Capa do Romance Moeda de Troca

Moeda de Troca

8.6 / 10.0
Esmen foi sacrificada como um mero objeto de negociação. Entregue ao implacável Tauron para quitar uma dívida do passado, ela agora enfrenta o domínio de um soberano consumido pelo desejo de revanche. Em um cenário repleto de conspirações perigosas e sentimentos avassaladores, a jovem é forçada a lutar por sua vida. Entre o perigo e a paixão, ela descobrirá que seu destino pode ir muito além da sobrevivência básica em meio ao caos de um reino hostil.

Moeda de Troca Capítulo 1

(Esmen)

O frio intenso parecia querer despedaçar o teto velho, feito de telhas de barro sobre nossas cabeças, pois vinha acompanhado de um vento forte, capaz de arrepiar qualquer corpo mal vestido.

Busquei minha mãe pela pequena casa e a encontrei perto do fogão a lenha, onde havia uma panela completamente cheia de sopa, em sua última fase, quase pronta para ser servida. Seu corpo magro, como o meu, envolto em roupas surradas e finas, era aquecido pelo calor do fogo, ao qual ela se mantinha próxima, mexendo na sopa.

O único casaco de pele quentinho que possuíamos estava sobre meus ombros. Eu o daria a ela quando se sentasse à pequena mesa junto comigo. Por hora, me aferrava a ele como se fosse a salvação da minha vida. Com o capuz cobrindo meus cabelos castanhos escuros, ainda sentia minhas bochechas queimando. O frio intenso passava pelas fissuras na madeira desgastada da porta estreita, soprando diretamente no meu rosto.

Deixei apenas os olhos verdes, como esmeraldas, de fora, observando o imenso tapete branco cobrindo o que antes era um campo cheio de capim alto e flores, preenchido pelo lindo canto dos pássaros e pelo farfalhar das folhas nas copas das árvores. Agora, tudo o que restava era o assovio e o sopro da tempestade de neve lá fora.

- Toma, esquente seu corpo por dentro. - ouvi minha mãe, chamando minha atenção com o prato fundo de porcelana cheio de sopa fervente.

Deixei minha atenção recair sobre ela. Ela se sentou ao meu lado com sua sopa. Insisti em passar-lhe o casaco, apesar de suas recusas, e só parei quando ela aceitou.

Ainda conseguia me lembrar do seu rosto jovem, mas cansado. Sua expressão preocupada, sempre fingindo estar bem.

Até que eles irromperam pela porta, trazendo o frio e a neve para dentro, e acabando com nossas sopas intocadas, pois o vento carregado soprou sobre elas e sobre o fogo, cobrindo tudo.

Eram homens do rei, soldados vestidos em roupas escuras e bem agasalhados. Mal pude vê-los; jogaram um sobretudo sobre mim, me enrolando nele, e me puxaram sem perguntas ou respostas.

Eu ouvia apenas minha mãe gritar:

- Vocês não podem fazer isso! Deixem-na! Ela é minha!

- Ele a quer no castelo. - ouvi um dos homens responder.

- Ela não é dele. - a voz da minha mãe vacilou.

Eu não entendi, até o ouvir dizer:

- Não minta, mulher! Ela é filha do rei, e você sabe muito bem!

Foi aí que as coisas começaram a se encaixar. Eu vivia reclusa com ela o tempo todo; sempre moramos naquela casa minúscula, no meio do nada. Pela forma como ela gritava, tentando me tirar dos braços do soldado que agora me carregava sobre os ombros, como um saco de batatas, bem enrolada naquele sobretudo não muito quente, percebi que "meu pai" não devia ser um homem bom. Não poderia querer nada de bom para mim.

E foi assim... Mesmo fazendo movimentos bruscos para tentar me soltar, não tinha força suficiente. Eu não havia comido e não era páreo para os braços fortes que prendiam minhas pernas sob o casaco.

Não ouvi mais nada além do que parecia ser uma agressão contra minha mãe, para abafar seus gritos e acabar com o que consideravam rebeldia diante da ordem do rei.

"Eu não posso ser filha do rei", era uma mentira na qual eu queria acreditar.

Depois de ser posta sobre o lombo de um cavalo, ouvi o soldado que me carregava antes alertar:

- Se você se mexer, cairá do cavalo e será pisoteada por ele.

Não era isso que eu pretendia, pois, se fosse até o rei, talvez ele percebesse que tudo não passava de um engano e me devolvesse à minha mãe, que agora estava desamparada, sozinha e machucada. Se eu caísse do cavalo e fosse pisoteada, não teria chance de sobreviver à neve, nem aos ferimentos causados na queda.

- Agora você vai a pé. - ouvi outro dizer.

Aquele que estava perto de mim reclamou em seguida:

- Vamos perder mais tempo se eu for a pé.

- Então prefere perder as mãos ou outra parte do corpo? Porque, se for com ela em cima do cavalo e o rei ou o Senhor da Guerra souberem que você encostou nela, perderá a vida, não o tempo. - escutei aquele próximo a mim resmungar baixinho enquanto começou a caminhar, puxando as rédeas na frente.

Depois de uma longa viagem nada agradável, ouvindo apenas o assovio do vento e o resfolegar dos cavalos, fui tirada da mesma forma como havia sido colocada antes: sobre o ombro de alguém.

- Para onde estão me levando? - perguntei, soando abafada e fraca demais para ser ouvida.

- Continue quieta! - o soldado aconselhou.

Tentei respirar o mais confortável possível, mas comecei a sentir náuseas por estar de ponta-cabeça.

Passos e mais passos. O som mudou segundos depois; agora os passos ecoavam sobre um piso mais limpo e liso, ressoando a cada avanço pesado dos soldados.

Fui tirada de cima do homem e colocada de pé, com dificuldade, ainda parecendo um grande rolo de tecido antes de ser manuseado por um alfaiate.

- Aqui está ela, sua majestade. - apresentaram-me de forma estranha.

- Tirem-na daí. Quero ver como ela se parece! - a voz mais velha e pomposa soou à certa distância.

Senti ser desenrolada enquanto alguém se preparava para me segurar. Logo, meus olhos viram uma imensa sala, adornada com peças ornamentadas em ouro e chão liso de lajeados claros.

No fundo da sala, havia uma cadeira acolchoada, vermelha, com um homem de aparência de cinquenta anos. Seus olhos eram grandes e escuros, o nariz torto e os lábios escondidos por uma barba rala na parte inferior do rosto e mais cheia na parte superior. Suas sobrancelhas eram finas e seu rosto também. Ele não se parecia em nada comigo, mas eu sabia que ele era o rei, pela coroa de ouro sobre sua cabeça.

Ele se levantou, me encarando, assim como eu o encarei. Eu o analisei da mesma forma que ele me analisava.

- Ela é igual à mãe. - disse ele, enquanto se aproximava.

Continuar lendo

Moeda de Troca de Conteúdo

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Novos lançamentos de romances

Capa do Romance A Herdeira Oculta
9.8
Sofia vê sua vida ruir quando Pedro, seu noivo, revela que engravidou a chefe para subir na carreira. Humilhada e expulsa de casa pela amante, a jovem assistente é acusada injustamente de traição profissional. No entanto, o que ninguém desconfia é que a órfã simples é, na verdade, a herdeira do poderoso império Luxus Group. Disposta a deixar a ingenuidade para trás, Sofia decide assumir sua identidade real como uma Vasconcelos e buscar justiça contra quem a subestimou.
Capa do Romance A Vingança da Cega
9.5
Após sacrificar sua visão e carreira pelo marido Pedro, uma mulher recupera a vista em segredo, apenas para flagrá-lo na cama com sua secretária. Decidida a se vingar, ela finge continuar cega enquanto suporta humilhações públicas e descobre uma gravidez. O plano culmina em uma festa onde, após ser abandonada, ela usa a confiança dele para fazê-lo assinar o divórcio sem ler. Com provas da traição e o fim do casamento, ela parte para recomeçar sua vida com o filho.
Capa do Romance Amor após o divórcio
8.7
Após três anos de um casamento marcado pela indiferença e pelo desprezo de Brendan, Adeline decide dar um basta. Com o retorno da antiga paixão do marido, ela pede o divórcio para buscar a felicidade longe de sua frieza. Brendan, convencido de que ela voltaria arrependida, faz uma aposta com amigos sobre o fracasso dela. Contudo, ao vê-la celebrando a liberdade e atraindo novos pretendentes, o pânico o domina. Agora, ele precisa lidar com o fato de que ela realmente seguiu em frente.
Capa do Romance Babá do Herdeiro: Paixão com o Bilionário
9.4
Laura Mendes fugiu de um pai abusivo no Brasil para proteger a família em Nova York. Sem documentos e com dívidas médicas, ela se torna babá do filho de Rafael Monteiro, um CEO frio que se fechou após perder a esposa. O pequeno Enzo não sorria para ninguém, até Laura chegar. Entre corredores luxuosos, o luto de Rafael dá lugar a um desejo possessivo e proibido. No entanto, a culpa dele e a situação ilegal dela ameaçam esse novo amor. Poderá Rafael salvar quem trouxe luz à sua vida?
Capa do Romance Cinco Anos, Um Voto Forjado
9.8
Dediquei cinco anos ao sucesso de Bruno, mas fui descartada quando Cristal, seu antigo amor, ressurgiu. Ele me abandonou em uma tempestade, ignorando meu trauma de infância, para socorrer uma falsa lesão dela. Após quase sofrer um ataque e descobrir que nosso casamento era uma farsa jurídica, percebi que fui apenas um estepe. Sem alarde, destruí os papéis falsos e parti para sempre. Agora que ele implora de joelhos pelo meu perdão, é tarde demais para voltar atrás.
Capa do Romance Entre Cubículos e Corações: Um Romance Corporativo
7.9
No ambiente competitivo de uma agência, a vida da analista de marketing Ana muda drasticamente com a chegada de Ricardo, o novo diretor de operações. O que era rotina torna-se um cenário de paixão entre reuniões e prazos apertados. Enquanto enfrentam as regras do escritório e dilemas profissionais, o casal vê laços testados e segredos vindo à tona. É uma jornada sobre ambição e a descoberta de que o amor pode surgir em meio aos cubículos, desafiando a lógica corporativa.

Dramas Curtos Populares

Capítulos
Leia agora
Compartilhar
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED