Capítulo 2

Ponto de Vista: Alina

Eu estava sentada no escuro do nosso quarto. O relógio digital marcava 23:45.

Ouvi a pesada porta da frente se abrir no andar de baixo. Passos ecoaram nas escadas de mármore.

Corri para a cama, puxando o edredom. Eu tinha que interpretar o papel. O obstáculo moribundo.

A porta se abriu.

"Alina?", a voz de Ivan era suave, tingida com aquela falsa preocupação que me dava arrepios.

Ele caminhou para o lado da cama. Então, o cheiro me atingiu. Pêssegos podres e sexo. E por baixo, o cheiro de uma criança – leite e terra.

Ele se inclinou. Por um segundo horrível, pensei que ele me beijaria. Em vez disso, ele cheirou meu cabelo.

"Ainda dormindo", ele murmurou. "Bom."

Ele entrou no banheiro. O chuveiro ligou.

Meus olhos se abriram de repente.

*Mova-se*, a voz dentro de mim ordenou. *Cace.*

Deslizei para fora da cama. Fui para o corredor.

O escritório de Ivan era seu santuário. Protegido por uma fechadura biométrica e um teclado numérico.

Parei diante da pesada porta de mogno.

"Ele acha que você é estúpida", a voz na minha cabeça sibilou.

Olhei para o teclado. Ivan era arrogante. Ele não usaria um número aleatório.

Digitei a data: *18-12-05*. O aniversário de Léo.

A luz piscou verde. Bingo.

Entrei. Fui direto para o computador dele. Estava logado.

Não perdi tempo procurando uma pasta chamada "Planos Malignos". Ivan não era um vilão de desenho animado; ele era um homem de negócios. Eu precisava seguir o dinheiro.

Abri seus registros financeiros. Meu diploma em finanças, que Ivan sempre zombava como "fofo", finalmente era útil.

Examinei as transferências dos últimos cinco anos. Havia as despesas de sempre, mas um pagamento recorrente se destacava. Uma empresa de fachada chamada "Apex Consultoria", registrada em um paraíso fiscal.

Cruzei o número de registro da empresa. Era uma corporação fantasma. Mas os manifestos de envio associados a ela eram reais.

"Entrega de Aconitum. Extrato concentrado", sussurrei, lendo a nota fiscal. Aconitum. Acônito.

Então verifiquei as contas pessoais. Saques enormes. Em dinheiro.

Encontrei uma subpasta oculta em sua nuvem, disfarçada de declarações de imposto de renda. Dentro não havia impostos. Eram laudos médicos falsificados de uma clínica nos territórios dos Renegados.

*Assunto: Léo Reis. Potencial da Linhagem: Alfa Classe-S.*

E um teste de paternidade. *Pai: Alfa Ivan Hughes. Status: Positivo.*

Meu pai estava financiando o veneno. Ivan estava lavando o dinheiro para Kiara.

Senti a bile subir na minha garganta. Tirei um pequeno pen drive de prata do bolso do meu pijama.

Copiei tudo. O rastro financeiro, os manifestos de envio, os testes de DNA falsos.

A barra de progresso se arrastava. 98%... 99%... Concluído.

Arranquei o pen drive assim que ouvi o chuveiro desligar no fim do corredor.

Limpei o histórico recente, desliguei o monitor e saí.

Voltei para o quarto bem a tempo de a maçaneta do banheiro girar. Mergulhei na cama.

Ivan saiu, cheirando a sabonete e menta. Ele se deitou ao meu lado.

O celular dele vibrou. Ele verificou, uma pequena risada escapando de seus lábios.

Depois que ele adormeceu, estendi a mão e peguei o celular dele.

A mensagem era de um número não salvo. Uma foto de Kiara montada nos ombros de Ivan no parque de diversões da Alcateia.

Legenda: *Um Alfa pertence apenas a uma fêmea que pode gerar guerreiros. Sacrifique a mula, Ivan.*

Fiquei olhando para a tela. Uma mula. Estéril. Inútil.

Encaminhei cuidadosamente a mensagem para um endereço de e-mail descartável que criei anos atrás, e depois apaguei o registro de envio.

Coloquei o celular de volta no lugar.

Amanhã era a Reunião da Alcateia. Toda a Alcateia da Lua de Prata estaria lá.

Era o palco perfeito.

Fechei os olhos. Meu sangue parecia quente, como fogo líquido. O veneno estava perdendo a guerra.

Capítulo 3

Ponto de Vista: Alina

Na manhã seguinte, eu disse a Ivan que ia ao spa.

"Ótimo", ele disse, sem levantar os olhos do tablet. "Dê um jeito em você. Você parece... pálida."

Dirigi direto para o distrito industrial. Debi me encontrou na porta dos fundos da Galeria Reis.

"Consegui os uniformes da manutenção", disse ela, jogando um maço de tecido cinza para mim. "E subornei a equipe de limpeza regular para tirar um almoço longo. Temos vinte minutos."

"E o cheiro?", perguntei.

"Do jeito antigo", disse ela, me entregando um pote de graxa industrial e amônia. "Passe isso no pescoço e nos pulsos. Vai arder, mas vai cobrir seu cheiro de lírios."

Apliquei a mistura fétida. Ardeu meus olhos, mas eu fiquei com cheiro de chão de oficina. Perfeito.

Vesti o macacão cinza e prendi meu cabelo sob um boné.

Entrei pela entrada de serviço.

A galeria estava se preparando para uma exibição privada. A porta do escritório de Kiara estava entreaberta.

Empurrei meu balde com esfregão para dentro. A sala era opulenta. E familiar.

O tapete era persa – da minha mãe. O vaso era Ming – do meu pai.

Eles estavam dilapidando minha herança para mobiliar a vida da amante dele.

Tirei um minúsculo dispositivo de escuta do meu bolso – algo que Debi conseguiu com um contato de detetive particular. Colei-o sob a pesada mesa de carvalho.

"A faxineira está aqui, Srta. Reis", disse uma voz.

Congelei.

Kiara entrou, seguida de perto por Ivan.

Virei de costas, esfregando furiosamente uma mancha na parede.

"Que cheiro nojento aqui", Kiara franziu o nariz. "Como produtos químicos baratos."

"São só os produtos de limpeza, querida", disse Ivan. Sua voz estava carregada de luxúria.

Olhei para o reflexo em um quadro. Ivan tinha Kiara pressionada contra a mesa.

"Eu odeio esperar", Kiara gemeu. "Quando ela vai sumir? Sumir de verdade?"

"Em breve", Ivan rosnou. "Aumentei a dose no chá da manhã dela. O coração dela vai parar durante a Reunião. Vai parecer uma tragédia. A Luna fraca, sobrecarregada pela emoção."

Meu coração martelou. Eles iam me executar hoje.

"E depois?"

"Depois eu rejeito o cadáver dela para quebrar o laço formalmente. E eu te marco. Léo se torna o herdeiro."

"Adoro quando você fala de poder", Kiara riu.

Ivan parou. Ele levantou a cabeça, farejando o ar.

"Espere."

Parei de esfregar.

"O que foi?"

"Esse cheiro..." Ivan se afastou da mesa. "Por baixo da água sanitária. Parece... familiar."

Ele deu um passo em minha direção.

O Comando Alfa irradiava dele.

"Você", ele latiu para as minhas costas. "Vire-se."

Eu não conseguia me mover. Se eu me virasse, ele veria meus olhos.

"Eu disse, vire-se!"

Sua voz era um peso físico. Minha loba rosnou, querendo arrancar a garganta dele.

*Não se curve.*

Assim que Ivan estendeu a mão para o meu ombro, um barulho alto ecoou do corredor. Debi. Ela deve ter derrubado algo para criar uma distração.

Ivan se virou. "Que diabos foi isso?"

"Minha escultura!", Kiara gritou, correndo para fora.

No caos, peguei meu balde e saí pela porta lateral.

Corri para o carro, arrancando o macacão.

Debi estava esperando, com o motor ligado.

"Derrubei um pedestal", ela sorriu nervosamente. "Você conseguiu?"

Toquei no receptor em meu ouvido. "Cada palavra. Eles estão planejando me matar hoje à noite."

Olhei para minhas mãos. Estavam firmes.

"Dirija, Debi", eu disse. "Temos um show para preparar."

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED