Minha Segunda começou cedo. Estranhamente passei boa parte do meu fim de semana pensando em como a venda de John havia sido peculiar. Como de costume, cheguei à galeria adiantada, imaginei que teria muita coisa a fazer devido a compra de John na Sexta-feira.
Chegando na galeria percebi que o carro de Winy já estava na garagem e o de Will também, coisa que não é muito comum quando ainda falta meia hora para início do expediente. Não que eles cheguem atrasados, mas nesse horário sempre somos apenas Lupi e eu que tomamos café da manhã juntas. Entro e vejo todos reunidos na copa, com as pernas bambeando pergunto logo:
— Por que dessas caras? O que aconteceu?
— Nós que perguntamos! O que aconteceu entre você e o John Pentrana? — Will dispara animado.
— Nada demais, por quê?
Eles saem da frente do balcão, dando espaço a um lindo buquê de rosas vermelhas, com um cartão de John endereçado a mim.
— De onde saiu isso?
— Quando eu cheguei tinha um rapaz de terno esperando na porta. — responde Lupi do outro lado do balcão.
Olho para eles sem entender, ainda assim, decido ler o bendito cartão.
Querida, Cat,
Essas rosas são para lhe agradecer pela tarde adorável que passamos. Meus filhos se mantiveram tão felizes até bem tarde, Mason só sabia dizer o quanto tia Cat é incrível.
Embora o mérito seja todo seu, acabei me sentindo o melhor pai do mundo. Por favor, peço que aceite meu convite para jantar conosco essa noite. Se aceitar, mande uma mensagem no número abaixo, que pedirei ao motorista para buscá-la.
Estarei aguardando ansiosamente sua resposta.
Com carinho, John.
— E aí, o que diz? — Olho para cara de Will, ele está com cara de bobo, esperando uma resposta.
— Nada demais, ele está me agradecendo por aquele passeio e me convidando para jantar com ele hoje.
— Você chama isso de nada demais? Um encontro com John Pentrana, nada demais?
— Will, não vai ser um encontro, é só um jantar, vai ser na casa dele com os filhos dele.
— Oh, meu Deus — diz a senhora Winy — Toma, aqui está seus 15%, faça bom proveito e tire o dia de folga.
Olho para o cheque em minhas mãos.
— Senhora Winy, eu não posso...
— Pode sim, a compra que ele fez nos ajudou muito. Você vai e, por favor, agradeça a ele por mim. Vá logo, menina, não direi de novo.
Pego minhas rosas e as coloco no carro, não posso conter o sorriso por saber quem as mandou. O que ele quer comigo? Penso no caminho para casa.
Chegando em casa coloco as rosas na água, aproveitando mais alguns segundos para observá-las enquanto seu perfume se espalha pelo ambiente. Ao revirar meu guarda roupa não encontro nada que me agrade, corro para o centro e após muita procura, finalmente encontrei algo.
Tanta correria, sequer mandei a mensagem confirmando minha presença, então decidi fazer isso agora. Pego meu celular e envio uma mensagem.
Catrina: Oi, John?
John: Catrina?
Catrina: Sim rs
John: Como está com meu número, acredito que tenha recebido minhas flores.
Catrina: Recebi sim! São lindas, obrigada.
John: Não tem por que agradecer! Você já tem minha resposta?
Catrina: Eu aceito.
John: Perfeito! Me mande seu endereço. Às 19hrs está bom para você?
Catrina: Sim!
John: Combinado então. Mal vemos a hora de te ver.
Catrina: Fico lisonjeada.
John: Deve ficar mesmo rs Você merece! Até mais, Catrina.
Como o motorista deveria chegar às 19h, terminei de me arrumar alguns minutos antes. Pensando ser a melhor escolha para um jantar informal, escolhi um vestido preto, tamanho midi, marcando a cintura, dando ao meu corpo o famoso formato de ampulheta. A saia um pouco rodada completa minha intenção de parecer visivelmente um pouco “menor”, fazendo o resultado final me agradar muito.
Dou uma última olhada no espelho para meu manequim 44, acabo passando a mão pelo corpo como se isso fizesse diminuir um pouco mais minhas medidas. Eu não deveria me importar tanto com isso, porém, não consigo evitar... Um lampejo de dúvida sobre comparecer a esse jantar passa pela minha mente no momento que ouço a buzina. Decido ser corajosa, comparecer e honrar com minha palavra, afinal, não pode haver mal em um único jantar, não é mesmo?
Chego à casa de John, um senhor abre a porta e sorri, antes de pedir para que eu o acompanhe. Ouço sons de passos, até visualizar a figura de Mason a minha frente.
— Tia Cat, eu sabia que você vinha.
O pestinha corre e me abraça, ele se sustenta em mim por um tempo, olho em volta, o bebê não está na sala, nem John.
— Vamos, tia, eu te levo até o papai.
— Acho melhor ficar aqui. - ele agarra minha mão.
— Vamos, tia, lembre-se, devemos enfrentar seus medos.
Mesmo me repreendendo mentalmente acabo seguindo ele até um quarto, não demora muito para que eu perceba que se trata do quarto de John, estou entrando no closet quando me deparo com ele sem camisa com o bebê no colo.
— Me desculpe — digo fechando os olhos, apesar de não conseguir tirar a imagem da minha mente. Não é preciso ter uma imaginação muita aguçada para saber o que tinha por baixo da camisa que ele usava naquele dia, ainda assim, não deixei de me surpreender, seu abdômen parecia esculpido por anjos, cada gominho se sobressaia como se fossem partes independentes de seu corpo — Mason insistiu que eu viesse.
— Sim, papai, é verdade, ela queria ficar lá, mas eu disse pra ela o que ela me ensinou quando eu estava com medo do senhor, temos que enfrentar nossos medos, então eu trouxe ela aqui. Veja, papai, a tia ainda tá com medo, diz que ela pode abrir os olhos. — Não faça isso, Mason! Eu pensava.
— Eu não estou com medo.
— Então abre os olhos — Mason diz em sua inocência de criança.
— Você ouviu ele, Cat, enfrente seus medos, pode abrir os olhos. — posso notar o tom zombeteiro em sua voz, comecei a abrir os olhos lentamente, apenas para ver que ele ainda estava ali, me olhando como se tivesse acabado de ganhar um troféu.
— Viu, filho, a tia não tem medo do papai. — ele diz de maneira debochada, tento conter um olhar repreensivo e falho miseravelmente.
Eu abaixo e beijo Mason na testa. — Eu não tenho medo do seu papai, pode ficar tranquilo, tá? Agora, vamos voltar lá pra baixo pro papai terminar de se arrumar? — Mason concorda, antes que eu possa me retirar, John começa a falar:
— Eu já estava pronto, quando o bebê golfa em mim, precisei me trocar.
— Vamos sim, tia, mas primeiro preciso ter certeza que não tem medo dele - O que esse menino está planejando? - Você pode abraçá-lo? — Ele quer me deixar doida, só pode!
— Eu não — acabo engolindo em seco — Eu acho que não é.... — sou interrompida.
— Vem, Cat — Diz John de maneira provocativa, reviro os olhos levemente, isso só faz com que o sorriso gozador de John aumente. Eu me aproximo, o bebê está sorrindo, acho que até ele sentiu meu nervosismo e está rindo da minha cara. Coloco meus braços em volta de um de seus ombros, ele por sua vez, põe a mão sobre minha cintura e me puxa, encostando seu peito esquerdo ainda nu no meu, com muito cuidado pra não machucar o bebê que está entre a gente, calmamente encosta seu rosto no meu, lado a lado, e sussurra em meu ouvido: você está linda. Sentir sua respiração suave em meu ouvido antes dele pronunciar tais palavras fizeram meu coração acelerar.
Eu me afasto, agradeço o elogio e peço para pegar o neném na tentativa de ajudar enquanto ele se troca, deito o bebê e começo a niná-lo, ele dorme em meus braços. Acompanho John até o quarto dos meninos, após ele se vestir, coloco o bebê no berço e descemos para sala de jantar. Jantamos calmamente, já que acabamos nos entretendo na conversa e nas brincadeiras com Mason, hora ou outra pegava John me observando e sentia meu rosto fervilhar. Quando o jantar terminou, John mandou Mason para a cama. Acabamos sendo chantageados por ele, o que resultou em nós o colocando na cama, assim como fizemos com Noah, segundo ele.
— Acho que devo ir — digo assim que fechamos a porta.
— Podemos conversar primeiro? Tenho algo pra falar.
— Ah, tudo bem.
Seguimos juntos para seu escritório, é uma sala muito bem decorada, nada que fuja dos padrões de um homem sofisticado. Ele fecha a porta e logo me convida para sentar junto a ele no sofá.
— O que tem a dizer? — Pergunto aflita... o que será de mim?
— Cat, muito obrigado por aceitar meu convite — Instala-se um silêncio entre nós.
— Imagina, eu que agradeço. — Silêncio outra vez.
Percebo que John está me observando e não consigo desviar o olhar. Acabamos nos encarando por um tempo, até que sorrio. Não sei se por nervosismo ou apenas para preencher o vazio da situação. Fazendo pensamentos impróprios rondarem minha cabeça, John olha para minha boca e morde os próprios lábios. Céus! Já não é fácil tirar a cena dele sem camisa de poucos minutos atrás da cabeça e ele ainda tem que fazer isso? Como se não bastasse tamanha provocação, sinto que John se aproximando, e em poucos segundos sinto sua respiração tocar meu rosto. Ao contrário do que eu imaginava, seus lábios pousaram minha testa, fazendo com que um riso nervoso e irônico fosse solto, quase sem querer.
— Aconteceu algo? - Ele pergunta como quem não entende.
— Hm, não... Eu só pensei... esquece!
— Você achou que eu ia te beijar? — Diz ele com a voz de quem realmente ficou surpreso, porém, não sinto desdém ou sarcasmo em sua voz, ainda assim eu acabo me sentindo uma tola oferecida pra caramba.
— Eu preciso ir. — Envergonhada com a situação, me levanto e ando em direção à porta, ele me puxa pelo braço e me beija, um beijo quente. Ele me leva de volta ao sofá e me beija quase sem respirar. Sinto sua mão sobre minha perna, sinto seu toque, não o calor, o tecido está entre nós. Em segundos não havia mais nada em seu caminho, sua mão deslizava por baixo do vestido tocando minha coxa. Ele para, olha em meus olhos e diz:
— Eu queria te beijar, eu quis muito te beijar, eu só não queria te assustar. Se você soubesse o que estou pensando... Você me excita!
Fala sério!!!! Quando ele diz isso meu corpo se reprime, perdi meu último namorado pelo mesmo motivo: excitação. Para ser mais precisa, pela falta dela, porque segundo ele, eu não o excitava mais há muito tempo.
— O que foi, eu disse algo errado?
— Não! É só que... eu acho que não devíamos. Eu quero ir pra casa... - Sem entender ele continua me olhando.
— Eu errei em algo, eu tenho certeza. Me diga, onde foi?
— Não foi você, fique tranquilo!
— Eu forcei a barra, não foi? Me desculpa, Cat, eu realmente fiquei — ele aponta para baixo e sorri desajeitado, meu olhar acompanha para onde ele aponta e posso ver que ele não mentiu.
— Para com isso! Você não tem por que se desculpar... É que... Eu me lembrei que preciso ir
Abaixo a cabeça, pensando se eu deveria mesmo contar isso para ele. Ele segura meu queixo, com as mãos, erguendo minha cabeça até que meus olhos encontrassem os seus e ele diz: — Cat, por favor, confie em mim.
Olho em seus olhos, mesmo em dúvida sobre o que fazer, dividida entre contar para aquele homem quase completamente desconhecido a maior vergonha da minha vida ou não, acabo decidindo confiar na segurança que aqueles olhos me passam.
— Eu terminei um namoro há pouco mais de seis meses. Ele terminou comigo, melhor dizendo. O motivo foi o mesmo que você acabou de usar: Excitação! O problema é, que para ele, com relação a mim, isso não existia mais. Meu corpo o impedia de sentir desejo por mim, de me ver como mulher - Sinto seu dedo secar suavemente uma lágrima, eu sequer havia sentido escorrer.
— Olha, eu sei como isso deve ter doído pra você, pelo visto você gostava mesmo do cara e ele foi um canalha. Me deixa te mostrar o quanto é linda, que não importa os quilos a mais. E vamos combinar. Você é muito gostosa desse mesmo jeitinho. — Ele sorri e não resisto, acabo sorrindo também.
— Obrigada.
Ele ergue minhas mãos a altura de seus lábios e as beija, um gesto muito delicado e fofo, capaz de acender em mim algo além do carnal. Quando aceitei o convite não imaginei algo fofo ou íntimo acontecendo. Acima de tudo, jamais imaginei acabar essa noite com pensamentos além dos guiados pelos desejos carnais.
Não tive notícias de John desde minha ida à sua casa na semana passada. Acho que devo ter assustado ele com toda a minha trágica história. O que eu tinha na cabeça no momento em que contei para ele tudo aquilo?
Estava organizando o depósito e pensando sobre isso quando Will apareceu na porta me chamando:
— Um cliente seu acabou de chegar.
— Já estou indo. Quem é?
Quando me viro esperando sua resposta, vejo que ele já não está mais na porta. Coloco a prancheta sobre a pilha de caixas e antes de sair, dou uma olhada na minha roupa para conferir se não me sujei, afinal, não quero passar vergonha na frente dos meus clientes.
Saio do depósito à procura de algum rosto familiar. Olho para a direita e não vejo ninguém, mas quando volto meu rosto para a esquerda, encontro duas silhuetas familiares de costas para mim.
— Boa tarde. — digo ao me aproximar.
Eles se viram, Mason ao me ver se aproxima e abraça minhas pernas.
— Não pensei que te veria tão alegre aqui na galeria depois da última vez.
— Da última vez ele ainda não te conhecia. — O pai sorridente responde.
— Fico feliz em saber que mudei tanto a percepção dele. Como vocês estão?
— Estamos bem, tia. — Mason responde antes que o pai o possa fazer.
— Dessa vez não trouxeram Noah, ele está bem?
— Está sim, ele ficou em casa com a babá. Mason queria dar uma volta, estamos apenas dando uma saída rápida. — Explica o pai.
— Que bom... Em que posso ajudar? Quer dar uma olhadinha em algo especial hoje?
— Na verdade, nós viemos aqui para ver você.
— Sério?
— Sim, nós queremos te fazer um convite. — Outra vez o pequeno não deixa o pai continuar, ansioso.
— Que seria? — pergunto curiosa diante da animação dele.
— Sábado é aniversário de Mason, vamos passar o dia no parque, depois voltaremos para casa e daremos início a festa. Gostaríamos que você fosse com a gente.
— Seria um prazer acompanhá-los.
— Então, posso te buscar no sábado de manhã?
— Pode sim, só confirma o horário pra mim depois.
— Está bem, nós vamos indo então...
— Tudo bem, agradeço por lembrarem de mim.
— Como se pudéssemos esquecer. — Ele diz antes de beijar minha bochecha e sair segurando a mão de seu filho. O que será que ele quis dizer com isso?
***
Como planejado, no Sábado pela manhã, John veio me buscar com os meninos, seguimos cedo para o parque da cidade. O dia foi maravilhoso, nos divertimos muito. Dividimos a atenção entre os meninos, nos brinquedos mais aventureiros John ia com Mason e eu ficava com Noah, já nos mais “tranquilos” nós trocamos de lugar. De alguma forma, John estava sempre me incluindo nas brincadeiras deles, mesmo eu não sendo parte da família. Hora ou outra eu me pegava observando o carinho e atenção dele, John é certamente um bom pai, eles são uma boa família.
Quando chegou a hora de ir para casa, Mason ficou emburrado. Bastou lembrá-lo da festa que o aguardava que tudo se normalizou. Antes de deixarmos o parque, John pediu para que tirasse uma foto, peguei o celular dele e me afastei para capturar os três juntos. John sorriu e me chamou de volta, disse que queria nós quatro na foto. Sorri tímida, virei a câmera e tirei a foto. Mostrei-a para John, olhei para ela por mais tempo que deveria. Nós pareciamos uma família, por um momento me peguei desejando que fôssemos uma.
Chegamos na casa de John e já estava tudo pronto. O tema escolhido para a festa foi Madagascar, a empresa escolhida para a festa foi impecável, estava tudo na mais perfeita ordem. Não tive muito tempo para ver tudo, porém isso não passou despercebido, então voltei para o quarto em que eu havia dormido há alguns dias para me arrumar.
Em pouco mais de meia hora já estávamos todos prontos, aguardando os convidados no andar debaixo.
— Onde eu devo ficar? — Pergunto a John depois de ouvir outro elogio feito, assim que ele pega minha mão quando chego ao fim da escada.
— Ao meu lado.
— Isso pode pegar mal com a família de sua esposa.
— Primeiro, sou viúvo. Segundo, em pouco tempo irão embora, nem irão perceber.
— E se perceberem? E quanto aos demais, não sou a mãe dele, todos sabem! Vão achar que temos algo.
— Então temos! — ele sorri maliciosamente — Pelo menos hoje, a Srta. será a mãe de meus filhos.
John tinha razão, a família de sua esposa veio, não ficaram por muito tempo, esperaram apenas os parabéns. Não pude deixar de notar alguns olhares em minha direção, os ignorei assim como John.
Mason e Noah já dormiram há mais ou menos umas duas horas, restaram apenas adultos, a maioria sócios do trabalho de John. Sentamos exaustos no sofá após nos despedirmos do último convidado. Olho para ele que está de olhos fechados ao meu lado.
— Acho melhor eu ir para você se deitar, imagino como esteja cansado.
Ele abre os olhos rapidamente
— Ir? Para onde?
— Pra casa. Para onde mais iria? — sorrio de sua cara.
— Eu quero falar sobre algo com você, antes da gente ir.
— Tudo bem. Pode falar.
Ele não diz nada, apenas levanta, vai até seu escritório e retorna com uma pilha razoável de papéis e me entrega. Olho para a papelada sem entender, por que ele estaria me entregando todos esses papéis? Leio a primeira folha na qual diz: "CONTRATO DE CONFIDENCIALIDADE", o que não ajuda em nada em minha confusão mental, então passo para a segunda "CONTRATO DE RESPONSABILIDADES", então para a terceira “BONIFICAÇÃO”.
— O que é isso?
— Catrina, eu quero que você seja a mãe dos meus filhos.
— Como? Eu não entendo.
— Eu quero que você aceite o papel de mãe dos meus filhos. Eu sou viúvo como você sabe, moro sozinho com eles e alguns empregados. Eles precisam de mais do que isso, eles precisam de uma mãe, eles precisam ser amados e de alguém para amar.
— Nós nos conhecemos há pouco mais de uma semana, você tem certeza do que está me pedindo?
— Você tem sido maravilhosa com eles desde que nós nos conhecemos! Hoje você foi perfeita! Você fez Mason ficar mais feliz que nunca! Então, eu tenho certeza! O que me diz, você aceita?
— Eu... eu não sei... Eu preciso pensar!
— Tire um tempo pra pensar, fique com isso, entenda e depois decida. Meus filhos precisam de uma mãe. E eu te acho perfeita.
— Olha, muito obrigada... eu agora preciso ir. — Sorrio sem graça, pois eu não faço ideia do que dizer.
Ele concorda, me leva até o carro e logo, para minha casa. Seguimos o caminho sem falar nada, ele até tenta puxar assunto, estou pensativa demais para entender o que ele diz, na minha cabeça só passa a pergunta: POR QUE EU?
— Chegamos. — ele sorri e me olha - Obrigado por hoje, Catrina.
— Por que eu? — pergunto, colocando para fora a única coisa em que tenho pensado.
— Porque você foi ótima com eles desde o primeiro momento, eu sei que estou pedindo muito, eu não quero que se case comigo logo de cara, vamos nos encontrar como pessoas normais para nos conhecermos. Eu não posso prometer sentimentos da minha parte, mas nós temos uma atração muito forte, temos muito para dar certo.
— Casar? Não era pra eu ser mãe deles? Apenas exercer um papel?
— Sim, pra dar certo, você precisa ser minha esposa.
— Eu preciso pensar, espero que entenda.
Ele concorda e eu desço do carro. Entro em casa, sem dar tempo para que ele me alcance ou diga mais nada. Estou tão confusa, pelo visto uma longa noite vem por aí…