Evelyn decidiu que, nos últimos momentos de sua vida, deixaria para si mesma uma fotografia decente.
As fotos padrão fornecidas pelas funerárias pareciam formais e sem vida. Ela não gostava delas.
Escolheu um estúdio particular bem avaliado e marcou uma sessão para a tarde.
Mas, no momento em que entrou, viu Adrian e Vanessa — bem no meio de uma sessão de fotos pré-casamento.
"Noivo, segure a noiva pela cintura—isso! Olhem um para o outro!" O fotógrafo estava próximo com a câmera, dirigindo com entusiasmo. "Muito bem, mantenham essa pose! Noivo, agora incline-se e beije a testa da noiva! Isso—como se ela fosse a pessoa mais especial do mundo!"
Adrian seguiu as instruções, abaixando a cabeça e depositando um beijo gentil e cuidadoso na testa lisa de Vanessa.
De repente, tudo voltou à mente de Evelyn—antes de Vanessa acordar, ela e Adrian também eram felizes.
Todas as manhãs, antes de sair, ele fazia o mesmo—pressionava um beijo em sua testa ou em sua bochecha.
Quando ela estava exausta de cuidar de Vanessa, mal conseguindo endireitar as costas, ele procurava técnicas de massagem na internet e brincava que era seu massagista particular.
Naquela época, a empresa de Adrian passava por uma fase crítica antes de abrir capital, e as despesas médicas de Vanessa eram um peso enorme.
Por isso, Evelyn sempre carregava um arrependimento silencioso—sem cerimônia, sem o sonho do vestido de noiva. Ela sempre parava e hesitava toda vez que passava por uma loja de vestidos de noiva.
E Adrian a envolvia com os braços por trás e prometia, com absoluta certeza: "Mais dois anos. Seja Vanessa se recuperar ou não, vou te dar o casamento mais grandioso."
Mas toda aquela doçura, todas aquelas promessas, desapareceram no momento em que Vanessa acordou.
No passado, um momento como este a teria machucado.
Mas, estando ali agora, observando os dois perdidos em seu próprio mundo, ela sentiu… nada. Nem sequer um mínimo impacto.
Ela se virou silenciosamente, pronta para sair.
"Evelyn?" Uma voz suave e delicada chamou por trás dela.
Evelyn parou no meio do passo. A música e os cliques da câmera no estúdio silenciaram.
Ela se virou e viu Vanessa ainda apoiada em Adrian enquanto chamava por ela.
Pânico e desconforto passaram rapidamente pelo rosto de Adrian. Ele soltou a cintura de Vanessa e deu um passo à frente. "O que você está fazendo aqui?"
Evelyn ergueu levemente o celular. A mensagem de confirmação da reserva ainda estava na tela.
"Vim tirar fotos," disse ela calmamente.
Vanessa a olhou de cima a baixo—o vestido simples, o espaço vazio atrás dela. Um lampejo de compreensão e zombaria passou por seus olhos, mas seu sorriso apenas se tornou mais doce.
"Evelyn, você também veio tirar fotos? Que surpresa inesperada. Adrian e eu estamos fazendo as fotos do nosso casamento—é para o grande dia. Eu disse a ele que era só uma formalidade, que não precisávamos gastar tanto. Mas ele disse que não queria nenhum arrependimento no nosso casamento."
Ela deslizou o braço pelo braço rígido de Adrian e sorriu. "Evelyn, já que está aqui, por que não tira algumas fotos conosco?"
Seu tom era inocente, mas cada palavra carregava uma provocação sutil.
"Vanessa!" Adrian repreendeu, tentando interrompê-la—mas sem muita firmeza.
Ele olhou para Evelyn, sua expressão complicada—desajeitada, suplicante, e talvez algo mais que nem ele mesmo entendia.
O que ele esperava? Tinha medo de que Evelyn fizesse uma cena?
O olhar de Evelyn passou pela expressão vaidosa de Vanessa e se fixou nos olhos conflituosos de Adrian.
O canto de seus lábios se ergueu levemente.
"Não é necessário." Sua voz era tranquila, como se tudo aquilo fosse irrelevante para ela. "Podem continuar. Eu desejo a vocês…"
Ela fez uma pausa, seus olhos roçando o deslumbrante vestido de noiva e o terno branco de Adrian, e então disse suavemente: "…um casamento perfeito."
Ela não olhou novamente para as expressões que mudavam nos rostos deles. Apenas se virou e saiu andando.
Adrian deu um passo instintivamente, mas Vanessa agarrou firmemente seu braço. "Adrian, o fotógrafo ainda está esperando… Estou ficando com frio…"
Evelyn saiu para a rua. O sol estava excessivamente brilhante.
Um calor repentino subiu pelo nariz, e algo quente começou a deslizar pelo rosto.
Calmamente, ela pegou um lenço da bolsa, limpou o traço vermelho e jogou-o em uma lixeira na calçada.
Depois daquele dia, Adrian começou a sentir que algo estava errado.
Evelyn estava calma demais — tão calma que isso o deixava inquieto.
Ela não deixava mais uma luz acesa para ele quando ele chegava tarde em casa, nem deixava uma refeição pronta à espera. Ela parou de atualizá-lo sobre todos os detalhes dos cuidados com Vanessa. Mesmo quando ele mencionava os preparativos do casamento, ela apenas ouvia, sem oferecer qualquer opinião.
Aquele silêncio o incomodava mais do que a antiga obediência dela jamais havia feito.
Como se algo, em algum lugar que ele não podia ver, estivesse silenciosamente desmoronando.
Movido por uma mistura de culpa e o desejo de corrigir as coisas, Adrian desviou o caminho para casa e comprou o bolo de assinatura de morango com matcha de uma confeitaria boutique famosa por suas filas intermináveis.
Ele se lembrava de que Vanessa gostava daquele bolo.
Quanto ao que Evelyn gostava? Ele franziu a testa, pensando por um momento, mas não conseguiu lembrar de nada.
Ela sempre havia seguido as preferências dele.
Talvez... ela também gostasse de doces.
Ele empurrou o bolo em direção a ela, com o tom deliberadamente suavizado. "Eu trouxe isso para você. Sobre o estúdio no outro dia... Eu deveria ter te avisado antes. Só achei que o casamento não poderia acontecer sem fotos da noiva e do noivo. Eu tomei a decisão rápido demais e não pensei em como você se sentiria. Foi erro meu. Não leve isso para o coração."
Evelyn olhou para a delicada sobremesa — os morangos de um vermelho vibrante e o matcha de um verde intenso, como uma pintura.
Ela não gostava de doces. E odiava ainda mais o amargor do matcha.
No primeiro aniversário dela depois de casados, ele havia trazido para casa um bolo Floresta Negra. Ela se forçou a comer, mas passou a noite inteira doente, vomitando.
Ele provavelmente já havia esquecido disso há muito tempo.
"Quando o casamento com Vanessa acabar," Adrian acrescentou quando ela não respondeu, "eu te levarei para fazer uma sessão de fotos de casamento de verdade. Depois, faremos uma viagem. Você não disse uma vez que queria ver a aurora boreal? Que tal um casamento em um destino especial, como uma cidade gelada famosa por suas paisagens?"
Os dedos de Evelyn tremeram ligeiramente.
A aurora boreal.
Era um sonho que ela havia mencionado há muito tempo, quase como um comentário casual.
E o casamento que ele havia prometido a ela...
Ele se lembrava.
Seus lábios pálidos se entreabriram, as palavras quase escapando — talvez ela nem tivesse um futuro.
Mas o celular dele vibrou no bolso. Ele olhou rapidamente, sua expressão mudando ligeiramente — era a cuidadora do hospital.
Ele atendeu imediatamente, a voz tensa. "O que aconteceu? Vanessa está se sentindo mal de novo? Tudo bem, estarei aí imediatamente!"
Ele desligou, pegou o casaco e falou rapidamente para Evelyn: "Vanessa está com uma leve febre e não está estável. Preciso ir vê-la. Por favor, coma o bolo, tá bom?"
Antes mesmo de terminar de falar, ele já estava na porta.
Então, era isso que ele lembrava.
"Adrian." Evelyn o chamou.
Ele se virou, franzindo a testa, uma mão ainda na maçaneta, com toda a postura impaciente.
Evelyn olhou para o rosto dele — tão familiar, mas ao mesmo tempo tão distante — e para a preocupação em seus olhos por outra mulher. As palavras ficaram presas na garganta dela.
Será que ele se lembrava de que ela odiava doces? Odiava matcha?
Se fosse ela quem estivesse doente, ele ficaria?
Ela já sabia a resposta.
"Dirija com cuidado." No final, foi tudo o que ela disse, com o olhar baixo.
Adrian pareceu surpreso por um segundo, como se não esperasse aquilo. Ele murmurou um vago "tá bom" e saiu apressado.
A porta se fechou, cortando todo o som. O silêncio tomou conta da sala.
Evelyn abriu lentamente a caixa do bolo. O aroma doce a atingiu de uma vez.
Ela pegou a pequena colher de plástico, tirou uma mordida e colocou na boca.
Como esperado, seu estômago revirou.
Ela correu para o banheiro e sentiu-se mal, até que precisou se apoiar na pia.
Ela ligou a torneira, observando o vermelho desaparecer e ser levado pela água.
No espelho, seus olhos estavam fundos, seu corpo abatido.
Não importava.
Ela pensou.
Faltavam três dias para o fim de tudo. Logo tudo acabaria.