Capítulo 2

Felizmente, a mulher sentada à sua frente era muito de seu agrado. Foi um tremendo golpe de sorte. Seus traços eram requintados e ela parecia deslumbrante. Exibia uma figura de ampulheta que estava além da compreensão humana, como se tivesse sido esculpida por anjos. James Holland a deu noventa pontos em sua escala pessoal de avaliação.

Porém, do outro lado da mesa, o olhar penetrante e impressionado do homem estava começando a incomodar Sarah. Ela tossiu para quebrar o transe dele e então acenou com a mão em direção ao garçom mais próximo. "Está com sede? Gostaria de tomar alguma coisa?"

O garçom imediatamente se aproximou de sua mesa e educadamente perguntou: "Boa tarde, o que posso fazer por vocês?"

James sorriu para ela enquanto pegava o cardápio, e então estreitou os olhos para ler. "Uma xícara de café preto, por favor."

Os olhos da garota, inconscientemente, fixaram-se na bebida em sua xícara, o que atraiu a atenção de seu companheiro. "Senhorita Sarah, parace que você é uma apreciadora de café preto também?"

Ela balançou a cabeça, negando. "Na verdade, não gosto muito de café preto, mas eu acabei me acostumando. Sempre acabo colocando uma montanha de açúcar!" De repente, seus olhos ficaram nublados, com lembranças do passado. Ela se lembrou de alguém da faculdade que gostava de tomar café assim e de como ela adorava tomar uma xícara com ele.

Quando James percebeu que ela estava distraída, com a mente distante e seus olhos focados em nada em particular, ele supôs que ela devia estar pensando em outra coisa. "Mil perdões, senhorita, permita que eu me apresente primeiro. Meu nome é James Holland. Voltei do exterior faz duas semanas e atualmente trabalho como diretor de design numa empresa de publicidade. Estou com um bom pressentimento sobre você e espero que possamos nos conhecer melhor."

Sarah o olhou diretamente nos olhos, observando-o cuidadosamente enquanto ele falava. James era realmente um homem extraordinário, diferente de muitos outros que vieram vê-la até o momento. Afinal, ele havia estudado no exterior e conquistou uma posição razoavelmente boa na empresa em que começou a trabalhar logo após seu retorno. No entanto, havia algo na forma como falava que a levou a pensar. Talvez ele fosse mais arrogante do que parecia. Ela não podia deixar isso passar assim, sem mais nem menos. Parecia que suas palavras implicavam algo como: "Você deveria estar grata por eu estar disposto a vê-la novamente."

Com base em suas experiências anteriores com outros homens, ela sentiu que talvez fosse um pouco dura ao julgá-lo dessa forma, mas ela não podia ignorar seus próprios instintos. Ela tinha aprendido a confiar em si mesma ao longo dos anos.

Quando ela estava prestes a responder, o garçom trouxe a bebida em uma bandeja.

James se voltou para ela rapidamente, esperando pela resposta dela. Acreditava firmemente que ele era um excelente candidato para despertar seu interesse e isso o deixaria mais perto de confirmar suas hipóteses. Seu histórico devia ser mais do que suficiente para impressionar qualquer uma, especialmente para ela. Ela já não deveria ter demonstrado alguma empolgação? Parecia não ter nem um pingo de interesse. 'Por que ela me olhou com uma expressão vazia? Será que ela não me acha atraente?' De repente, foi tomado por uma sombra, incerteza invadiu seu coração. "O que acha, senhorita Sarah? Eu realmente espero que possamos nos encontrar novamente.''

Sarah mexeu a xícara de café, lutando para encontrar uma resposta.

Afinal, sua mãe o fazia parecer um homem extraordinário em suas conversas. Não mediu palavras para fazê-lo parecer um bom partido. Depois de refletir um pouco mais sobre isso, Sarah decidiu o que dizer. Talvez fosse desapontá-lo um pouco, mas dizer isso era importante. "Senhor James, para ser honesta, acho que ainda não nos conhecemos bem o suficiente. Estamos aqui a apenas alguns minutos, afinal."

"Isso não é problema! Podemos entrar em contato com mais frequência e nos conhecer um pouco mais.'' James falou com confiança. Uma confiança facilmente confundida com arrogância.

"Então, você estudou nos Estados Unidos, não é? Você deve ter visto muitas coisas diferentes.'' A jovem sorriu, mudando de assunto. Tendo passado por incontáveis encontros às cegas, ela estava preparada para sair de uma situação constrangedora com facilidade e destreza.

"Senhorita, você gostaria que eu lhe contasse algo interessante que aconteceu comigo enquanto eu estava em outro país?" Quando o homem olhou em seus olhos, seus sentimentos por ela se tornaram evidentes.

Sarah assentiu em resposta. Na verdade, quando era estudante também teve uma oportunidade de ir para o exterior. Infelizmente, ela recusou por conta de um ridículo interesse amoroso. Ela não conseguia esquecer o quão ingênua ela havia sido naquela época.

Enquanto observava a expressão calma no rosto de sua companheira, James lentamente narrava as histórias de suas aventuras no estrangeiro.

Capítulo 3

Sarah mantinha um sorriso gentil no rosto enquanto observava James, que falava sem parar sobre o tempo que passou no exterior. Pelo visto ele era um tagarela e tinha orgulho das suas conquistas.

Ela não prestou muita atenção às suas palavras, mas ocasionalmente respondia com um gesto superficial. Pensava sobre a vida que um dia sonhou em ter e como ela estava longe de seu alcance agora. Ela também estava pensando na garota inocente que ela já foi e como ela havia desaparecido com o passar do tempo.

De repente, ela foi interrompida por um som familiar, um toque horrível de muitos anos atrás que ecoou em seus ouvidos. "Estou olhando para a lua onde estão todos os meus sonhos...''

Ouvi-lo trouxe de volta memórias, quando aquele toque irritante era tão popular que podia ser ouvido por toda a cidade. Aparentemente, alguém ainda usava essa porcaria velha. Para sua surpresa, fora James quem tirou um celular do bolso. Sarah não conseguiu disfarçar sua surpresa. Havia pelo menos uma coisa de imprevisível nele.

Não esperava que um homem de sua postura e posição usasse um toque tão espalhafatoso.

Ela já tinha uma má impressão dele por estar atrasado antes, mas isso já era demais! James olhou para a tela de seu celular e recusou a ligação, antes de colocá-lo no 'modo silencioso'. Ele colocou o celular de lado e olhou para Sarah com um sorriso constrangido. "Perdão. Acabei de comprar o celular há alguns dias e esqueci de mudar o toque."

"Ah, não se preocupe com isso. Mas por que você não atendeu?" Com um olhar curioso, Sarah observou o celular do homem e percebeu que era o último modelo do iPhone.

"Ah, era apenas um amigo. Está tudo bem, não é nada importante." Ele levou a xícara aos lábios, tomou um gole e a pousou na mesa novamente. No entanto, o celular tornou a vibrar pouco depois.

James acenou para ela, se desculpando pela interrupção. Ele respondeu à chamada com um olhar envergonhado no rosto. Sarah arqueou uma sobrancelha, mas permaneceu em silêncio.

"Sério? Não se preocupe, vou chegar lá o mais rápido possível."

Após desligar a ligação, ele olhou para ela e disse: "Sinto muito, senhorita Sarah, mas meu amigo precisa da minha ajuda. Preciso ir urgentemente! Mais uma vez, me desculpe.''

"Não tem por que se desculpar. Está tudo bem, vá em frente", respondeu ela, cortês e atenciosa. Ela sem dúvida sabia o que estava acontecendo, mas fingiu não ter percebido.

"Eu espero que você me permita compensar você da próxima vez, Sarah. Posso te chamar de Sarah, né? Até a próxima!" James se levantou e saiu.

Enquanto ele caminhava lentamente para fora da cafeteria, Sarah desviou o olhar com indiferença. Ela suspirou, exausta, mexeu seu café sem prestar muita atenção. Esses encontros às cegas inúteis estavam começando a esgotar sua paciência. Em algumas ocasiões, a ideia de se casar com uma pessoa qualquer cruzou sua mente. Porém, ela simplesmente não ousou fazer tal coisa. Já era ir longe demais, não valia o risco.

Quando voltou para casa, assim que se acomodou no sofá, sua mãe veio até ela. Ela estava com uma expressão preocupada. "Querida, por que você voltou tão cedo? Não saiu para jantar com James? Como foi o encontro? Me conta tudo nos mínimos detalhes! O que você achou dele?"

Sarah se inclinou para frente, fechando os olhos e esfregando a têmpora. Em seguida, olhou para sua mãe, Danna. "Mãe, ele é um cara ótimo, mas não faz o meu tipo. Eu não acho que vai funcionar, sei lá. Só isso."

"O que você quer dizer com essa de 'não acho que vai funcionar'? Então, me diga exatamente o que aconteceu!" Danna beliscou o braço da filha, como se ela tivesse estragado tudo.

"Ai, isso dói!" A garota massageou a área dolorida e fechou a cara. "Escuta, eu não gostei dele e ele também não gostou de mim. Nada mais, é só isso!"

"Querida, como é possível que ele não goste de você? Quem é que não gostaria da minha linda filha?" Sua mãe colocou os braços em volta dos ombros dela e a confortou. Imaginando que ela devia se sentir triste com o que havia acontecido no encontro.

O aborrecimento da jovem transformou-se em frustração quando lhe disse: "Estou muito cansada, mãe. Vou para meu quarto. Me chama quando o jantar estiver pronto."

Danna suspirou, sentindo pena dela. Ela se perguntou por que sua linda filha não conseguia encontrar um homem, mesmo depois de tantos encontros. Qual seria o problema?

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