A esperança esmorecia nos olhos de Chelsey quando, prestes a desmaiar, se entregava ao inevitável.
De repente, uma mão forte e escaldante agarrou-lhe o pulso, puxando-a contra um corpo firme e inflexível.
"Me agarra firme!", ordenou um homem, erguendo-a sem cerimônia.
Quase no mesmo instante, uma explosão ribombou à frente, enquanto o braço dele forçava a cabeça dela firmemente contra o próprio peito.
Fumaça ardente invadiu os pulmões dela, e uma onda de calor lhe passou zunindo pelas costas. Dentre tudo, um cheiro cortante e gélido lhe pareceu estranhamente familiar.
A fumaça espessa ardeu nos olhos de Chelsey até fechá-los à força, e ela lutou para abri-los, desesperada por ver o salvador.
Pela fresta sob a máscara do bombeiro, conseguiu vislumbrar um par de olhos fundos e indecifráveis.
Pelo canto do olho, viu Brett já fora das chamas, carregando Lydia para uma área segura.
Agarrada em seus braços, Lydia parecia um tesouro recuperado, enquanto o rosto de Brett exibia um medo e ansiedade que ela jamais testemunhara antes.
Chelsey deixou as pálpebras caírem — uma lágrima silenciosa escorreu pelo canto de seus olhos.
No fundo, tinha certeza: Brett também renascera e, desta vez, escolhera Lydia.
Na vida passada, ele salvara Chelsey das chamas — decisão que custara a vida de Lydia. Por causa da perda, carregara a foto da moça por sete longos anos, lamentando-a dia após dia, tanto que jamais permitira que outra mulher lhe desse um herdeiro.
Desta vez, ele resgatara quem mais importava, sanando o maior arrependimento.
Ele devia estar feliz agora.
Diante da reflexão, Chelsey esboçou um sorriso fraco e cáustico.
Talvez a segunda chance servisse para romper de vez um laço condenado desde o início, pois já passava da hora de largar o fardo.
Com os pulmões tomados pela fumaça e a tormenta emocional, a visão de Chelsey escureceu e a consciência esvaiu-se.
Pouco antes do apagão completo, ela achou ouvir a voz de Brett, tomada pela urgência e pânico: "Onde está Chelsey?"
No entanto, a convicção se arraigou: deveria ter ouvido errado.
Agora, os pensamentos de Brett deviam só ter lugar para Lydia, enquanto ela, já não cabia no coração dele.
…
Chelsey recobrou a consciência banhada pela luz matinal.
Pálpebras que se erguiam aos poucos depararam com o rosto angustiado da mãe, Gretchen Campos, transbordando temor e apreensão.
"Minha filha, acordou enfim! Sente dor? Algo não vai bem?", Gretchen atropelava as palavras.
Lágrimas irromperam, e Chelsey sentou-se de súbito, envolvendo a mãe num abraço de quem teme vê-la evaporar.
"Mãe, senti tanta sua falta…", disse ela, a voz embargada pelos soluços que a dominavam.
Ter a mãe ali, nessa vida, era uma dádiva inaudita.
Na vida anterior, meses após se casar com Brett, seus pais embarcaram a negócios, e o jato particular desaparecera nas montanhas, sem deixar rastros.
Dali em diante, além do afeto superficialmente gentil — porém vazio — de Brett, o calor desaparecera do mundo de Chelsey.
A atenção alheia concentrava-se unicamente na sua barriga, semeando sussurros e críticas sobre a demora em engravidar.
Não importava a dor física ou o peso das mágoas: tudo suportara em silêncio, sem ombro amigo ou ouvido solidário.
Noites incontáveis, acordara sobressaltada de sonhos turbulentos, travesseiro encharcado, ansiando pelo colo materno que lhe assegurasse: tudo ficaria bem.
Mas agora que o destino a brindara com inesperada gentileza, ela jurou evitar todas as tragédias nesta vida.
Chelsey afirmava essa resolução silenciosa quando Gretchen lhe afagava as costas com gestos suaves.
"Ficou assustada ontem? Graças a Deus Brett reagiu rápido e entrou correndo para te salvar. Fiquei apavorada. Querida, o casamento está logo ali! Se algo te acontecesse… como eu seguiria?"
As sobrancelhas de Chelsey franziram-se, pois pelo que vira, Brett entrara claramente para resgatar Lydia, e fora outro quem a salvara.
A ideia de Brett levar os créditos ateou fogo à raiva em seu peito. Mesmo assim, sabia não ser a hora de explicações.
Apertando a mão de Gretchen, Chelsey falou com serena firmeza: "Mãe, eu não vou me casar com Brett."
"Não vai se casar com Brett?", Gretchen exclamou, claramente atordoada, antes de soltar um suspiro pesado. "A data do casamento já está marcada e os convites já foram enviados. Como pode desistir do nada?"
Como uma criança machucada em busca de conforto, Chelsey pressionou o rosto contra o colo da mãe.
"Só não quero ficar longe de você, mãe", ela murmurou.
Enquanto passava a mão pelos cabelos de Chelsey em carícias lentas e reconfortantes, Gretchen suavizou a voz: "Minha querida, você ama o Brett desde pequena. Não era seu desejo se casar com ele e construir uma família? Por que tudo mudou tão de repente?"
Essas palavras feriram Chelsey como uma pontada no peito, pois a realidade ressurgiu em sua mente.
Seus pais viram Brett crescer, e ele conquistou a confiança e o carinho deles através das suas habilidades excepcionais.
Depois que ela e Brett ficaram noivos há seis meses, seu pai, Jorge Holden, até entregou projetos da empresa a Brett sem pensar duas vezes.
Chelsey não conseguia contar a Gretchen que o coração dele nunca lhe reservara um lugar.
Na sua vida anterior, o casamento deles não passara de uma ilusão de amor e harmonia cuidadosamente sustentada.
Apesar de ter sacrificado sua saúde várias vezes, ela nunca conseguiu conquistar nem o menor traço do afeto genuíno dele, e nem sequer teve a alegria de se tornar mãe.
Com o tempo, até a empresa da família Holden acabou discretamente tomada por ele, tornando-se a base que sustentou a ascensão dele e a criação do próprio império empresarial.
Ao surgirem essas lembranças, uma dor aguda lhe perfurava o coração.
"Senhora Holden, a senhorita Morley voltou e o senhor Haynes está com ela", um empregado chamou do lado de fora do quarto.
Presumindo que Brett tivesse vindo falar sobre o casamento ou ver como Chelsey estava após o incidente, Gretchen deu um tapinha suave na mão da filha. "Não deixe que esses pensamentos te dominem. Vá lavar o rosto e coloque uma roupa apresentável. Você não deve deixá-los esperando."
Diante disso, uma carranca profunda se formou no rosto de Chelsey.
Então, Lydia havia acabado de voltar com Brett?
Fazia sentido — afinal, o primeiro amor de Brett, a mulher que ele desejava há mais de sete anos, finalmente estava de volta à sua vida. Obviamente, ele não a mandaria embora tão rápido.
Lydia era filha de Justine Morley, a melhor amiga de Gretchen.
Seis meses atrás, Lydia havia voltado do exterior para participar da festa de noivado de Chelsey e Brett, e morava com a família Holden desde então alegando que queria seguir sua carreira no país.
Por respeito à sua amizade de longa data com Justine, Gretchen tratava Lydia com um carinho e cuidado excepcionais.
Durante esses seis meses, Gretchen garantiu que, o que quer que Chelsey tivesse, Lydia recebesse o mesmo tratamento, sem permitir qualquer sinal de negligência.
Na vida anterior, a morte de Lydia no incêndio devastara Gretchen, que desabara de tristeza, culpando-se sem fim por não ter cuidado da filha da melhor amiga. A culpa a consumira por inteira, deixando-lhe o mundo em ruínas.
Mais tarde, após a morte dos seus pais, Chelsey descobriu uma verdade oculta ao organizar os bens restantes deles: ao longo dos anos, seu pai, Jorge, havia transferido discretamente grandes somas de dinheiro para o exterior.
Os valores eram impressionantes — cada transferência era feita para uma única conta em nome de Justine.
Infelizmente, quando Chelsey descobriu isso, Lydia e Jorge já haviam falecido. Por isso, ela nunca teve a chance de saber toda a verdade.
Com essa segunda chance na vida, Chelsey decidiu encontrar o momento certo para avisar Gretchen que o pai poderia ter se envolvido com outra mulher por anos.
Ao invés de descer imediatamente, Chelsey ficou onde estava.
Como seu tornozelo ainda doía um pouco, ela pediu a uma empregada para levá-la até o corrimão do corredor do segundo andar para que pudesse olhar de cima.
Brett estava no meio da sala de estar, seu terno sob medida o fazendo parecer imponente e distante.
Com uma voz baixa e controlada, ele falou sem rodeios: "Senhor e senhora Holden, trouxe Lydia de volta hoje, mas essa não é a única razão pela qual estou aqui. Preciso deixar algo claro — o casamento entre Chelsey e eu deve ser cancelado. Ao longo dos anos, sempre considerei Chelsey uma amiga, não alguém que amo romanticamente. A pessoa que amo de verdade é Lydia. Espero sinceramente que vocês aceitem nosso relacionamento."