Os dois ainda permaneceram por um tempo naquele escritório, permitindo que Andriel se acalmasse um pouco. Brian assegurou que após a festa, eles discutiriam sobre o assunto, mas era crucial voltarem à festa para evitar que sua mãe percebesse algo de errado.
— Não falta muito para a meia-noite, então oficialmente será seu aniversário, e tenho certeza de que ela quer você lá. Seu lobo está mais calmo agora, então mantenha as aparências até o fim da festa.
Andriel concordou com o irmão, e ambos retornaram à festa. O rei não pôde evitar procurar por Taylor com o olhar, encontrando-o próximo ao seu Alfa, sorrindo de maneira descontraída. Desviou o olhar antes que Taylor pudesse notar sua observação.
Brian percebeu para onde seu irmão estava olhando e o chamou para se juntarem à sua mãe. Os dois seguiram para um ponto no salão, e Brian não ficou satisfeito com o que viu. Stella estava segurando uma bandeja e servindo alguns convidados.
— Por que Stella está servindo os convidados, mãe? — Brian questionou, imaginando se foi ideia dela.
— Ela queria se sentir útil, então eu lhe dei uma tarefa.
— Mãe, já discutimos sobre isso. Ela é minha companheira, não uma criada que a senhora pode mandar por aí.
Percebendo o incômodo de Brian, Andriel decidiu intervir para acalmá-lo.
— Vamos evitar criar uma cena desnecessária. Traga a Stella para perto de você. Depois da festa, resolveremos isso. Lembre-se do que conversamos mais cedo.
Brian suspirou e se afastou, indo em direção a Stella. Ao se aproximar dela, retirou gentilmente a bandeja de suas mãos e a conduziu para fora do salão. Levou-a para uma sala onde pudessem conversar a sós, e Stella ficou apreensiva diante da expressão séria de Brian.
— Fiz algo errado? — ela perguntou, preocupada com a expressão dele.
— Por que estava servindo os convidados? Stella, eu já disse que você não é uma criada nesta casa.
— Sou uma ômega e não uma Lycan. Sua mãe apenas me lembrou do meu lugar.
— Seu lugar não é servindo. Se eu me importasse com o fato de você ser uma ômega, não a teria trazido, teria te rejeitado em Ames. Seu lugar é ao meu lado, sendo cuidada e protegida por mim.
Brian se aproximou de Stella e tocou suavemente seu rosto, provocando uma aceleração em sua respiração. Ela fechou os olhos, entregando-se à sensação enquanto ele continuava a falar.
— Por que não aceita de uma vez meu amor e entende que não vou abrir mão de você? Deixe-me mostrar o que é ser amada de verdade.
Stella abriu os olhos, encontrando o olhar terno de Brian, que se aproximava cada vez mais do seu rosto para beijá-la. Daquela vez, Stella não resistiu e permitiu que o beijo acontecesse. Brian pressionou seu corpo contra o dela, envolvendo-a em um abraço caloroso.
Enquanto os dois se entregavam à paixão naquela sala, no salão, o rei enfrentava a insistência de sua mãe.
— Comece a dançar com algumas dessas moças. Quem sabe, ao se aproximar, você possa sentir o cheiro de sua companheira — insistiu a mãe de Andriel.
Andriel olhou na direção onde Taylor estava, mas não conseguiu avistá-lo. A insistência de sua mãe se tornava ainda mais irritante quando ela anunciou para todos:
— O rei dançará com vocês, então fiquem por perto. Venha, querida, começaremos com você. — Estendeu a mão para uma jovem próxima.
Ela se aproximou sorridente, mas Andriel não compartilhava da mesma animação. Seus pensamentos estavam voltados para alguém do outro lado da sala. Sara, atenta à situação, percebeu a movimentação e chamou a atenção de todos.
— O rei vai começar a dançar. Espero que ele encontre sua companheira. Vamos nos aproximar um pouco — disse animada, e todos se levantaram para acompanhar.
Taylor não estava entusiasmado com a dança do rei; sua mente estava focada em descobrir onde o homem do jardim estava. Apesar de seu desinteresse, ele seguiu o grupo, escondendo seus verdadeiros sentimentos. Ao se aproximarem, Taylor fechou um pouco mais o semblante ao ver quem estava dançando.
— Aquele é o rei? — perguntou a Philip, parecendo incrédulo.
— Esqueci que você não o conhecia. Sim, aquele é o nosso rei.
A resposta de Philip foi como um peso para Taylor, que percebeu naquele momento que tudo era ainda mais complicado do que ele imaginava. Enquanto observava a dança do rei, seus olhares se cruzaram mais uma vez, e Taylor sentiu um desconforto crescente, sabendo que era devido ao vínculo que compartilhavam.
— Preciso de um pouco de ar — afirmou Taylor, saindo em direção a uma porta.
Andriel sentiu-se incomodado ao ver Taylor sair daquele jeito, os sentimentos tumultuando dentro dele de uma maneira que não era confortável. Ele percebeu que Philip também saiu atrás de Taylor e ficou em dúvida se ele havia contado algo.
— Ele não pareceu gostar de te ver dançando com essa garota de cheiro estranho — afirmou Frost, demonstrando seu desagrado com a interação.
— Por que ele ficaria incomodado? Apenas trocamos algumas palavras no jardim.
— O vínculo. Vocês dois podem tentar fingir que não sentem nada, mas o lobo dele e eu sabemos a verdade. Apenas aceitem que são companheiros.
Andriel não respondeu à afirmação de seu animal interior. Ele simplesmente terminou a dança e seguiu na mesma direção que Taylor, deixando sua mãe indignada com sua saída abrupta.
Taylor encontrou uma varanda e ficou ali, tomando uma taça de champanhe. Philip, que o seguiu, se aproximou e questionou imediatamente o que estava acontecendo.
— Algum problema, Taylor? Notei que você está um pouco estranho desde que chegou.
Taylor olhou para seu Alfa, mas ainda não teve coragem de dizer o que estava atormentando sua mente.
— Não é nada sério. Acho que não estou no clima para a festa — respondeu Taylor, tentando disfarçar sua verdadeira aflição.
— Está assim pelo seu aniversário? Não me esqueci, inclusive comprei um presente. Com toda a correria da viagem e os assuntos da alcateia, acabei não te parabenizando. Ainda não é meia-noite, então não estou atrasado. Vem cá — disse Philip, convidando Taylor para se aproximar.
Philip o parabenizou e o abraçou calorosamente, enquanto Andriel, que observava de longe, presenciava o momento. Ele ficou surpreso ao descobrir que o aniversário de Taylor era um dia antes do seu, percebendo as inúmeras coincidências que envolviam os dois.
Philip acabou aquele abraço e tentou animar Taylor, pensando que sua tristeza fosse por causa do aniversário dele. Depois de arrancar um sorriso do amigo, ele deu um aviso:
— Ei, volte logo, antes que o dia vire! Quero ter você ao meu lado na hora de parabenizar o rei.
— Relaxa, daqui a pouco estou de volta — disse Taylor, tentando tranquilizar seu Alfa.
Philip o deixou ali e voltou para perto de Rachel, explicando por que saiu. Taylor suspirou e estava quase voltando também, quando sentiu aquele cheiro que lembrava o encontro com o rei. Ele virou e viu Andriel entrando no local, com duas taças na mão.
— Sua taça está vazia — disse, estendendo uma das taças para Taylor.
Taylor olhou para a taça com uma expressão séria, encarou Andriel, tentando entender o que ele queria, e então pegou a taça.
— Valeu. Desculpe-me por mais cedo, não sabia que estava falando com o rei, por isso não dei o respeito que o senhor merecia.
Taylor falou com uma certa frieza na voz, mesmo que a presença de Andriel estivesse o afetando.
— Não acho que você veio só porque minha bebida acabou. Estava preocupado de que eu contasse para o Philip? — questionou, deixando claro o pensamento que passou pela sua cabeça.
— Hoje é seu aniversário? — perguntou, tentando dissipar aquela hostilidade de Taylor.
— Ouviu minha conversa com o Philip? Então estava mesmo preocupado que eu contasse para ele? Mesmo se eu tivesse falado, o Philip não ia abrir o bico para ninguém.
Andriel sentiu-se incomodado com a hostilidade de Taylor e sabia que parte era sua culpa, então tentou mais uma vez.
— Desculpa se duvidei de você. Acho que começamos com o pé errado. Entendo que essa situação para você não é fácil de assimilar, assim como não está sendo fácil para mim. Não expliquei quem eu era no jardim, nem o porquê de precisar que você guardasse segredo. Você entende o quanto nossa situação é complicada? Ou pelo menos a minha?
Diante do que ele disse, Taylor diminuiu sua hostilidade e sua expressão suavizou um pouco.
— Entendo que essa situação não é confortável para o senhor. Confesso que nunca pensei na possibilidade de ter um companheiro, e sei que sua situação é mais complicada que a minha. Quero que entenda que eu não tenho culpa, então não precisa me tratar como seu inimigo.
— Primeiro, pode me chamar pelo nome. Segundo, vou me desculpar mais uma vez pelo que aconteceu. Perdi o controle novamente e minha cabeça estava cheia naquele momento. Como ouvi sua conversa, queria te dar os parabéns pelo seu aniversário. Ainda faltam poucos minutos para meia-noite, então ainda posso te desejar felicidades.
Andriel e Taylor se encararam, e o Beta prestou atenção aos traços faciais do rei, notando que seu pomo de Adão se mexia com frequência, mostrando nervosismo. Mas o que Taylor percebeu era que até mesmo isso tornava Andriel ainda mais sexy, e notar isso o deixava realmente assustado.
— Obrigado pelos parabéns — Taylor agradeceu, desviando o olhar.
Assim que agradeceu, fogos de artifício começaram a explodir no céu, indicando que era o aniversário de Andriel. O rei olhou para o lado, viu o sorriso de Taylor apreciando os fogos e, por alguns segundos, desejou sentir a mesma sensação que teve quando o tocou.
— Se você quer sentir isso de novo, então vá em frente, dê o primeiro passo e deixe o vínculo falar mais alto. — Frost o aconselhou em sua mente.
— Não consigo, Frost. Não é tão simples assim. Sei que os efeitos da nossa ligação estão gritando dentro de mim, mas o que vai acontecer se eu ceder?
— Vocês humanos complicam demais. Se você ceder, vai acontecer que vai se sentir bem e feliz — argumentou Frost, demonstrando sua irritação com a teimosia do rei.
Andriel não respondeu, pois Taylor se virou e encontrou seu olhar. Levantou a taça que segurava e o parabenizou.
— Agora é minha vez de fazer isso. Parabéns, majestade.
Andriel deu um leve sorriso e brindou com ele.
— Já pedi para me chamar pelo nome. Obrigado por ser o primeiro a me parabenizar.
O rei agradeceu e se encararam mais uma vez. A vontade de se aproximar um do outro era forte dentro deles, mas nenhum estava cedendo àquele desejo. Taylor decidiu dar um passo à frente, mas foram interrompidos por Hugo.
— Sua mãe está exigindo sua presença — falou, colocando as mãos nos bolsos da calça e encarou Taylor.
— Obrigado, Hugo. Não queremos deixar a dona Perla irritada — agradeceu, voltando a olhar para seu companheiro. — Te espero no salão.
Taylor confirmou com a cabeça e percebeu o olhar de Hugo em sua direção. Não soube decifrar se era amistoso ou não. O champanhe que Taylor tinha na mão, ele tomou de uma vez e decidiu voltar para o salão. Enquanto caminhava, ouviu vozes em um corredor e prestou atenção ao que falavam.
— Fez o que eu mandei? — perguntou um dos homens.
— Sim. Já deixei claro que o primeiro pedaço é para ser entregue para o rei.
— Ótimo! Isso tem que sair perfeito.
O Beta percebeu serem dois homens conversando, mas inicialmente não entendeu do que se tratava o assunto. Taylor voltou a andar, mas o fez lentamente, na intenção de ver quem eram os dois que mencionaram o nome do rei.
— Fique de olho nesses dois. Não sei quem são, mas meus instintos estão em alerta e você deveria ficar também — falou o lobo de Taylor.
Os dois passaram por Taylor e um deles o encarou. Taylor baixou o olhar e fingiu desinteresse, mas continuou de olho nos dois e prestou atenção onde eles ficariam no salão.
Todos estavam de pé, olhando para o centro do salão, onde Andriel estava com sua mãe e seu irmão. Todos começaram a cantar parabéns e Andriel olhava em volta procurando por Taylor, até que o viu ao lado de Philip. Um bolo foi trazido e Taylor prestou atenção nos dois homens que viu. Ele notou que o homem que o encarou estava focado no bolo e tinha uma expressão de expectativa, o que fez Taylor ficar ainda mais desconfiado.