Capítulo 2

Me arrependo um pouco da noite de ontem. Eu voltei para casa com um estranho e aceitei sair com ele. Felizmente depois de amanhã não vou vê-lo novamente. Eu não estaria numa boa situação se fosse amiga dele. Sem número, sem localização, apenas um dia, e voltaria para casa. Ia esquecer dele.

                    Como uma tigela de cereais e leite pela manhã sem muito entusiasmo. Não faço ideia de onde minha tia se meteu, mas ela é adulta e sabe cuidar de si. Porquê meus pais me deixam visitá-la?

                   A campainha soou e com relutância eu levanto para abrir a porta. Se não fosse essa figura alta com calças jeans rasgadas nos joelhos, camiseta azul regata mostrando suas tatuagens no braço direito, cabelos despenteados escuros, olhos verdes hipnotizantes e lábios bem esculpidos, eu ficaria decepcionada.

                  — Olá, Blaire, como você passou a noite? — Encaro o chão triste por ter feito o que fiz.

                   — Bem. — Tive que mentir. Nunca me senti tão mal em toda a minha vida. — O que você faz aqui? Eu pensei que iria para casa do seu amigo mais tarde.

                     — Eu mudei de ideias. Primeiro quero que você conheça um lugar, agora! — Ele pega na minha mão e me leva para sua moto.

                    — A casa do seu amigo?

                    — Não! — Nós paramos na frente da sua moto. Uma moto Kawasaki Ninja 250R azul escura.

                      — Vamos andar de moto?

                      — Parece que sim. — Ele fecha a garagem e sobe na moto, liga e coloca o capacete. — Pode subir, é seguro! 

                      Eu subo com um peso na consciência. Coloco o capacete e as mãos ao redor dele. É apenas para não cair, mas aproveito para sentir seus músculos e abdominais bem formados. Uma garota bem comportada não faz essas coisas.

                       — Pronta? — Ele sussurra.

                       — Sim! — Digo com um pouco de medo. Ele começa a guiar devagar, depois ganha o ritmo e acelera.

                       É apenas um convite, Blaire! porque irei me livrar dele no dia seguinte.

                   Ele dá um pequeno salto com a moto e agarro a ele com mais força. Andar de moto não é tão ruim assim. Ser uma garota má também não. Tenho que experimentar!

                     Chegamos num parque isolado, à frente de um lago, com uma pequena casa abandonada. A vista é incrível. E bastante, romântica! Não que ele saiba o que isso significa. Nem eu sei. 

                        Liam desce primeiro e depois me ajuda a descer. Nós tiramos os capacetes e andamos para perto do lago.

                     Silêncio é tangível.

                  — Que lindo lugar! — Tinha que dizer alguma coisa.

                  — Eu sei.

                  — E é também muito romântico! Eu adorei!- Ele olha para mim e sorri. Eu definitivamente não devia ter dito aquilo. Sou uma idiota!

                    — Que bom, que você gosta. Eu também gosto muito. Venho sempre aqui para pensar! — Porquê ele me trouxe aqui?

                    — Porquê estou aqui? — Ele olha para o lago.

                    — Porquê a pergunta?

                    — Eu quero saber porquê!

                    — Porque todo o mundo devia conhecer esse lugar. Sinto uma paz aqui.

                     — É calmo! — Não sei mais o que dizer.

                     — Meus pais deixaram de ter orgulho em mim, por causa do que me tornei. — Olho para ele.

                    — Porquê?

                    — Antes, eu seguia todas as regras. Era um menino bem sucedido. Bem para eles eu era. Meu pai sempre quis que eu seguisse os seus passos. Nunca me perguntou o que eu queria. Eu era uma espécie de marioneta dele. — Eu penso o mesmo sobre meus pais, e entendia o que Liam passava.

                   — Porquê você diz isso pra uma estranha?

                   — Porquê você não é tão estranha para mim assim.  — Isso não faz sentido. Ele não faz sentido.

                  — Eu entendo perfeitamente! Acontece o mesmo comigo. Meu pai é super protetor, e nunca me deixou seguir meu caminho sozinha.  Eu sempre quis ser independente, deixar de morar com eles algum dia, ter a minha própria casa, mas eu não sou capaz de fazê-lo, não sou capaz de dizer a eles o que eu quero, porque tenho medo que eles fiquem machucados.

                — Eu também tinha, mas eu falei com eles, e pensei que iríam me apoiar apesar de tudo, mas me enganei. Eles são impossíveis! Algum dia não vou mais aguentar estar naquela casa.

                — As coisas são tão complicadas quando crescemos. — Rio sem humor algum.

                     — O que você faz? — Deixo meus pensamentos e o encaro.

                   — O quê? — Pergunto confusa.

                    — O que você faz no colégio?

                   — O que todo mundo faz. Estudar. Você não estuda?

                   — Tenho 19. Claro que sim. Fiquei dois anos sem estudar porque queria mostrar rebeldia a meus pais.

                   — Sério?

                   — Sim! Viajei sem eles saberem. Levei o cartão de crédito e mais algumas notas. Muitas notas. Foi divertido até eles me acharem.

                   — Não sei se seria capaz! — Eu coloco uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

                  — Eu faria outra vez.

                  — Você quer mostrar rebeldia, mas não é.

                  — Quem disse isso? Ninguém! 

                  — Não precisa! Você só quer provocar seus pais.

                  — Só quero escrever o meu destino e não deixar que eles o façam por mim.

                    — Eu também queria viajar pelo mundo. A pior parte de ser adulto é que tem muito em que pensar! Arranjar emprego, comprar uma casa, casar, ter filhos, esse tipo de coisas. Não se compara a vida de uma criança. Elas simplesmente não têm nada que se preocupar! São totalmente inocentes e totalmente felizes.

                  — Eu entendo. Mas já não somos mais crianças! Bem, eu não!

                    —  Eu também não. Tenho 17.

                    — Aonde você mora? — Porquê ele faz essas perguntas? Não vou dizer nada.

                  — Eu entendo que você não queira dizer, afinal, sou um estranho que você acabou de conhecer!

                  — Isso é verdade.

                  — Quando você volta para casa?

                  — Amanhã.

                    — Que pena que não vamos poder nos conhecer melhor. Eu gostava tanto de ser seu amigo. 

                    — Claro. 

                    — Podemos trocar os números de celular?

                   — Liam... talvez não.

                   — Porquê não?

                   — Nos conhecemos ontem. Eu não sei se você é um homem perigoso ou não.

                   — Eu sou perigo para caralho! Mas não do sentido que você pensa! — Ele é muito atraente, e muito sexy, mauzão e eu muito sentimental, não vai funcionar.

                   — Então, em que sentido?

                   — Não me fica bem contar. Eu prefiro mostrar a você. Mas não agora, agora é muito cedo. — Olho para ele bastante confusa. Percebendo porquê, o meu pai sempre quis que me afastasse desses tipos de pessoas, em particular os homens.

                     — Agora você me deixou curiosa. Eu quero saber!

                     — Não é uma boa ideia, senão você ficará obcecada por mim, e você não vai querer se separar de mim.

                     — Eu acho que você está exagerando. — Reviro os olhos e depois começo a rir.

                     — Não! Eu não estou! — Ele diz baixinho, bastante sério.

                  — Não me mostre, apenas me diga!

                    — Blaire, você é a menina mais impertinente que eu conheço!

                     — Eu só quero saber. Se você não vai me dizer, então que não tocasse no assunto.

                      — Você é quem começou. Eu não tive culpa de nada.

                      — Eu só quis dizer que não te conheço!

                      — Eu também não conheço você, mas confio em você mais do que ninguém. A que se deve isso?

                    — Eu não sei. Talvez porque você apenas vê o lado bom das pessoas.

                   — Será? — Ele levanta uma sobrancelha. — Ou talvez porque temos uma ligação especial. — Dou enormes gargalhadas. Quando termino, observo Liam que olha para o rio distraído.

                   — Desculpa, eu não queria rir. — Digo sinceramente. Liam se vira para mim e sorri.

                    — Tudo bem.  Eu entendo.

                    — Ainda bem.

                    — Podemos ir para casa?

                    — Claro, vamos!

                       Caminhámos de volta para a moto, subimos, colocamos os capacetes e arrancamos. Eu apertei com muita força ao redor de Liam, para que eu não caísse.

                  Chegando de volta a casa do amigo do Liam, desço da moto e tiro o capacete. Liam apenas olha para mim através do espelho retrovisor. Não sei se olha para mim ou para ele.

                    — Você não vai descer da moto? — Pergunto.

                    — Estava apreciando a vista. — Ele tira o capacete e sorri.

                  — Se já terminou, então vamos entrar. — Ele desçe da moto, e a leva até a garagem, depois retorna para junto de mim. 

                    — Tudo bem. Vamos entrar! — Ele abre a porta e deixa eu entrar primeiro, entrando em seguida.

                   — A casa é acolhedora. — Digo olhando para todos os cantos da casa.

                     É organizada para apenas homens viverem aqui. Organizada até de mais. A sala não é muito grande mas é agradável. Os sofás de coro preto combinam com a mesa de centro de madeira escura, e com a estante cheia de CDs. A TV na parede é grande demais para a pequena sala e as paredes são azul escuro.

                    — Sente - se por favor. — Liam aponta para o sofá. Sento, me perguntando o que faço aqui. Ah, sim! É a última vez que irei ver Liam por isso, não faz mal.

                    Ele entra na cozinha,me deixando sozinha na sala. Um homem loiro aparece na sala sem camisa mostrando todas as tatuagens na sua pele. Também é musculoso como Liam, mas um pouco mais, e tem tatuagens nos dois braços e nas costas.

                       — Você é a garota que Liam está pegando? — Pergunta ele. — Sou Scott! Amigo, e mais alguma coisa de Liam. — Ele acende um cigarro e põe na boca, depois de se sentar.

                    — Mais alguma coisa? — Pergunto.

                        — Quer? — Ele mostra um maço de cigarros.

                       — Não Obrigada!

                      O fumo do cigarro me incomoda. Já vi que eles são perigosos. Não preciso de mais nenhuma prova. Liam regressa com uma cerveja e senta ao meu lado.

                       — Liam, ela não me disse o nome dela! — Scott olha para Liam.

                      — Blaire. — Digo. Só tenho de aguentar mais um dia! Só mais um.

                      — Você ficou a manhã toda com ela? — Scott fala sob a fumaça.

                      — Ele é um idiota, não liga ao que ele diz. Faltam parafusos na cabeça.

                     — Você quer jogar? — Ele mostra o game e eu rio.

                    — Você está brincando comigo? Eu vou esmagar você! — Recebo o controle.

                 — Eu sou invencível, por isso, você não vai.

                 — Eu vou sim!

                 A gente joga a tarde toda, fazendo apenas uma pausa para um lanchinho feito por Scott. Foi divertido. Foi estranho porque eu não conheço ele e eu parecia confortável. Rindo quando vencia ele, e dando uns tapinhas de leve sempre que leve fazia uma dança da vitória sempre que ganhava. E jantei com eles também. Não ia voltar a vê-los mesmo, por isso não faz mal.

                      No Domingo a tarde, arrumo as minhas coisas na minha mochila para ir embora. Olho pela janela do quarto, mas não vejo Liam. Seria o mínimo ele se despedir de mim.

                     Saio do quarto para encontrar minha tia. Ela me abraça, e beija minha testa.

                     — Até a próxima querida sobrinha. Vou ter saudades.

                     — Eu também tia. — Seguro a minha mochila.

                    — Então e o seu namorado? — Ela sorri. Porquê eu ia namorar com alguém que conheci a pouco tempo?

                    — Ele é um estranho para mim. E jamais ia namorar alguém assim.

                  — Sério? — Ela ri. — Não importa! Vamos! O seu táxi está esperando.

                    Nós saímos e encontramos o táxi na frente da casa. Dou mais um abraço na minha tia. Não faça ideia de quando vou voltar a visitar ela.

                   — Se cuide Blaire!

                   — Claro tia.

                   Ando até o táxi, e oiço passos vindo em minha direção. É Liam. Ele vem com um belo sorriso, e sem camisa. Ele sim não se importa com nada. Nada o impede!

                     — Não ia se despedir de mim? — Pergunta já perto o suficiente.

                     — Eu estou com pressa!

                      — Está aqui o meu número já que você não quer dar o seu. — Ele me entrega. — Liga para mim!

                      — Obrigada. — Recebo. Como se eu fosse mesmo ligar! — Então... adeus Liam!

                        Entro no táxi porque não sei se o abraço ou se lhe dou um aperto de mãos. Mas não importa. Devia esquecer o nome dele. Não vou vê-lo nunca mais. Tenho a certeza disso.

Capítulo 3

                  O uniforme do colégio me deixa sem graça. É uma saia cinza bem escura, uma camiseta branca e um pullover cinza claro por cima dela. Felizmente nada de meias, apenas uso os meus sapatos confortáveis e faço um rabo de cavalo nos meus cabelos pretos.

                     Pego na minha mochila e saio do quarto. Como sempre, meus pais estão na mesa me esperando para comer. Eles são rigorosos demais até para eles mesmos. São tantas regras que tenho que seguir!

                   — Bom dia, papai e mamãe! — Sento na mesa junto deles.

                       — Bom dia, filha. Como você se sente sobre seu primeiro dia de aulas? — Minha mãe pergunta.

                       — Muito ansiosa! Espero que corra tudo bem.

                       — Claro que vai correr bem, Blaire. É só você se comportar, como sempre!

                      Como as minhas panquecas tranquilamente. Eu sei que estou nervosa, mas não preciso mostrar isso a ninguém. Preciso de uma lista mental sobre o que fazer no meu primeiro dia num colégio de verdade.

                     Meu pai levanta primeiro e beija a minha mãe depois a mim. — Até logo meus amores, eu preciso ir.

                     — Meu amor, eu vou com você também estou um pouco atrasada. — Minha mãe levanta também, e beija minha testa. — Adeus filha.

                       Sorrio para eles. Meu pai é um cirurgião muito destacado e ele quer que eu siga seus passos. Deles ou da minha mãe, que é arquiteta. Ninguém me pergunta o que eu quero.

                       Levanto da mesa também, agarro numa maçã e saio correndo. Não quero chegar atrasada no meu primeiro dia de aulas. Nervosismo é tanto, que meu coração vai sair do lugar, se não me controlar.

                       Lewis, o meu motorista, me espera na frente do Kia Sportage preto do meu pai. O carro que Lewis sempre usa, para me levar em algum lugar.

                       Entro no carro, vejo se não esqueci de alguma coisa, olho para mim no espelho e como a minha maçã durante a longa viagem até ao colégio.

                    Pelo vidro do carro, posso ver que o Morgan Helton College é enorme! É mesmo grande, bonito e sofisticado. Parece um sonho, já que é a primeira vez que piso numa escola.

                       Saio do carro sem esperar Lewis e vou correndo para dentro do colégio, que nem uma criança numa loja de brinquedos. Eu sei que meu pai era capaz de me colocar num colégio só de meninas, por isso, quando mais rápido souber, melhor para mim.

                       Quando entro, meu alívio é notável. Há homens também. Felizmente meu pai não fez isso comigo. Estava pensando que se fizesse, voltaria a ter aulas particulares.

                    Observo cada canto e me perco no momento, quando bato no ombro de alguém assim que me viro. Uma garota ruiva, com batom vermelho, e unhas pintadas de preto.

                   — Desculpa! — Digo.

                   — Olá eu sou a Jolene, e você? É nova por aqui? — Ela sorri e estende a mão para mim.

                       — Sim. — Aperto a sua mão. — Sou a Blaire. Muito prazer!

                       Ela segura o meu braço e me guia para os cacifos. Seus cabelos ruivos batem no meu rosto quando ela se vira para abrir seu cacifo e coloca os livros lá.

                       — Você deve estar se perguntando porquê eu trouxe você aqui. Primeiro, a Bruna Levigne, é uma bruxa e ela sempre trata mal ou recruta as alunas novas, segundo, você parece simpática e eu não quero que sofra nas mãos dela, acredita, eu já sofri e ela não presta, e terceiro, é sempre bom ter amigos novos.

                       — Bem... obrigada. Eu estou um pouco perdida.

                      — Você parece muito perdida, mas não se preocupe, eu vou te ajudar. Eu ganhei o concurso de Miss carisma no ano passado. — Ela fecha o cacifo.

                         — Sério?

                         — Sério. Você vai conhecer tudo em menos de uma semana. Prometo!

                         Acabei de chegar e já tenho uma amiga. Que maravilha! Bom trabalho Blaire! Você está se saindo muito bem para uma novata.

                       Sigo Jolene pelas escadas, e entramos numa sala de aulas com apenas duas pessoas dentro dela. Um garoto loiro de óculos lendo um livro e uma garota de cabelos castanhos até ao fim do seu rosto, também de óculos mexendo no celular como se estivesse hipnotizada.

                       — Você senta atrás de mim. Eu sento na frente para poder chamar a atenção dos professores. — Ela diz. Eu sento onde ela indica. Sento ao lado da garota do celular.

                     — Ok.

                     — Há coisas que você precisa saber. Grava bem esses nomes: Bruna, Grant, Scott, Bratt e Lambert. Se afasta deles. Você deve evitar eles se quer continuar nesse colégio.

                    — Está bem. Eu vou me afastar.

                       A garota do celular olha para mim depois para Jolene. — Amiga nova, Miss carisma? — Pergunta depois volta a olhar para o celular.

                       — É a Blaire. Ela é nova e não deve sofrer nas mãos do esquadrão homicida.

                       — Olá Blaire, eu sou a Sophie, sou amiga da Jolene também. Como você está? — Ela continua olhando para o celular.

                        — Nervosa, mas bem.

                       Um aluno entrou na sala com uma camisa e o pullover colete cinza por cima. Seu cabelo castanho está bem penteado e senta duas cadeiras atrás de Sophie. Olho para Jolene.

                   Ela se aproxima e sussurra: — É o Shane Walter. Um dos alunos mais inteligentes da turma.

                     — Oh! — Não tenho mais nada a dizer.

                      Olho para trás para ele e seus olhos me encontram. Ele é bonito. Viro imediatamente para Jolene novamente.

                       — Bom, acho que você quer saber sobre mim. Jolene Watson, 17 anos. Estou nesse colégio desde os 15. agora você!

                         — Também tenho 17 anos.

                         — Onde você estudava?

                         — Em casa. Eu tive aulas particulares desde pequena. Não sei o que deu para meu pai mudar de ideias.

                         — Você não tem irmãos?

                        — Não!

                        — Bem, eu tenho cinco! Você não imagina o que eu passo. Sou a irmã do meio. E para piorar, Sophie está apaixonado pelo meu irmão. É horrível.

                     Os alunos entram na sala, pouco a pouco. Reparo agora num garoto loiro com o cabelo bem penteado sentando perto de Shane.

                        — Ele é o amigo de Shane, o Paul. Ele é lindo! — Ela dá um suspiro apaixonado.

                       — Mais lindo que o seu irmão? — Pergunta Sophie. — Duvido!

                       — Que nojo! — Jolene vira para frente do quadro.

                       Uma loira com saltos altos e com a saia do uniforme curta, sem o pullover e com a camisa com os dois primeiros botões apertos, revelando que tem peitos grandes, entra na sala com uma garota atrás dela segurando o que parece ser as coisas de ambas. Ela senta na frente e sua amiga na trás.

                       — Podem respirar a vontade, eu cheguei! — Ela diz, com o chiclete na boca.

                      — A gente reparou Bruna! — Sophie responde. Uma das pessoas que tenho que me afastar.

                       — Não falei com você caixa de óculos! — Bruna responde e depois ri.

                      Outros alunos entram. Um moreno de olhos âmbar e um loiro de olhos azuis. Eles não estão usando o pullover, e têm o rosto sério e perigoso. Eles sentam na mesma fila que Bruna deixando dois lugares livres no meio da mesma fila.

                        Jolene vira para mim. — O moreno é o Grant, e o loiro é o Bratt, o meu irmão.

                       Arregalo os olhos. — O seu irmão?

                       — Um ano mais velho. Ele estaria na universidade, mas incendiou literalmente a antiga escola onde estudava. Meu pai gastou milhões na fiança dele. Percebe porquê é perigoso?

                        — Sim. Já entendi. Não chegar perto. — Falo.

                       — Linda menina!

                      A porta se abre mais uma vez e mais alunos entram. Entre eles vejo Scott. O... amigo... do... Liam. Mas que droga?

                       — Esse é o... — Sophie começa.

                       — Scott! — Interrompo.

                       — É tão óbvio assim? — Jolene pergunta. — Só falta o Lambert.

                       O professor entra com um sorriso no rosto. Ele parece ter a idade do meu pai, uns quarenta e muitos, mas parece simpático.

                        — Olá meninos! Sou o vosso professor de matemática, Prof Collins.

                       — Eu sou a Bruna, a mais popular daqui.

                      — O que importa, minha menina, não é a popularidade, mas sim a capacidade de cada aluno. O nosso país precisa de jovens eruditos, não outra coisa. — Responde professor Collins.

                      — Eu concordo! — Digo alto suficiente para todos ouvirem.

                  Bruna lança para mim, um olhar mortal. Parece que já somos rivais. Foi bem rápido.

                      — Você não imagina como ela é irritante! — Sophie diz guardado o celular.

                     — Estou começando a imaginar. — Respondo.

                     A sala está cheia e falta apenas um lugar para ser preenchido. Não consigo parar de olhar. Como será esse Lambert?

                        Então, como se o universo tivesse me ouvido, a porta abre e todos nós olhamos para ela. Lambert entra na sala de aula, com o pullover até ao cotovelo, mostrando sua tatuagem, com a gola da camisa em pé, e com o cabelo bagunçado. Se eu tivesse um copo com água molhava agora o meu rosto. Meus Deus! Lambert é Liam?

                      Ele anda lentamente até o lugar vazio, e depois olha para mim sem demonstrar nenhuma emoção. Como se meu rosto fosse estranho para ele. Será que pode ser um irmão gémeo?

                    — Ele é o Lambert? — Pergunta para Sophie.

                  — Em carne e osso!

                     No refeitório, nós sentamos juntas. Obviamente, eu como file, salada e bebo um suco de laranja, enquanto que Sophie e Jolene comem hambúrgueres e bebem Coca-Cola.

                        — De certeza que não quer uma batata frita? — Jolene come uma.

                       — Não, muito obrigada.

                       — Ouvi dizer que nesse sábado vai ter uma festa na casa do Grant. — Sophie diz segurando o celular.

                       — Sério? — Jolene pergunta. — Ninguém nos convidou. Que injustiça!

                       — É tão importante assim ir para essa festa? — Pergunto. Ambas olham para mim.

                       — Nós nunca fomos convidadas para essas festas. Acredita, nem quando Bratt deu uma festa me convidou. E foi na casa dos meus pais.

                         — Bom, eu sou amiga do Lambert, talvez eu podesse conversar com ele e pedir para convidar a gente. O que acham?

                      Jolene e Sophie trocam olhares e depois riem como duas hienas. Não esperava essa reação, mas é normal elas reagirem assim porque eu e Liam somos muito, muito, muito diferentes mesmo.

                        — Ah Blaire, você é muito engraçada. Isso para nos animar. — Sophie coloca o celular na mesa.

                       — Eu estou falando sério!

                       Os cinco aparecem no refeitório com suas bandejas de comida e sentam numa mesa longe da nossa. Lambert ri de alguma coisa que disseram depois olha para sua comida. Definitivamente, é o Liam. Tenho a certeza disso.

                       — Deve ser outra pessoa. Blaire, você acabou de chegar aqui. — Jolene coloca uma mão no meu ombro.

                      — Eu sei, mas não significa que não tenha visto ele noutro lugar.

                      — Onde, por exemplo, Blaire? — Sophie olha para mim esperando a resposta.

                     — Na casa da minha tia, eu até tenho o número dele, mas não trouxe porque eu pensei que não voltaria a vê-lo, mas eu guardei em algum lugar no meu quarto.

                       — Tudo bem. — Jolene responde.

                       — Vou falar com ele agora! — Digo.

                       — O quê? — Sophie endireita os óculos e seus olhos puxados e pretos, arregalam. — Você só pode estar louca! Você quer ser humilhada? Eles são uns idiotas!

                     — Confia em mim! — Levanto e respiro fundo antes de caminhar até a mesa dos que Jolene chama de "Esquadrão Homicida".

                        Todos olham para mim quando me aproximo daquela mesa. Eles são tão temidos assim?

                        Meus pés param quando chego até eles. Grant olha para Bruna, Bruna olha para Bratt, Bratt para Scott, Scott para Liam e Liam para a garota que leva as coisas de Bruna, depois os seis olham para mim.

                         — Olá! Lambert eu posso falar com você um segundo? É que minhas amigas acham que eu não te conheço. Acredita nisso? — Falo, como se fosse ridícula essa situação.

                        — Você conhece ela? — Grant pergunta com a sobrancelha erguida.

                        — Não! Eu não sei quem ela é. Nunca a vi. — Ele bebe a Coca-Cola depois volta a olhar para mim. — Quem é você? — Cruza os braços.

                      Uau! O que está acontecendo aqui?

                      — Ele não te conhece! Se isso é um truque para ser como nós, pode esquecer lindinha. Pode voltar para a sardas da minha irmã e a China! — Bratt fala.

                        — Você não vai fazer nada? — Olho para Liam.

                       — Nunca vi você na minha vida!

                       Todos na mesa riem da minha cara, devo estar horrível. Não acredito que esse idiota esteja se comportando desse jeito!

                     Bruna joga o suco dela no meu pullover, e todos no refeitório riem, exceto Liam. Agora ele está sério, mas isso não muda nada do que ele fez.

                      Saio correndo do refeitório e procuro o banheiro feminino. Não vou chorar! Estou com tanta raiva que apenas quero quebrar alguma coisa.

                     Tiro o pullover, e tento tirar a mancha do suco quando a porta se abre e Jolene e Sophie entram.

                      — Você está bem? — Pergunta Sophie.

                       — Estou ótima. Vocês acharam que estava chorando?

                      — Bem, sim! — Jolene responde.

                     — Seu irmão chamou você de sardas, e você Sophie, de China.

                      Elas riem. — Que pouco original! E eu não sou chinesa. Meu pai é japonês e minha mãe é americana.

                      — Vocês acreditam que eu conheço Liam não é?

                     — Claro que sim, Blaire. Nós acreditamos.

                      Eu pensei que ele era legal, mas me enganei. Definitivamente, são pessoas que eu tenho que me afastar.

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