“Se o amor é um crime,
torne-me uma vítima.”
Provérbio francês
Rayssa
Chego em casa desanimada depois de assistir à traição sórdida.
Estou me sentindo péssima!
Será que se tivesse quebrado a cara deles estaria me sentindo melhor?
O gosto da traição é um gosto amargo e dói para cacete, mas vou superar.
Que ódio estou de mim mesma!
Como não percebi?
Os sinais estavam todos na minha cara e George andava sempre na casa do Luís.
Que ódio!
Odeio ser feita de trouxa!
Jogo-me no sofá e ligo para minha amiga Kel que logo atende animada.
— O que tu manda, pretinha?
— Estou muito puta da vida!
— Desembucha de uma vez, mulher — diz me apressando ansiosa.
— Peguei o filho da puta me traindo! — digo possessa.
— O QUE? — a louca berra quase me deixando surda. — Aquele filho da puta nunca me enganou, ele que não cruze meu caminho porque vou mostrar para ele que com amiga minha não se brinca! Sempre te disse que não ia com a cara daquele traste — diz revoltada tomando minhas dores.
— Não vai me perguntar com quem? Poxa, foram sete anos! Isso não são sete dias não. Tudo bem que o namoro não estava lá essas coisas e se ele não queria mais, era só terminar.
— Na boa Ray, eu já desconfiava, mas você sempre dizia que era paranoia minha e te digo mais, ele não vai terminar contigo só porque pulou a cerca. Ele fará de tudo para você o perdoar.
— Jamais, não tenho vocação para ser corna! É foda, viu? A corna é sempre a última a saber, mas dessa vez não tem volta. Das outras vezes que terminamos foi por infantilidade nossa, agora já era. Traição não perdoo mesmo, nunca o traí e olha que não foi por falta de oportunidade.
— Os cornos são sempre os últimos a saber, pretinha. Como você mesma disse.
— E a mãe dele foi bem sacana... Como a mulher me manda ir ao quarto dele se ela sabia que ele estava acompanhado? Não é segredo para ninguém que aquela velha nunca gostou de mim.
— Velha ordinária! O que você pretende fazer agora?
— Seguir em frente! Não vai ser uma traição que vai me abalar.
— É assim que se fala, garota. — Ela bate palmas. — Vamos cair na balada. Ganhei dois ingressos hoje — diz toda eufórica.
— Jura? — indago. — Mas vai ficar para uma próxima... Agora você não vai acreditar no estrago que fiz, quebrei os vidros do carro dele, já que não sujaria minhas mãozinhas neles, o bem mais precioso dele, pagou o pato — digo com a alma lavada.
— Tá perigosa, hein? Quero morrer sua amiga — a sacana diz gargalhando.
— Só descontei no carro, porque tem palavras que ferem mais que um tapa.
— Pena que estou trabalhando agora, mas posso ir aí na sua casa assim que sair do plantão. Vamos nos empanturrar de todo tipo de doces e falar muito mal da raça masculina.
— Vou aproveitar e ir me encontrar com minha mãe em Angra, na casa da tia Joana, só não fui com ela hoje cedo porque não queria ouvir as gracinhas do George sobre não ter preferido passar o fim de semana com ele.
— Aproveita aquele lugar paradisíaco por nós duas... Se eu pudesse iria junto, manda um beijo e um cheiro para sua mãe e trate de voltar com a pele dourada.
— Já nasci bronzeada menina, mas vou ouvir seu conselho. Tenho que começar a me preparar para o desfile e quero minha pele dourada mesmo.
— Na volta a gente se fala Ray... Vamos achar uma forma de acabar com os três traidores — diz minha amiga em um tom sério e nos despedimos.
Sigo para me arrumar rápido, pois quero pegar o último ônibus para Angra dos Reis. O lugar é lindo e paradisíaco, passava todas as minhas férias em Angra e lá me sinto em casa. O lugar no verão é muito movimentado por causa das belas praias, mas no outono é super tranquilo.
Já no ônibus, mando uma mensagem de texto para o traidor do George. O traste odeia modernidades, redes sociais e aplicativos de mensagens, pois ele diz que é coisa de gente desocupada.
Ignorante e traidor dos infernos!
Quando me lembro das nossas fodas sem graça, me dá um ódio tão grande, com as vadias pelo visto ele fazia direito.
Cachorro, filho da puta!
Garota, você além de corna era mal comida e seu objetivo de vida a partir de agora é ter o melhor em todos os sentidos.
(•••)
George
— Como foi sua tarde, filho? — pergunta minha mãe enquanto jantamos.
— Maravilhosa, por quê?
Ela me olha com uma expressão estranha.
— Aquela garota esteve aqui quando estava saindo e você estava com suas visitas — diz como se contasse algo corriqueiro do dia a dia.
— Que garota, mãe?
— Como que garota, George? Aquela moreninha que você insiste em me afrontar dizendo ser sua namorada.
Meu celular apita, é uma mensagem da minha preta e arregalo os olhos ao ler.
“A partir de hoje não cruze meu caminho, se não quiser que eu passe por cima de você com um rolo compressor. Se tiver amor a sua vida e suas preciosas bolas, quando me encontrar na rua, mude de caminho, seu traidor dos infernos!
Sinto nojo de vocês e não quero vê-los na minha frente nem pintados de ouro. Graças a sua preciosa mãe a venda dos meus olhos foi retirada e a otária aqui descobriu o lixo de homem que você é.”
Olho para minha mãe que faz cara de paisagem, ela pensa que me engana.
— MÃE, VOCÊ NÃO FEZ ISSO!
Levanto-me da cadeira em um pulo e a cadeira cai deitada no chão.
Estou muito puto!
— Fiz e faria de novo, foi bom para ela saber onde é seu lugar — diz ácida e com desprezo.
— Mãe, isso é sórdido demais até para a senhora. Como pôde permitir que a Rayssa me visse com a Priscila em um momento íntimo?
— Não seja ridículo, menino! Priscila sim é mulher para você e não aquela favelada. Acha que não sei o que acontece no seu quarto? Só espero que você não esteja comendo o viadinho do Luís. Aproveite! Todos sabem que esse noivado da Priscila é de fachada.
— Você não tinha esse direito, vou me casar com a Rayssa e mais ou menos dia, a senhora vai ter que aceitar isso — digo ignorando suas palavras sobre Luiz e Priscila e minha mãe simplesmente dá uma gargalhada.
— George, duvido que a moreninha ainda queira te ver na frente dela. Isso foi bom acontecer, porque essa sua namoradinha é igual a mãe dela, duas desfrutáveis. Eu lá quero nora que se exibe praticamente nua para todos verem em escola de samba? — diz com desprezo.
— Vou pedi-la em casamento ainda esta noite — digo ignorando o que ela disse sobre minha morena e Alice.
— Deixe de iludir a pobre garota, meu filho. Pelo que conheço da sua namoradinha esse namorico de vocês já era — diz vitoriosa.
— De que lado a senhora está, mãe? Digo uma coisa a você, se a Rayssa não me perdoar, nunca mais falo com senhora.
— Que drama, você ainda vai me agradecer, seu ingrato. Já pensou se fosse você cheio de chifres em vez dela? — diz gargalhando.
Ela ainda acha que está com a razão.
Deixo minha mãe falando sozinha, se continuasse perto dela poderia fazer uma besteira. Quem tem uma mãe como a minha não precisa de inimigos, desconfio inclusive que tem dedo da Priscila nesse flagrante. Agora vou ter que morrer negando essa traição, sei que vai ser complicado, pois ela me flagrou com o pau enterrado todinho na boceta gostosa e apertada da Priscila.
Estou há anos com as duas e para mim existem dois tipos de mulheres: as que a gente fode e trepa de todas as formas inimagináveis, o tipo que sabe ser uma puta na cama e as de família para se casar, essa a gente é cuidadoso e sexo só papai e mamãe. Eu faço amor com a Rayssa e respeito a morena porque ela sim será a mãe dos meus filhos. Mulheres como a Priscila encontro em qualquer esquina e nosso acordo era bem simples, foder até perder o juízo e só. Eu só não contava que essa cadela fosse me ferrar dessa maneira.
Tudo estava perfeito até a cachorra se juntar com minha mãe e atrapalhar meu namoro com a mulher da minha vida. Eu até aturava Luís na equação, o cara é podre de rico e pagava caro para ficar comigo e sua noiva. Sou macho e nunca dei para um viado, mas comer era outra história.
Agora se a Rayssa não me perdoar, não sei o que faço com a Priscila.
“Ah, Priscila, se eu perder minha mulher você estará fodida, literalmente, e não será no sentido bom”, penso enquanto vou para a casa da Rayssa apressado com esperança de que ela me perdoe. Ela não pode dizer que nosso relacionamento acabou por causa de uma besteira, isso não vou permitir.
— Rayssa não está em casa, George.
Alice atende a porta vestida usando uma camisola de seda preta minúscula.
Olho para minha sogra de cima a baixo.
A mulher é um espetáculo e tem um corpão com curvas generosas que já provei ser delicioso no passado. Já transei algumas vezes com a mãe da minha namorada, a mulher nunca se importou por ser o namorado da filha, inclusive todas as vezes foram na cama da Rayssa. Alice tinha esse fetiche e na hora gostava que eu gozasse dizendo o nome da filha, vai entender. Nunca me importei, só queria fodê-la.
— Onde ela foi?
— Eu lá vou saber, quando cheguei em casa não encontrei ninguém — diz entediada.
— Posso ir ver no quarto dela? — Não saio daqui antes da Rayssa me ouvir.
— Não vai ser possível.
Ouço o tal amante dela chamando-a ao fundo.
— Ok, volto outra hora então. — Despeço-me e volto desanimado para casa.
Ligo, mando mensagens inúmeras vezes e nada da morena dar sinal de vida. Ela deve estar muito puta da vida comigo, certamente eu estaria no lugar dela, mas ela vai me perdoar querendo ou não. Não sou homem de levar pé na bunda de mulher, o relacionamento só acaba quando eu disser que acabou e não o contrário.
“A vida é uma batalha que se deve transformar em festa.”
Provérbio francês
Rayssa
— O que aconteceu, minha filha? — minha mãe me pergunta assim que me sento para o café da manhã.
Minha avó que considero como mãe já está na faixa dos 60 anos e me criou desde recém-nascida. Amo essa senhorinha de cabelo grisalho mais que a mim mesma, ela me criou e amou incondicionalmente, já minha mãe biológica nunca escondeu de ninguém que não estava nem aí para o fruto de sua desgraça da juventude.
Quando Alice engravidou aos 14 anos, só não abortou porque tinha esperança do amante a assumir. A mulher sempre escondeu de todos que tinha uma filha e não se importa com nada que não seja ela mesma. Filha egoísta e mãe desnaturada como ela não há.
— Não houve nada, mãe.
— Diga logo Rayssa, te conheço como a palma da minha mão e sei quando algo não está bem com você — diz olhando em meus olhos.
— O bom é que ela está aqui com a gente Maria — tia Joana comenta animada.
— Estou feliz com isso, só que sei quando algo está errado — diz e me olha séria.
— Só peguei o George e a Priscila me traindo — digo de uma vez.
— O que? — Minha mãe arregala os olhos. — Sinto em dizer minha filha, mas foi melhor assim. Nunca achei que aquele cabra fosse homem para você. Agora não esperava isso da Priscila. Que sem-vergonha!
— Que cachorro e que amiga da onça essa tal Priscila se mostrou, nunca fui com a fuça dessazinha — bufa tia Joana.
— Você quebrou a cara deles? Quando seu tio aprontava assim quebrava a vassoura nele. O homem que aprontava! Aquele traste não valia nada e que Deus o tenha em um bom lugar.
— Nunca me sujeitaria a tanto tia, só virei as costas e fui embora. Não perdoo traição. Nós mulheres, hoje em dia, somos independentes e não precisamos de homens para viver. Perdoar é pedir para ser chifrada a vida toda. Acredito que o homem dos meus sonhos deve estar perdido em algum lugar e uma hora ou outra vou encontrá-lo. Quem ama de verdade não trai, isso é fato irrevogável.
— Verdade, todos temos a tampa da nossa panela — diz minha tia.
Tomamos nosso café com um cuscuz de milho quentinho.
Passo manteiga em um pedaço, que derrete em segundos e enquanto comemos o delicioso cuscuz, elas me contam as novidades.
Nunca vi tanta disposição em duas senhoras como elas.
(•••)
— Filha as coisas vão se ajeitar, você vai ver — diz minha mãe fazendo carinho no meu cabelo.
— As coisas ultimamente só têm dado errado para mim mãe. Estou cansada, sabe?
— Ninguém nunca disse que seria fácil e se tudo fosse tão fácil, que graça a vida teria?
Sempre fui a garotinha da mamãe, não tem um momento na vida que eu me lembre de não ter corrido para pedir colo, estando bem ou mal. Tenho nela uma amiga, minha mãezinha é meu porto seguro.
— Eu sei, vou continuar tentando e não tenho tempo a perder.
— As encomendas estão prontas, não acredito que demos conta de tudo antes do prazo — diz minha mãe animada.
— Que notícia boa! — digo animada.
Minha mãe e tia Joana têm um ateliê de costura em Angra desde que eram novas. Elas confeccionam de tudo, desde vestidos de noivas a fantasias de carnaval. Todo ano elas pegam várias encomendas do pessoal da escola.
— Você se superou mais uma vez — diz se referindo a minha fantasia que desenhei o modelo.
— Vai ficar lindo, não vai? — pergunto.
— Sim, você será a rainha de bateria mais linda da noite!
— A senhora dizendo isso não vale, pois para as mães os filhos são sempre lindos.
— Engraçadinha! — diz e sorrimos.
(•••)
Acordo cedo, tomo um banho frio para despertar do meu sono rápido e me depilo, porque ir à praia com a perseguida parecendo uma aranha caranguejeira, não rola. Visto meu biquíni preto de cortininha e minha saída, verifico na bolsa de praia se meu poderoso bronzeador de urucum está lá, coloco a toalha de banho e saio do quarto.
— Bom dia, meus amores! — digo animada e deixo um beijo na testa da minha mãe e da minha tia que já estavam acordadas tomando café da manhã.
— Que bom que acordou disposta — diz minha mãe terminando seu café.
— O que as duas acham de irem à praia comigo? — pergunto puxando uma cadeira.
— Que pena não podermos ir, nossa agenda hoje está cheia — comenta minha tia.
— Ray fiz seu bolo preferido, o de milho. Você anda tão magrinha — diz tia Joana.
— Obrigada, tia. — Agradeço.
Corto um pedaço do bolo, mordo e fecho os olhos saboreando a delícia.
— Essa menina começou a dieta há meses de novo. Está comendo mais frutas e mato ultimamente — reclama minha mãe.
— Mato? — pergunto sorrindo. — Deixa de implicância com a minha alimentação, vocês duas. É só uma dieta balanceada, passada pelo nutricionista. Vocês acham que é fácil ter um corpo fitness? Ando malhando bastante, também não quero uma gordurinha indesejada no dia do desfile.
— Você já é magra por natureza, menina, para que seguir à risca essas frescuras? — diz minha tia.
— Bora trabalhar irmã que ganhamos mais. Filha mais tarde precisamos que você tire umas fotos com os vestidos novos para nós — pede minha mãe.
— Sim senhora!
Elas seguem para o andar de baixo onde fica o ateliê, minha tia mora em uma casa de dois andares deixada pelos meus avós. No andar de baixo tem uma lojinha de vestidos de noivas e no fundo uma grande sala que elas fizeram um ateliê digno do sonho de uma boa costureira.
Elas se despedem e termino meu café comendo mais do que deveria.
Tiro a mesa do café, arrumo tudo rapidinho, saio de casa e logo estou na praia que fica do outro lado da rua.
Angra é um paraíso, meu lugar preferido no mundo!
A praia estava vazia por ainda ser bem cedo, forro minha toalha na areia e passo meu bronzeador no corpo, pois nas próximas horas pretendo ficar com a pele dourada.
(***)
Horas depois estou pronta para voltar para casa, me lavo no chuveiro para tirar o excesso de areia, coloco minha saída e caminho para comprar uma água de coco.
Sabe quando os cachorros estão sedentos com a língua para fora?
Encontro-me dessa maneira.
Enquanto me delicio com uma das sete maravilhas do mundo, aproveito para tirar algumas fotos do mar que estava lindo com o sol de brigadeiro. Distraída, nem percebo que vem uma pessoa correndo e acabamos levando um grande esbarrão. Só não vou ao chão porque a pessoa me segura, mas a minha bolsa e celular não tiveram o mesmo destino.
— Moça me desculpe, estava distraído e não percebi que você vinha na mesma direção — diz a voz com um sotaque estrangeiro ao soltar minha cintura.
— Tudo bem — balbucio sem reação.
Não podia ser grossa com ele, as pessoas corriam e faziam caminhada na orla o tempo todo.
Onde suas mãos grandes e quentes encostavam esquentava devido o contato com a minha pele úmida. Perco-me por alguns segundos nos olhos hipnotizantes do desconhecido, eles são tão azuis quanto o mar que estava admirando há pouco, o que me faz perceber que fui distraída de um oceano para outro. O desconhecido é o primeiro a desconectar nossa troca de olhares e se abaixa pegando minha bolsa e celular.
— Desculpe-me mais uma vez.
— Acidentes acontecem — digo.
Ele faz um meneio de cabeça e se afasta seguindo sua caminhada.
Algo brilha na areia onde ele pegou minha bolsa, pego a corrente de ouro e abro o relicário que tem duas fotos antigas de uma mulher loira e de um garotinho. Espero um dia poder reencontrá-lo para entregar sua joia, mas sei que é uma chance em um milhão em uma cidade cheia de turistas e sou péssima em guardar fisionomia, ainda mais que ele estava de boné.
(•••)
— São lindos demais! Mas esse... — digo olhando o vestido em frente ao espelho, encantada com o modelo.
Ele é simplesmente deslumbrante, tem mangas longas de rendas, justo até a cintura, um caimento perfeito na saia e as costas nuas.
Simplesmente perfeito!
— Sabe filha agora que você terminou com aquele encosto, tenho esperança de que irá encontrar um homem bom — diz me olhando com carinho.
— Ainda bem que acordei a tempo, né? — digo sorrindo.
— Antes tarde do que nunca — brinca.
— Alice sempre foi motivo de desgosto, aquela filha desnaturada, mas pelo menos ela me deu algo precioso na vida além de aborrecimentos. Pode até parecer estranho o que vou dizer, mas o amor que sinto por você consegue ser maior do que o que sinto pela minha própria filha. Dizem que as avós conseguem amar em dobro e concordo com isso. Esse vestido fiz para você e sinto que agora irá encontrar o seu homem dos seus sonhos — minha avó diz emocionada.
— Ah, mãezinha! Sabe que também te amo muito, muito obrigada por sempre cuidar de mim e me amar tanto! — digo e a abraço apertado.
— Promete-me que mesmo que eu não esteja mais aqui, vai realizar meu sonho e se casar com esse vestido?
— Para com esse papo bobo mãezinha, a senhora não só estará aqui como vai entrar comigo na igreja.
— Só me promete menina! — pede mais uma vez.
— Prometo! Mesmo que não me case tão cedo, depois do que George me fez, vou ficar atenta e só darei valor a quem provar com atitudes que me merece. Porque preciso de um homem que seja companheiro, me respeite e simplesmente me adore. Quando encontrar um homem que me trate assim, vou realizar seu sonho me casando com ele e você estará presente, viu?
— Isso mesmo, saiba que ele está perto! — prevê.
— Quando a senhora vem com essas premonições sinto até medo, sabia?
— Ah, é? Então vou dizer logo tudo de uma vez — diz séria. — A caminhada vai ser árdua para ambos, mas no final terão suas recompensas pelas lágrimas derramadas. Você será a cura para um coração aflito e ele te mostrará que é capaz de amar incondicionalmente — diz e me arrepio inteira.
Ela não errou da outra vez quando disse que o George me decepcionaria feio e não era homem para mim. Minha avó nunca errou uma, as mulheres do bairro iam atrás dela sempre para conversar, a maioria saía sorridente, já outras nem tanto.
— Acho dona Maria, que deveríamos abrir lá em casa um atendimento de cartomante, o que acha?
— Respeita-me, garota! Ser sensitiva não me dá o direito de ser charlatã.
— Concordo moça sensitiva! — brinco abraçando-a apertado mais uma vez agradecendo o lindo presente e internamente agradeço a Deus por ter me presenteado com uma pessoa tão maravilhosa.
(***)
Volto à praia no dia seguinte para ver se encontro o rapaz para lhe entregar o colar, mas foi em vão.
Guardo o colar na minha bolsa e aproveito o dia para manter o meu dourado e olhar o lindo mar a minha frente. Depois de mais uma manhã na praia retorno para a casa da minha tia para aproveitar um pouco mais da companhia delas e assim após um fim de semana maravilhoso volto para casa com as energias renovadas.
Ainda na estrada ligo meu celular e ele apita com inúmeras mensagens do George, leio por cima uma delas que diz que era tudo armação para nos separar.
Meu ex realmente não tem noção do perigo.