Capítulo 2

Hana desligou o celular com um sorriso largo, sentindo o coração leve como há tempos não sentia. Desde criança, ela cresceu com o vazio de uma presença que sempre lhe faltava: seu pai. Agora, o simples fato de ouvir sua voz e sentir que ele estaria por perto outra vez parecia preencher esse buraco que ela carregava. Ela sabia sobre Rafael, o irmão que nunca conhecera, e isso a enchia de uma curiosidade ansiosa. Ramiro, seu pai, sempre arrumava uma desculpa para prolongar suas viagens de negócios e passar mais tempo com ela, e isso lhe aquecia o coração. Ele ficava em um hotel próximo, só para garantir que poderiam estar juntos sempre que possível. E agora, Hana estava pronta para dar o próximo passo.

Naquela noite, após enviar o e-mail pedindo a transferência da faculdade, Hana ajeitou seus pensamentos e foi dormir com um misto de ansiedade e alívio no peito.

No dia seguinte, o sol mal havia surgido no horizonte quando Hana se levantou. Fez suas higienes pessoais e escolheu uma roupa casual, mas confortável: uma calça jeans preta, uma blusa neutra e uma jaqueta jeans clara por cima. Nos pés, um sapato simples. Soltou os cabelos, deixando-os cair sobre os ombros, e aplicou uma maquiagem leve, o suficiente para se sentir bem consigo mesma. Com tudo pronto, desceu para tomar café com a mãe, Samara, que já estava à mesa.

- Bom dia, mãe - cumprimentou Hana, sentando-se.

- Bom dia, filha. Dormiu bem? - Samara perguntou, embora seu olhar denunciasse uma preocupação que ela tentava esconder.

- Sim, e você? - respondeu Hana, enquanto pegava uma xícara.

- Também... - Samara hesitou, como se escolhesse as próximas palavras com cautela. - E... o que seu pai disse sobre essa ideia maluca?

Hana respirou fundo. Sabia que essa conversa não seria fácil.

- Ele me apoiou. Disse que entende e que eu posso ir. Vou arrumar tudo agora pela manhã, e à tarde estou indo para o Brasil - disse, tentando manter a calma.

- Você só pode estar brincando comigo, Hana! - a mãe exclamou, o tom já carregado de frustração.

- Não estou brincando, mãe. Eu viajo hoje à tarde, e não tem nada que você possa fazer para me impedir - Hana respondeu, a voz ficando mais firme. Ela estava cansada das constantes tentativas da mãe de controlar suas decisões.

- E a faculdade? Vai jogar tudo fora? - Samara disparou, tentando encontrar um argumento que fizesse a filha mudar de ideia e ficar com ela .

- Já cuidei disso. Pedi transferência e vou continuar meus estudos em São Paulo - explicou Hana, levantando-se da mesa, disposta a encerrar aquela discussão.

- Eu não acredito que você está fazendo isso... - a mãe murmurou, mas Hana já estava se afastando.

- Se me der licença, tenho mais coisas para resolver.

- Hana, espera! - a voz de Samara ecoou pela sala, mas Hana já estava indo em direção à porta.

- Desculpa, mãe, mas estou com pressa - disse Hana, sem olhar para trás.

Ela chamou um táxi e, durante o trajeto até a faculdade, parou em uma padaria para comprar um café. Enquanto bebia seu café quente, tentou organizar seus pensamentos. Encontrou algumas amigas na entrada da faculdade e sorriu ao vê-las.

- Oi, meninas! - cumprimentou, forçando uma leveza que não sentia totalmente.

- Hana! - As amigas a envolveram em abraços apertados, e ela retribuiu com carinho.

- Como vocês estão? - Hana perguntou, tentando disfarçar a turbulência em seu interior.

- Estamos bem! E você? - uma delas perguntou.

- Ah... mais ou menos. As brigas com minha mãe por causa do Maicon continuam. Então, decidi dar um tempo... - disse, com um suspiro.

- Tempo? Como assim? - outra perguntou, curiosa.

- Vou morar com meu pai por um tempo. Faz tempo que estou pensando nisso, e finalmente tomei a decisão. Vou hoje à tarde.

- O quê? Você vai nos abandonar? - perguntou uma delas, com uma expressão triste.

- Claro que não! Nossa amizade vai continuar. A gente se fala por chamada de vídeo, e vocês podem me visitar sempre que quiserem - Hana disse, tentando amenizar o impacto.

Abraçou cada uma das amigas, prometendo que nada mudaria. Mas, no fundo, sentia um aperto no coração, temendo que as coisas nunca mais fossem as mesmas.

- Tomara que nossa amizade não mude... - uma delas disse, com os olhos marejados.

- Nunca vai mudar - Hana sorriu, mesmo com o nó na garganta.

Nesse momento, uma das amigas olhou por cima do ombro de Hana e fez uma careta.

- Hana... o Maicon acabou de te ver.

O estômago de Hana afundou. Ela revirou os olhos.

- Não quero falar com ele - disse, com firmeza.

Maicon se aproximava, como sempre fazia, insistente. Hana sabia o que ele queria, mas ela estava decidida.

Após se despedir das amigas, foi até a diretoria para pegar sua transferência. No caminho de volta, distraída com o celular, esbarrou em alguém. Ao levantar o olhar, viu Maicon e seus amigos. O ar pareceu ficar mais pesado.

- Desculpa... - começou a dizer, mas parou ao perceber que era ele.

Maicon, sem perder tempo, a puxou pela cintura.

- O que você está fazendo? - perguntou Hana, afastando-se com um empurrão.

- A gente precisa conversar, Hana - insistiu ele, a voz cheia de urgência.

- Eu não tenho nada pra falar com você, Maicon - respondeu ela, irritada.

- Por favor, me dá mais uma chance. Eu não aguento ficar longe de você, eu te amo! - ele implorou tentando se aproximar mais ela se afasta dizendo :

- Isso não é amor, Maicon. O que você sentia por mim... não era amor - Hana disse, com uma calma inesperada.

- Eu mudei, Hana, por favor! - ele insistiu.

- Eu cansei, Maicon. Cansei de viver aquilo, de me sentir sufocada. Aproveita sua vida de solteiro.

- Você está sendo egoísta, Hana. Tem tantas garotas que dariam tudo para estar no seu lugar! - ele respondeu, a voz cheia de ressentimento.

- Não é egoísmo querer o melhor para mim. E o melhor para mim não é você. Agora, com licença, eu preciso ir - concluiu ela, se afastando com passos firmes, sem olhar para trás, enquanto ele a observava com uma mistura de tristeza e raiva nos olhos.

Capítulo 3

Hana caminha até um ponto de ônibus e faz sinalbpara o primeiro táxi que aparece , durante o caminho de volta pra casa ... Hana liga para o pai que atende depois de dois toques .

* Ligação em andamento *

_ Oi pai !

_ Oi filha , tudo bem ?

_ Tudo sim pai , eu liguei pra avisar que eu já organizei tudo por aqui e eu viajo hoje a tarde .

_ Tabom querida , você vem que horário ?

_ Vou pegar o voou das duas da tarde .

_ Tabom , mais olha eu não vou poder ir te busca no aeroporto por que vou está em reunião até mais tarde na empresa .

_ Mais e então ? Eu não conheço nada em São Paulo faz muitos anos que me mudei .

_ Não se preocupa com isso , eu vou pedir o Rafael pra te buscar .

_ Rafael ?... _ Ela perguntou confusa pois não se lembrava do nome .

_ Seu irmão filha .

_ Aaaata , mais a gente nunca se viu como vou saber que é ele ?

_ Ele vai saber quem é você , mostrei uma foto sua pra ele .

_ Mais ...

_ Filha eu preciso desligar , vou começar uma reunião agora . Beijo te amo .

* Ligação encerrada *

_ Tomara que esse garoto esteja la , eu não quero ficar perdida . _ Hana murmurou . Hana chega até em casa e vai direto para seu quarto e então começa a arrumar suas coisas , pegou tudo o que precisava , decidiu não levar muita coisa pois lá iria comprar mais se faltasse alguma coisa . Ela ajeitou tudo o que ia precisar , quando terminou estava quase na hora do almoço , faltava apenas alguns minutos para que a empregada fosse lhe chamar . Minutos depois ela almoço com a mãe que não lhe dirigiu uma palvra se quer , Hana terminou sua refeição e foi para seu quarto , algum tempo depois ela começou a se arrumar , colocou uma saia rosa clara , uma blusa com um decote e por cima um blasé branco . Ela fez uma leve maquiagem , deixou seu belos cabelos soltos e quando deu o último retoque na maquiagem olhou a hora no celular e viu que estava quase na hora de ir .

Enquanto Hana ajeitava os ultimos detalhes de sua saida alguém bateu na porta e entrou , era Samara .

_ Filha ... _ Hana então olha pra mãe que vem se aproximando .

_ Oi mãe .

_ Você já ta indo ne ?

_ Sim mãe ...

_ Filha me desculpa por tudo , eu entendo você e você tem meu apoio se quer ficar um tempo com seu pai , eu só quero que tome cuidado por lá e que tenha juízo , foca no seu futuro e por favor me mantém informada de tudo .

_ Claro que sim mãe . _ Hana disse abraçando a mãe .

_ Olha eu tirei um dinheiro pra você da conta , eu sei que não vai levar muita coisa por isso esse dinheiro vai te ajudar se precisar comprar alguma coisa .

_ Não mãe eu não posso aceitar .

_ Você pode sim filha , fica tranquila o que eu ganho aqui é o bastante pra mim viver , esqueceu que meu salário é muito bom ?! _ Samara disse rindo .

_ Verdade mãe , mais assim que de eu te mando de volta .

_ Não precisa ... Eu posso te acompanhar até o aeroporto ?

_ Claro que sim . _ Hana disse sorrindo .

_ Então vamos . _ Hana pega uma das malas e sua mãe a outra e ela saem , Hana vai até o aeroporto no carro da mãe e lá ela compra sua passagem , se despede da mãe e sai . Quando chega ao Brasil ...

Hana estava muito feliz , pois finalmente retomou suas raízes brasileiras . Assim que ela entra no aeroporto liga para o pai que diz que Rafael já estava la a espera dela , Hana então começa a procurar alguém que não conhecia , qualquer um poderia ser o Rafael , enquanto proucurava um rapaz alto e muito bonito se aproximou atrás dela e disse seu nome .

_ Samantha ?... _ Hana sente seu coração dispara e quando se vira seus olhos encontrão um lindo rapaz um pouco mais alto que ela .

_ Só Hana , me chama só assim . _ Ela disse com um belo sorriso . _ Você deve ser o Rafael .

_ Sim , sou eu mesmo , é um prazer finalmente conhecer minha irmã mais nova . _ Rafael disse com um lindo sorriso olhando pra ela .

_ O prazer é meu Rafa ...

_ Mais e então , vamos ? Você deve ta cansanda da viagem . _ Ele disse puxando uma das malas pra ela .

_ Estou um pouquinho mesmo . _ Ela disse o acompanhando . _ Você mora com meu pai ?

_ Sim , uma hora dessas ele deve ta terminando umas das reuniões chatas da empresa . _ Ele disse rindo e ela ri junto . Ele para de frente a um carro muito bonito de vidro escuro e coloca as malas no porta - mala do carro , eles entram , colocam o sinto e ele da partida .

Enquanto o carro deslizava pelas ruas de São Paulo, Hana observava a paisagem desconhecida passando pela janela. Ela sentia um misto de ansiedade e curiosidade, o coração acelerado, como se estivesse prestes a mergulhar em algo totalmente novo e desconhecido. Rafael dirigia com uma tranquilidade que a fazia relaxar um pouco, mas o silêncio no carro tornava o momento ainda mais tenso.

- Faz muito tempo que você não vem pra cá, né? - Rafael perguntou, quebrando o silêncio, seus olhos ainda na estrada.

Hana piscou, saindo de seus pensamentos, e virou o rosto para ele.

- Sim... muitos anos. Tudo parece tão diferente, sabe? - Ela respondeu, sua voz levemente trêmula. - É como se eu não me reconhecesse mais nesse lugar.

Rafael soltou um pequeno riso, mas havia compreensão em seu tom.

- Eu entendo. São Paulo pode ser meio intimidante, mas você vai se acostumar. - Ele olhou rapidamente para ela, lançando um sorriso encorajador. - Além disso, você vai ter a mim e o papai por perto. Isso vai facilitar as coisas.

Hana sorriu, mas uma pontada de incerteza ainda pairava em seu peito.

- Espero que sim. Não sei bem como vai ser essa convivência com papai... a gente sempre teve uma relação meio distante, sabe? - Ela confessou, desviando o olhar de Rafael e voltando a encarar a movimentação das ruas.

Rafael assentiu, pensativo. Ele percebeu que Hana estava nervosa sobre o reencontro, mas também era perceptível que ela queria fazer isso funcionar.

- O papai... ele não é o mais fácil de lidar, eu sei. - Ele disse, suspirando levemente. - Mas, ao longo dos anos, eu aprendi que ele tem boas intenções, só não sabe como demonstrar. Talvez agora, com você aqui, as coisas melhorem.

Hana olhou para ele, buscando entender mais sobre essa relação que ela não conhecia.

- Vocês dois se dão bem? Quero dizer, você trabalha com ele e tudo mais, como é isso? - Ela perguntou, genuinamente curiosa.

- A gente se dá bem, mas também já tivemos nossos momentos de desentendimento, como todo mundo. - Rafael sorriu de forma resignada. - Trabalhar juntos ajuda, mas às vezes também atrapalha. Ele pode ser meio exigente e controlador. Mas, no fim das contas, acho que ele só quer o melhor pra gente... do jeito dele.

Hana sentiu um nó se formar em sua garganta. Ouvir sobre o pai desse jeito a fazia refletir sobre o quanto ela realmente o conhecia.

- É, eu acho que vou precisar de um tempo pra entender esse "jeito" dele... - Ela disse com um sorriso meio tímido, tentando não deixar transparecer o turbilhão de emoções que sentia.

Rafael notou a hesitação na voz dela e resolveu mudar de assunto, tentando deixar o clima mais leve.

- E você? O que você gosta de fazer? Além de organizar mudanças de última hora, claro. - Ele brincou, olhando rapidamente para ela com um sorriso provocador.

Hana riu, finalmente relaxando um pouco.

- Eu adoro fotografar, na verdade. É o que mais gosto de fazer no meu tempo livre. - Ela disse, com um brilho nos olhos. - Gosto de capturar momentos e lugares. Acho que isso me ajuda a ver as coisas de uma maneira diferente.

- Fotografia? Isso é muito legal. São Paulo vai ser um ótimo lugar pra você praticar então. A cidade é cheia de contrastes, histórias e lugares interessantes. - Rafael disse, agora genuinamente impressionado.

Hana sorriu, animada pela ideia.

- Sim, estou animada pra explorar mais e, quem sabe, descobrir um lado meu que eu ainda não conhecia.

Rafael sorriu de volta e, por um momento, o clima entre os dois ficou mais leve, como se ambos estivessem se permitindo abrir novas portas, não só para a cidade, mas também para a relação que estavam começando a construir.

Pouco depois, eles chegaram à casa do pai. Hana desceu do carro e olhou para a fachada imponente da residência. Era grande, moderna e, de certa forma, intimidante. O coração de Hana disparou. Ela sabia que, uma vez que cruzasse aquelas portas, tudo mudaria.

Rafael percebeu a hesitação dela e se aproximou, colocando a mão no ombro da irmã.

- Vai dar tudo certo, Hana. - Ele disse, olhando nos olhos dela com seriedade. - Você não está sozinha nessa.

Hana olhou para ele e, por um momento, sentiu que podia confiar. Respirou fundo e sorriu de leve, tentando acalmar a ansiedade.

- Espero que sim... - Ela murmurou, mais para si mesma do que para ele.

Eles caminharam até a porta e, antes que pudessem entrar, o som de uma voz familiar os interrompeu. Era o pai deles, falando ao telefone no escritório, o que fez Hana hesitar por um segundo.

- Pronta? - Rafael perguntou com um tom reconfortante.

- Pronta. - Hana respondeu, mesmo com o coração batendo forte no peito. Ela sabia que esse momento seria um divisor de águas em sua vida.

Eles entraram, e a casa os envolveu com um ar frio e silencioso, mas, ao mesmo tempo, carregado de histórias que Hana ainda não conhecia. Era o início de uma nova fase, cheia de desafios, reencontros e descobertas.

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