Capítulo 2

Eu não vou permitir, vou matar um por um até que não reste nenhum!

Nunca mais irei permitir ser enganado novamente pelos brancos!

Eles em tudo que coloca a mão apodrece e sua civilização estraga a natureza.

Qualquer que tentar, terá um fim em sua vida, portanto não deixe ninguém se aproximar!

Tudo que faço e fiz, é pelos bem de minha gente, e o meu povo merece, e serão protegidos!

Ainda que eu não tenha forças para continuar lutando!

Dentre eles está o Klaus, ele era meu melhor e único amigo de infância, mas hoje é o meu inimigo mortal líder da tribo norte.

Como isso aconteceu?

A tribo norte era aliada a de meu pai, e ele era o meu amigo, tudo terminou com a perda da Luna.

Ele também gostava dela, a disputa por uma mulher, rompeu o laço de amizade e consideração.

A ponto de nos matarmos, coloquei um fim e assim as tribos foram separadas.

Até o dia em que a Luna se tornou minha prometida, e casou comigo.

Ele não suportou vê-la se tornando minha esposa.

Foi o bastante para romper a amizade de uma só vez, não teria volta, eu sabia de seus sentimentos por ela.

Nossa amizade era forte,tudo terminou por nossa disputa pela mesma mulher, e nenhum dos dois quis ceder.

Nós nos conhecemos desde pequenos, lutamos em muitas guerras juntos, eu tinha ele como Irmão.

Nossa amizade se perdeu, então nos tornamos os piores inimigos um do outro.

Klaus não voltou a pisar nas terras Muriês, e algum tempo sem dar notícia, algo aconteceu.

Recebemos a notícia de que a tribo do norte foi atacada e seu pai foi morto naquela mesma noite.

Ele assumiu o legado de seu pai, se tornou o novo cacique, com a liderança.

Qual o movimento e a separação das tribo aliança que ainda era viva.

Foi rompida de uma só vez, ele jurou e prometeu não voltar atrás.

Então, ele cumpriu!

Seu rancor e mágoas pela perda da sua amada e não informado porque ela me escolheu.

Klaus se vingou, ele desfez a aliança com o nosso povo, e assim a aliança foi rompida.

Eu senti a falta dele, de tudo que vivemos juntos e a nossa adolescência até a infância.

Klaus cresceu comigo, e quando éramos garotos, apostava nas corridas, subíamos em árvores altas.

Sempre entrávamos no rio, para ver as índias mulheres despidas jovens e assustadas, pregar peças nelas.

Sumir com as roupas dos guerreiros, e lançar armadilhas.

Eram amigos para todos os momentos, até onde sei ele estava solteiro.

Até hoje, e ainda afastados, ele não visita como costumava fazer,soube que ele sempre estava.

Aqui escondido, sabia de suas visitas à aldeia, e nem tenho notícias suas.

Essa amizade não pode acontecer, e nem mesmo com a morte dela.

Ele tem ódio, e tudo está no passado para mim, mas o rancor dele não.

Falando em sobreviver, vivemos da caça, alguns coelhos coiotes, matamos os cangurus, animais que nos dão permissão.

De alimentar a nossa família com a sua carne, tudo temos a permissão da mãe natureza.

Nosso rendimento em mantimentos, é pelas sementes de frutas e legumes, dentre outros, vêm da cidade.

Trocamos por artesanatos, feito pelas mulheres da tribo, tudo é feito para comprar sementes.

Elas trabalham bem, e a maioria dos artesanatos como bolsa, colar, brincos, vasos e itens para colocar em cabelos.

Além de não ter o suficiente, pois as terras não dão os frutos, o solo é seco em alguns lugares.

Os necessários frutos, e o local onde plantamos, só existe um lugar, mas temos a necessidade das sementes.

Sempre quando vamos à cidade dos

urque(Brancos) comprar sementes raras das quais precisamos…

Além do fato de sempre não gostar muito da forma como eles nos olham.

Eles nos olham, com preconceito, seus olhares são como de quem tem medo, não somos animais!

Não sei falar muito bem o idioma dos urques, mas tive que aprender, para comunicação.

Para nossa condução até a cidade, e tudo em segurança e cautelosos.

Usamos os barcos, em três pontos estratégicos para não sermos seguidos…

Tudo no sudoeste da Austrália, local afastado com uma extensa floresta tropical.

Ao oeste está o deserto, lá foi um dos primeiros lugares onde o meu povo habitou.

Local onde nasci, e de toda a tragédia, e as minhas piores lembranças.

Doeu meu coração em vê-la morrendo, não gosto de lembrar, e suas expressões.

Fiquei parado assistindo toda aquela tragédia, naquela noite eu também morri junto com ela.

Notícias que tem outras tribos, e os canibais são os piores entre os inimigos, são os próprios demônios na terra.

Os piores!

Eles são os seres mais desprezíveis da face da terra, verdadeiros animais!

Sempre tem um dos nossos guerreiros sumindo, e estamos investigando,mas tenho certeza!

Há duas semanas, dois de nossos guerreiros foram vistos pela última vez.

Eles estavam guardando a tribo, e reforçando as armadilhas.

Meu pai está impaciente, e quer que eu me case com uma índia da tribo aliada.

Já houve uma apresentação, mas hoje será o dia da festa de noivado, desde que minha mulher morreu.

Confesso que não estou nem um pouco contente com isso, meu pai está me pressionando para esse matrimônio.

Ele sabe que eu não pretendo me casar, mas eles têm preocupações por mim.

Tenho dois irmãos, eles sempre esteve ao meu lado, e quando minha mulher partiu.

Continuei sozinho na minha tenda, ninguém se atreve a entrar sem minha permissão.

Essa é a minha primeira moradia, desde que minha esposa morreu, vivo aqui.

Ainda guardo seus, veste, cada roupa dela ainda tem o seu cheiro, a tenda tem o seu toque.

Não desejo mais ninguém, além da Luna,tranquei o meu coração para o amor.

Aqui deitado estou pensando, e esperando chegar o amanhã, pois será o noivado.

Pego uma peça de sua roupa dela, assim sinto o seu cheiro, adormeço com ela, que está sempre viva em minhas lembranças.

Com a única promessa que fiz no seu enterro, o desejo forte de me vingar.

Ajoelhado sobre a terra fiz a promessa da qual não posso desfazer.

“Vou me vingar”

Não é só por ela, também pela minha mãe… e todo o meu povo Muriê.

No dia seguinte acordo, e assim começo a fazer os meus deveres, e antes de tudo.

Faço o meu desjejum, e quando estou comendo, levo um susto com o meu irmão.

_ Kauê!

Hoje vai conhecer sua noiva, todos só sabem falar sobre o seu casamento, e então animado?

_ Veja se estou?

Kauê, a tribo está em festa!

_Todos estão animados, faz um bom tempo, que não temos uma festa assim e desde…

_você sabe!

Todos tão animados de verdade, esse casamento será muito importante para união das tribos!

_ Sabe, eles lhe trouxeram presentes, e seu pai está agradecendo, não vai ver?

Joabe, não tenho paciência!

__Sabe que se dependesse de mim, não haveria casamento, nem acordo algum!

_Você mais do que qualquer outra pessoa, sabe que eu estou sendo obrigado a isso!

Sim, eu entendo…

Ele fala ao perceber que não estou tão contente , e tenta mudar o rumo da conversa, mas não saindo dela!

__Kauê!

Vamos, sorria!

Kauê, você tem muita sorte, ouvir dizer que a moça é muito bonita, tanto quanto uma flor!

Ela é cobiçada pelos guerreiros,melhor assegurar de uma vez que ela será sua!

Tudo pronto para a festa,não faça cara de quem está perto para ir à morte!

Acredito que sim estou na beira do precipício de minha arruinada vida!

_ Kauê, tão exagerado!

Esse me chamando, e a todo sorriso, é o guerreiro Joabe, meu amigo fiel, e guerreiro nato.

Não estou nada feliz com essa decisão de meu pai, eu não quero me casar, muito menos esse noivado tão rápido!

_ Kauê, Irmão!

A noiva é muito bonita!

_ Irmão sei que ainda tem sentimentos, pela sua falecida esposa.

_ já está na hora de te dar uma nova hipótese para o amor, e, além disso…

Precisa de filho!

De certa forma, ele tem razão a esse quesito, porém meu coração diz outra coisa.

Falei sábado às ordens, e então o guerreiro entende o que está por vir.

_Joabe, volte a segurança dos guerreiros, mande eles ficarem espertos!

Ainda ontem tivemos invasões, eu quero que tudo esteja bem, se vou me casar.

A segurança da tribo está em primeiro lugar, só farei esse sacrifício por conta do meu pai!

Terei que encarar isso, enfrentar as decisões que meu pai tomou, ainda que eu ame a Luna.

Essa decisão não é minha, tudo que eu tenho que fazer é aceitar e obedecer.

Ele é a sabedoria, e tenho contato direto com os espíritos, sua ligação é tão profunda e a espiritualidade protege nosso povo.

Terei que aceitar o meu destino, e assim ter uma nova esposa.

Mas o meu pai insiste,eu não sei como sair dessa situação.

Terei que me casar, conforme o seu desejo, este é o destino do qual.

Eu não posso fugir...

Capítulo 3

Vejo meu pai ao sair da minha tenda,sentado ao redor de algumas crianças.

São raras as vezes em que o vejo sorrindo tão despreocupado.

Desde a morte de minha mãe, meu pai não é de falar e muito menos sorrir tão fácil assim.

Vou para perto dele e as mulheres estão preparando os alimentos da nossa tribo.

Mandioca e a goma dela, é feita com pães sem fermento, e assado de peixe e frutas, carnes de caça.

Aqui faz um pouco de frio, e logo pela manhã, é perto da cachoeira.

E sempre usamos peles de animais, para cobrir o corpo e quando faz calor, é pior ainda, mas já estou acostumado ao frio.

Pela tarde muda a temperatura, e assim conseguimos nos adaptar, e os Muriê amam a terra que está.

Vindo até onde estou a serva Muriê nem olha para mim e entrega os preparados.

_Aqui senhor Kauê está preparado para seu banho e aqui está o seu Joá.

_ Roupas limpas e uma toalha para secar o corpo a água está morna.

_Já pode se banhar meu senhor!

Ela me entrega tudo, segue para as outras ocas, e assim funciona nossos costumes.

Elas têm o direito de casar, e deixar de ser escravas, se assim um guerreiro quiser assumir.

Joar é uma folha, usada na limpeza higiênica da boca.

Essa receita é feita pela mãe xamã, e os dentes ficam limpos.

Perfeitos e livres de hálitos pesados, a não ser os que não gostam de praticar a higiene necessária.

Os guerreiros desejam ter esposas, e assim faz ou ficaram solteiros para sempre.

_ Está pronto Kauê?

Hoje vai conhecer sua noiva, e o casamento será no dia seguinte.

Aquele que será o seu sogro líder da tribo urika, está ansioso, ela é sua única filha mulher.

Está tudo preparado, ordenou que matassem, um dos maiores animais para fazermos a festa!

Quero muitas comidas e bebidas, seu casamento será lembrado em muitas gerações!

Já obtive notícias dos guerreiros, que sua esposa está chegando com o pai.

Não me decepcione, você é o meu filho, e vai assumir a liderança do nosso povo!

Mandei a águia mensageira levar o recado, e ela chegou com outra folha.

Ele deseja ter o casamento o mais rápido possível, a filha dele é preciosa, e eles precisam.

Da união das tribos.

Essa águia é treinada pelas tribos, só assim podemos saber de tudo.

_ Grande irmão!

Estamos esperando ansiosos, pelo casamento e sua liderança formal!

Fala o meu irmão novo, o Jurandir, que tem três anos de diferença.

Nunca se casou, ele espera pela pessoa certa assim ele diz, porém sei que só está fugindo.

Será que alguma mulher vai aceitar, esse sem juízo do Jurandir?

Lembro que meu pai deu uma surra nele, pois foi pego trepando na margem do rio, com a mulher.

Mas não, era qualquer mulher, e sim a mulher do guerreiro amigo meu, ele teve a punição.

Apanhou, levou bolos e foi colocado em cima de um formigueiro, mas ele não tem jeito.

Nada é capaz de baixar o fogo dele, olha que nem a dor de tantas formigas sobre o corpo, é capaz!

Ele continua falando bobagens, minha vontade de atirar ele do rio abaixo.

Jurandir meu irmão caçula, tem cabelos negros assim como os meus, e os olhos castanhos escuros.

_ Kauê!

Estou tão animado, e terá tanta bebida e comida, mulheres…

Ele fala com uma expressão tão eufórica, e eu me pergunto, quando vai criar juízo?

Pai vamos dar uma grande festa, e as mulheres estão animadas…

Quero beber muito, fumar cachimbo… eu ficar doido a noite toda!

Esse é um pegador das índias, sempre está com uma mulher diferente.

Meu pai está sempre em fúria, e ao puxar de suas orelhas, ele grita e olha para mim.

Pede-me ajuda…

_ Você, se comporte!

__Eu não sei o que faço com você,vou casá-lo com a mulher mais feia entre as mulheres!

Não pai!

Eu só quero me divertir, mas vou me comportar, eu juro que vou! Não entendo o Murici…

Ele sempre me incentiva a casar, é um dos que não quer, e o meu pai só perdendo os cabelos.

Não tão diferente do meu irmão do meio, e ele não aceitou os casamentos, e sempre desprezava as noivas.

Resultou em anulação, ele não se deitou com a mulher durante os quinze dias.

Ele tinha se apaixonado por uma das mulheres. Tainá é a esposa do guerreiro Joabe.

Mas ela não tinha sentimentos por ele, e às vezes ouvia que ele estava sempre seguindo a moça.

Queria comer a esposa do Joabe, isso terminou ao saber que ela estava grávida.

Toda essa perseguição pela moça, soube pelos boatos que ela deu esperança de seus sentimentos para ele.

Ela brincou com o coração deles, e no final ela escolheu o Joabe.

Ambos tiveram uma briga, e então houve uma luta para disputar a esposa, e ele perdeu.

Essa é a maior raiva dele, e sendo assim ele não quer esposa alguma.

Ele me chama perguntando se estou bem com tudo isso, e eu tão perdido em meus pensamentos.

Minha resposta é a mesma,ele continua falando sobre a proposta.

_ Sabe, você tem que esquecer a Luna!

__Sempre sofrendo por ela, e eu até entendo Kauê… mas tem tanto tempo!

__Merece ser feliz!

Murici tem um ano de diferença de idade que a minha, e eu até entendo ele.

Ele nunca perdeu uma esposa, e tão pouco sabe o que é está sofrendo por alguém!

__Murici!

__Você é o meu irmão, e eu entendo sua preocupação comigo, mas eu estou bem!

__Já falei vou casar!

Você está tão preocupado para eu casar logo, porque não se casar no meu lugar?

Irmão, temos que agradecer o nosso pai que além de líder espiritual, teve que liberar o nosso povo.

Não temos cacique, e sei que você pode se tornar um, eu confio em sua liderança!

Eu não desejo me casar, mas se esta fosse a vontade do nosso pai, eu faria!

Sei que não deseja ser o pajé, mas tem que assumir a liderança, e se os espíritos assim desejar.

Você será!

Fico surpreso com suas palavras, e eu até penso no que deu nele…

Mas prefiro ser o cacique… o líder tribal de nosso povo…

Meu irmão continua falando do casamento, e eu estou tão cheio desse assunto.

Essa união vai salvar muito a nossa liderança e fortalecer o nosso povo!

Temos bons guerreiros, e são os melhores na artilharia!

_ Ninguém será capaz de derrotar a nossa gente, a força deles é tudo que precisamos!

Vamos ter poder e força!

Ele suspira…

Eu vi quanto você sofreu com a perda da sua mulher e do seu filho, e com a morte da mamãe.

__A raiva daquele maldito homem, e o que ele fez ao nosso povo.

Eu estou ao seu lado!

Ele para de falar e então sei que está olhando para Tainá… e eu espero ele terminar…

Murici?

Chamo ele não responde ao olhar para a mesma direção que ele, vejo que está próxima de uma das tendas.

Conversando com Joabe, os olhares deles se cruzam e quando o chamo novamente.

Murici?

Ainda sente algo por ela?

Ele olha para mim, fica tão nervoso para responder, até muda o assunto…

Eu insisto até que ele fala estando tão furioso, e isso pode ser ciúmes?

Não quero falar disso, além disso, ela não me interessa!

Ela escolheu ele! Murici foi melhor assim, e agora vocês estão em caminhos diferentes.

Eu não quero falar sobre isso, tenho que ir!

Vou preparar as coisas…

Ele sai tão furioso, e eu sigo para minha tenda, vou me banhar, a água está fria!

Durante a tarde, o sol brilha indicando o seu horário e eu estou pronto, esperando a noiva. Que acabou de chegar!

Yara!

A moça é bonita e olhando assim de longe, tem sua beleza…

_ Senhor, eles o chamam!

Suspiro e assim vou até eles, beijo a mão da moça em sinal de respeito, falo com cacique.

Meu pai prepara o cortejo da cerimônia de noivado, e o ritual de noivos…

Com as palavras dele, tudo começa e estando frente a frente, e a moça sorri.

Meu pai mata a ave, e assim marca a testa da gente com a gota do sangue.

“Significa noivos” e quando vai passar a segunda marca algo inesperado acontece.

Cancelando a união do compromisso, e todos olhando o guerreiro falando sobre os canibais.

Eles estão próximos e nem as armadilhas deram jeito neles, temos que colocar todos em segurança!

Eles estão aqui, e vão atacar!

Grito para eles preparem as armadilhas, não podemos esperar o nosso povo correr perigo!

Vejo dois deles adentrando, e as armadilhas dão certo!

Preparem os cavalos, chame os melhores entre os guerreiros!

Monto em meu cavalo, ventania, e assim vou até o local que foi invadido.

Vamos!

Tenho que garantir a segurança dos Muriê, eles temem o pior!

_ Você, vá e faça a segurança das crianças , mulheres e idosos!

Sim, Kauê!

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Meu Muriê

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