Percebendo o erro que cometeu, Jenna se jogou no sofá, segurando suas pernas com uma angústia exagerada. "Ah, minhas pernas! Elas doem tanto!"
A reação de Jeffry não foi de raiva, mas de culpa direcionada a Madisyn. "Madisyn, por favor, entenda que Jenna ainda é muito jovem. Não guarde mágoa dela..."
Madisyn já havia ouvido essa desculpa vezes demais.
"Claro, eu não revidaria se um cachorro me mordesse. Afinal, ele aprende esse tipo de comportamento com seus donos, não é mesmo?"
Com um último sorriso de desdém que rompeu o clima tenso, Madisyn colocou sua modesta bolsa no ombro e foi em direção à porta, com passos firmes e decididos. Ela nem olhou para trás, para a família que estava deixando.
O trio que ficou para trás espumava de raiva.
Lá fora, o motorista esperava, sem saber da confusão que havia acontecido dentro da casa da família Chapman. Desde o retorno de Jenna, o respeito dos funcionários da casa por Madisyn havia diminuído consideravelmente. Até o motorista deixou de cumprimentá-la quando ela se aproximou.
Ignorando sua presença, Madisyn passou por ele, com uma postura ereta e determinada.
A alcançando com passos apressados, o motorista chamou:"Madisyn, me pediram para te levar ao seu destino."
Madisyn parou, se virando um pouco para responder num tom gélido: "Não precisa. A partir de agora, não quero mais saber da família Chapman."
Após dizer essas palavras, ela chamou um táxi e disse ao motorista o endereço que Jeffry havia lhe enviado.
O destino era uma aldeia humilde e precária, bem longe da opulência que ela conhecia.
Ao chegar lá, ela percebeu o estado precário da casa dos seus pais biológicos, com o ar carregado de choros abafados que apertavam seu coração.
Ao entrar, ela viu muitas pessoas.
Um contraste gritante se apresentou: um homem com um terno limpo e elegante, cercado por guarda-costas, estava diante de um casal que chorava, vestido com roupas simples de camponeses.
Enquanto Madisyn observava essa cena surreal, o homem se virou, com os olhos cheios de vermelhidão e descrença. Então, ele correu em direção a ela com os braços abertos.
"Minha filha, é você mesma! Não acredito que você está viva!" A voz do homem alto e imponente se embargou de emoção.
Madisyn ficou perplexa, se perguntando quem era esse homem e por que ele estava agindo assim.
Madisyn observou os olhares lacrimejantes do casal de camponeses à sua frente. Sua voz, trêmula de confusão, finalmente quebrou o silêncio: "Mãe, pai, o que está acontecendo?"
O homem suspirou pesadamente, com a voz cansada pelo peso das verdades não ditas. "Madisyn, não somos seus pais verdadeiros. Jenna é a filha legítima da família Chapman, mas você... você não é nossa. Nosso bebê nasceu morto."
Após uma pausa, ele apontou para o homem bem-vestido, dizendo: "Este homem é seu pai verdadeiro."
Os olhos de Madisyn se desviaram para o estranho, notando as semelhanças inegáveis entre suas feições.
Com a mão ligeiramente trêmula, o homem tirou um documento da sua pasta. "Madisyn, quando te vi pela primeira vez no hospital, algo em você me chamou a atenção, embora eu tenha ignorado isso na época," explicou ele, com a voz embargada pela emoção. " Depois de saber que a família Chapman se reencontrou com sua filha biológica, tive que descobrir se talvez tivesse havido um erro. Este teste de paternidade confirma minhas suspeitas: você é realmente minha filha."
Pegando o relatório, Madisyn viu a prova inegável em preto e branco.
De fato, mesmo sem ele, as características semelhantes entre eles já falavam por si.
A reação de Madisyn foi um silêncio repleto de pensamentos tumultuados.
Essa revelação, essa nova reviravolta na sua história já complexa, a deixou sobrecarregada.
O homem continuou: "Sei que é muita coisa para assimilar, mas essa é a verdade. Na noite em que você nasceu, houve um erro trágico no hospital. Devido à negligência de uma enfermeira, três famílias tiveram suas vidas entrelaçadas sem saber. O filho deste casal foi declarado natimorto e entregue a nós por engano, você acabou ficando com a família Chapman e Jenna foi trazida para cá."
"Sua mãe e eu ficamos arrasados, pensando que havíamos te perdido," acrescentou ele, com os olhos marejados. "Você não tem ideia do quanto isso afetou sua mãe. Ela está esperando ansiosamente no hotel, na esperança de finalmente te conhecer."
Comovida pela sinceridade dele, Madisyn assentiu lentamente, enquanto seu olhar se desviava para os agricultores.
A voz do homem de terno se suavizou ao prometer: "Tudo isso foi um acidente. Eles também são vítimas nessa situação. Pretendo oferecer uma indenização pela perda deles."
O agricultor acenou com a mão em desdém, com a voz firme ao dizer: "Não precisamos de indenização. Saber a verdade já é o suficiente para nós."
A voz do homem carregava um tom de cansaço misturado com uma sutil desilusão enquanto ele falava. A relação dele com Jenna, a garota que ele e sua esposa haviam criado como se fosse sua filha, havia se deteriorado depois que ela se reencontrou com sua família biológica, cortando toda a comunicação com eles.
"Vocês deveriam ir para casa agora. Não é sempre que uma família consegue se reencontrar. Não percam tempo ficando aqui," disse ele, com uma expressão que misturava tristeza e desapego enquanto levava Madisyn e o homem de terno até a porta.
Madisyn seguiu o homem de terno em direção a um reluzente Rolls-Royce estacionado na calçada.
A opulência do veículo contrastava fortemente com a casa modesta de onde ela acabara de sair.
"Madisyn, sou Glenn Johns, seu pai. De agora em diante, estarei aqui para você. O que precisar, não hesite em pedir," disse o homem, com uma voz suave, mas firme.
Aos poucos, a ficha caiu: Glenn Johns não era apenas um homem rico, mas o CEO do Grupo Johns, o homem mais rico de Gemond.
As implicações da sua nova linhagem começaram a se manifestar, pesadas e profundas.
Madisyn assentiu lentamente.
O Hotel Alpenglow era o mais luxuoso de Gemond.
Jenna, usando um vestido Chanel esvoaçante, exibia elegância ao entrar no saguão com seus pais.
A ocasião era importante, pois Phyllis acabara de saber que Lynda Johns, vice-presidente de uma Associação de Dança e jurada da competição nacional, estava na cidade.
Phyllis logo viu a oportunidade: estar sob a tutela de Lynda poderia garantir o campeonato para Jenna.
Com isso em mente, ela fez Jenna colocar sua melhor roupa e a levou às pressas para o hotel. No entanto, ao chegarem, uma surpresa os aguardava.
Do outro lado do saguão, Madisyn estava com uma roupa simples — uma camiseta e jeans —, mas se portava com uma graça equilibrada que parecia atrair os olhares.
Ao lado dela estava um homem de terno, com uma presença marcante, embora suas feições estivessem obscurecidas da visão de Phyllis."
Madisyn? O que diabos ela está fazendo aqui?" Phyllis resmungou entre dentes, num tom que misturava confusão e aborrecimento.
"A notícia sobre a chegada da senhora Johns deve ter vazado," disse Jenna com uma fachada de inocência, com um tom baixo e curioso. "Parece que Madisyn também está interessada em aprender com a senhora Johns. Talvez a senhora Johns ainda não saiba que Madisyn foi expulsa da nossa casa. Pelo visto, nós duas podemos acabar nos tornando alunas dela!"
O rosto de Phyllis se anuviou de preocupação com as palavras de Jenna.
Ela avançou rapidamente, na intenção de impedir que Madisyn fizesse contatos influentes. No entanto, Madisyn já estava se dirigindo rapidamente em direção à Sala de Esmeralda, o salão mais exclusivo e reservado do hotel.
Phyllis ficou perplexa. Por que Madisyn iria para a Sala de Esmeralda?
Jenna, que a alcançou, ficou tão surpresa quanto a mãe. " Mãe, essa sala não é aberta a qualquer um. Parece que Madisyn tem mais contatos do que imaginamos. Ela deve ter amigos muito influentes. "
"Que tipo de amigos ela poderia ter?" Phyllis resmungou amargamente, com a mente cheia de suposições negativas. Será que ela conseguiu subir na vida ao seduzir algum velho rico?
Isso deixaria uma mancha terrível na reputação da família Chapman.
Dominada pelo desgosto, ela se debatia com esses pensamentos, mas não havia tempo a perder. Com urgência, Phyllis pegou seu celular e ligou para Lynda.
"Desculpe, estou resolvendo um assunto urgente agora." A voz de Lynda era rápida e seca pelo celular antes de encerrar a ligação.
Jenna foi tomada pelo desânimo. Seu astral despencou enquanto ela cobria o rosto com as mãos, as lágrimas escapando entre seus dedos.
Jeffry a abraçou, sua voz cheia de uma confiança gentil. "Não se preocupe, Jenna. Haverá mais oportunidades. Encontraremos outra maneira."
Enquanto isso, Lynda colocou seu celular de volta na almofada ao lado dela.
Seu irmão Glenn havia organizado uma reunião familiar de última hora após descobrir sua filha desaparecida há muito tempo.
"Madisyn deve ter passado por muita coisa ao longo dos anos," disse Kristine Johns, sentada elegantemente ao lado de Lynda.
Ela tinha traços marcantes, uma maquiagem impecável e usava um vestido luxuoso. Embora transmitisse a imagem de uma dama refinada, sua expressão revelava uma preocupação profunda.
Lynda respondeu pensativamente: "Ouvi dizer que sua antiga família a tratava muito bem. Talvez ela não tenha enfrentado as dificuldades que imaginamos."
A resposta de Kristine foi cheia de convicção: "É fundamental que lhe ofereçamos nosso carinho e apoio."
Lynda acariciou a cabeça de Kristine com carinho, se orgulhando do bom caráter de sua aluna.
Kristine foi adotada pela família Johns, e sua aceitação de Madisyn destacou seu espírito generoso e bondade. Ela não estava preocupada que o retorno de Madisyn ameaçasse seu status.
No canto, Elaine Johns estava sentada em silêncio, com o olhar fixo na porta, ansiosa e expectante.
Kristine percebeu a intensidade do olhar de Elaine, sentindo uma pontada de desconforto.
Por fim, a porta se abriu, revelando primeiro o motorista, que se afastou para deixar os outros entrarem.
A jovem que entrou estava deslumbrante, com seus traços indiferentes e requintados refletindo os de Elaine de uma forma que afirmava seu parentesco.
Ao vê-la, Kristine sentiu um vazio inexplicável.
Incapaz de conter suas emoções, Elaine avançou.
"Minha filha!" ela exclamou enquanto abraçava Madisyn com força, suas lágrimas caindo livremente.
Madisyn ficou atordoada por um momento com a intensidade da recepção, suas mãos dando tapinhas hesitantes nas costas de Elaine.
Um calor renovado floresceu dentro dela, um calor de família.
Então era assim que era ter uma família amorosa..." Deixe Madisyn se sentar primeiro,"
disse Glenn num tom gentil.
Ao se sentarem no sofá, Elaine se agarrou a Madisyn, tentando manter a voz firme em meio às lágrimas. "Madisyn, sinto muito por termos demorado tanto para te encontrar. Você deve ter passado por muita coisa."
"Eu... não tem problema. Estou bem." As lágrimas de Elaine, quentes e sinceras, caíram na mão de Madisyn, a deixando um pouco perdida. Tocada por essa demonstração tão sincera, ela tranquilizou Elaine gentilmente:"Não chore, mãe. Estamos juntas agora."
O termo "mãe" pareceu despertar uma alegria profunda em Elaine, cuja voz tremia ao responder:"Sim, você voltou. E prometo consertar tudo."
Glenn observava a interação com um sorriso radiante, sua ansiedade evidente enquanto olhava para Madisyn. Sentindo o peso do olhar dele, ela se virou para ele. "Hum... pai."
"Estamos tão felizes por estarmos reunidos com você, minha Madisyn," disse Glenn com um sorriso, seu rosto iluminado pela felicidade, uma rara expressão de puro deleite. "Me deixe te apresentar nossa família. Esta é sua tia Lynda."
Lynda olhou para Madisyn, acenando levemente com a cabeça em reconhecimento. Madisyn retribuiu o gesto com uma cordialidade educada.
Em seguida, foi a vez de Kristine.
O sorriso de Kristine era radiante ao se dirigir a Madisyn: "Esperei tanto tempo para finalmente dizer isso: agora tenho uma irmã para me gabar!"
Elaine interveio, sua voz com um toque de hesitação:"Esta é Kristine. O pai dela era um amigo próximo do seu pai. Kristine perdeu os pais quando era muito jovem, então a acolhemos. Se isso te incomoda... "
"Não tem problema," Madisyn a interrompeu gentilmente, compreendendo a situação.
"Você também tem três irmãos, embora eles não estejam aqui agora. Faremos questão de que você os conheça depois!" continuou Elaine, com um sorriso iluminando seu rosto ao ver Madisyn acenar com a cabeça em aceitação.
Glenn pegou seu celular. "Foi difícil para você todos esses anos, Madisyn. Vamos começar trocando os contatos," sugeriu ele.
Elaine logo fez o mesmo, pegando seu celular também. "E troque os contatos comigo também," acrescentou ela ansiosamente.
Depois que Madisyn trocou os contatos com eles, seu celular vibrou com duas notificações. Seu pai havia lhe enviado 10 milhões de reais pelo Pix, e sua mãe fez o mesmo.
Glenn sorriu, sua voz cheia de uma generosidade casual. "Aqui está um dinheirinho do papai. Se não for suficiente, é só me avisar."
O carinho de Elaine não diminuiu. "E escolhi algumas roupas para você. Você pode experimentá-las quando chegarmos em casa!"
Esse turbilhão de generosidade era desconhecido para Madisyn, mas a envolveu num calor que ela nunca havia sentido.
No entanto, Kristine sentiu desconforto e choque. Glenn e Elaine haviam acabado de transferir 20 milhões de reais para Madisyn, uma quantia que apequenava sua mesada mensal relativamente modesta.
Será que isso aconteceu porque Madisyn era filha biológica deles e ela foi adotada?