Capa do Romance Meo Ceo Controlador

Meo Ceo Controlador

9.3 / 10.0
Criada em um orfanato, Sarah encontrou o afeto que lhe faltava em Nicholas, um jovem também marcado pelo abandono. O primeiro amor entre eles floresceu de forma mágica, mas acabou interrompido por uma rede de mentiras e segredos que os forçou a seguir caminhos opostos. Anos depois, o destino promove um reencontro inesperado, trazendo à tona revelações chocantes que mudam tudo. Agora, eles precisam descobrir se o sentimento que restou é capaz de vencer as barreiras do passado.

Meo Ceo Controlador Capítulo 1

Fui abandonada logo após nascer, sem jamais ter conhecido meus pais biológicos. Até hoje, não sei o motivo pelo qual minha mãe me deixou, especialmente em um momento em que eu era tão vulnerável.

Por que uma mãe deixaria seu bebê desamparado? Essa pergunta ecoa na minha mente diariamente, mas até agora, não encontrei respostas.

Cresci no orfanato Santa Marta, em Campo Grande, Recife. As tias me contaram que fui deixada ainda recém-nascida, e este orfanato tem sido o único lar que conheço. Não tenho ninguém no mundo que compartilhe meu sangue. Se minha mãe biológica me abandonou, talvez ela não quisesse um filho ou, quem sabe, algo terrível aconteceu e eu nunca saberei.

Apesar de tudo, tenho um teto sobre minha cabeça. No entanto, nem sempre fui tratada com o cuidado que uma criança merece. Passei por situações terríveis com algumas das tias. Já fui maltratada, desprezada e até agredida sem motivo. Muitas vezes, me negaram comida, sem explicação.

Felizmente, aquelas tias cruéis não estão mais aqui. Exceto por uma. Ela ainda permanece, e parece nutrir um ódio especial por mim. Nunca entendi o porquê, pois não me lembro de ter feito algo para merecer seu desprezo.

Com o tempo, aprendi que pessoas com maldade no coração não precisam de um motivo para machucar os outros, especialmente uma criança indefesa. Essa tia, em particular, é cruel. Tenho a sensação de que, se pudesse, já teria me expulsado deste lugar à força.

As doações que recebemos garantem a sobrevivência do orfanato. É graças à generosidade de estranhos que ainda temos um teto e comida. Não temos apoio do governo, e, à medida que fui crescendo, percebi como isso afeta nosso dia a dia. Com mais ajuda, talvez nossa realidade fosse diferente.

Uma coisa sempre me intrigou: a maneira como algumas tias tratam as pessoas que vêm ao orfanato para adotar. Um dia, sem querer, vi algo suspeito. Estava escondida e observei a tia que me odeia receber dinheiro de um casal. Logo depois, eles saíram com uma criança. Naquele momento, senti que havia algo errado, mas guardei para mim, sem contar nem ao meu melhor amigo.

No orfanato, muitas crianças aguardam por uma família, mas poucas têm a sorte de serem adotadas. Sempre observo as famílias que vêm, escolhem, adotam... mas nunca escolhem a mim. E eu me pergunto o motivo.

Será que há algo de errado comigo?

Com o passar dos anos, comecei a perceber algo que me incomodava profundamente: quando alguém vem ao orfanato interessado em adotar, eles sempre escolhem as crianças de pele clara. Eu, no entanto, sou sempre deixada de lado.

A maioria dos casais que vêm aqui também têm pele clara, e eu não consigo entender por que eles parecem me ignorar. Será que minha cor de pele é o motivo pelo qual nunca sou escolhida?

Oxe, gente preconceituosa só atrapalha!

A maldade no mundo é alimentada pelo preconceito racial, que parece não ter fim. Por causa da minha cor, nunca encontrei uma família que me quisesse, que estivesse disposta a me acolher de verdade. É doloroso saber que algo tão superficial como a cor da pele pode definir o destino de uma criança.

Aqui no orfanato, temos uma escola. Os professores são incrivelmente dedicados e tratam todos nós com respeito e carinho. Sempre fui muito aplicada nos estudos, e sei que eles se esforçam para nos oferecer um futuro melhor, sem esperar nada em troca. A professora Fabiana, em particular, tem um lugar especial no meu coração. Ela é alguém que me inspira a seguir em frente. O mundo seria um lugar melhor se houvesse mais pessoas como ela.

Os dentistas e médicos que nos atendem também são voluntários, e acredito que fazem parte de uma ONG. Fico pensando no que significa uma ONG de verdade. Se mais pessoas fossem altruístas, como os voluntários que nos ajudam aqui, o mundo certamente seria um lugar mais justo e humano.

Agradeço a Deus por ter despertado em mim essa paixão pelos estudos. Sonho em um dia ingressar na universidade e conseguir um bom emprego, algo que me traga satisfação e orgulho. Para mim, adquirir conhecimento é uma alegria imensa, e sei que isso pode abrir portas para um futuro melhor.

Neste lugar, apesar de tudo, temos muito do que precisamos: abrigo, educação, e apoio. Se não fosse por isso, nem sei onde estaríamos. Talvez nas ruas, vivendo uma realidade muito mais cruel, ou até pior, sem sequer uma chance de sobreviver.

Escuto tantas histórias tristes sobre crianças que vivem nas ruas, e me sinto aliviada por estar protegida aqui, mesmo com todas as dificuldades. Temos uma televisão, mas as tias não nos deixam assisti-la. Talvez elas tenham suas razões, mas eu não sei quais são.

O que mais me dói é a solidão. As outras meninas não se aproximam de mim. Elas me intimidam desde sempre, formando seus próprios grupos e me excluindo. Algumas são mais velhas, outras mais novas, e até aquelas que têm a mesma cor de pele que eu se consideram "brancas" e se unem às demais para me ridicularizar com apelidos cruéis.

Não entendo o porquê de tanto desprezo. Será que eu sou tão diferente assim?

É profundamente doloroso não receber afeto, sentir que a nossa presença é ignorada. Muitas vezes me pego pensando se é por causa da cor da minha pele, como se ela criasse uma barreira invisível entre mim e os outros. Me pergunto se, para eles, não sou vista como uma pessoa comum.

Apesar desse sentimento, há uma amizade que prezo imensamente, e sei que ela é recíproca. Talvez seja essa conexão que desperte a antipatia de algumas pessoas ao meu redor.

Às vezes me questiono por que meu amigo, com sua pele clara e olhos azuis, ainda não foi adotado. Ele chegou aqui aos seis anos, e sei que muitos casais preferem adotar bebês, mas ainda assim, ele continua aqui, assim como eu. Compartilhamos uma ligação especial, e mesmo sendo jovem, sinto algo profundo, difícil de explicar por completo.

Já se passaram dezesseis anos desde que fui deixada neste lugar. Agora, com a mesma idade, me pergunto o que será de mim quando chegar à maioridade. Para onde irei? A ideia de ser expulsa do abrigo me aterroriza. No entanto, meu alívio momentâneo é saber que meu amigo ainda não foi forçado a sair, mesmo com seus dezoito anos se aproximando.

Quando completamos dezoito, recebemos a ordem de saída do abrigo, deixados à mercê do destino ou encaminhados para outra instituição, como já ouvi falar. Eu não quero perder meu amigo, muito menos a pessoa por quem nutro um sentimento tão forte. Ele sempre esteve ao meu lado, me protegendo quando as coisas ficam difíceis.

Apesar de ser reservado, ele cuida de mim com tanto carinho. Me chama com palavras doces:

- Olá, minha linda! Como você está? Tudo bem?

Toda vez que ele me chama de "linda", "querida" ou "princesa", me sinto um pouco envergonhada, mas seu jeito doce me conforta, me faz sentir segura. Estar ao lado dele é a maior fonte de alegria que tenho.

Ele tem a pele clara, olhos azuis e usa óculos de lentes grossas, o que atrai zombarias de algumas crianças. Chamam-no de "extraterrestre" por ser magro, e no passado, ele chorava por isso. Hoje, ele enfrenta essas provocações com mais resiliência.

Para mim, sua aparência nunca foi um problema. Enquanto outras meninas o ignoram, eu o vejo como o mais bonito de todos. Para mim, ele é lindo, com seus óculos e tudo.

O que mais me conforta é o fato de ele não ter preconceitos. Nunca me tratou de forma diferente por causa da cor da minha pele, ao contrário de muitos aqui, que me insultam e dizem que meu futuro será sombrio por isso.

Sei que já passei da idade para ser adotada, e não alimento mais essa ilusão. Mas, ainda assim, mantenho a esperança de construir uma vida fora daqui. Enquanto eu tiver o apoio do meu amigo, sinto que sou capaz de enfrentar qualquer desafio.

Em suma, há muita maldade neste abrigo, espalhada entre as pessoas que deveriam nos proteger. No entanto, Nicholas nunca me desrespeitou por causa da cor da minha pele, mesmo sendo ele tão claro.

Admito que o desejo de ser adotada já não faz parte de mim. Se minha infância foi complicada, agora, na adolescência, os desafios parecem ainda maiores.

- No que essa cabecinha tanto pensa, que não me responde? Está tudo bem com você? - pergunta Nicholas, tirando-me do estado de distração em que eu me encontrava.

- Desculpa, Nicholas. Estava apenas refletindo sobre coisas banais, nada importante. Você é tão gentil comigo... Eu te amo, Nicholas. Você é verdadeiramente único, a única pessoa que se preocupa comigo. Não consigo imaginar minha vida sem você. Sinto tanto medo de te perder, de você partir e me abandonar. Não sei como vou lidar com sua ausência.

Ele me olha em silêncio, visivelmente constrangido com minhas palavras.

Não sei por que, mas sempre fui clara sobre o que sinto por ele, e o pensamento de tê-lo longe no futuro me assusta. Não estou pronta para enfrentar a vida sem o meu amor ao meu lado.

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