Capítulo 2

BRUNO

Aguardei por um longo período até que pudesse de fato me aproximar dela, Rosa tinha medo de mim então foi convencida por minha mãe que meu interesse era de um irmão mais velho.

Depois de seu aniversário de 18 anos, pensava em formas de me aproximar e o que acalentava minhas noites era a ouvir cantar na varanda do quarto ao lado do meu, era o que me fazia dormir sem pesadelos.

O meu desespero em perder Rosa apareceu na forma de Carlos James, filho de um dos associados do meu pai, ele se interessou por ela no casamento de Hanna e Max, e me vi precisando revelar meus reais sentimentos, o que não foi muito bem aceito por ela, Rosa se sentiu enganada, aumentando ainda mais meu desespero, ela podia escolher James e eu não poderia fazer nada quanto a isso, então precisava de algo que a trouxesse para o meu lado, sentia que sem Rosa minha vida estaria acabada, nunca me senti assim com relação à mulher nenhuma, e foi aquela menina de olhos azuis que me cativou desde o primeiro minuto, e o que senti amolecendo meu coração de pedra, era a sensação que eu queria ter pelo resto dá minha vida.

James se tornou uma figura inconveniente, sempre cercando Rosa, e meu próximo movimento foi totalmente impensado.

Rosa confiava em mim, quando ainda achava que meu amor por ela era de um irmão e me confidenciou ter uma irmã mais nova, resolvi ajudar a encontra-lá e quando achei, a usei como meio de conseguir o que eu queria, foi a forma mais baixa, de ter a mulher que amo ao meu lado, eu não estava pensando, propus levar Rosa até a irmã se ela se casasse comigo.

Ela aceitou, mas preparou um contrato de casamento, que assinei sem nem mesmo ler inteiro.

O dia em que encontrei Ana a irmã de Rosa, guardei essa informação para mim, precisava ter certeza, eu estava bastante nervoso quando fui ao seu trabalho para conversarmos, Rosa, Agnes, Tamara, Sara, Bruna e Chiara, montaram um centro de estética e bem-estar, os negócios estão indo bem, ela usou o dinheiro do carro como investimento o que me deixou bem feliz, posso dar a ela quantos carros quiser, isso não seria um problema.

Me lembro das exatas palavras que tornaram essa relação um sofrimento para ela.

Bruno:- A Ana estará aqui em breve e a trarei para você, se se casar comigo- Os olhos dela naquele momento, diziam que eu era um grande filho da put@, mas não havia como recuar, eu tinha medo de perder aquela mulher, eu precisava de tempo, eu precisava mostrar a ela que poderíamos nos amar.

Rosa:-Você está barganhando comigo?

Bruno: Rosa eu estou desesperado, se você escolher estar com James vou morrer um pouco a cada dia -Ela estava chorando por saber que a irmã havia sido encontrada, mas nesse momento parou de chorar, eu estava pronto para dizer a ela para esquecer esse meu ato de loucura.

Rosa:- Encontre minha irmã e eu me caso com você- A decepção que vi em seus olhos me machucou mais do que eu imaginava que poderia.

Bruno:- Rosa, você me ama?

Rosa:- Isso importa agora? Mesmo que meus sentimentos por você estivessem confusos, eles se alinharam, mas isso agora realmente não importa.

Ali tive a mais absoluta certeza dá besteira que tinha feito, Rosa me amava e só precisava de tempo para entender e se acostumar com as mudanças, e eu havia acabado de fud@r tudo.- Me aproximei dela

Rosa:- Não me toque, saia agora Bruno, conversamos depois- Sai do escritório me sentido perdido, tendo a certeza de que Rosa enterraria qualquer amor que um dia poderia ter sentido por mim.

Hoje é o dia que mais tenho esperado nesse ultimo ano, Rosa se tornara minha esposa, ela optou que os outros não soubesse que nosso casamento não era por amor, eu fiquei triste e aliviado, triste por ela dizer não me amar nem um pouco e aliviado por não precisar explicar as pessoas a forma vergonhosa que a convenci a se casar comigo.

Pela manhã pensei em uma forma de fazer o dia ser mais tranquilo, Rosa merecia que esse dia mesmo não sendo o melhor de sua vida, fosse o melhor que eu pudesse proporcionar, enviei uma caixa de presentes a ela, era uma caixa de veludo preto, dentro um colar e brincos de opala arco iris, uma das coisas que ela ama é o arco iris, coloquei um bilhete dentro.

" Sei o quanto ama o arco iris, quis trazer um pouquinho dele para você"

Eu estava vagando pela cidade, e tive outra ideia, parei em uma loja e enviei a Rosa uma Rosa encantada, achei que aquilo poderia arrancar um sorriso dela, era um filme de que ela gostava, no bilhete estava escrito.

"Quando formos comparados a Bela e a Fera, achei engraçado, mas depois pensei eu serei sempre a Fera a proteger a sua Bela"

Eu havia ouvido dizerem que pela minha expressão dura, algumas pessoas diziam que eramos a Bela e a Fera e agora acho que é perfeito para nos, nunca fui romântico, essas coisas saíram de mim e eu nem mesmo sei dizer como.

Voltei para casa precisava me arrumar, o rosto de Rosa não saia dá minha mente, eu só quero fazer essa mulher feliz.

Optei por não ter ninguém comigo, mesmo assim meus irmãos apareceram, me abraçaram e disseram estarem ali para me levar a igreja, assim que chagamos e entrei no local, uma grande emoção tomou conta do meu coração.

Olhei toda a decoração e os convidados que estavam chegando, me senti inquieto, resolvi ficar na porta a espera de Rosa, quando seu carro parou eu entrei, não queria ve-lá ali, tinha medo de que meu coração explodisse tamanha era a minha aflição.

Quardei mais uma surpresa para minha futura esposa, conversei com a cerimonialista e fiz algumas alterações de última hora.

Rosa entrou ao som de Ave Maria, e ela é a imagem mais linda que já vi, esse momento vai ficar guardado eternamente em minha memória.

Minha irmã Emily, Rosa e algumas outras mulheres, dá família tem uma Fundação, que ajuda e abriga as vítimas de abusos, ou os órfãos dá mafia, o coral era composto por elas, vi que acertei quando meus olhos encontraram os de Rosa, ela estava emocionada, ela chorou.

Meu sorriso se alargou quando vi que minha mãe é quem conduzia a noiva, as duas tinham uma ligação forte, elas se escolheram como mãe e filha.

Segurei minha emoção, quando elas se aproximaram, minha mãe me olha, com os olhos cheios de água.

Aurora:- Meu filho, e minha filha, esse é um dos dias mais felizes dá minha vida, cuide bem dela Bruno.

Bruno:-Eu vou cuidar mãe

Ela segurou a minha mão e a conduzi ao altar, senti que ela tremia, ouvi as palavras do padre como sussurros, meus olhos estavam na mulher ao meu lado, tão delicada, tão linda.

Só quando o Padre acabou é que entrou a da minha com as alianças, Rosa olhou para trás, levou a mão a boca, balançando a cabeça em negação, era sua irmã Ana, convidei Ana e os pais adotivos, e eles concordaram no mesmo instante.

Rosa chorava convulsivamente quando Ana parou a nossa frente sorrindo, me entregando uma aliança, fiz meus votos e a coloquei nos dedos frágeis dá minha agora esposa.

Rosa pegou a aliança e fez seus votos, mas seus olhos estavam em Ana, no último estante seus olhos encontraram os meus, e pela primeira vez depois de tudo isso, vi felicidade neles.

Rosa:- Obrigado- Ela sussurrou para mim, me fazendo sorrir.

Ana estava caminhando em direção ao banco quando foi agarrada e abraçada por Rosa

Rosa:-Obrigada

Ana:-O seu noivo bonito que me convidou, nunca entrei com alianças antes, eu gostei.

Ela se levantou secando o rosto, segurei sua mão, enquanto saiamos dá igreja.

Rosa:- Obrigada pelo dia de hoje.

Bruno:- Você merecia muito mais.

Retornamos a casa dos meus pais onde seria a recepção, estávamos sentados em uma das mesas, quando anunciaram a dança dos noivos, ela me olhou desconfiada, ela sabe que não sei dançar.

Rosa:- Você não avisou que não teria dança?-Me levantei e ofereci minha mão a ela Tem certeza?

Bruno:- Fiz algumas aulas para dançar com você no nosso casamento.

Ela ficou espantada, segurou minha mão e caminhamos na direção dá pista.

Apertei minha esposa em meus braços, e ela não reclamou, acredito que ainda estava espantada.

Rosa:- Quando aprendeu a dançar?

Bruno:- Eu te disse, fiz algumas aulas.- Ela abaixou os olhos e eu não consegui entender se estava triste ou pensativa, segurei seu queixo com cuidado e levantei seu rosto para olhar nos seus olhos

Rosa:- Por que Bruno?

Bruno:- Porque o que?

Rosa:- Por que esta fazendo tudo isso, se esse casamento é uma mentira?

Bruno:- É uma mentir para você, para mim não, sempre quis você ao meu lado comO minha esposa.-Ela se calou.

Quando retornamos a mesa, Rosa conversava com a minha família, até achei que ela estava feliz naquele momento, Ana passou brincando com Miguel e Gael.

Rosa:- Ela sabe quem sou?

Bruno:-Não, me lembrei que você não queria chegar e contar de repente, então vamos criar um vínculo com ela.

Rosa:- Ela é bonita não é?

Bruno:- Sim, se parece bastante com você.

Ela ficou em silêncio, mas sorriu, acredito que alcancei meu objetivo para o dia de hoje e transformei esse casamento em um dia especial para ela de alguma forma.

Capítulo 3

Lembrança

BRUNO

No dia em que assinei o contrato de casamento que Rosa redigiu, foi o dia que a levei até Ana.

Ela estava muito nervosa e ficou em silêncio durante todo trajeto, ela olha o celular e suspira.

Rosa:- Ela tem uma vida boa?

O motorista conduzia o carro, me sentia nervoso e preferi, ter toda minha atenção a ela.

Bruno:- Ela sofreu poucos dias nas mãos dos seus pais, um dos vizinhos ouviu os gritos de socorro dela durante a noite e fez uma denúncia, ela foi tirada deles no dia seguinte, a assistente social que cuidava do caso se apaixonou pela Ana e a adotou seis meses depois, ela vive bem, os pais adotivos a amam muito.

Rosa chorava a cada palavra, segurei sua mão tentando dar a ela algum conforto, ela não protestou, o que me surpreendeu.

Rosa:- Ela sabe que estou indo?

Bruno:- Falei com os pais adotivos por telefone, eles não contaram a Ana, querem conversar com você antes, mas disseram que você tem permissão para ver sua irmã quando quiser.

Rosa:- Será que ela se lembra de mim? E se ela me odiar? - Rosa estava Chorando, as mãos apertadas, quando chegamos ela olhou e riu, descemos e liguei para combinar o encontro no café.

Rosa:- Qual o nome deles?- Tomávamos um café enquanto esperávamos

Bruno:- Rômulo e Irina Simons.

Ouvimos o sino da porta e Rosa desviu o olhar na direção do barulho, me levantei assim que vi o casal entrar, pelas fotos que recebi, sabia quem eram os Simons.

Rosa segurou minha mão, o que me deixou surpreso, nos sentamos e o silêncio se instaurou por alguns segundos.

Romulo:- Você deve ser a Rosa, irmã de Ana.

Rosa:- Sou... eu, me desculpe, continuo nervosa.-Irina segurou a mão de Rosa.

Irina:- Sei tudo que você passou com a sua família, Rosa, sei tudo que Ana passou, mas Bruno nos disse que nunca deixou de procurar sua irmã.

ROSA

Rosa:- Obrigada por cuidar da minha irmã

Romulo:- Ana é adorável e sabemos e sabemos que os cuidados que ela teve, foram dados por você.

Irina:- Você pode ver Ana sempre que quiser, mas pedimos para te ver antes disso, porque tenho um pedido para te fazer.- Olhei nos olhos de Irina e ela tinha toda a minha atenção.

Irina:- Não tire a nossa filha, por favor.

Eu já esperava por isso, eles amam minha irmã, e com certeza teriam medo de perde-lá, antes que eu pudesse falar, ouvi a voz zangada de Bruno ao meu lado.

Bruno:- Não pode pedir isso- Olhei para ele e de imediato entendeu meu pedido para que se calasse, isso era uma decisão minha, me virei para olhar o rosto sofrido de Irina, os olhos cheios de lágrimas contidas.

Rosa:-Entendo, pensei muito no caminho para cá.

Romulo retirou do bolso algumas fotos e me entregou, eram fotos de Ana.

Uma linda menininha de olhos azuis, um grande sorriso, minha irmã estava feliz e eu não me senti no direito de tirar isso dela, e eu com minha vida complicada não estava pronta, não agora.

Rosa:- Posso ficar com elas?-Sorri levantando as fotos em minha mão.

Romulo:- Claro, são suas.

Rosa:-Preciso estar pronta para me aproximar dela, não sei o que falar e nem como pedir perdão, podem me dar mais alguns dias?

Irina:- Você pode vir quando quiser, Rosa- Eu precisava clarear meus pensamentos e descobrir como me aproximar dá minha pequena Ana.

Rosa:- Não vou tirar ela de vocês, só quero ser mais uma pessoa para amar a Ana.

Irina:- Estaremos te esperando, Rosa, obrigada.

Me despedi, tudo já havia sido dito, não consegui me controlar e chorei no carro, Bruno me abraçou e eu não tinha condições de negar esse abraço, precisava de conforto naquele momento, mas precisei de apenas alguns minutos para me desvencilhar e me encostrar na janela.

Quando chegamos em casa Aurora estava lá, segurei a mão de Bruno e ele me olhou com a testa franzida, não quero que ninguém saiba as circunstâncias do nosso relacionamento, ela foi a primeira pessoa a saber que estávamos juntos agora, e ela ficou muito feliz.

Fim da Lembrança

ROSA

Quando Bruno me disse que não moraríamos na casa de Aurora me senti perdida, com tantas coisas não me lembrei disso, estávamos quase no fim dá festa, e me senti nervosa pensando que teria mos uma lua de mel, e na casa de Bruno estaríamos sozinhos.

Me despedi de todos e Bruno me levou até Ana que sorri para mim com seus grandes olhos azuis, mesmo sem saber o que está de fato acontecendo ela é educada e adorável comigo.

Subi e arrumei uma mala, com algumas roupas e outra com coisas que eu poderia precisar, peguei a caixa de veludo preto e a minha rosa, Bruno pegou tudo e colocou no carro.

Bruno colocou meu cinto de segurança, a proximidade estava me deixando nervosa.

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