Sempre sonhei em casar-me, ter filhos e formar a minha própria família.
Queria um casamento ao ar livre, de frente para o mar, com todos os meus entes queridos. E com o homem que eu amo, ao meu lado.
No entanto, esse não existe mais, e mesmo que exista, ele deverá ser esquecido, pelo próprio bem da minha família.
Há mais ou menos um mês atrás, eu nunca havia pensado que seria obrigada a me casar.
No entanto, hoje estou aqui, vestido um vestido de casamento que não me pertence e me casando com um homem também não me pertence, assim como o seu amor.
Estou vestida num luxuoso vestido branco de noiva. Ele é simplesmente lindo, mas, ele não me pertence.
— Você está tão linda neste vestido Agnes!_ Miranda.
Diz a minha melhor amiga, Miranda.
— Não, não estou Miranda! — Esse vestido nem sequer me pertence!
— Amiga…
— É a verdade, nada disso me pertence. Tudo isso é o sonho da minha irmã. — Até quando vou ter que viver por ela?
Continuo.
— Sempre vivi pela felicidade da Leonor, Leonor, está não poderá fazer a atividade da escola; Agnes irá fazer por ela. Leonor, fez algo terrível, assuma a culpa por ela. Sempre foi assim!
Estou preste a chorar.
— Sinto muito amiga, mas, ainda dá tempo de você...
Não deixo ela terminar.
— Não, não dá Miranda, Leonor fugiu de casa, já faz um mês desde então, ainda não soubemos absolutamente nada dela.
Continuo.
— Antes de ir, ela deixou uma carta escrita a mão, onde dizia que ela só voltaria quando o noivado fosse anulado e ela não precisar mais se casar com o "inválido" do Arthur. " Inválido", essa é a palavra que ela vem usando ultimamente para descrever o homem que ela diz que tanto amou.
Sorrio ironicamente.
— Se ela realmente o amasse, estaria aqui, se casando com ele, mesmo após ele ter sofrido esse acidente e, ter perdido os movimentos da perna. _ Miranda.
— Eu sei, e de verdade, ainda não posso acreditar que ela seria capaz de o abandonar assim, de abandonar a nossa família.
— E então, você se casará com ele, mesmo não o amando?
Fico um tempo sem responder, depois solto um longo suspiro.
— Sim, eu não posso-me dar ao luxo de fazer o mesmo que a minha irmã.
continuo.
— Sabe, o meu pai sofre com problemas do coração. — O antigo acordo feito entre a família Santana e a família LeBlanc, foi de que um membro de cada família se casas-sem; caso ao contrário eles perderiam todas as suas fortunas.
Continuo novamente.
— O meu pai não aguentaria ver a destruição de tudo que ele criou, ele não aguentaria perder tudo; tenho medo que ele acabe a falecer, caso isso aconteça. Por isso, não tenho coragem de retrucar nada, que ele deseje.
— Eu sei Agnes, mas, toda essa sua submissão, ainda vai acabar-te destroçando. _ Miranda.
— Eu sou jovem Miranda, eu posso aguentar.
— Agnes, você não ver que...
Antes que ela possa terminar de falar, alguém bate na porta.
Toc Toc Toc
— Sou eu Agnes. _ Fernando.
— Pode entrar pai.
Respondo-o
E então ele, passa pela porta e vem na minha direção.
— Agnes... Você está tão linda minha filha.
— Obrigada papai.
Ele vem até mim e beija a minha testa.
— Vim para lhe buscar, já está na hora, todos estão a sua espera.
— Entendo.
Olho para Miranda.
— Bom, então eu já vou para o meu posto, licença. _ Miranda.
Balanço a cabeça em concordância.
— Está nervosa querida?
O meu pai pergunta.
— Um pouco...
— Ah, meu amor, isso é normal, afinal hoje é seu casamento.
Ele fala alegremente.
Dou-lhe apenas um sorriso forçado.
— Então vamos?
Ele pergunta.
— Sim, vamos!
Logo saímos do quarto e passamos por alguns corredores até chegar em frente a uma enorme porta francesa.
Sinto o meu estômago embrulhar.
As portas do salão da catedral se abrem, vejo todas as pessoas levantarem das suas cadeiras e olharem para mim.
Elas olham-me surpresas, pois, era Leonor, a quem essas pessoas esperavam que entrassem por esta porta.
Levanto o meu olhar para o altar e, vejo Arthur, que me olhava com ódio, nojo, o seu olhar transmitia tantas coisas.
Que naquele exato momento eu soube, que a minha vida ao lado daquele homem, não seria nada fácil.
O seu olhar repleto de ódio, para mim, significava que ele iria fazer da minha vida um inferno, por estar a ocupar um lugar que desde o princípio, não me pertencia.
O ar que pairava dentro do carro, estava tecnicamente me sufocando, com a péssima atmosfera do Momento.
Eu Agnes Santana, agora Agnes LeBlanc. Estou sentanda no banco de trás de um lindo carro, com o meu marido, Arthur LeBlanc. E, estamos indo para a nossa lua de mel.
O que poderia ser considerado por muitos, uma grande realização de um belo sonho.
Até poderia ser, se de esse casamento fosse de fato, real.
Estamos indo para um lugar bem distante da cidade pelo visto.
O motorista, sem se virar, fala que já estamos na entrada da fazenda.
Estamos passando pelo, um vasto caminho de árvores gigantes.
Através do vidro olho uma linda casa, com vários pilares.
Olho para Arthur, que estava sentada do outro lado do banco, com os olhos fechados.
Depois de alguns segundos, o carro para e saímos para fora.
O motorista, ajuda o Arthur, a sair do carro
e, a colocá-lo de volta na cadeira de rodas.
Tento ajuda-lo a guiar a cadeira, mas, ele se nega a receber a minha ajuda
— Eu não preciso da ajuda de uma pessoa como você!
Ele fala indignado.
Olho para ele, com um pouco de raiva.
— Uma pessoa como eu?
— Sim, como você!
Tento deixar essa passar, já que ele não está no seu momento.
A minha irmã o largou e a família o obrigou a se casar comigo.
Solto um suspiro longo, antes de dá um para frente, em direção a casa.
Ele continua.
— No final são farinhas do mesmo saco, ambas me deixando de lado.
— Eu deveria ter percebido desde o começo, que você e a sua família não prestam!
— Você e a sua família são tudo da mesma laia. Todos só pensam no dinheiro, são um bando de urubus imundos!
Sinto o meu corpo tremer de raiva. Afinal, quem esse cara pensa que é?!
— Olha aqui!
Tento conter a minha raiva, mas mesmo assim continuo.
— Quem você pensa que é?
— Não é porque a minha irmã te largou, que você pode me tratar assim.
— Eu não tenho culpa de ter sido tecnicamente obrigada a me casar com você.
— Eu não me casei com você, porque te amo.
Por um momento ele me olha surpreso. Continuo falando tudo o que está vindo na minha mente.
Estou cansada de ficar sempre em segundo plano, apenas levando patadas da vida e das pessoas.
— Mas sim, porque a minha irmã decidiu que não queria mais se casar com você.
— Porque você não podia mais andar!
Ele muda o seu semblante para furioso indignado.
— Olha aqui garota...
Ele começa a falar algo, mas não o deixo terminar. Essa é a minha hora de falar. Já chega de interrupções.
— Nós casamos porque as nossas famílias quiseram assim.
— Eu não tenho culpa da sua vida está dando errado.
— E eu não tenho culpa de você está aqui, agora comigo.
— Então vê se supera e começa a agir como uma pessoa de verdade.
Saio andando e entro na casa, sem saber ao certo para que lado ir.
Se ele está pensando em me fazer de saco de pancadas, está pensado muito errado.
𝕵𝕵𝕵
A senhora que cuida da casa, me ajudou a encontrar o meu quarto.
Tecnicamente, era para mim e para o Arthur, ficarmos no mesmo quarto.
Mas, ele deixou bem claro, que isso não aconteceria nunca.
Bem, não é como se eu estivesse reclamando.
Afinal fiquei com o maior quarto da casa, e com a maior cama de todas.
Estou no banheiro, relaxando na banheiro.
Depois de um dia cansativo.
Passei o dia todo trancafiada nesse quarto.
Triste, com raiva e um pouco magoada, e lá no fundo, lá no fundo mesmo.
Um pouco arrependida por ter falado daquela maneira com ele.
Mas ele mereceu.
Ele não pode sair por aí tratando as pessoas que querem ajuda-lo, daquela maneira.
Me levanto da banheira, respingando um pouco de água pelo chão.
Pego uma das toalhas brancas que estavam armário do banheiro.
E me enrolo com ela.
Em seguida, volto para o quarto e visto a uma das minhas camisolas.
Pego uma rosa sentilante, que é um pouco rendada na parte dos seios. Ela é leve e macia.
Depois de vestida, enxugo o cabelo e o arrumo.
Enquanto estou penteando o meu cabelo, a minha mente viaja, pelas palavras duras que disse ao Arthur, hoje mais cedo.
Uma onda de culpa percorre o meu corpo.
Eu não deveria tê-lo tratado daquela maneira.
Foi errado e, não é do meu fetio falar com as pessoas daquele jeito.
Mas, ele falou daquele maneira comigo, eu não podia deixar barato.
Lembro-me de mais cedo, quando desci para jantar.
A dona Emma, a senhora que cuida da casa.
Disse que ele ainda não havia saído do quarto para nada.
E não havia jantado, e nem pedido para ela levar o seu jantar.
Talvez ele tenha ficado magoado com as minhas palavras mais cedo.
Talvez, eu devesse ir vê-lo.
Ir falar com ele. Talvez, dizer que eu sinto muito por ter falado daquela maneira com ele.