Capítulo 2

Meia hora depois, Katherine e Esteban estavam com a certidão de casamento graças à insistência de Lainey.

"Está satisfeita?", perguntou Esteban a Lainey sombriamente, pois ele estava descontente com esse casamento forçado.

Lainey olhou para o neto e disse indignada: "Você teve sorte de se casar com uma garota tão maravilhosa como essa!"

Só então a realidade começou a pesar sobre Katherine, que levantou a cabeça e tentou observar seu novo marido com mais atenção.

O homem à sua frente vestia um terno preto e tinha uma aparência inteligente e profissional. O rosto dele era anguloso, mas com traços faciais delicados, e ele media cerca de 1, 85m de altura emitindo uma aura distante e opressiva.

Talvez fosse porque Katherine continuou olhando para Esteban que ele se virou de repente e fixou os olhos nos dela.

No segundo em que o olhar dele encontrou o dela, Katherine se virou em pânico, se sentindo como uma criança apanhada em flagrante.

Ao testemunhar essa pequena interação entre os dois, Lainey se sentiu ainda mais satisfeita com o casamento.

Ela estava prestes a apresentar os dois um ao outro adequadamente quando o celular de Katherine tocou.

Era a avó ligando e seu rosto caiu. Ela nem pediu licença antes de correr para um canto para atender.

"Onde diabos você está? Se acha mais que os outros agora, não é? Como ousa ficar fora a noite toda? Venha para casa neste instante!"

No segundo em que a ligação foi atendida, Myla Morgan começou a esbravejar do outro lado da linha. Sem sequer dar a Katherine a chance de explicar, ela desligou logo em seguida.

Katherine não pôde deixar de suspirar ao som do bipe soando em seu ouvido. Guardando o celular, ela voltou e encarou Lainey com um olhar de desculpas ao dizer: "Senhora James, algo urgente surgiu com minha família, então tenho que ir embora."

"Certo, vá em frente, mas avise Esteban se precisar de ajuda."

Lainey não dificultou as coisas e apenas pediu aos dois que trocassem números de celular antes de se separarem.

Katherine chamou um táxi e saiu depois de pedir desculpas repetidas vezes.

Esteban zombou com desdém assim que o táxi partiu. "Você é muito imprudente, vovó. Como pôde me forçar a me casar com uma mulher aleatória? Não está preocupada que ela nos coloque em apuros?"

Lainey estalou a língua em desaprovação e disse: "Ela não é uma mulher aleatória e sei muito bem que ela não mudou com o tempo. Afinal, ela morava no orfanato onde trabalhei como voluntária e sempre foi sensata e obediente. Também sei que ela será uma ótima esposa e você definitivamente vai se apaixonar por ela mais cedo ou mais tarde."

"Não vou mesmo!", exclamou Esteban. "Vou dar um ano a esse casamento. Se não sentirmos nada um pelo outro nesse período, vou me divorciar."

Lainey revirou os olhos, sem levar as palavras dele a sério. Afinal, ela estava confiante de que havia tomado a decisão certa. "Tudo bem, mas você vai ter que morar com ela durante esse ano."

A expressão de Esteban escureceu e uma pitada de descontentamento brilhou em seus olhos.

De repente, um pensamento ocorreu a Lainey. Então, ela esfregou o espaço entre as sobrancelhas e disse com pesar: "Estou tão velha que me esqueci completamente de pedir para você levar Katherine para casa. Ela parecia bastante abalada depois de atender aquele telefonema. É melhor você a seguir para verificar se ela vai precisar de ajuda."

Isso era a última coisa que Esteban queria, mas Lainey era uma idosa persistente, então ele não teve escolha a não ser obedecer, obtendo o endereço residencial de Katherine nos formulários de casamento que eles tinham preenchido.

——

Assim que Katherine entrou na sala de estar, uma xícara foi jogada nela.

Ela se assustou, mas conseguiu abaixar a cabeça a tempo de se esquivar.

"Ajoelhe-se, sua criança ingrata!" Sentada no meio do sofá, Myla olhou para Katherine com hostilidade.

Ao lado dela, estava sentado um homem alto e magro que usava óculos de aros dourados. Ele não era outro senão Darrell, o ex-namorado que Katherine flagrou tendo um caso com a prima no dia anterior.

Ao vê-lo aqui, ela entendeu imediatamente por que Myla estava tão zangada.

"Não fiz nada de errado. Por que estou sendo punida?", ela falou, examinando as duas figuras no sofá calmamente.

"Basta olhar para Katherine para ver que ela passou a noite fora, bebendo. Ela deve ter ficado com outro homem e nem vai ouvir você agora!", disse Darrell, fingindo estar magoado para deixar a situação de Katherine ainda pior.

Myla já estava irritada com a insolência de Katherine e, depois que Darrell colocou mais lenha na fogueira, ficou furiosa. "Será que eles não lhe ensinaram nenhuma moral naquele maldito orfanato? Você é tão indisciplinada quanto seu pai. Tenho vergonha de dizer que você é minha neta!"

Capítulo 3

"Ficar com outro homem? Indisciplinada? Quer dizer que você tem vergonha de mim?"

Katherine repetiu as acusações em tom incrédulo e com um sorriso de escárnio. Engolindo a raiva, ela pegou o celular, encontrou o vídeo que havia gravado no dia anterior e tocou no ícone "reproduzir".

"Darrell, se há alguém aqui que está se divertindo por aí, essa pessoa é você. Eu não queria falar sobre isso, mas você é tão descarado que está até tentando virar minha própria avó contra mim. Sendo assim, não tenho escolha a não ser provar que sou inocente."

À medida que o vídeo passava, suspiros e gemidos eróticos eram ouvidos. Mesmo sem ver as imagens, dava para imaginar facilmente como aquele sexo estava sendo feito de forma apaixonada.

O rosto de Darrell caiu instantaneamente. "Katherine Morgan! Que diabos está fazendo com isso? Como ousa mostrar uma coisa dessas para a sua avó?"

Myla tinha mais de sessenta anos e era muito rigorosa, então como poderia suportar uma coisa dessas? Ela imediatamente pegou a coisa mais próxima que alcançou, uma almofada no sofá, e atirou em Katherine com toda a força que tinha.

"Sua pequena...! Como ousa me mostrar uma coisa dessas? Foi essa a educação que seu pai deu? Bem que dizem que filho de peixe, peixinho é! Sua mãe não trouxe nada além de fardos quando se casou e entrou na nossa família, e ela morreu cedo.

Então sua madrasta inútil surgiu, mas só deu à luz uma menina. Agora, ela está doente e precisa de tratamento em outra cidade. Que incômodo! E você! Acha que pode fazer o que quiser agora que seus pais não estão por perto?"

A almofada atingiu Katherine, mas era macia, por isso não doeu. No entanto, saber que a avó estava tão enojada e envergonhada dela foi muito doloroso.

Myla sempre gostou da família do filho mais velho, e todos os filhos dele eram os queridinhos dela.

Katherine também era neta de Myla, mas era tratada de maneira diferente. Ela já estava acostumada com esse tratamento há muito tempo, mas precisava traçar um limite em algum momento.

A prima, Isabel Morgan, ficou com o namorado de Katherine, mas Myla a repreendeu, achando que ela era desavergonhada. Pior ainda, Myla arrastou os pais para a discussão, amaldiçoando os dois.

Por quê?

Katherine não queria mais tolerar essa besteira, então apontou para Darrell e disse rispidamente: "Tudo isso não tem nada a ver com meus pais. E os desavergonhados dessa história toda são Isabel e Darrell, não eu. Foram eles que me traíram, dormindo juntos!"

Myla ficou chocada e franziu a testa ao olhar para Darrell com desconfiança. "O que está acontecendo, afinal?"

Darrell entrou em pânico e desviou o olhar, sem saber o que responder.

Enquanto isso, Isabel estava assistindo a essa cena lá de cima. Percebendo que as coisas não estavam indo conforme o planejado, ela desceu correndo e rapidamente pegou o celular de Katherine. Toda a cor sumiu de seu rosto quando ela se viu no vídeo.

Mordendo o lábio, ela inventou uma desculpa às pressas. "Vovó, é óbvio que Katherine editou o vídeo, sobrepondo meu rosto ao dessa mulher digitalmente. Ela deve ter usado IA ou algo assim. Tudo isso só para colocar a culpa em mim e em Darrell. Sempre ouço você, vovó, e sei que qualquer garota com bom senso teria respeito próprio. Eu nunca roubaria o namorado de outra pessoa, mas Katherine está jogando meu nome na lama e arruinando a reputação de toda a família Morgan."

Enquanto falava, Isabel conseguiu derramar algumas lágrimas, fazendo o papel de vítima. Quando estendeu a mão para enxugar o rosto, ela secretamente piscou para Darrell, que assentiu de forma quase imperceptível para mostrar que tinha entendido a jogada.

Então, Isabel continuou: "Aliás, Darrell e eu éramos um casal amoroso. Só que Katherine interferiu em nosso relacionamento e o roubou de mim. Mas ela ainda não se sentiu satisfeita. Veja o que ela fez agora! Ela teve a audácia de ficar com outro homem. Vovó, preciso que me ajude, por favor."

Isabel soluçou ainda mais e Darrell entrou na conversa: "É isso mesmo. Foi Katherine que me traiu primeiro!"

Myla sempre gostou de Isabel, então ficou ainda mais enojada com Katherine depois de ouvir isso e não pôde evitar amaldiçoar: "Por que você é tão cruel? Não posso acreditar que minha própria neta seja uma garota assim!"

"Eu? Cruel?", perguntou Katherine, sorrindo amargamente, e se sentiu muito decepcionada com sua suposta família.

"Então, acho que vou postar esse vídeo online. Deixarei que os especialistas decidam se são imagens editadas por IA."

A expressão de Isabel escureceu e ela segurou a mão de Myla, dizendo de um jeito lamentável: "Vovó, não é que eu esteja com medo. Mas se o vídeo for divulgado, a reputação da nossa família ficará arruinada."

Isabel sabia como mexer com Myla. Durante toda a vida dessa mulher, o que mais lhe importava era o bom nome da família Morgan. Naturalmente, ela se recusava a permitir que alguém prejudicasse essa reputação.

Após uma breve pausa, Myla olhou para Katherine e disse friamente: "Receio que você tenha se esquecido do seu sobrenome. Como ousa fazer uma ameaça dessas? Até entendo que você não se importe com sua própria dignidade, mas arrastar o nome da família Morgan com você é simplesmente cruel. O que exatamente quer?"

"Eu quero..."

Antes que Katherine pudesse falar, Myla a interrompeu abruptamente. "Cale a sua boca! Esse assunto já acabou. Não se atreva a mencionar isso nunca mais."

Nesse momento, uma figura imponente apareceu na porta da sala.

"Por acaso cheguei na hora errada?"

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