Capítulo 2

Os dois dançaram por alguns minutos, mas o coração de Katherine estava apertado, preocupada com o que a prima pensaria dela.

Mateu inclinou-se próximo ao ouvido da moça e murmurou, em tom descontraído:

- Fique calma, sua amiga não vai te matar. Olha só. - Ele apontou para Nicole, que conversava animadamente com um rapaz. - Ela já está com o Dani, e pode acreditar, ele vai cuidar muito bem dela. Agora, se solte.

Ao perceber que Nicole estava entretida com outro rapaz, Katherine relaxou um pouco. Quando a música terminou, afastou-se delicadamente de Mateu.

- Bom, preciso ir. A Nike deve estar me esperando.

Mateu olhou em volta, e com um sorriso travesso respondeu:

- Acho que você está enganada. Ela nem está por aqui. Deve estar conversando com o Dani.

- Mesmo assim, vou procurá-la. Até mais, Mateu.

Ela se virou, caminhando pela pista com o olhar atento, esperando encontrar Nicole. Mas, depois de percorrer o local inteiro, não conseguiu vê-la em lugar nenhum. Decidiu então voltar ao quiosque, onde Mateu a observava com um sorriso leve.

- E aí? Conseguiu achá-la? - perguntou ele.

- Não. Onde será que ela se meteu?

- Ah, nem deve lembrar de você. A essa hora já deve estar no maior clima com o Dani.

Katherine franziu o cenho, preocupada, e foi direta:

- Você tem o telefone dele?

- Qual é, Katy? - Mateu riu. - Pirou? Não vamos atrapalhar. Deixa eles curtirem.

A tranquilidade dele só aumentou a irritação dela.

- Olha, se você não quiser me ajudar, eu mesma resolvo. Ela acabou de conhecê-lo. Você acha normal eles já estarem... juntos?

- O Daniel é tranquilo, relaxa. - respondeu ele com descaso.

Katherine suspirou fundo, chateada. - Nem era pra estarmos aqui.

Ela se afastou do quiosque e foi até a beira do mar. Sentou-se na areia, observando o horizonte escuro e ouvindo o som das ondas. A mente dela estava inquieta.

Percebendo que a havia decepcionado, Mateu pediu a um colega para cobrir seu turno e foi atrás dela. Aproximou-se devagar e sentou-se ao seu lado, deixando o silêncio confortável do mar preencher o espaço.

- Me desculpa. Não queria ter falado daquele jeito. Mal nos conhecemos e já te deixei irritada.

Katherine olhou para o mar e suspirou. - Não é culpa sua. A Nike é muito diferente de mim.

Mateu pegou o celular no bolso e estendeu para ela.

- Liga pra ele. Você tem razão em se preocupar. Ela está num lugar desconhecido.

Katherine ficou surpresa com o gesto. Pegou o celular e tentou ligar algumas vezes, mas ninguém atendeu.

- Droga... Ele não atende. E ela também não. Onde será que eles se meteram?

- Eu avisei. - Mateu sorriu de leve, tentando amenizar a tensão. - Mas me conta, vocês são de onde mesmo?

- Rússia. - respondeu ela, distraída.

Mateu arregalou um pouco os olhos. - Uau... Estão bem longe de casa, hein?

Katherine abaixou o olhar, ainda com o celular na mão. O vento noturno bagunçava alguns fios soltos do cabelo, enquanto a preocupação a consumia.

Mateu, por alguns instantes, apenas a observou em silêncio. Havia algo naquela garota que o intrigava - a seriedade no olhar, o cuidado com a prima, o jeito contido, tão diferente da maioria das pessoas que passava por ali.

- Você se importa demais com ela, não é? - perguntou com suavidade.

- Claro que sim. - respondeu sem hesitar. - Somos mais do que primas... crescemos juntas, dividimos tudo. E, às vezes, sinto que preciso protege-la, porque ela age como se o mundo fosse um lugar totalmente seguro.

- E você não acha? - ele provocou, arqueando uma sobrancelha.

Katherine soltou uma risada breve, sem humor. - Não mesmo. O mundo pode ser cruel.

Mateu ficou pensativo por um instante, depois voltou o olhar para o mar escuro. - Talvez por isso você me chame tanto a atenção. É raro ver alguém que se importa de verdade.

Katherine virou o rosto na direção dele, surpresa pela sinceridade no tom de voz. Por um momento, esqueceu a angústia, mas logo se lembrou de Nicole.

- Eu só queria encontrá-la... - murmurou.

Mateu inclinou-se um pouco mais perto, sem invadir o espaço dela. - A gente pode procurá-la juntos. O Dani não costuma sumir assim, mas se isso te deixa desconfortável, vamos atrás deles.

O coração de Katherine acelerou levemente, não sabia se era pelo medo de algo ter acontecido à prima, ou pela forma como Mateu parecia genuíno em suas palavras.

Ela respirou fundo e assentiu. - Tudo bem. Mas se não encontrarmos, vou ligar pra polícia.

- Fechado. - respondeu ele, se levantando e estendendo a mão para ajudá-la a se pôr de pé.

Katherine hesitou um instante, mas aceitou o gesto. Ao toque da mão dele, um arrepio percorreu-lhe os braços.

Mateu percebeu, mas não comentou. Apenas sorriu de lado e disse:

- Vamos, russa preocupada. A noite só está começando.

Os dois caminharam ao longo da praia ,e próximo do quiosque ,porém não os encontraram .

Cansamos de procurar decidiram voltar para o quiosque ,e quando chegaram perto. ,ao longe Katherine avisou a amiga sentada em uma banqueta com Daniel .

Nicole estava sentada em uma banqueta, rindo de algo que Daniel havia acabado de dizer. Parecia tranquila, como se não houvesse nada de errado em estar ali, distante da prima. Katherine soltou o ar preso no peito, sentindo um misto de alívio e irritação.

- Graças a Deus... - murmurou.

Mateu, ao perceber, lançou-lhe um olhar divertido.

- Viu só? Falei que ela estava bem. Você se preocupa à toa.

Katherine não respondeu. Apressou o passo em direção ao quiosque, e Mateu acompanhou. Ao chegar perto, Nicole virou-se e abriu um sorriso largo.

- Katy! Olha só, esse é o Dani. Ele é super gente boa! - disse, animada.

Katherine cruzou os braços, tentando conter a ansiedade.

- Eu percebi. Vocês sumiram, eu fiquei preocupada.

Nicole rolou os olhos, com aquele jeito despreocupado que a deixava ainda mais irritada.

- Ai, prima, você dramatiza demais. Estávamos só conversando.

Daniel, meio sem graça, coçou a nuca.

- Foi mal se preocupei vocês... Eu só queria conhecer melhor a Nicole.

Mateu interveio, colocando a mão no ombro de Daniel.

- Relaxa, irmão. A Katy só tem esse jeitinho de mãe coruja.

Katherine lançou um olhar atravessado para Mateu, mas ele respondeu com um sorriso leve, como se soubesse exatamente como provocá-la.

- Eu não sou mãe de ninguém. - rebateu firme, mas a voz saiu mais baixa do que gostaria.

Nicole riu e puxou Daniel pela mão.

- Vamos dançar mais um pouco?

Ele concordou, e os dois se afastaram pela pista iluminada, deixando Katherine parada, ainda inquieta.

Mateu aproximou-se um pouco mais dela, falando baixo:

- Viu só? Ela está bem. Agora você pode respirar em paz.

Katherine suspirou, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso, cansada da própria tensão.

- Talvez você tenha razão... mas ainda não gosto disso.

Mateu inclinou-se, o olhar fixo nela.

- Então deixa eu cuidar de você, enquanto você cuida dela.

As palavras fizeram o coração de Katherine disparar, e por um instante ela não soube como responder. O som da música e das ondas ao fundo pareciam se misturar, prendendo-a naquele momento inesperado.

Capítulo 3

Ela tentou disfarçar, mas era impossível não se sentir atraída por Mateu.

Conversaram a sós por um bom tempo, e isso fez Katherine se soltar mais, até rir alto com as piadas dele. Num momento, Mateu se inclinou devagar e murmurou em seu ouvido:

- Está vendo? Você fica ainda mais linda quando sorri.

Katy congelou por um instante diante das palavras dele. Vinha de uma família prestigiada, mas raramente era reconhecida ou elogiada. Ainda mais por ter sido adotada.

Quase de madrugada, Nicole surgiu acompanhada de Daniel.

- Amiga, já está tarde. Vamos embora. Amanhã vai ser um longo dia.

- Claro, vamos sim - respondeu Katy. Virando-se para Mateu, despediu-se: - Até mais.

- Até - respondeu ele, sem desviar os olhos dela.

No hotel, assim que entraram no quarto, Nicole já não se aguentava de curiosidade:

- Katy, é impressão minha ou eu atrapalhei o clima entre vocês mais cedo?

Katherine ficou sem jeito. Tentando disfarçar, pegou uma toalha no closet e caminhou para o banheiro:

- Claro que não, Nike. Você está vendo coisas. Já esqueceu que eu sou noiva?

Nicole a seguiu até a porta, insistindo:

- Você ainda não é noiva. Vai mesmo se entregar a esse casamento arranjado de bandeja?

Kate, já começando a se despir, virou-se e respondeu com frustração:

- E eu tenho outra escolha?

- Katy, tudo bem, eu entendo esse seu lado certinho... mas pensa comigo: talvez essa seja a última viagem em que você possa ser realmente livre. Não vale a pena desperdiçar. Não tenta me enganar, eu sei que o Mateu mexeu com você.

- Olha, Nike, não era você quem queria ele? Agora está jogando pra mim? Achei que estaria irritada.

Com um sorriso maroto, Nicole deu de ombros:

- Bem, o cara é um gato, mas não me quis. De cara escolheu você. Eu não ligo, você sabe como sou desapegada. Então aproveita! Pensando bem, o Daniel é muito mais gostoso que ele.

Katy a encarou desconfiada.

- Espera aí! Aonde vocês foram quando sumiram aquela hora?

- Bom... fomos nos conhecer um pouco melhor.

- Nike?!

- Relaxa, Kate. Tá vendo como você se preocupa demais?

Nicole riu sozinha e logo se jogou na cama, distraída com o celular, enquanto Katherine fechava a porta do banheiro.

A água quente caiu sobre sua pele, mas a mente não relaxava. As palavras de Mateu ecoavam dentro dela como um sussurro impossível de ignorar:

"Você fica ainda mais linda quando sorri."

Katy fechou os olhos com força, tentando afastar aquela sensação estranha que a dominava. Não podia se deixar levar... estava prometida a outro homem, e toda a sua vida já estava decidida por escolhas que não eram suas.

Quando saiu do banho, Nicole já dormia profundamente. O quarto estava em silêncio, iluminado apenas pela luz suave da cidade que entrava pela janela. Katherine deitou-se devagar, abraçando o travesseiro, mas o sono não vinha.

Imagens da noite voltavam à sua mente: o jeito como Mateu a olhava, como fazia questão de arrancar risadas dela, como a deixava... viva.

Um frio percorreu sua barriga, misturado a uma culpa silenciosa.

"Será que Nicole tem razão? E se esta for mesmo minha última chance de ser livre?"

Ela suspirou fundo, virando-se de lado. Queria acreditar que poderia controlar o coração, mas no fundo sabia: aquele olhar de Mateu já tinha mexido com ela mais do que gostaria de admitir.

Enquanto isso, Mateu ,em seu quarto já deitado ,não parava de pensar na bela mulher de cabelos alaranjados,inesperadamente seus lábios curvaram-se,aquele seria o início de um sentimento à primeira vista ?

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No dia seguinte no Quiosque ,Daniel aproximou-se de Mateu e comentou:

– Mateu estava pensando em sair com a Nick hoje ,mas ela está receosa de deixar a prima sozinha ,tem como fazer companhia pra ela ? Só por algum tempo ?

–Ok! respondeu ele -Mas vê se não some .

Na hora do almoço Nick e Katherine se encontraram no Quiosque,a convite de Daniel ,que era um dos sócios do local,e almoçaram com eles .Após o almoço ele as convidou para dar uma volta na cidade e conhecer as belas praias .Daniel ligeiramente pegou na mão delicada de Nicole e os dois caminhavam como um casal ,e Mateu caminhava atrás com Katherine

Mateu caminhava alguns passos atrás, acompanhando Katherine em silêncio. O vento do mar bagunçava os fios claros do cabelo dela, que caíam sobre os ombros com naturalidade. De vez em quando, ela lançava um olhar tímido para ele, mas logo desviava para o horizonte azul.

- Você não gosta muito de praia? - ele perguntou, quebrando o silêncio, com um sorriso discreto.

- Gosto... - Katherine respondeu, pensativa. - Só não estou muito acostumada com essa liberdade toda. Lá de onde venho, tudo é mais... controlado.

Mateu ergueu uma sobrancelha, curioso.

- Controlado? Como assim?

Ela suspirou, hesitando. - Minha família sempre foi muito rígida, sempre decidiram por mim o que eu podia ou não fazer. Acho que... aqui me sinto diferente, como se pudesse respirar de verdade.

Ele a observou por alguns segundos, percebendo a sinceridade em cada palavra. Não resistiu e deixou escapar em tom baixo:

- Dá pra ver isso no seu olhar. Aqui, você está mais leve. E quando sorri... - fez uma breve pausa, inclinando-se levemente para perto dela - é impossível não reparar.

Katherine sentiu o coração acelerar. Tentou disfarçar, olhando para a areia fina sob os pés, mas um sorriso involuntário surgiu em seu rosto.

À frente, Daniel e Nicole riam juntos, totalmente imersos um no outro. Daniel segurava firme a mão dela, conduzindo-a pela orla, como se já fossem inseparáveis.

Mateu aproveitou aquele instante de distração e ofereceu a mão para Katherine.

- Vem. - disse de maneira simples, mas firme.

Ela hesitou, olhou para ele por um segundo, e então, timidamente, deixou seus dedos se entrelaçarem aos dele.

O toque foi suficiente para que ambos percebessem que aquela caminhada seria o início de algo diferente.

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