Capítulo 2

Saímos para comprar a roupa perfeita e no começo eu até estava super empolgada, mas acabei ficando aborrecida porque sempre que me mostrassem uma roupa eu simplesmente não gostava e isso meio que me desmotivou. Minha mãe fez várias sugestões, porém nenhuma me agradou. Talvez por causa do meu corpo muito magro, por vezes me olho no espelho e noto que nenhuma roupa fica bem em mim! Peso só 45kg e meço 1.76. Por conta da minha altura, até cairia bem ser modelo, mas não gosto muito dessa profissão.

No fim das contas voltamos a casa de mãos vazias porque eu não quis comprar nada! Não queria exagerar muito na roupa, só para não ser incomodada por ninguém na festa. Eu não queria ter ninguém ao longo da festa puxando conversa comigo ou me incomodando, afinal só vou estar lá porque Liza insistiu. E a loja que entramos só vendiam roupas caras de marca e chamativas! Deus me livre!

Nunca gostei de festas e de saídas, sempre preferi ficar em casa na companhia de Netflix e da Wi-Fi. E por isso, as meninas da escola não gostam de mim, elas me chamam de estranha por ser muito restrita e também não gostam devido à cor do meu cabelo, sou ruiva, muito ruiva! Até demais e meu cabelo fica parecendo fogo. Sou uma Ruiva de olhos castanhos, meu cabelo é liso, mas não gosto muito de cuidar dele, prefiro prender sempre com um elástico do cabelo ou fazer duas viradas grossas.

Bom, por fim escolhi um vestido preto que marcava todo meu corpo, evidenciando minhas curvas e me tornava 5 anos mais adulta. Calço tênis e visto um casaco biker. E para fechar com o look, usei o meu tênis vermelho e a jaqueta vermelho da Serpente.

Pego minha bolsa branca brilhante e saio do quarto, mas antes dou uma olhada no espelho e prendo o cabelo.

Minha mãe estava na sala fazendo videochamada com papai. Eu me aproximo e cumprimento meu pai sorrindo. Estou com muitas saudades dele, já faz 3 dias que não o vejo!

- Como vai papai? - pergunto sentando na cadeira ao lado da minha mãe

- Sempre o mesmo filha, cansado e com muitas saudades de casa.

Meu pai parecia estar mesmo cansado, suas olheiras estavam se tornando bem nítidas e seus olhos estavam avermelhados, mas fazer o quê? Essa foi a profissão que ele escolheu. Por vezes sinto que meu pai só trabalha tanto para poder custear a vida cara que minha mãe sempre teve. Minha mãe é uma mulher independente com seus 35 anos e muito conhecida por todos e famosa! E meu pai meio que tenta acompanhar o ritmo dando luxo para ela!

O clima ficou bem pesado, então falo animada - Papai, adivinha quem vai sair para ir à festa?!  

Meu pai sorri - Você? Ah, que Deus seja louvado! - rimos da sua reação - eu pensei que você era uma antissocial! Ainda bem que me enganei.

- Tá bem, mas não se habituem! É só hoje mesmo! - digo firme.

- Quem sabe - minha mãe cantarola. Uma das qualidades da minha mãe, dona Charlotte é ser boa vocalista. Ela já fez parte duma banda que hoje em dia é bem famosa, segunda ela, se não ficasse grávida de mim apostaria na carreira a solo.

Sinto meu telefone vibrar no bolso, deve ser Liza... atendo e é ela!

- já estás pronta?!

- Estou!

- Sua mãe está em casa? Eu posso entrar para cumprimentar?

Eu não quero que o maluco do namorado dela fique bravo caso o fazemos esperar muito, ele se altera fácil e não quero que machuque Alice.

- Não... É melhor eu sair agora, já está mesmo tarde!

- Tá bem, só não esquece de mandar cumprimento!

- Está bem - encerro a chamada - Mamãe e papai, eu já vou. Liza mandou cumprimentos.

- Divirta-se - eles falam em uníssono. Quando eu estava preste a sair, meu pai ordena que eu volte antes das 0h.

- Está bem pai! - Grito.

Finalmente saio do apartamento, cumprimento o porteiro e vou até o carro do namorado da Liza. Eu não conheço muito bem sobre carros, mas sei que uma Mercedes é bem cara. Aposto que o carro nem seja dele! Provavelmente é de um cliente da oficina dele.

Abro a porta do banco de trás e fico no lugar do meio. Cumprimento Liza e seu namorado mafioso, o Pablo.

O carro estava cheirando a cigarro e isso me incomodou, não tinha música ou rádio ligado, então eu sugiro sorrindo.

- Que tal ligarmos o rádio?

Pablo me responde rude - Eu não ouço música. - Eu achava que ele falaria tipo "Véi, eu não curto não essa merda" pelo menos é assim que alguns mafiosos falam, acho eu. Enfim, ele que podia ser mais acolhedor!

Liza apenas fica em silêncio e começa a mexer no celular.

- Então, por que vai à festa? Não vou muito às festas, mas sei que lá tocam músicas e as pessoas dançam, se divertem - sem querer solto e começo a ver a cara de fúria do Pablo.

- Se quiser ainda posso parar a porra do carro para ouvires a droga do rádio a tocar numa lanchonete qualquer!

Eu fico de boquiaberta e sem palavras. Nunca me tinham ofendido assim.

- Também não precisava falar assim com ela! - Liza me defende. É isso aí! Para isso é que servem as amigas.

- Desculpe, mas essa tua amiga é bem atrevida! - eu reviro os olhos. Não que eu seja atrevida, eu só não gosto dele e prontos!

- Essa minha amiga tem nome! É Natasha e ela só pediu para ligares o rádio! Que mal tem? - Liza liga o rádio e por essa eu não esperava. - Esse rádio está bom? - ela parecia estar bem furiosa.

- Sim... - Ele responde entre dentes. Ouvir músicas clássicas nunca foi do meu tipo, mas era o que estava tocando no rádio e eu não queria incomodar mais.

O trajeto até à festa foi bem silenciosa, ninguém falou uma só palavra... O clima ficou bem pesado! Pablo é famoso por seu temperamento, e apesar da Liza dizer que se amam muito, acho muito tóxica a relação deles! Espero que um dia ela conheça um homem bom que respeite ela! Porque ninguém merece ter ao lado um idiota que há dias trata bem e há dias trata mal!

Quando decidir ter um namorado, que com certeza não está nos meus planos visto que pode atrapalhar meu sonho de fazer turnê pela Europa, ele terá que ser um ano mais novo que eu ou da mesma idade! Nunca mais velho! Acredito que homem quando já vive por muito tempo solteiro ou troca demais de namorada vem com dose extra de "problema" e acreditem não terei paciência para aturar! Sem esquecer que quero alguém virgem no amor, alguém que nunca tenha amado outra mulher, além de sua mãe!

- Será que é pedir muito Deus? - sussurro.

Capítulo 3

Nem chegamos à festa e já ouvíamos o barulho da música alta de longe, Pablo soltou vários "Merda" no caminho e claro que ignoramos. Na moral, Pablo tem muitos transtornos psicológico! E para piorar ele é um cara sem educação, isso que está faltando para se tornar um pouco menos perturbado.

Lembro que o dia em que soube que ele é um ogro, foi quando saí com Liza! Fomos a uma sorveteira e um garoto pediu para sentar-se na nossa mesa porque já não tinha lugar, para o azar da Liza, ela estava com problemas na relação com Pablo e tinham dado um tempo. No mesmo dia, do nada, ele surge dos infernos a gritar, criou um barraco, ofendeu todos que estavam na sorveteira, quase agrediu o garoto que sentou na nossa mesa porque segundo ele era o novo namorado da Liza! Fiquei com muito medo e não falei nada! Foi como se tivessem cortado a minha língua e deitado fora!

Finalmente chegamos e Pablo pediu para conversar a sós com Liza no carro e eu só saí do carro quando Elizângela pediu que eu a esperasse dentro da festa porque fora estava frio.

Só que invés de eu entrar, fiquei parada na porta da festa esperando por ela, já que sou menor de idade! Acho que ela esqueceu desse detalhe. Os vidros eram fumados e eu não conseguia ver se eles estavam discutindo ou conversando, mas provavelmente estavam discutindo... Deus me livre entrar em relacionamento tóxico! Li uma matéria que dizia que é mais difícil para as mulheres ou homens estando em relacionamentos tóxicos deixarem o parceiro devido ao medo da solidão e da falta de independência. Liza, por exemplo, não deixa seu namorado porque ela depende dele para custear suas contas e tal! Ela só vai deixar ele se um dia conhecer alguém melhor ou se tornar independente!

- Hey! Garota! - era o guarda da festa - Você não tem mais nada pra fazer? Só quer ficar aqui na porta para achar um pagante?

Que homem mais rude!

- Senhor, eu vou entrar na hora certa! E até onde eu sei esse espaço não é propriedade sua, então não me incomode! - digo séria, cruzo os braços e ergo o rosto.

- Não me aborreça menina, eu posso fazer você não entrar mesmo com bilhete ou com todo dinheiro do mundo! - ele gesticula com as mãos "mundo" - Entendeu?!

Quem esse senhor pensa que é? Ele era barbudo, barrigudo, careca e velho!

No mundo existe todo tipo de gente mesmo! Há quanto tempo ele trabalha aqui? Deve ser mesmo muito infeliz!

- Sabe, faça! - berro - não me deixe entrar! Eu não me importo! - Eu cruzo os braços - O senhor não me assusta!

- O que está acontecendo aqui, senhor Carlos? - de repente um homem alto, arrumado de cabelo preto ondulado, olhos azuis e barba por fazer aparece. Ele vestia uma camisa preta, acompanhado com sua calça jeans preta e tênis preto e no pulso um relógio dourado que parecia muito caro!

- Sr.Adam, essa menina sem educação está me incomodando, mas eu já garanti que ela não vai entrar, vem que talvez incomode os outros!

O tal de Adam olha para mim e diz.

- A senhorita concorda com o que senhor disse? Está incomodando ele e por isso tem que ir? - movimento o rosto de um lado pro outro negando.- Não! - respondo sem hesitar - esse senhor está mentindo! Só estou à espera da minha amiga!

Falo firme e com medo! E se eles me pedirem identidade?! Vou parar na cadeia! Ou pior, vão chamar mesmo pais! E depois disso ficarei de castigo e não vou poder viajar!

Adam olha para o guarda - O que tem a dizer? Pode explicar novamente?

Já fico sem paciência, que homem é esse? Juiz? Só quero ir para casa! Não quero problemas e minha intenção não é prejudicar ninguém!

- Eu estava aqui relaxando, quando a menina começou a gritar comigo dizendo que eu não tenho utilidade aqui e muito mais. Ela é louca! - Eu fiquei de boquiaberta

- Mentiroso! Ele está mentindo! - me altero e o senhor sorri - não acredito que um homem tão adulto como o senhor, que talvez tenha uma filha da minha idade se comporte assim! Eu apenas estava aqui parada esperando minha amiga que está no carro - aponto o carro - para entrarmos juntos!

- Senhorita, acalme-se. Você não fez nada, não é mesmo. - sua voz era calma e suave, isso me acalmou. Detesto injustiça! Sei arcar com minhas consequências quando sou a "culpada" e não aceito que ninguém me acuse de nada! Não permito!

- Sim... estou falando a verdade! - por fim digo mais calma.

- Eu sei... - Adam diz olhando nos meus olhos e eu meio que fico envergonhada - Senhor Carlos, - Ele olha para o Sr. Carlos - só não o demito porque sua família precisa do dinheiro, mas espero que isso não volte a acontecer, entenda, o cliente tem sempre razão!

Detesto essa política de que o cliente tem sempre razão! Não preciso disso porque realmente tenho razão. Quero falar isso, mas sou tímida demais para ser tão ousada.

- S-Sim Senhor - O guarda abaixa a cabeça.

- Vai esperar sua amiga? - Eu olho para o carro e nada! Mas sobre o que tanto eles falam? Eu acho que vou encostar e bater no vidro com força! Se não vamos entrar então pelo menos me deixam em casa!

- Acho melhor eu entrar. Vou enviar uma mensagem a minha amiga - Vou entrar antes que venha mais um louco me incomodar também! - grito para que o tal de Sr.Carlos ouça. Graças a Deus esqueceram-se de perguntar minha identidade! Mínima desconfiança eu sairia daí correndo!

Entrei agora. - envio a mensagem a Liza e entro na companhia do Sr.Adam. Ele me parece ser uma boa pessoa, eu gostei. Pelos vistos ele é muito conhecido aqui, todos os funcionários o conhecem e só dei conta agora que entrei sem mostrar o convite... Também depois de toda aquela confusão, ninguém se lembrou.

Enfim, observo suas costas largas, seu andamento firme e confiante! Ele é muito lindo! Nunca vi um homem tão perfeito, acho que estou encantada com sua beleza! E não só, sua atitude! Nesse momento desejo ser tocada por ele... nem que seja só para sentir seus dedos na curva do meu pescoço, ou melhor, sentir sua respiração enquanto chupa minha... NÃO! Não posso pensar nesse tipo de coisas! Sou uma menina sensata e sei controlar minhas vontades e desejos mais obscuros!

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