— Como assim você conseguiu sua chance? — Eldora perguntou, com sua voz esganiçada e escandalosa, do outro lado da linha. — Não acredito que vão te mandar pra ele!
Psiquê estava em sua casa, a noite já havia chegado e a única companhia que a loira tinha era uma taça de vinho cheia até a metade e seu celular, que estava em sua mão direita. Enquanto bebia, conversava com suas únicas três amigas.
As janelas estavam abertas e a brisa noturna tomava todo o apartamento, tornando o calor que fazia no Brooklin naquela noite quase inexistente.
Pela tela, que se dividia em três espaços distintos, era possível para ela enxergar uma jovem de cabelos ruivos e o rosto cheio de sardas, Eldora, uma outra de cabelos legros que estavam presos num rabo de cavalo mal feito, Janine, e uma última com o cabelo colorido que tinha a aparência mais jovial entre as três, Suzane.
As quatro mulheres haviam se conhecido na faculdade, logo que entraram na New York University. A relação que tinham era complexa, fingiam umas para as outras que eram melhores amigas, mas, bem no fundo, torciam intimamente para serem, do quarteto, as melhores.
Todas desejavam o sucesso profissional, mas não uma das outras, queriam ser as melhores e as invejáveis, mas isso não mudava a influência que tinham umas sobre as outras. Eram as melhores ouvintes e confidentes, apesar da inveja velada que mantinha o grupo de pé.
— Pois é! — a loira confirmou, após mais um gole de vinho. — Ela simplesmente olhou para minha cara e falou “Você tem compromisso no sábado?” — Psiquê imitou a voz grossa de Clio, fingindo uma expressão convencida. — Eu quase surtei!
A gargalhada das quatro encheram a sala e, por um momento, até se esqueceram da competitividade que a oportunidade de Psiquê instigou.
Então, com um brilho no olhar e uma mecha azul enrolada no dedo anelar, Suzane falou:
- Poderíamos ir todas juntas!
A fala pegou as outras três de surpresa que se calaram diante da ideia por apenas um momento, antes de confirmar com muita animação.
Um sábado das meninas em um show de um artista pop?
O que poderia dar errado?
Psiquê não sabia se sentia confortável com a possibilidade das outras três estarem presentes no seu grande dia, mas ela sabia que não era como se qualquer uma tivesse chance de roubar seu furo, o momento era dela e ninguém iria tirá-lo.
Não havia risco algum de sua glória ser ocultada.
— Eu acho que a ideia é ótima! Seria uma noite só das garotas! — confirmou a loira, dando mais um longo gole em seu vinho.
— Olha, me disseram que ele só aceita as mais bonitas — Janine falou com um ar malicioso. — Já sabe o que vai vestir, Psi?
— Ainda não — ela balançou a cabeça, fazendo os fios loiros saírem do lugar. — Mas acho que a Clio vai cuidar disso, ela me mandou ir no escritório dela amanhã cedo, então acho que já deve ter um plano.
— Claro que ela tem, todos os tabloides do estado querem uma notícia dele, a Clio quer sair na frente, ela já deve ter arquitetado tudo —Eldora falava de forma um tanto quanto debochada, mas sabia que a revista CLio e sua líder eram os melhores.
— Tá com inveja é? — Psiquê alfinetou, rindo levemente e vendo a outra revirar os olhos. — Seu momento também vai chegar amiga!
— Vai a merda! — Eldora retrucou, mostrando o dedo do meio. — Eu tenho que ir, diferente da loirinha ai, eu não tenho média com minha chefe!
— Também preciso ir, amanhã o dia começa cedo! Boa noite meninas — falou Psiquê, finalizando o vinho e ouvindo a resposta em coro de suas amigas antes de desligar.
Quando o silêncio voltou a reinar em sua casa novamente, ela encarou a pequena sala do apartamento e suspirou, vendo Perseu, seu gato de estimação, se esticar e bocejar. Ela o chamava carinhosamente de Percy, havia telado todas janelas e a varanda que dava acesso à rua para mantê-lo em casa, porém, vez ou outra ele ainda escapava.
— Boa noite, Percy — murmurou ela, caminhando em direção ao seu quarto e se jogando em sua cama, precisava dormir.
O quarto era pequeno, mas muito bem decorado. As paredes eram brancas e, na parede onde a cabeceira da cama ficava recostada, havia um papel florido e vivido.
Psiquê se deitou na cama, ligando o ar-condicionado e puxando o edredom sobre si, enquanto sonhava acordada com sua ascenção no mundo jornalístico.
Ao passo que o sono chegava para ela lentamente, em Manhattan, a noite começava a ferver. O Madson Square Garden estava lotado, as pessoas se amontoavam, gritavam e pulavam ansiosas para que a atração principal da noite entrasse. Muitos esperaram muito tempo por aquele dia, enfrentaram enormes filas e economizaram muito dinheiro para garantir seu ingresso.
Dentro do camarim, a silhueta do astro da noite refletia no espelho. Sua pele negra brilhava diante da luz do local, o peitoral estava nu, era definido e com músculos perfeitamente delineados, o que contribuia com seu ar sensual e desejável, braços fortes e musculosos, ombros e costas lar. Não se podia ver seu rosto, mas em nada isso ocultava a clara beleza dele, era alto, tinha músculos definidos, cabelos escuros de um tom castanho, baixos e pouco visíveis, e olhos que se assemelhavam ao âmbar.
— Eros, tá na hora — a voz masculina ressoou pelo camarim, chamando atenção do homem que estava em frente ao espelho. — Tem gente pra caralho lá fora.
Eros riu, balançando a cabeça, mal acreditava que aquilo realmente estava acontecendo, não imaginou que chegaria tão longe. Colocou alguns colares no pescoço, acessórios de alguns patrocinadores, e seguiu em direção a saída.
De longe, enquanto caminhava em direção ao palco, ouvia seu nome através de milhares de vozes, que clamavam por ele, que estavam ansiosas para vê-lo, e Eros amava aquilo.
Parou em frente a pequena escada e respirou profundamente, fechando os olhos por um momento e sentindo duas batidinhas em seu ombro, provavelmente Tesse, seu melhor amigo. Então, quando os abriu novamente, o microfone foi posto em sua mão e as luzes baixaram, os gritos se tornaram mais fortes e, depois, cessaram.
Então Eros entrou no palco e fez o que sabia fazer, cantou, seduziu, se permitiu ser livre.
A música parecia sincronizada com seu corpo, com sua voz. Seu timbre era rouco e melódico, sensual de forma que a maior parte da plateia se derretia diante do seu charme natural. Não viam seu rosto, mas ele sabia que seu corpo e sua voz eram o bastante, era disso que gostava.
Enquanto cantavam com ele e imploravam por sua atenção, mesmo que por um segundo, Eros fazia seu Show como se fosse o primeiro e o último. Seu corpo se movia, suas mãos desciam por seu peito e, em algum momento daquela noite louca, ele até puxou uma ou duas fãs para o palco.
Sua performance era perfeita e todos sabiam, por isso investiram tanto nele.
Mas, às vezes, ele surpreendia a todos.
Aquela foi uma dessas vezes.
Enquanto a guitarra fazia seu solo, a plateia foi ao delírio quando, enquanto seu corpo se movia bem colado ao de uma fã, seus lábios se uniram num beijo intenso, sensual e completamente quente. Os lábios dela eram macios, apesar de finos, e tinham um delicioso gosto de menta.
Eros segurou com força a nuca delicada dela, sentindo a pele suave e úmida pelo suor, a puxando contra si mesmo e colando seus corpos enquanto a plateia gritava e pulava ao som do solo de guitarra e ao ver a cena alucinante no palco.
A garota mal conseguia respirar sequer acreditava que aquilo estava acontecendo. O beijo foi, sem dúvida alguma, o melhor que ela recebeu em toda sua vida, era quente e sensual, fazia seu corpo arder em desejo e, quando ele se afastou, ela estava tonta.
Então, no timing perfeito, Eros voltou a cantar, como se aquele fosse somente um detalhe trivial em sua apresentação, como se não fosse nada demais. E de fato não era, mais uma boca beijada, um bom beijo, mas nada além disso.
Então o show continuou e ele se entrou cada vez mais, até que, quando a última música se encerrou e ele saiu do palco em meio a uma nuvem de fumaça, deixando o público pedindo por mais, o sol estava quase nascendo e, com ele, a necessidade que ele tinha de voltar para sua segunda vida.
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— Está atrasada — a voz de Clio soou assim que Psiquê adentrou o local.
De fato estava atrasada, mas não era de todo culpa sua, Pollux nunca facilitava sua entrada e sempre a prendia no andar debaixo quando tinha a oportunidade, tudo para dificultar seu serviço e mostrar seu descontentamento pelo fato de Psiquê não lhe dar sequer um sorriso.
— Eu… — ela começou pensando em uma desculpa plausível que não soasse como uma desculpa de merda.
Porém, antes que continuasse sua fala, Clio ergueu os olhos intensos e a encarou num claro sinal para que se calasse.
Qualquer um tremeria diante da dona daquele grande império, ela emanava força e a intensidade de seu ser chegava a ser apavorante para a jovem e inexperiente jornalista que só queria se esconder num cantinho como um ratinho assustado.
Sua chefe se ergueu caminhando em direção ao centro da sala, onde Psiquê estava paralisada. Clio caminhou ao redor dela como um leão que cerca sua presa, enquanto a analisava pacientemente. Os saltos faziam um barulho ritmado contra o chão enquanto ela caminhava e, enquanto seus olhos subiam e desciam, a loira a sua frente continuava estática.
Jamais se imaginou numa situação como aquela, sequer pensou que Clio passaria cerca de dez minutos a analisando minuciosamente, nem em seus sonhos mais loucos aquilo havia acontecido, e sua imaginação era bastante fértil durante as noites de sono. Apesar de incomodada, a loira não ousou se mover ou dar um passo antes que Clio terminasse sua observação.
— Se continuar com essa postura curvada e ridiculamente passiva, você vai ser só mais uma — ela pontuou, dando um tapinha nas costas de Psiquê, que ajeitou a postura apressadamente. — Hoje é quinta-feira, temos até sábado para tornar você sedutora o suficiente a ponto de chamar a atenção dele, acho bom se esforçar.
— Sedutora? — ela perguntou, erguendo as sobrancelhas com um ar ofendido. — Eu sou…
— Garota, uma taça de vinho meio vazia consegue ser mais sensual que você — Clio ralhou, com clara irritação. — Não adianta ter um rostinho bonito e um corpinho de academia se não sabe usar seus atrativos. Ser bonitinha não te faz diferente das milhões de bonitinhas que vão estar naquele show no sábado.
O tom dela era cortante, intenso, mas de fato, Clio sabia o que estava falando. Não era como se odiasse Psiquê, sequer sabia da existência dela até o dia em que ela abriu a boca em seu escritório pela primeira vez, porém, sabia que, se ia apostar na estagiária, ela teria que ser mais do que aquilo que estava vendo.
Aos olhos da CEO da maior revista de fofoca de NY, Psiquê era somente mais uma no meio da multidão, claro, era bonita, mas aquilo não era o suficiente. Precisava que até sábado, Psiquê se tornasse uma mulher para quem as pessoas gostariam de olhar, só assim ela chamaria a atenção do seu alvo.
— Comece pelo andar, pare de encolher esses ombros, ponha o peito para frente — Clio falou, sua voz era impaciente. — Se você ficar encolhida, vai parecer um ratinho timido e ele vai passar direto por você.
— Desculpe! — foi a única coisa que ela conseguiu responder enquanto colocava os ombros para trás e o peito para frente.
— Mandei Pollux marcar um horário para nós duas no meu cabeleireiro amanhã, mais tarde vamos à uma loja para comprar algo para você — ela comunicou voltando a se sentar, olhando para a tela de seu notebook. — Enquanto isso quero que pesquise sobre ele e junte todas as informações que encontrar pela internet, mesmo que sejam só rumores. Faça isso daqui mesmo, pode se sentar ali.
Clio apontou para o sofá e, praticamente correndo, Psiquê se acomodou no macio estofado, sem sequer acreditar que aquilo estava acontecendo.
— Sim… — ela murmurou, se sentando e abrindo o notebook para começar sua pesquisa.
Enquanto seus olhos percorriam as linhas de diversos blogs de fofoca, ela tentava entender porque ele era tão famoso. Pelo que entendeu, Eros veio do nada, um belo dia sua fama e sua música surgiram.
Mas quando viu suas fotos, entendeu que parte estava pela beleza que, mesmo com o rosto escondido sob uma máscara, não deixava de ser notável. Além desse detalhe, Eros tinha carisma, muito carisma. Sua performance era impecável e o seu ar sedutor era sua marca registrada.
Ao que entendia, não se sabia nada sobre ele, nada além do fato de ser um homem rico e com uma voz que molhava 90% das calcinhas de NY.
Sendo assim, tudo o que fez nesta manhã foi ler milhares de boatos sobre o misterioso cantor e procurar entrevistas que ele havia concedido, que era bem raro.
Quando a primeira parte do seu expediente acabou e Psiquê seguiu em direção a praça de alimentação do prédio, não demorou para encontrar Helena, uma de suas poucas amigas do trabalho.
Helena era uma jovem que, mesmo sendo estagiária há pouco tempo, já havia sido efetiva após cair nos encantos de Pollux. Era uma garota gentil e divertida, mas enganava-se quem a achava ingênua, era ambiciosa e inteligente.
Tinha belos cabelos volumosos, mas com pouca definição, seus olhos eram castanhos e sua pele era caramelada. Seu sorriso lindo tá encantador e seu rosto tinha traços extremamente belos.
— Achei que ela não ia te liberar hoje! — Helena falou, rindo levemente e apontando para a cadeira ao seu lado. — Fiquei surpresa quando me disseram que Clio ia mandar você, Pollux parecia bem irritado.
Psiquê revirou os olhos enquanto se sentava na cadeira, suspirando pesadamente enquanto ouvia o comentário, sabia que, certamente, Pollux não estava nada satisfeito com a ascensão de Psiquê sem seu auxílio.
— Sabe que ele é um idiota, mas é muito mais fácil com um idiota como ele por perto — Helena falou, balançando a cabeça.
— Eu não precisei dele — retrucou ela, revirando os olhos mais uma vez enquanto olhava o cardápio do único restaurante que havia no prédio. — Vou conseguir essa entrevista Helena, você vai ver, eu vou subir sozinha e Pollux vai ter que engolir.
— Você é muito orgulhosa — Helena murmurou, balançando negativamente a cabeça enquanto ria.
Depois disso, ambas gastaram a próxima hora conversando sobre as fofocas que corriam pelo prédio e comendo, sem muita pressa, o almoço que pediram.
Enquanto conversava, Psiquê tentava conter o nervosismo que imaginar a entrevista lhe causava, mas estava determinada a conseguir informações úteis, afinal, aquela era a oportunidade que ela precisava.
Depois do almoço, o dia transcorreu com mais pesquisas e pouca conversa. Diferente de Psiquê, Clio parecia pouquíssimo preocupada com o importante evento de sábado, mas percebia a insegurança da jornalista, que parecia prestes a dar um ataque de nervos, mesmo ainda sendo quinta-feira, aquilo não era bom.
Com toda certeza, Clio não precisava de um rato assustado naquele show no sábado, precisava de uma mulher sedutora e que parecesse interessante, muito interessante.
Por isso, quando olhou o grande relógio em sua parede e viu que a hora do salão se aproximava, ela se ergueu de súbito, assustando a loira que estava sentada no sofá. Encarando-a com pouca paciência, Clio inclinou a cabeça para o lado e, em seguida, partiu em direção a porta, passando por ela sem muitas explicações.
Psiquê fechou no notebook e, o mais rápido que pode, a seguiu.
O caminhar pelo corredor foi constrangedor. Todos encaravam a chefe e, por consequência, a estagiária que vinha atrás dela. Aos olhos dos demais funcionários, era muito estranho ver a imponente dona da revista caminhando ao lado de uma estagiária que a maioria sequer sabia o nome.
Porém, isso não os desagradava tanto quanto a Pollux, que sentia o estômago se revirar em irritação sempre que lembrava-se dos planos de Clio para Psiquê. Claro, sua implicância não passava de um orgulho ferido e de um ego machucado, odiava o fato de Psiquê desprezá-lo tão abertamente.
Desejou-a desde que ela pisou naquela empresa e, quando a viu, acreditou que não seria difícil tê-la para si. Mas estava completamente enganado e, com o passar dos meses, notou isso. Psiquê raramente retribuía sua simpatia, malmente o cumprimentava e, quando ele tentou suas investidas, tudo o que recebeu foi um não claro e sonoro.
Nada de palavras macias, nada de decoro, só um não alto e claramente ofendido.
Desde aquele dia, tomou como seu hobby particular inferniza-la até que ela decidisse aceitar sua "ajuda" e, com isso, seu convite para um jantar, que certamente acabaria em seu apartamento, entre seus lençóis.
Pollux tentou isso por longos meses, não importava o quanto ele a sabotava, Psiquê parecia sempre muito disposta a ignorar a existência dele. Ele a fez servir café, organizar todos os arquivos, catalogar as edições desde 1980 e até a limpar seu escritório, mas nada parecia abalar o espírito da loira, que seguia fazendo tudo e mais um pouco sem sequer resmungar.
No entanto, Pollux tinha certeza que a venceria pelo cansaço, ao menos antes. Agora Clio a tinha como favorita e, assim, ele jamais conseguiria concluir seu plano.
Ali, naquele momento, enquanto a via seguir, tentava encontrar uma forma de tirá-la dos holofotes da chefe, mas nada lhe vinha à mente. Acompanhava o andar de Psiquê, observando as pernas bem torneadas na saia lápis que usava naquele dia, as coxas grossas e o balançar sensual dos quadris. Imaginou-se segurando firmemente os fios loiros enquanto a beijava e provava do gosto dos lábios dela, que tinha certeza serem doces.
Mas seus pensamentos foram interrompidos pela imagem de Castor, entrando em seu campo de visão subitamente, com um sorriso malicioso nós lábios. Eles eram idênticos como gêmeos deveriam ser, os mesmos cabelos ruivos, os mesmos olhos, mas Castor era visivelmente mais bem humorado que o irmão.
— Se continuar encarando assim, o resto da sua dignidade vai para o lixo, irmão — ele provocou, com seu sarcasmo habitual.
— Vá a merda, Castor — Pollux respondeu, revirando os olhos. — Não tem ninguém para supervisionar hoje não? Arrumou tempo para encher meu saco na sua agenda apertada?
— Eu vim te trazer um lencinho antes que todos percebessem você babando pela estagiária — alfinetou, mais uma vez, Castor. — Mas já que não precisa de mim, vou me retirar, sugiro que você também volte para sua sala, se Clio voltar e você não tiver terminado seus afazeres, sua cabeça vai rolar.
Dito isto, ele seguiu para o setor administrativo, deixando o setor editorial, onde Pollux trabalhava. O outro não demorou para seguir para sua própria sala também, em partes seu irmão estava certo, afinal, Clio com certeza iria ficar furiosa se, mais uma vez, ele pisasse na bola.
Apesar de ser muito bom em administrar o setor editorial, sempre atrasava os prazos e raramente conseguia aprovar as matérias em tempos hábil. Por causa dele, muitos furos e matérias exclusivas foram perdidas para as concorrentes e, se não fosse o respeito e carinho que Clio tinha por Castor, ele já teria sido dispensado.
Com esse pensamento e um pouco de irritação, ele voltou para sua sala e trancou-se lá, onde passou o resto da tarde.
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