Capa do Romance Meu amado sádico

Meu amado sádico

8.3 / 10.0
- Regra número um, minha doce menina. - Usando a destra, ele levou os cabelos dela pensando-os por trás da orelha, inclinou-se um pouco apenas fazendo seus lábios roçarem aos dela - Nunca, absolutamente nunca, me desobedeça ou faça algo que eu mande pela metade. Ele é um rico empresário que usa a legalidade dos seus negócios para encobrir seu mundo sujo como herdeiro de uma família de máfia. Ela é uma garota comum, filha de uma prostituta que fora morta a deixando órfã, e embora fossem de mundos tão afastados, seus passados os uniam em algum ponto. -Você é minha, Nina, tem meu nome em sua coleira, e isso é porque sou seu dono.

Meu amado sádico Capítulo 1

Uma nova e densa nuvem de fumaça tomou conta do lugar. Os barulhos altos, as vozes estridentes em berro, as chamas das grandes frigideiras de ferro, que eram agilmente mexidas, cintilava no ar... Tudo se misturava com os vários aromas, criando aquela atmosfera de glamour, mas também de sufocamento. Aquele lugar sempre a assustava, mesmo que já estivesse trabalhando ali já a algum tempo.

— Pedido saindo!

A garota de cabelos negro-azulados piscara uma ou duas vezes, perdida no meio das chamas altas, quando o grito chamou sua atenção. Ouvia os comandos no meio do caos à medida que aqueles pratos saiam. Seria algo bonito de se apreciar, mentiria se disse que não via um brilho especial enquanto a cozinha industrial funcionava, se perdendo naquilo. Poderia talvez facilmente ser ver ali entre os cozinheiros, e até tentou uma ou outra vez, mas para o seu azar, ou tamanho pequeno, resultou em algumas queimaduras. Agarrou mais forte o esfregão, que era o seu companheiro constante naquele lugar e auxiliar na sua função. O avental branco que a cobria, parecia ter dois ou três números a mais do que deveria. Um pouco desengonçada, tentava fazer o melhor que conseguia no meio do caos. Não era o trabalho de sua vida, muito menos algo para se apegar, mas era tudo que restava para sobreviver, visto o trabalho que sua mãe desempenhava naquele lugar.

As ordens de Anya, sua mãe, haviam se fixado como um manual na pequena mente: nunca fale nada, jamais responda, nunca pergunte e apenas faça o seu trabalho, não olhe nos olhos de ninguém e o principal, em hipótese alguma, ouse ser alguém, ainda mais aqui.

Triste, não?

Infelizmente aquele espaço era tudo que ela conhecia. Seu pequeno mundo se resumia àquilo e aos livros que conseguia vez ou outra colocar as mãos, e se tinha algo que ela sempre tivera absoluta certeza era isso: ela não era nada, e nunca seria nada. Mas se pudesse um dia apenas vislumbrar a luz do sol, talvez o tocar, teria ela a mesma sina de Ícaro?

Todo o seu mundo se resumia aquele espaço e as vielas e ruas de seu entorno. Seu mundo era tão… pequeno.

A pele branca demais denunciava o excesso de tempo que passava restrita aquelas paredes de contensão. Ali não era apenas o lugar que trabalhava, mas que vivia. Nasceu ali, e rogava a Deus para não morrer ali. Não que nunca tivesse saído, ela o fazia, mas havia sempre um limite, havia sempre o grilhão de retorno, uma espécie de coleira. Era um animalzinho, e como tal, se fugisse, seu dono ficaria muito, muito zangado.

Poderia ser pior, certo? Talvez fosse os momentos em que ela pensava na regra principal e indiscutível: nunca, jamais, deveria entrar na segunda parte daquele lugar. Ela não sabia o que era, muito menos o que tinha depois dali. O que vinha depois das grandes e pesadas portas aço era uma completa incógnita, mas se era uma regra de sua mãe, ela respeitaria, afinal, ela era única pessoa da qual confiava, seu único porto seguro, seu mundo e suas certezas. Ela lidava bem com tal regra, embora quando menina pequena ainda tentou espiar, mas não tinha forças para abrir as tais portas, porem aos poucos fora perdendo a coragem de tentar, mesmo que a curiosidade ainda vivesse em si.

Anya sempre cuidou dela, mas já faziam exatos seis meses que sua mãe havia desaparecido dali. Ela fora levada em uma viagem ao lado de um cara e nunca mais voltou. Seis meses que ela chorava sozinha, seis meses que ela suportava, que orava, que rogava, que mantinha a fé. Seis meses dentro do inferno e sozinha. Era preferível acreditar que ela apenas estava fazendo algum trabalho, certo? A regra especial que ela criara para si: nunca pergunte o que tem medo de saber. O que houvesse do outro lado daquela porta não deveria ser tão bom, afinal, sua mãe trabalhava do outro lado, e ela se foi... Como outras.

Os palavrões proferidos pelo homem gordo, alto e fedorento a despertaram. Boris era o que ela chamava de porco pervertido, um homem nojento em todos os sentidos, agarrava sempre as garotas que trabalhava ali, cheio de toques indecentes, palavras sujas ou outras coisas que ela preferia não se atentar. Tinha certeza que se um dia aquele porco nojento tentasse algo, certamente enfiaria uma daquelas tantas facas que haviam ali na cozinha, nele, sem pensar duas vezes.

A garota de cabelos negros, passou então a dar atenção ao que ele falava e gritava em inglês com alguém ao telefone, ela não entendia bem o tal idioma, mas o suficiente para compreender algumas frases soltas, diferente do que podia parecer, ela era bem mais esperta do que parecia, aprendia com bastante facilidade, lia muito e tinha orgulho, mesmo que ainda escondido. Certamente aquelas pessoas nem imaginavam que a mãe a alfabetizara, e que fora bem além disso. Quando tinha tempo e conseguia se desvencilhar daquilo, se trancava em algum corredor de uma livraria lendo escondida até ser expulsa de lá.

Naquele diálogo, ela percebeu que Boris tinha problemas, e grandes. A menina estava tão concentrada o olhando enquanto ouvia a conversa que nem se deu conta do sorriso perverso que se formava no rosto deste, e quando finalmente o viu, era tarde. Tão frio e maquiavélico... Agarrou seu braço esquerdo com força, a puxando em meio ao turbilhão da cozinha quente, entre tachos imensos e labaredas. De uma estante pegou um par de roupas e jogou contra o peito dela que franziu o cenho confusa.

— A casa está cheia hoje querida, vai servir! – disse ao tirar o cigarro dos lábios e soprar a fumaça na cara dela rindo. – Sua grande chance de brilhar.

A garota de cabelos negros noturnos, no entanto, estendeu a roupa a observando melhor e pela primeira vez na vida quebrou a regra, - bom ao menos na frente de alguém –

— Eu não vou vestir isso! Não tampa nada! – Os olhos arregalados, as bochechas coradas e um ar de certo modo irritadiço e contrariado. Ela tinha uma personalidade bastante calma, tímida..., mas aquilo?

Ela estremeceu diante da possibilidade de usar aquelas vestes, mas mesmo diante de sua pacificidade, seu ato de teimosia fora enxergado como revolta e rebeldia e ela se chocou quando a face ardeu de um tapa certeiro ali.

— Cobre o bastante, garota! Não que você tenha muito que possa interessar alguém – ele riu zombando-a embora os olhos tenham se direcionado aos seios juvenis e um tanto volumosos – vamos! Se troque! Não tenho a droga do dia todo!

Ela olhou em volta procurando algum lugar a fim de entrar para fazê-lo.

— Onde... Eu vou me trocar? – hesitou enquanto sentia a face arder, tendo certeza que deveria estar parecendo um pimentão maduro.

— Use a imaginação, garota idiota!

(… ♠ …)

O carro SUV de vidros escuros, total blackout estava estacionado frente a um comércio do centro. Uma loja de venda de peças eletrônicas comuns, nada demais. O vidro do carro baixou-se revelando um homem na casa de seus trinta anos, embora parecesse um tanto mais jovem. Cabelos loiros um pouco rebeldes, embora ligeiramente curtos. Os olhos azuis dele lentamente fitaram a fachada daquele lugar, demonstrando imenso desprezo e hostilidade. Frio, indecifrável... Os lábios não passavam de uma linha reta inexpressiva. Encarava aquele lugar de forma analítica

— É aqui, senhor Urasov – Disse um homem de cabelos castanhos selvagens e tatoo de clã no rosto. Por vezes até soava burro, no entanto, era excelente na função que exercia, da qual, aos olhos comuns, não passava de um reles motorista.

A porta fora destravada, o homem loiro descera do carro acompanhado do homem de cabelos castanhos, bem como de outro que tinha cabelos chocolates e compridos preso em um rabo de cavalo baixo. Do segundo carro que o acompanhava naquela manhã, desceram mais alguns homens do tipo... Bem, intimidadores. Todos em seus ternos escuros e alinhados. Era uma comitiva de segurança de alguém bem importante. A mão foi até o bolso interno do paletó e retirou um cigarro do maço o levando os lábios. Com calma e mantendo a caminhada, ele acionou o seu isqueiro que carregava uma insígnia gravada no metal, herança de família. Parou a poucos passos da entrada e tragou longamente aquilo expelindo a fumaça enquanto voltava a guardar seu isqueiro. Os olhos safira analisou tranquilamente todo o trajeto que tomaria enquanto seu segurança tomou frente abrindo-lhe as portas. A caminhada fora praticamente em linha reta. Dentro do lugar, algumas mulheres faziam atendimento aos clientes, bem como haviam várias pessoas ali, mas sinceramente? Ninguém dali o importava. Os olhos encaravam diretamente os fundos do lugar. Atravessou os corredores sem dar qualquer importância até parar diante de uma grande porta de estoque. O seu segurança de cabelos longos chocolate tomou frente abrindo a mesma e entrou junto de outros dois a fim de certificar-se da segurança do Urasov. O loiro, logo atravessou a porta entrando. Não que ele fosse covarde, longe disso. Mas havia hierarquia e comando. E ele tinha muitos inimigos...

Assim que a porta fora fechada atrás de si, ele olhou ao redor e logo seus olhos frios encararam um dos do homem a sua frente e que carregava consigo um sorriso nervoso.

— Está atrasado, Sergei – a voz do Urasov foi firme e cortante, ao tirar o cigarro dos lábios, libertando a fumaça tóxica branca.

Nervoso, Sergei buscou justificar-se. Era bem intimidador todos aqueles caras ali e bem armados.

— E-eu tenho uma boa razão, eu juro –temoroso, ergueu as mãos em rendição e moveu-se bruscamente. Instintivamente, todos os homens de preto sacaram as armas apontando para homem de cabelos castanhos desordenado e curtos. Claro que também havia os homens de Sergei ali, e logicamente que em defesa do seu próprio chefe, as armas também foram erguidas.

Uma guerra fria existia ali, e embora Sergei ficasse um tanto nervoso com tal situação, o jovem Urasov parecia impassível, colocando a mão no bolso da calça e olhando com um pouco de tédio a situação como todo. Bastou apenas um mísero gesto dele com a cabeça para que Sergei entendesse e continuasse, muito embora as armas ainda estavam apontadas.

— N-não confia em mim, meu chapa? Qual é, Nikolai. Achei que a essa altura já pudéssemos nos chamar de amigos. – Havia aquela tensão pesada e um sorriso amarelado nervoso nos lábios dele.

— Não – Saiu como um sopro mortal, enquanto um meio sorriso formou-se no canto dos lábios dele. – Não existem amigos, nesse mundo – Deu um pequeno passo à frente, fazendo Sergei, mesmo com cobertura de seus homens, dar um para trás – Acho realmente bom que me agrade dessa vez, ou vão te apelidar de peneira, se é que me entende... amigo – o sorriso era tão gélido e assustador. Cruel para dizer o mínimo. O cigarro retornou aos lábios novamente.

Sergei gargalho nervoso e com um estalar de dedos, grandes bolsas pretas foram tragas e colocadas diante de Nikolai. Todas posicionadas sobre os pallets de mercadorias que havia no estoque daquele lugar que era o ponto de encontro.

— Ivan – a simples menção de seu nome, fizera o segurança de tatoo no rosto adiantar-se a uma das bolsas a abrindo. Dentro dessa era possível ver uma grande quantidade de malotes muito bem embrulhados.

Ele levou a mão até o mesmo, e essa estava perceptivelmente enluvada, pegou um das tabletes que havia ali e o retirou colocando sobre a pilha de mercadorias embrulhadas que havia naquele pallet. Tirou da cintura um brilhante karambit o girando habilmente entre os dedos, perfurando logo em seguida o pacote, revelando assim o pó fino e branco. Ele estendeu assim a faca de caça para Nikolai, que segurou a mesma tocando a ponta da língua no resquício de pó que havia ali e imediatamente o loiro negou.

— Não foi esse o nosso combinado, ou foi? – disse calmamente – espero que tenha mais... – Olhos azuis contabilizaram rapidamente aquelas bolsas ali dispostas, mentalmente tudo se calculou, então prosseguiu - metade do que eu pedi de cocaína, já começamos mal...

— Entenda, sei o que me pediu, mas é difícil conseguir META assim tão fácil, ainda mais nas quantidades que pediu e... – Sergei busca justificar a falha antecipadamente. No entanto, estampidos secos ecoaram, e graças aos silenciadores que haviam nas pistolas, os homens de Sergei agora estavam caídos sangrando, abatidos no chão em poças de seus próprios sangues. Desespero, era apenas isso que havia ali, e justamente por isso ele gritou – É COCAÍNA PURA! – as mãos ergueram-se em desespero e rendição ganhando um gesto do loiro que era de calma para seus homens. Com uma respiração aliviada, Sergei entendeu que Nikolai o ouviria, por tanto prosseguiu – é a melhor cocaína. É colombiana. Direto da fonte. Por isso foi difícil de entrar essa merda. É lucro certo e triplicado. Você sabe – riu nervoso enquanto sentia-se suar cada vez mais enquanto era analisado por aquele par de olhos azuis.

Nikolai erguera sutilmente o queixo enquanto analisava aquilo. Ele pediu meta, teve cocaína colombiana... Com um gesto de sua cabeça, um dos seus homens saiu dali pela mesma porta que haviam entrado para voltar minutos depois com uma das garotas que trabalhavam naquele lugar. O Urasov jogou a bituca do cigarro no chão, a amassando. Virou-se um pouco e caminhou até as pilhas da tal droga, enquanto seguia com toda a tranquilidade do mundo, os lábios unidos dele sopravam em um assovia sinistramente alguma canção que fazia Sergei apavorar-se cada instante mais. Tirando de seu próprio bolso, o loiro enfincou um punhal em um dos tabletes, com a outra mão ele pegou o seu lenço e depositou ali uma pequena quantidade da droga, era relativamente mínima, seu olhar ergueu-se encontrando o de Ivan que, segurou o braço da garota a puxando em direção ao loiro, mostrava-se assustada e arredia. Não entendia absolutamente nada que acontecia ali. Assim que ela fora traga perto o bastante, Nikolai segurou os cabelos da garota e com a outra mão impulsionou o lenço contra o nariz dela ao mesmo tempo que tampava a boca, a forçando a aspirar do pó puro.

As pupilas dilatas, a respiração rápida, o primeiro espasmo no corpo... Eram pequenas denúncias da eficácia da droga que corria pelo sistema nervoso dela, agindo dentro do organismo. O riso frenético explodido em euforia e o corpo que perdera a tensão do nervosismo. Todos a olhavam, bem como acompanharam o movimento vindo de Nikolai, que, pegando a pequena faca novamente, a alojou no vão dos seios dela e puxou para baixo cortando as peças superiores que essa vestia a expondo. A mão empurrou-a de volta em direção a Ivan.

— Um prêmiozinho de consolação por hoje, Ivan, divirta-se – concluiu ali e virou novamente para Sergei – agora... Quanto de metanfetamina você trouxe exatamente? – pediu enquanto dois dos seus homens pegavam as bolsas fechando-as e as levando para os carros.

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