Capa do Romance Minha Vingança: Seu Império Desmorona

Minha Vingança: Seu Império Desmorona

8.9 / 10.0
Após ser humilhada publicamente por Carla, a amante de seu marido, a protagonista vê Heitor proteger a estagiária em vez de defendê-la. O desprezo atinge o auge quando ele assume a gravidez da amante e ignora sete anos de união. Diante da traição, ela decide destruir o império tecnológico que ajudou a erguer. Com o apoio de advogados e o conselho, ela congela os bens dele e exige o divórcio. Agora, sua única missão é limpar a casa e ver o traidor perder tudo o que conquistou.

Minha Vingança: Seu Império Desmorona Capítulo 1

Acordei no escritório do meu marido com uma descoberta apavorante. Estampado no meu rosto, em letras vermelhas e garrafais, lia-se "CARNE DE PRIMEIRA" — uma piada cruel de sua estagiária, Carla.

Mas meu marido, Heitor, o homem cujo império de tecnologia ajudei a construir, não me defendeu. Ele chamou aquilo de uma brincadeira inofensiva e protegeu sua amante da minha fúria.

A humilhação foi transmitida para o mundo todo ver. Depois, ele deu a ela meu vestido de aniversário, feito sob medida, e a levou para um baile de caridade.

Como se não bastasse, ela anunciou que estava grávida de um filho dele.

Ele a escolheu. Ele escolheu a nova "família" deles em vez dos nossos sete anos de casamento, em vez da memória do filho que perdemos juntos. O olhar que ele lhe deu, cheio de uma ternura que eu não via há anos, destroçou o último fragmento do meu coração.

Então, enquanto ele saía pela porta com ela, meus advogados entraram. Na reunião seguinte do conselho, observei o sangue sumir do rosto dele enquanto eu congelava cada centavo em seu nome.

— Assine os papéis do divórcio, Heitor — eu disse, empurrando uma caneta pela mesa. — Minha responsabilidade agora é limpar a casa.

Capítulo 1

Acordei com o silêncio gelado do escritório de Heitor. O brilho fraco da cidade através das janelas do arranha-céu na Faria Lima mal aquecia o ambiente. Uma dor surda latejava atrás dos meus olhos. Devo ter cochilado depois de revisar aquelas propostas de caridade.

Minha mão foi até minha bochecha. Havia uma textura áspera, em relevo, estranha à minha pele.

O pânico explodiu. Corri para o banheiro da diretoria, acendi a luz forte e engasguei. Estampado bem no meu rosto, da têmpora à mandíbula, em letras vermelhas e garrafais, estava "CARNE DE PRIMEIRA".

A ironia grotesca me atingiu como um soco. Era o carimbo de brincadeira que Heitor mantinha em sua mesa, um presente idiota que ele achava hilário.

— Olha só quem decidiu voltar ao mundo dos vivos! — uma voz melosa cantarolou da porta.

Carla Mendes estava encostada no batente, um sorrisinho brincando em seus lábios. Seus olhos, geralmente grandes e inocentes, estavam afiados, predatórios.

— Bela marca, não é, Alina? — Ela se aproximou, o olhar demorando-se no carimbo grotesco. — O Heitor achou uma ideia brilhante. Disse que você parecia uma novilha premiada, pronta para o leilão.

Meu sangue gelou. Meu estômago se revirou.

— Foi você — sussurrei, as palavras com gosto de cinzas.

— Eu? — Ela fingiu inocência, piscando os cílios. — Por que eu faria uma coisa dessas? Eu apenas ajudei o Heitor. Ele estava bem... inspirado.

Ela zombou, seus olhos me varrendo.

— Sinceramente, Alina, você é patética. Dormindo no escritório do seu marido, esperando por ele como um cachorrinho abandonado. Você não tem vida? Ou está só juntando poeira como as velharias da sua família quatrocentona?

A raiva, quente e cega, me consumiu. Essa garota, essa estagiária que eu pessoalmente mentorei, cuja faculdade eu paguei, cujos sonhos eu apoiei.

— Sua cobra ingrata — rosnei, avançando.

Minha mão acertou sua bochecha com um estalo retumbante. O som ecoou no escritório silencioso. A cabeça dela virou para o lado, uma marca vermelha florescendo em sua pele pálida.

Antes que eu pudesse dar outro golpe, uma mão forte agarrou meu braço, me puxando para trás.

— Alina! Que porra você pensa que está fazendo? — A voz de Heitor, carregada de fúria, cortou a névoa da minha raiva.

Ele me empurrou, seu corpo protegendo Carla. Seus olhos, geralmente tão quentes e amorosos, agora estavam frios e acusadores.

— Você enlouqueceu? Você acabou de agredi-la! — ele rugiu, o olhar fixo na marca vermelha no rosto de Carla.

Minha respiração falhou. Ele estava defendendo-a. Defendendo a mulher que acabara de me humilhar publicamente em seu próprio escritório.

— Ela... ela carimbou meu rosto! — gaguejei, apontando um dedo trêmulo para Carla.

Heitor mal olhou para mim. Ele estava ocupado demais afagando o rosto de Carla, seu polegar acariciando suavemente a pele avermelhada.

— Foi só uma brincadeira, Alina — disse ele, sua voz baixando para um tom condescendente. — Uma brincadeira inofensiva. Você está exagerando. Como sempre.

Um pavor gelado se infiltrou em meus ossos. Uma "brincadeira inofensiva"? Meu olhar caiu na manga da camisa de Heitor. Um perfume floral, doce e fraco, o perfume característico de Carla, estava impregnado no tecido.

Ele não ia para casa há duas noites. Disse que estava trabalhando até tarde, virando a noite pela empresa.

— Heitor, que cheiro é esse? — perguntei, minha voz mal um sussurro.

Carla deu uma risadinha, um som agudo e infantil.

— Ah, é só meu creme novo. O Heitor derramou um pouco de café em mim mais cedo, enquanto a gente estava, sabe, trabalhando até tarde. Ele ficou todo sem graça.

Ela me lançou um sorriso sacarino, seus olhos brilhando com um prazer malicioso. Ela o estava manipulando como um fantoche, e ele estava caindo.

Heitor riu, um som suave e indulgente que rasgou meu coração.

— A Carla tem uma ética de trabalho incrível, não é? Sempre tão ansiosa para aprender, tão dedicada. Diferente de algumas pessoas, que vivem reclamando das minhas longas horas.

Uma dor aguda atravessou meu peito. Ele costumava elogiar meu apoio incansável, minha fé inabalável em sua visão. Agora, minha dedicação era uma queixa.

Lembrei-me dos primeiros dias, quando Heitor virava noites e eu levava café e conforto, enquanto as conexões da minha família discretamente abriam seu caminho. Ele era um homem ambicioso, determinado, mas sempre foi grato. Sempre.

Quando ele mudou? Quando sua ambição se transformou nessa arrogância?

Uma onda súbita de náusea me atingiu. Minha cabeça girou. A imagem de Heitor, rindo com Carla, defendendo a traição dela, embaçou diante dos meus olhos.

A porta do escritório de Heitor se abriu de repente. Sua secretária, uma jovem chamada Beatriz, estava parada ali, com os olhos arregalados de choque. Ela obviamente tinha ouvido a confusão.

— Dona Alina? — ela gaguejou, seu olhar saltando do meu rosto carimbado para Carla, e depois para Heitor.

Eu sabia o que ela estava pensando. Todos no prédio conheciam Alina Vasconcelos, a herdeira elegante e composta que se casou com o charmoso CEO de tecnologia. A mulher que tinha tudo.

A reação inicial de Beatriz, um lampejo de pena, rapidamente se transformou em um suspiro horrorizado quando seus olhos pousaram na marca "CARNE DE PRIMEIRA" em meu rosto.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, amplificado pela súbita interrupção da respiração assustada de Beatriz. Pairava pesado, denso de julgamento não dito e humilhação. Carla, aproveitando o momento, deixou um sorriso triunfante, quase imperceptível, surgir em seus lábios.

Heitor, cego pela raiva, finalmente notou o carimbo. Seus olhos se estreitaram, não em compreensão, mas em uma nova onda de irritação.

— Carla, peça desculpas para a Alina — ele exigiu, a voz tensa. Não era um pedido, era uma ordem, dada com a impaciência cansada de um pai lidando com filhos briguentos.

Os olhos de Carla se arregalaram, enchendo-se de lágrimas perfeitamente cronometradas.

— Pedir desculpas? Depois que ela me bateu? Heitor, ela é um monstro! Ela sempre teve ciúmes de nós, do que a gente tem! — Ela enterrou o rosto no peito de Heitor, seus ombros tremendo com soluços dramáticos. — Eu não posso ficar aqui, não com ela. Eu vou embora!

Ela se afastou, cambaleando em direção à porta, a imagem da inocência ferida.

— Carla, espere! — exclamou Heitor, seus instintos protetores ativados. Ele a alcançou, sua voz suavizando, um contraste gritante com o tom áspero que usara comigo. — Por favor, não vá. Ela só... ela não está bem. Você sabe como ela fica.

Ele se virou para mim, o olhar endurecido.

— Alina, não se atreva a fazer uma cena. Este é o meu escritório. E a Carla é minha estagiária. Você está sendo completamente irracional.

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