Capítulo 2

Mas me diga, como dar ouvidos a alguém que não me criou? Que não fez parte da minha vida? Que me abandonou quando eu mais precisei? Todos aqueles anos sozinha. Quando ela ou sua assistente mandavam simples presentes em datas comemorativas. Quantos aniversários, natais, ações de graças, formaturas passei sozinha. E nunca, nunca fiz nada fora o que ela me mandou. Hoje eu queria que fosse o contrário. Repeti internamente, como um mantra “Hoje será diferente”. Alice soltou um suave pigarro, olhando para mim com os olhos lacrimejando, enquanto segurava a garrafa após o seu segundo gole.

 — Tudo bem, querida — ela disse, fazendo um leve carinho em minha mão. — Você tem que se sentir bem, não pressionada. — Sorriu docemente.

 — Eu sei... — disse em um sussurro, mais para mim do que para elas. — Mas acho que eu quero. — Afirmei incerta. — Eu só tô cansada de todas as regras. Eu nunca serei destemida como a Vivian e roubarei uma moto.

— Sorri, lembrando de uma história hilária em um verão que passamos na casa dos pais de Alice.

— Ou serei determinada como você. — Sorrio para Alice. — Mas eu queria ser eu, por um dia. Fazer oque realmente desejo. É por isso que vou beber.

— Concluí, afinal, oque poderia ocorrer de tão ruim? Peguei o cantil e bebi. O líquido quente desceu queimando em minha garganta, tossi algumas vezes e encarei os olhos curiosos em cima de mim. Foi aí que cantei o último refrão da música. Primeiro sozinha, depois, acompanhada por elas:

Why do you have to go and make things so complicated? (Yeah, yeah) I see the way you're Acting like you're somebody else, gets me frustrated And life's like this you, You fall and you crawl and you break and you take what you get and you turn it into Honesty, you promised me I'm never gonna find you fake it No, no, no

Cantamos em sincronia, gesticulando com as mãos, sentindo nossos ânimos e emoções à flor da pele. Depois rimos, relembramos os velhos tempos, fizemos planos para o futuro, cientes que, dali para a frente, tudo seria diferente. Só não sabia se seria para melhor. 

O trânsito estava lento no trajeto para o chalé Petrelli. Era a primeira vez que Luck dava uma festa que não era em um club do seu pai, depois do horário que fechou, em uma clareira ou em um campo de golf. Dessa vez, era oficial, ele estava usando um chalé do seu pai que ficava no interior da cidade para dar essa festa. Por isso, ela era mais especial que as outras. O caminho iluminado, ladeado por pequenos arbustos cortados no formato do brasão da família, a grande fonte iluminada com luzes neon de frente para o hall de entrada. Era tudo fantástico, quase tão grande quanto a escola que, ultimamente, era minha casa. O carro parou. Apertamos as mãos umas das outras e esperamos que Mateus abrisse nossas portas. Respiramos, fundo e descemos, despedindo-nos de Mateus, que apenas acenou por não estar feliz por estarmos ali. Eu não sabia como ele não contou para minha mãe, mas acho que tinha haver com Vivian ter ameaçado contar sobre o caso que ele tinha para mulher dele. Seguimos mansão à frente. Sim, porque definitivamente aquele chalé era uma mansão. Quase totalmente de madeira e vidro, de frente para um lago gigantesco de águas escuras e ladeado por uma floresta densa. Dava para ver claramente do lado de fora o local que era a boate improvisada. Porque as luzes neons piscavam do lado de fora pelo vidro no segundo andar. Subimos, a música tocava alto no grande salão de festas. Havia um grande bar à direita com altos bancos à disposição, onde deveria ficar Barman, mas estava vazio. Essa era uma festa de “formatura” informal, onde Luck era o anfitrião. Acontece que ele sempre havia sido fã de festas. A maioria das vezes a gente só ignorava quem usava o iPhone para cheirar cocaína, quem estava fumando maconha, e os gemidos em algum canto de alguém que estava transando. Porque no fundo a gente só queria se sentir livre e se apaixonar como qualquer adolescente. Porém, as coisas não pareciam funcionar assim para mim. Eu tinha problemas sérios de socialização, era muito tímida e era insegura comigo mesma. Eu nem se quer tinha beijado alguém aos Dezessete anos. Era constrangedor só de falar. Acho que era isso que me encantava em Luck, ele era corajoso, ousado, aventureiro. No fundo, era isso que eu queria para mim. E ele também tinha uma reputação a manter, ele era filho do prefeito, o rosto queridinho da cidade. A nova geração de New Braunfels. Mas aqui estava ele, dando uma festa que ele chamava de “Formatura” para alguns alunos das escolas próximas. O convite era secreto e só para pessoas selecionadas, e claro, Vivian arrumou três convites garantindo para nós uma formatura decente, diferente daquela coisa chata da nossa escola. Olhei para a parte arrumada como uma boate. Luzes neon ofuscavam a visão. A batida eletrizante das músicas pareciam estremecer os lustres.

— Aaaaaaah! Eu amo essa música! — Vivian balançou os quadris de um lado para o outro, enquanto cantava alto. Eu definitivamente não sei qual o problema dela, pois mesmo se saindo mal, ela insistia em cantar.

— Vamos! — ela disse, puxando minhas mão enquanto dançava e cantava, indo em direção à boate. Balancei a cabeça negativamente. Ok, eu bebi, mais dançar no meio de um monte de desconhecidos, era algo que eu me negava.

— Tá tudo bem, Vivian  — Avisei. — Olha, porque não vai com Alice? — Olhei para o lado procurando minha amiga e percebi que ela já estava distante, conversando com outras meninas que conhecemos em outra festa de Luck.

 — Melhor, por que não vai sozinha? Eu vou dar uma volta e daqui a pouco a gente se encontra, vou conhecer mais o lugar, até porque não é todo dia que o filho do prefeito Christopher Petrelli, abre a porta do seu humilde chalé, e oferece uma formatura para as alunas. 

— Como se o Luck não tivesse um dedinho nisso, né? — ela soltou um sorriso abafado e continuou. — Então tá, mas não faça nada que eu não faria. — Piscou e seguiu música a dentro. Passaram-se algumas horas, conversei com colegas de outras festas, e as bebidas não paravam de chegar até a mim. Em algum momento, até arrisquei dançar um pouco com Vivian e Alice. Saí da boate improvisada quando Vivian começou a enfiar a língua na boca de um cara que devia ser uns dez anos mais velho, e eu nunca havia visto em nenhuma festa anterior. Não demorou muito para que ela saísse para um canto escuro com ele. Caminhei, para em sequência, encontrar Alice sendo amassada por alguém contra uma parede. A verdade é que quase todos ali estavam assim. Esse era o ponto da festa que a maioria das pessoas ficavam loucas, se bebida, drogas ou tesão. Na verdade, acho que eu apenas percebia isso porque sempre era a única mas que não estava quase dentro de alguém em público. Andei lentamente, cortando caminho diante do grupo mediano que ainda estava na festa, ignorando a tontura resultante da mistura das bebidas que havia consumido, em direção ao bar, seguindo essa linha de raciocínio: bom, se não tenho ninguém, a bebida será minha companhia hoje. — Eu não acredito que já começaram a se divertir sem mim! Algo golpeia dentro do meu peito e eu levanto minha cabeça para olha-lo. A voz rouca de Luck era capaz de me causar arrepios. Ele fez um discurso de merda, sobre aproveitar a nossa vida ao limite. Quando algum amigo dele mandou ele se foder, Luck respondeu que estava sendo um bom samaritano ajudando na campanha do pai, candidato mais uma vez naquele ano. Só por isso houvera demorado, mas esperava que todos estivessem com essas escolhas de palavras: Fodendo seus cérebros até o amanhecer. E que deveria ser uma formatura inesquecível para essa porra de cidade. E eu queria que fosse inesquecível, como queria...Deus! Ele era lindo. Com só parte do traje social. A blusa branca com botões desfeitos, um pouco amarrotada no pescoço como se tivesse tentado abri-la com pressa, as mangas da blusa foram puxadas até seus antebraços totalmente cobertos por tatuagens. A calça azul marinho, a única coisa imaculada sobre ele, esculpia seu corpo perfeitamente. O cabelo sublime estava uma bagunça, confesso que isso lhe dava um ar mais perigoso. Meus olhos o seguiram enquanto ele cumprimentava uns amigos e pegava uma garrafa grande de uísque no ar. Que um dos seus amigos jogou.

— Amiga, você está literalmente babando. — Alice me deu um pequeno empurrão no queixo e, em seguida, uma piscadela.

— Você gosta mesmo dele? — Soltou um sorriso tristonho. — Olha, Nicole... — Ela pigarreou. — Eu sei que não é a hora nem o lugar, mas tem tantos meninos legais por aí, e você é linda! Tão linda quanto eu e Vivian. Cortei-a logo quando percebi para onde estava seguindo a conversa. — De verdade, eu sei que vocês se preocupam, mas eu já sou grandinha. Não é como se fosse rolar algo entre a gente, a gente nunca se falou. — Disfarcei olhando para o lado, como se aquelas palavras não me magoassem. — Ei, amor você sumiu. — Um rapaz bonito chamou atenção de Alice, cortando bruscamente a conversa. Ela se virou e beijou seus lábios com doçura. Percebi que esse era o mesmo cara que ela estava antes. — Nicole, esse é Alec. — Alec, essa é minha fiel escudeira Nicole. Cumprimentamo-nos. Eles se olhavam e se beijavam e eu lhes dei privacidade. Não que eles se conhecessem há muito tempo, mas ela parecia bem à vontade com ele e eu não quis interromper. Ela gesticulou e percebi que queria ir, mas não queria me deixar sozinha. Não seria justo ela deixar de sair com alguém por causa da amiga sem par. Alguns garotos tinham até chegado em mim. Eu não era estúpida, estava gata, mas quem eu queria sequer tinha me olhado.

— Tá tudo bem, Alice. — Disse com a voz embriagada e Abri um largo sorriso para ela que, mesmo relutante em me deixar, entendeu e acenou com a cabeça, devolvendo o meu sorriso. — Você estou com o seu celular?

— Sim. — Avisei.

Capítulo 3

— Eu estou com o meu e Vivian com o dela. Você pode me ligar a qualquer momento, estarei aqui em um segundo se precisar. E por favor, beba água. — Ela caminha até um local cheio de garrafas de água lacradas e põe uma na minha frente. Me dá um beijo na bochecha e seguiu para fora dali, provavelmente procurando a privacidade do deck ou casa de barcos para ficar com o Alec. Mas, antes gritou por cima da música me lembrando: — Aproveite essas duas horas antes que Mateus venha nos buscar. Fiquei me sentindo mal por estar sozinha. Mas as minhas amigas não precisavam saber. Eu fiz a minha escolha, aliás com exceção da bebida, hoje era um comportamento meu comum, como em outras festas. Eu cansei de não aceitar convite de nenhum carinha que queria estar comigo. Eu só não conseguia porque eu realmente havia desenvolvido uma obsessão nociva pelo Luck. Não, isso não era saudável, mas fodasse, a maioria das pessoas no fundo não era. Não passou dois minutos e eu decidi que não sabia de onde estavam saindo aqueles pensamentos, eu não sou assim...provavelmente era a bebida pensando.

— Gim com tônica, por favor — pedi, — Minha voz arrastando e meu estômago meio embrulhado. Fiz o pedido para um cara que preparou bebida para algumas meninas que estavam na mesa de sinuca. Eu sabia que ele não era um barman e nem meu subordinado, mas a bebida aparentemente me deu coragem para abrir a boca sem vergonha. Ele era um amigo de Luck, acho que se chamava Antony, sei disso porque lembro dele sempre andando com Luck nas outras festas.

— Acho que vou precisar da sua identidade. — Um homem de cerca de vinte anos disse com um sorriso brincalhão, empurrando-me o copo da bebida. Eu ri secamente. Não estava com paciência. Era provavelmente a única noite de liberdade que eu teria antes que Madeleine voltasse e eu fosse para faculdade de Wharton, na Filadélfia cursar finanças e gestão de investimentos. Em seguida, iria dirigir junto com Madeline a Diamonds Enterprises, e eu estava ali sozinha, bebendo, ignorando variadas cantadas para ficar sonhando com alguém que eu não poderia ter.

— Você não deveria dar em cima dos clientes. — Seu tom é divertido. — Vai dar em cima de mim também se eu quiser uma bebida?

 — Chupa meu pau Luck. Tá achando que eu sou seu empregado? Eu só sirvo garotas bonitas. — Antony, sorri para mim. Ambas as covinhas aparecendo em seu rosto moreno. Virei surpresa para Luck. Ele estava sentado ao meu lado, com um dos braços apoiados na bancada. Sorriso maroto, ele estava me olhando com os olhos azuis mais lindos que eu já havia visto. Você não parece menor de idade. — Ele sorriu para mim, degustando a sua bebida da garrafa. Olhei para ele por um instante e não soube identificar se era comigo que ele falava. Admirei seus lábios tocando a bebida, as veias do seu pescoço levemente saltadas, seu peito que subia e descia lentamente.

— Ou, talvez, seja? — Ele me olhou semicerrando os olhos e me deixando sem ar. — Como isso já tivesse importado para você. — O amigo, Antony interrompe. Risonho e sai do bar. — Cala a sua boca, filho da puta! — Luck xinga, e não sei identificar se ele estava realmente sendo zombeteiro. Parecia brincadeira a fala do seu amigo, mas me deixou tensa. Quando ele se vira para mim, completo

 — Sim, quer dizer, não, não sou menor. Sim, era uma mentira, mas convenhamos que dezessete não era uma idade tão ruim, eu faria aniversário em breve, acho que era isso que ele falava sobre ser menor. Afinal de contas eu sabia que Luck era mais velho que eu sete anos. Ele sorriu de novo parecendo satisfeito.

— E o que uma garota linda como você faz aqui, sozinha? Eu não havia percebido que estava prendendo a minha respiração até soltá-la profundamente. Admirei-o por alguns minutos antes de responder. Será que estava imaginando ou aquilo estava realmente acontecendo?

— Desculpe-me, eu não queria incomodar, mas você estava aqui sozinha.— Suas sobrancelhas uniram-se em desaprovação, ele levantou e se virou. Instintivamente, levantei-me e segurei o seu braço. Ele me encarou com um olhar surpreso e, então, aproximou-se.

— Não vá. — Foi a primeira coisa que eu consegui pensar e falar.

— Ok — ele deu um espaço nas palavras para que eu me apresentasse.

— Nicole... me chamo Nicole. Ele se aproximou do meu ouvindo e sussurrou: — Estou te olhando há muito tempo, N-i-c-o-l-e — ele disse pausadamente.

 — Eu me chamo Luck e, a propósito, você tá muito gostosa. Porra, aquilo não podia estar acontecendo! Não comigo! Ele nunca me olhava, e justamente hoje, veio falar comigo. Tudo bem, a roupa ‘programa por 20 dólares’’ está chamando atenção para cacete, mas cara, é o Luck Petrelli!. E ele está flertando comigo. Tentei sorrir o mais normalmente possível para não parecer tão boba.

— Bom, e pretende ir para que faculdade, Nicole?

— Wharton. — Digo. — Na Filadélfia. — Ele completa. — O lar dos podres de ricos, dou de ombros, um sorriso curvando sobre meus próprios lábios

— Eu estudei lá, — Completa. — Finanças.

— É, eu sei. — Falo com empolgação substituindo a bebida pela água da Alice. Se isso fosse acontecer eu gostaria de estar sóbria. “Eu sei quase tudo sobre você”, pensei.

 — É mesmo? — A sugestão de um sorriso cruzou o rosto Puta merda, não me diz que eu falei isso alto? Meu coração batia forte contra minhas costelas. Luck tomou a frente e me guiou por uma escadaria privada. Seguimos por um longo corredor até chegarmos a um hall enorme, onde caminhamos mais um pouco, em um silêncio constrangedor. Parecia uma eternidade até chegarmos mais provavelmente foi menos de dois minutos andando. Mais algum tempo até que alcançamos um corredor com muitas estantes e fotos familiares. Ele me guiava tão rapidamente que mal dava para ver os detalhes. Até que tirou uma chave do bolso e abriu duas grandes portas duplas. Primeiro, ele entrou e, em seguida, gesticulou para que eu o seguisse. Era um quarto enorme, com uma cama de dossel, um bar e algumas poltronas.

— Mais bebida? — Ele me ofereceu, andando em direção a um pequeno bar no luxuoso quarto. Ligou o pequeno som, onde tocava Miss you love, do Silverchair. Não sei porque, mas a batida calma da música me relaxou um pouco. Pensei em negar por já ter bebido muito além do que eu poderia aguentar.

— Sinto muito. — Engulo um pouco da minha humilhação, minha voz encharcada de vergonha crua. — Eu não tenho costume de beber. Mostro a ele a garrafa de água.

— Realmente, — ele abaixou a cabeça para falar no meu ouvido. — É a primeira vez que vejo você bebendo em uma festa minha.

 Isso quer dizer que ele me notou antes? Isso não pode mesmo estar acontecendo. Ignorando a queimadura traiçoeira em minhas bochechas, procuro dizer algo ousado.

— Na verdade, eu tô querendo curtir o agora. — Joguei para ele o olhar mais sexy que encontrei. Jesus Maria José! de onde saiu isso?

— Hum... uma garota que gosta de curtir os momentos. E o que você gostaria de curtir hoje à noite, Nicole? — Ele deslizou suas mãos suavemente pelas minhas pernas nuas e cruzadas. Meu corpo todo se arrepiou. Sua mão estava quente sobre minha pele fria. Ele olhou diretamente para os meus olhos enquanto deslizava a mão pela borda do meu vestido.

— Então, Nicole, quer sair daqui? Ir a um lugar mais reservado? O que me diz? Eu estava muito cansada de ser sempre a menina exemplar para negar. Uma vez na vida eu queria ser imprudente, fazer o que eu desejava sem pensar nas consequências. Eu queria beijá-lo, sair dali com ele.

— Você não é de falar muito, né? — sussurrou, enquanto se aproximava novamente dos meus ouvidos. — Não se preocupe, vou te deixar bem à vontade.

— Você me deixa um pouco nervosa — consegui soltar. — E também estou aqui com as minhas amigas, seria bom avisá-las. Posso ter imaginado, mas pensei ter visto sua boca se contorcer antes que ele respondesse com uma suave negativa.

— A gente não vai sair do chalé. Não se preocupe, conheço suas amigas, elas provavelmente também estão se divertindo. Ele encostou a mão no meu rosto, não me dando tempo para decidir, próximo à minha orelha, ele passou meu cabelo curto para trás. Em seguida, sorriu. Encostei minhas mãos trêmulas nas dele, levantamo-nos e começamos a caminhar. Ele apoiou as mãos nas minhas costas, próximo ao meu bumbum. Aquele simples gesto fez a minha bochecha queimar e um calor latente subir pelas minhas pernas. Luck não tirou a mão e foi me guiando

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