Capítulo 2

◇◇◇.2.◇◇◇

Chego em casa à tarde e logo sou recebida na porta da sala por Guilherme,meu irmão caçula de 5 anos,filho do meu pai Vinícius e minha madrasta Mirella,apenas 17 anos mais velha que eu.

Ela e meu pai se conheceram dois anos depois que minha mãe faleceu,após pegar um vírus que compromete os pulmões que causou uma grande pandemia na cidade na época.

Minha mãe Lígia tinha problemas respiratórios anteriores ao vírus e após ter pegado ele,agravou seu quadro respiratório,e algumas poucas semanas depois foi incubada no hospital mas não resistiu e veio a falecer aos 34 anos de idade, me deixando apenas com 13 anos e meu pai de 35 e marido que a amava incondicionalmente e fazia de tudo por nós duas.

Meu pai é filho de caminhoneiro,e desde os seus 19 anos,segue a mesma carreira do pai,puxando carretas em seu próprio caminhão pelas intermináveis estradas desse país,passando a maior parte do tempo fora de casa.

Mirella e meu pai se conheceram numa outra cidade em um posto de gasolina onde ele sempre abastecia e ela trabalhava como frentista.

Acabou que ele percebeu o interesse dela e após alguns meses de namoro oficializaram o relacionamento ao já se casarem no civil dentro de um período de um ano,pois assim ela poderia vir morar na cidade conosco.

Para evitar lembranças,meu pai vendeu nossa antiga casa e comprou uma outra em um bairro diferente,pois apesar de gostar muito de Mirella,sei que seu eterno amor, será somente minha mãe.

Um ano depois do casamento Mirella engravidou dando a luz em seguida a Guilherme,que desde sempre foi muito apegado a mim, eu a ele.

Ele é muito inteligente e sempre tem resposta para tudo.

Meu pai diz que ele é um gravador em pessoa,pois tudo que escuta reproduz,até demais algumas vezes,mas independente do quanto ele fale é o xodó da casa.

Fico um tempo com ele no sofá, depois vou jantar e lavar a louça que sempre era minha.

Já de banho tomado deito na minha cama e pego meu livro novamente para continuar a leitura.

{…Ele pega na minha mão enquanto a outra ainda envolve a minha cintura e leva até seu peito onde coloca minha mão em seu coração que está bem acelerado e diz olhando profundamente em meus olhos que estão enchendo de lágrimas de emoção só por poder escutá-lo.

-Te amo desde que a vi passar por mim numa manhã,e escutar meu CORAÇÃO dizer através de suas batidas aceleradas.

"Essa é a garota certa que você tanto esperava.É a ela que eu quero pertencer!"}

Imediatamente minhas lágrimas escorrem de emoção por ter chegado ao fim da história de um grande amor e novamente me pego pensando em Gustavo que assim como o personagem da história era sempre atencioso e gentil com todas nós e sua educação deixava qualquer homem desejar tem um por cento de sua personalidade.

Com toda certeza,a mulher que tiver a sorte de se casar com ele,será muito respeitada e amada por toda a vida.

Pois homem igual a ele,não se apaixona,se ama incondicionalmente!

Capítulo 3

◇◇◇.3.◇◇◇

-Bom dia,estou saindo.-Digo a Mirella ao passar pela cozinha onde ela estava tomando café.

-Clara espera!-Ela fala antes que eu saísse completamente da cozinha.

-Preciso que me passe seu cartão de crédito.Ontem a moça do depósito ligou e disse que os materiais da reforma já chegaram.Só preciso passar por lá e acertar para eles entregarem e poderem começar as obras.

-Ok.Eu passo após o trabalho lá pra você!

-Não.Eu mesmo preciso ir até lá para conferir os pisos que escolhi,sabe como eu sou exigente né.

Mirella sorri,e não tenho outra opção a não ser tirar da bolsa minha carteira e dela pegar meu único cartão de crédito e entregar a ela.

-A senha é o aniversário da minha mãe!25…

-Eu sei.Não se preocupe.Seu pai vai amar a casa quando voltar.Não vejo a hora!

-A casa?Não será apenas a cozinha?

-Modo de dizer querida!Agora vá para o ponto ou perderá o ônibus.

Guardo novamente minha carteira na bolsa e vou no sentido da porta.

Antes de passar por ela dou uma rápida olhada para trás e vejo Mirella sorrindo para o cartão de crédito e um sentimento estranho surgiu em meu corpo me fazendo arrepiar.

Apesar dela já estar conosco nesses nove anos,foram poucas as vezes que me lembro dela ter me chamado de querida como acabou de me chamar agora e esse era o principal motivo de sentir por um momento essa desconfiança.

Eu não a chamo de mãe,não só por conta da nossa pouca diferença de idade, mas porque decidi que independente do que acontecesse comigo e com meu pai,após a morte da minha mãe,a única que iria ser chamada por esse título seria ela,mesmo não estando mais ao meu lado como sempre fazia.

E Mirella sabia disso.

Por mais que a respeitasse por ser a nova mulher do meu pai,nunca a consideraria de fato como minha mãe.

Pois para mim,ela sempre seria sempre insubstituível.

◇◇◇.4.◇◇◇

Cheguei ao ponto e para minha sorte o ônibus acabava de encostar,corro o pouco que falta para chegar a porta e para minha tristeza estava lotado me fazendo ficar espremida em um canto perto do motorista.

A viagem é desconfortável,mas vinte minutos depois estou inteira na porta da Perfumaria Essência da Beleza no maior centro comercial de Miniville.

Comprimento a todas que assim como eu aguardava Rebeca para abrir a porta e assim que ela chega,entramos as 5 para um novo dia.

O dia passa correndo devido ao movimento que sempre temos,por nossos produtos serem reconhecidos como linha de luxo no mercado,e ao final do expediente estava só o pó,devido ficar a maior parte do tempo em pé andando de um lado para o outro,subindo e descendo escada para pegar produtos no estoque.

E assim a semana passou,chegando a sexta feira aniversário de Jéssica que durante a semana combinamos com Sara,uma outra funcionária e amiga nossa de ir para um rodízio de pizza em uma pizzaria ali mesmo no centro para comemorar seu dia após o expediente.

Tínhamos levado uma troca de roupa,por isso ao sairmos da loja,já estávamos prontas.

-Rebeca não quis mesmo vir?-Perguntei a ela enquanto caminhávamos até a pizzaria pela calçada.

-Ela disse que tinha outro compromisso,mas eu sei que isso é só uma desculpa para não sair com a gente.

-Bobagem dela que não sabe o quão nos divertimos quando fazemos isso!-Sara fala sorrindo.

-Infelizmente Ketlin e Luara tinham outros compromissos e também não puderam vir.-Jéssica fala meio decepcionada.

-Tudo bem Jéssica!Estamos nós duas aqui pra você!-Falo e Sara também concorda comigo.

Chegamos à pizzaria e pegamos uma mesa disponível mais na lateral do local.

Aos poucos era servido as fatias de variados sabores que ficava até difícil dizer qual era o melhor.

Meia hora depois começamos a tradicional brincadeira chamada verdade ou consequência,na qual giramos um talher na mesa e os sortudos respondiam as perguntas.

Se decidisse responder tinha que ser sincera,caso não respondesse,nós misturava-mos dois sabores de refrigerante diferente em um copo e tomávamos como consequência,pois eu não bebia álcool e nenhuma delas gostaria de ser repreendida por Rebeca que tinha um ótimo faro e odiava sentir cheiro de bebida alcoólica durante o expediente ou ver alguém de ressaca.

Nas raras vezes que vimos isso acontecer,ela advertiu a funcionária e a deixou uma semana fazendo serviço de reposição sem vendas,significando perder uma semana de comissão,o que no final do mês muda muita coisa no salário final.

Ela era realmente rígida quando se tratava de regras,e nenhuma de nós três estava disposta a quebrar uma delas nesta noite!

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