Na manhã seguinte, Eva despertou em um quarto desconhecido. Seus cabelos deveriam estar um enorme caos já que não amarrou as ondulações rebeldes.
O lugar era grande e repleto de mobília antiga, remetendo a uma elegância clássica que tentava ter contraste com o mundo moderno fora de suas paredes. As cortinas pesadas de veludo dourado deixavam a luz filtrar suavemente, criando uma deliciosa atmosfera acolhedora. Ao redor, os móveis de madeira escura exibiam entalhes delicados, testemunhando uma história de refinamento e tradição.
O tapete persa ricamente decorado estendia-se pelo chão, absorvendo os primeiros raios de sol da manhã. Sobre a cama, lençóis de seda em tons suaves acrescentavam um toque de opulência, contrastando com a arquitetura clássica da cabeceira esculpida.
Na parede, retratos de uma época passada encaravam Eva com olhares misteriosos, enquanto uma lareira ornamentada, embora não acesa, sugeria uma ar de aconchego nas noites frias. O quarto exalava o charme vintage, como se cada peça contasse uma história própria, deixando Eva imersa em um momento de reflexão.
Os tecidos finos e caros ao seu redor diziam o quão luxuoso era todo aquele lugar e ela sentia o toque deles em seu corpo nu.
Confusa, ela tentou reconhecer os detalhes enquanto a memória da noite anterior surgia lentamente. O encontro com Adrian Rossi parecia ter ultrapassado os limites do inesperado, deixando-a envolta em um momento que misturava o encantamento da sedução com a incerteza do desconhecido.
Eva recordou das mãos de Adrian, cada toque habilidoso e carícia que percorreu seu corpo enquanto ambos dividiam momentos intensos ao longo da madrugada. As lembranças dessas sensações já se encontravam frescas, como marcas de uma conexão íntima que ultrapassou as barreiras do desconhecido. O quarto luxuoso testemunhava não apenas a elegância do ambiente, mas também os vestígios palpáveis da paixão que ecoavam nas lembranças de Eva, deixando-a em um estado de êxtase.
— Bom dia, princesinha — a voz dele veio ao seu encontro, e quando Eva observou o homem sentado na poltrona de frente para sua cama, ela soltou um suspiro involuntário. O peito nu de Adrian estava exposto, banhado pela luz do sol que delineava as tatuagens espalhadas por toda parte de sua pele, transformando o quarto em uma galeria efêmera de arte e sensualidade. O encontro de olhares misturou o fascínio do desconhecido com as memórias da noite anterior.
— Você é bom com as palavras. — Ela disse, seus olhos desviaram dele para encontrar a mesa ao seu lado, onde uma bandeja com o café da manhã estava cuidadosamente preparada para ela. O odor delicioso a chamava.
— Foi você que pediu para eu ir mais fundo. — O ar de brincadeira se mesclava à sedução quando ele falava, isso criava uma tensão provocativa entre eles. O comentário, feito com um sorriso sugestivo, reavivou ainda mais as lembranças da madrugada.
Eva recordou do momento em que entraram no quarto e que mal o deixou fechar a porta. Mesmo que menor, ela segurou o rosto do mais velho e o puxou para um beijo intenso. Adrian, que já estava a ponto de enlouquecer com apenas o perfume da jovem, deixou que tudo ao seu redor fosse consumido pelo desejo e a empurrou para a parede onde a prendeu e passou a explorar toda sua excitação.
Enquanto saboreava o café da manhã, as lembranças dessas cenas se dissipavam diante da realidade iminente. Eva não soube explicar porque se sentiu tão atraída pelo arquiteto, pois seu corpo só implorava para ela ir com ele de todas as formas e no fim, ela agradeceu por ter ouvido seu desejo.
Eva, ao olhar distraída para o relógio, percebeu com uma pontada de surpresa que estava consideravelmente atrasada para a aula. A urgência do compromisso acadêmico criava uma agitação em sua manhã, deixando-a com a tarefa de equilibrar a elegância da noite passada com as responsabilidades do dia.
— Acho melhor eu ir — ela disse, notando o atraso. — Daqui a pouco começa a segunda aula e eu ainda estou nua em lençóis de seda.
— Posso vê-la novamente? — perguntou, sua voz carregada de uma intensidade que refletia o desejo de prolongar o encontro para além daquela manhã apressada.
— Você é um homem ocupado, não sou eu quem deveria perguntar isso? — Eva respondeu com um sorriso, desviando o olhar para ocultar a sutil surpresa em sua expressão.
— Você me fisgou com uma única noite, minha querida. Eu arrumo a hora que for para você. — A resposta de Adrian, carregada de determinação e um toque de sedução, deixou Eva envolvida em um enorme fascínio. Eram muitas as possibilidades de um encontro futuro cheio de tensões.
— Bom... agora você sabe onde estudo, senhor Rossi — ela disse, soltando a mão do homem e caminhando para sua rotina.
O tom leve de despedida carregava consigo a expectativa de futuros encontros, enquanto Eva, ainda envolvida nas lembranças daquela manhã intensa, seguia em direção ao prédio acadêmico, deixando Adrian com um vislumbre da elegância que fazia agora parte do seu mundo.
Eva bocejou discretamente. A sala de aula ficava cada vez mais distante para ela, que pensava no que a esperava após a formatura. O tic-tac constante do relógio era quase uma contagem regressiva para o fim da sua fase acadêmica. Seus olhos vagavam pela sala, observando pequenos detalhes enquanto sua mente antecipava as emoções do futuro. O professor continuava a falar, mas as palavras pareciam se perder em segundo plano. Eva, sabendo que aqueles momentos de tédio acadêmico estavam contados, suspirou aliviada.
A formatura representava não apenas o fim de uma longa caminhada, mas o início de uma nova etapa cheia de possibilidades e descobertas. Em um momento de distração, Eva se lembrou da maciez da pele de Adrian, que deslizava suavemente sobre a dela durante a madrugada.
Essa lembrança a fez pensar na notável capacidade dele de manter seu corpo impecável e a pele irresistivelmente jovem e atraente, mesmo aos 43 anos. A curiosidade sobre os segredos por trás desse cuidado se tornou uma fascinação sutil, que a fez se perder naquele pensamento.
— Oi! Terra chamando, Eva! — os dedos estalaram diante dos olhos da universitária. A voz descontraída de uma colega a trouxe de volta à realidade da sala de aula, afastando as lembranças fugazes da noite anterior. Eva piscou, consciente do breve devaneio, e sorriu para a amiga. Uma jovem de pele retinta, cuja presença vibrante na sala de aula era contagiante.
— Uau, você está incrível! — elogiou Eva, depois de perceber que todos da sala já haviam saído, pois a aula havia terminado. No entanto, sua atenção estava voltada para a escolha de roupa da amiga, admirando o estilo e a elegância que a jovem exibia com confiança.
Lily ousou no vestido daquela manhã, seguindo o estilo do icônico clipe “Girls Just Want To Have Fun” da Cyndi Lauper. A escolha vibrante e ousada do vestido refletia não apenas uma homenagem ao visual marcante da década de 80, mas também a personalidade animada da amiga de Eva.
— Aham — disse a amiga, com um olhar desconfiado. — Vai falando.
— O que exatamente?
— Sobre o gato que te trouxe na Lamborghini branca. — Ela completou, deixando claro que queria todos os detalhes da misteriosa e luxuosa chegada de Eva naquela manhã. Eva soltou uma risada, percebendo que sua amiga estava curiosa por todos os detalhes.
— Oh, você quer saber dos detalhes, né? Bem, ele é um arquiteto renomado, nos conhecemos em um evento, e as coisas simplesmente… aconteceram. A amiga arqueou as sobrancelhas, com um sorriso malicioso.
— “Aconteceram”, você diz. Estou vendo que você não está contando tudo. Me conta, vai. Eva, notando a curiosidade da amiga, deixou escapar um sorriso malicioso.
— Bem, as coisas ficaram um pouco intensas. Ah! E ele é bem mais velho, mas incrivelmente charmoso. A noite foi… — Eva fez uma pausa dramática, prendendo a atenção da amiga. A amiga piscou, absorvendo cada palavra com um misto de surpresa e fascínio.
— Fala garota! — Ela instigou, claramente ávida por mais detalhes dessa reviravolta inesperada na vida de Eva.
— Inesquecível!
— E eu achando que você ia falar do pau dele.
— Você é uma pervertida, Lily. — Eva respondeu, entre surpresa e diversão, à provocação da amiga.
— Eu preciso arrumar um boy gostoso, isso sim. Todo mundo saindo da faculdade quase casado e eu na seca.
— Dormi uma vez com um estranho, menina. Para de drama que ainda estamos na mesma.
Eva brincou com a amiga, que riu, deixando o clima mais leve, apesar das frustrações amorosas de Lily. Que não eram poucas.
— Mudando de assunto... Você vai mesmo tentar fazer parte do evento? — Perguntou Lily, referindo-se ao grande desfile de moda que estava por vir. A pergunta da colega trouxe Eva de volta à realidade do mundo da moda, fazendo-a pensar sobre suas ambições e o desejo de participar de um evento tão prestigiado.
— Sim. A professora Eleonor está me ajudando muito a entrar nesse meio, não posso decepcioná-la.
— E qual foi a sua ideia para as modelos?
— Quero fazer algo que remete à arquitetura, como Guo Pei fez em 2018, mas ainda não sei como combinar isso com os meus looks. — Eva disse.
— Acho que Danielle Jensen e Rei Kawakubo também fizeram desfiles incríveis usando a arquitetura como referência. Podemos pesquisar. — Lily sugeriu, trazendo mais exemplos inspiradores que poderiam orientar Eva na criação do seu desfile.
Isso animou Eva, que se levantou às pressas, guardando suas coisas para ir atrás de designers junto com a amiga. A ideia de explorar os trabalhos de renomados criadores estimulou a criatividade das duas, que passaram uma longa tarde de pesquisa e inspiração para o aguardado desfile.
Adrian caminhou com passos firmes e decididos, sem se importar com os olhares curiosos que o seguiam. As pessoas costumavam olhar para seu corpo esculpido com diversas artes e isso já não o incomodava mais. Seus olhos estavam mais preocupados em escanear o ambiente, como se procurassem algo ou alguém, mas sem revelar o que se passava em sua mente. Embora fosse um arquiteto renomado, havia algo em sua postura que sugeria que ele não se limitava a projetar sua indiferença, muito menos se importava com as opiniões das pessoas ao redor sobre isso.
Ele não hesitava em mostrar o seu poder e influência, com gestos calculados e uma autoconfiança que beirava a arrogância. Mas poucas pessoas entendiam quem era Adrian Rossi, de verdade. Ninguém do seu mundo de fachada imaginava que ele poderia ser considerado a pessoa mais perigosa do mundo, uma reputação que o perseguia e o protegia ao mesmo tempo. Ninguém sabia do que ele era capaz de fazer, nem quais eram as suas verdadeiras intenções.
Adrian tinha o dom de mudar de humor em questão de segundos, indo de calmo a tempestuoso. Sua personalidade explosiva era sempre imprevisível para as pessoas, mantendo todos ao seu redor alertas. A forma do seu caminhar era o único meio de comunicação das pessoas com seu humor, pois se ele estivesse batendo seus pés era porque estava com raiva.
— Você parece animado hoje. Acho que transou — observou o ruivo quando o homem que o superava em altura e largura se aproximou.
— Pietro! — O som grave de Adrian fez o garoto saltar da cadeira, com a sensação de que o seu almoço ia voltar pelo esôfago. Adrian agarrou o colarinho do garoto.