é mais sofisticado que o seu. — Ele fala franzindo a testa.

Concordo com ele, pois é verdade, ele é um bom desenhista, e eu utilizei inteligência artificial para projetar o meu modelo, enquanto o dele é claramente fruto do seu próprio trabalho. Fechamos o negócio, apertando as mãos um do outro. Olho para ele com um sorriso, mas ele mantém sua expressão séria. Parece ser alguém um tanto rígido, espero conseguir me adaptar a esse jeito dele.

Me levanto e ele diz que posso começar a trabalhar amanhã. Informo que o tio dele irá me mostrar a empresa, e ele me manda sair. Encontro o tio dele do lado de fora, e ele me guia por cada canto, mostrando e explicando onde cada funcionário trabalha e qual é a sua função.

Peço para realizar uma reunião inicial com os funcionários da empresa e, em seguida, outra reunião com a equipe de fabricação, a fim de evitar confusões entre as funções. Ele convoca todos e eles se reúnem no amplo salão.

— Como todos sabem, a empresa está à beira da falência. Vamos tentar mais uma vez dar a volta por cima. No entanto, vou observar o desempenho de cada um de vocês durante uma semana. Aqueles que estiverem desempenhando bem suas funções, não serão afetados. Porém, aqueles que não estiverem alcançando resultados satisfatórios, serão realocados até encontrarmos o lugar certo para cada um.

— Quem é a senhora?

— Sou a nova sócia da empresa. Serei responsável por orientá-los, com a ajuda de vocês, e espero que possamos ser mais do que chefes e funcionários. Quero que sejamos parceiros, para que ninguém perca seu emprego e todos possam continuar sustentando suas famílias.

Acho que me expressei de forma eloquente, pois todos me aplaudiram, exceto o dono da empresa, que me observa lá de cima de sua sala, com os braços cruzados. Mas, se eu alcançar bons resultados, tenho certeza de que ele irá me agradecer. Mando um beijo para ele, e quando vê, se vira de costas.

Será que ele está me ignorando por ser gay? Se for esse o caso, talvez eu precise arrumar um amigo para ele, pois esse mau humor todo pode ser resultado de falta de intimidade.

Em seguida, seguimos para a área da fábrica, onde compartilho as mesmas palavras, pois é assim que fazíamos na máfia: colocamos cada pessoa em sua melhor função. Parece que agradou alguns e desagradou outros. Sou uma mulher desconfiada por natureza, especialmente quando alguém evita olhar nos meus olhos.

Alguns dos funcionários da fábrica fizeram exatamente isso, desviando o olhar, e vou anotar seus nomes para investigá-los mais a fundo. O senhor Braga mencionou que há infiltrados aqui, então preciso descobrir quem são antes de iniciar a produção dos novos aparelhos.

Depois da reunião, mostro ao senhor Braga as fichas das pessoas com quem desejo conversar pessoalmente. Ele fica um pouco nervoso, mas me entrega as informações de todos. Vou para a minha sala, que o Braga disse que poderia ser minha, e me sento na cadeira.

Olho atentamente para cada ficha de trabalho de cada indivíduo. Percebo que alguns deles não possuem experiência no ramo, mas podem ser aprendizes. Esses descartarei durante a produção, não porque são ruins, mas porque não quero que sejam curiosos em relação à nova tecnologia.

Para elevar a empresa, vou precisar dos melhores profissionais trabalhando no desenvolvimento do aparelho, aqueles que já têm experiência. Os demais apenas atrapalhariam. Alguém bate na porta, e sem nem olhar para ver quem é, autorizo a entrada. Sua voz ecoa pela minha sala.

— O que você está fazendo? — Levanto minha cabeça e, antes mesmo que eu o instrua a se sentar, ele o faz por conta própria.

— Estou eliminando aqueles que não possuem habilidades necessárias e procurando por possíveis traidores.

— Traidores?

— Sim, seu tio mencionou que o último modelo não foi bem-sucedido devido a alguns funcionários que trabalham para a concorrência e sabotaram o aparelho, resultando em um desastre.

— Ele não me contou isso. — Ele se levanta e começa a andar de um lado para o outro. — Como você vai encontrá-los? Existe a possibilidade de demitir pessoas inocentes.

— Deixe essa parte comigo, sou bastante habilidosa em investigar a vida das pessoas. Descubro tudo o que quero, inclusive o que não quero.

— Você é uma investigadora?

— Não, sou uma mafiosa. — Ele para, olha para mim, esperando que eu diga que estou brincando, mas se tem uma coisa da qual não me envergonho, é ser uma integrante da máfia.

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Muito Prazer, Ceo

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