Erin
Olho para meus pais, e dou o meu melhor sorriso, eles me ajudaram a chegar aqui, e hoje só tenho o que agradecer, mesmo me importando por ser somente nós três sentados na enorme mesa da nossa casa.
Hoje eu concluí minha faculdade de Gastronomia, foram anos de muitos aprendizados, ainda preciso estudar muito para me tornar uma chef de cozinha como meus professores, mas esse foi o início da minha vida gastronômica, e quem sabe em breve posso ter meu próprio restaurante.
— Coma, Erin. — Mamãe pede, e olho para meu prato.
Macarrão com queijo, o meu prato preferido, mas estou sem apetite, queria estar em uma balada como os meus colegas ou pelo menos com a minha amiga Arizona.
— Por que eu não posso sair? — Pergunto, e meu pai me encara, ele dá um sorriso doce, e sempre foi mais gentil que a minha mãe.
— Já conversamos sobre isso, minha filha. — Ele toca minha mão, e sinto vontade de chorar.
— Eu irei fazer vinte e um anos, não podem me deixar presa. — Tento parecer firme, mas falho quando as lágrimas descem pelo meu rosto.
Hoje era para ser um dia feliz, mas a minha felicidade não está completa, duas pessoas importantes não estão aqui, as pessoas que mais desejei que estivessem.
— Depois do seu aniversário conversaremos sobre isso. — Mamãe diz, tocando meus cabelos.
— Tudo bem. — Resmungo, baixinho, não quero contrariá-los, eles podem ficar com raiva.
Nunca sair de Yuma, nasci e se depender dos meus pais, eu morrerei aqui, mas eu quero conhecer o mundo, aprender sobre várias culinárias, não somente dos Estados Unidos. Arizona tem uma boa culinária, mas eu quero quebrar barreiras, irei fazer isso um dia.
— Seria tão bom se sua irmã estivesse aqui. — Papai fala, e vejo sua tristeza.
— Talvez ela não esteja morta como os policiais falaram. — Dou de ombros.
Minha irmã Cora, desapareceu há três anos, não sabemos para onde ela foi, se ela está morta, mas eu sinto muito sua falta, ela era minha melhor amiga, devia estar aqui, assim como a minha vó paterna.
— Ela está morta, já sofremos muito, devemos seguir em frente. — Mamãe fala, e ela parece estar se segurando para não chorar.
Cora se parecia com ela, os mesmos cabelos loiros dourados, temperamento difícil, e as duas não se davam bem, principalmente porque a minha irmã mais velha era teimosa e saía sem a permissão dos meus pais.
— Tudo bem. — Me concentro em meu prato, eu quero terminar logo tudo e ir para meu quarto.
Quando finalizo e vou recolher o meu prato, minha mãe segura minha mão e me abraça com carinho.
— Parabéns, filha. — Ela beija, minha testa.
— Obrigada.
— Compramos isso para você usar no seu aniversário. — Papai pega uma sacola no chão e me entrega.
— Oh! — Abro a sacola, e tiro de dentro um lindo vestido vermelho.
— Queremos que use. — Mamãe diz, e dou um sorriso, abraçando meu pai.
— Obrigada, amo vocês.
— Pode ir para o seu quarto, eu cuido de tudo aqui. — Mamãe avisa, e beijo seu rosto. Pego a sacola, e corro pela escada até o meu quarto.
Eu sinto falta da minha irmã, ela ficaria feliz com a minha conquista, como fiquei quando ela entrou na faculdade de Moda, ela estudava a distância, mas estava feliz, mesmo odiando que ela não podia se mudar para Nova York por causa dos nossos pais.
Omar e Elina não são os melhores pais do mundo, mas eles sempre se esforçaram para trabalhar em casa e dá a atenção que as filhas precisavam. Eles são protetores ao extremo, antes eu achava que a Cora havia fugido, mas lembrei que ela os amava, e nunca me falou do desejo de fugir, então não acredito que ela tenha fugido por vontade própria.
Desde criança, eu sempre estudei com professores particulares, então quando fui para a escola, eu já estava em uma série adiantada, e acabou que eu me formei rápido e logo comecei a estudar Gastronomia.
Há seis anos eu perdi minha avó paterna, ela que colocou meu nome e o da Cora, foi uma perda muito grande, e depois disso meus pais se tornaram quem são hoje. Eles acham que se me trancar em casa, protegerá minha vida. Eu sei que tenho idade para ir embora, mas não quero que meus pais percam mais uma pessoa, ainda preciso contar para eles que irei trabalhar no restaurante do meu professor, eles ficarão loucos, mas irei resistir dessa vez, já sou adulta posso tomar minhas próprias decisões.
Guardo o vestido dentro do meu closet, e pego o meu celular, enquanto respondo as mensagens da Arizona que se tornou uma grande amiga quando minha irmã desapareceu.
Nunca tive namorado, mas não me esforcei o suficiente para que meus pais me deixassem ter um encontro, eu preferia não os aborrecer com isso e esperar o momento certo.
Procuro algumas receitas para fazer em meu aniversário, minha mãe deixou que convidasse meus amigos, como só tenho a Arizona, ela se encarregará de trazer as pessoas.
Depois de escolher mais de dez receitas, eu coloco meu pijama, e me deito. Irei dormir muito porque amanhã é domingo.
Acordo com uma batida na porta, abro meus olhos sabendo que não são mais de seis horas da manhã.
— Querida, vamos correr. — Mamãe abre a porta, e enfio minha cabeça no travesseiro.
— Eu preciso ir? — Pergunto, desanimada.
— Sim, queremos que faça companhia a gente. — Ela diz, e penso que será melhor agradá-los, e quem sabe a noite, eu conto sobre meu trabalho.
— Tudo bem, vou tomar um banho e já desço. — Ouço a porta bater, e me arrasto da cama.
Eu amo correr, ajuda manter a minha animação para o resto do dia. E como não realizo outra atividade física, essa é minha única oportunidade de não ficar sedentária.
Me arrumo e desço rapidamente. Meus pais estão se aquecendo. Eles são um casal jovem, os dois se cuidam muito.
— Bom dia, Erin. — Papai beija minha testa.
— Bom dia.
Saímos para a calçada, e fico feliz por estar usando um moletom, amo o frio, mas ele é um pouco tenso pela manhã.
Caminhamos enquanto meus pais cumprimentam os vizinhos. Depois seguimos correndo até o parque, onde já tem pessoas com algumas crianças e cachorros, aproveitando o início do dia.
Voltamos para casa, e tomamos café enquanto eles conversam sobre o trabalho, eu apenas aproveito a minha alimentação, mas sempre procurando uma abertura para falar sobre meu trabalho.
— Erin, tem algo que queira falar conosco? — Mamãe indaga.
Eles estão felizes hoje, se eu falar sobre o trabalho, tenho chance de eles concordarem.
— O professor Michael me convidou para trabalhar em seu restaurante, eu quero muito fazer isso.
Eu sou uma boba, não posso ficar abaixando a cabeça enquanto converso com eles, esse é um costume que preciso parar.
— Sabe que não precisa trabalhar, pode abrir seu próprio restaurante. — Mamãe fala, mas sinto que ela está calma.
— Eu quero aprender mais. — Minha voz sai tão fina que às vezes me odeio.
Belisco minha coxa esquerda, porque eu preciso ter mais firmeza. Sempre vivi as sombras dos meus pais, e isso me deixou ser alguém totalmente resignada, mas eu preciso mudar.
— Tem certeza? — Ouvir a voz do meu pai, me faz o encarar.
— Sim, eu preciso dessa oportunidade, eu estudei para isso. — Sinto orgulho porque minha voz não saiu tão melosa.
— Pode fazer o que quiser, nós te apoiamos. — Mamãe segura minha mão.
— Sério? — Pergunto, escondendo meu sorriso.
— Sim, Erin, queremos que faça o que ama, entendo que a protegemos muito, só não quero que aconteça com você o que aconteceu com a Cora. — Papai explica, e dou um sorriso.
— Eu prometo me cuidar, sempre conversar com vocês. Nunca vou decepcioná-los. — Prometo.
— Sabemos disso, minha filha. — Mamãe alisa minha mão.
— Agora irei mandar um e-mail de confirmação ao professor. — Aviso, pegando meu celular.
— Que tal ir ao restaurante dele? Enquanto isso, eu e o papai precisamos ver um cliente. — Mamãe me aconselha.
Meus pais são corretores de imóveis, eles têm um escritório próximo daqui.
— Eu posso ir lá? — Indago.
— Sim, pode usar meu carro, e não demore. — Mamãe me estende sua chave.
— Amo vocês. — Pego a chave, e saio correndo em direção a garagem.
Há muito tempo não dirijo. Minha mãe sempre me deixava na universidade, mas hoje eu poderei dirigir e ainda ir contar ao professor a novidade, ele ficará tão feliz.
Entro no carro, e saio lentamente, como eu aprendi. Depois que pego a avenida principal, eu fico mais tranquila.
Paro em frente ao restaurante, e saio do carro à procura do professor Michael. Quando o encontro, ele já sabe minha resposta, e passamos alguns minutos conversando. Já trabalhei aqui durante o verão, quando mentia para meus pais que era obrigatório, mas agora irei trabalhar definitivamente e com a permissão deles.
Volto para casa com um sorriso. Preparo um delicioso almoço para meus pais, porque eles merecem e cozinhar me deixa feliz.
Almoçamos com muita risada, há muito tempo não tinha isso em casa. Depois mamãe me ajuda com a louça, enquanto meu pai conversa com um cliente por celular.
— Acho que chegou o momento de conversarmos sobre relação sexual. — Mamãe me puxa em direção a sala quando terminamos de arrumar a cozinha.
— Nunca conversamos sobre isso. — Comento, me sentando no sofá.
— Mas em poucos dias irá completar vinte e um anos, sei que um dia terá relação.
Poderia falar que eles não me deixam ter um relacionamento, mas não irei emburrá-la hoje, estou muito feliz com tudo que está acontecendo.
— Sim. — Falo, sem ter nada a dizer.
Ela me explica que o homem enfia seu pênis na vagina da mulher, mas isso tudo eu assistir nos vídeos. Quando eu estou muito entediada, eu fico vendo algo que desejaria fazer, e um dia eu desejei fazer sexo, então fui assistir uns vídeos eróticos, e fiquei muito excitada, mas o meu fogo não passou disso.
Não seria errado em dizer que eu desejo encontrar um homem bom e que faça um ótimo trabalho na cama. Eu sou virgem, mas não tão puritana como meus pais desejam.
Mamãe passa mais de uma hora falando como a sensação de ter um orgasmo, e como devemos nos prevenir em relação a uma gravidez.
Ela informa que amanhã iremos em uma ginecologista, e que ela poderá me explicar melhor, além de me indicar um contraceptivo.
Fico feliz com a nossa conversa, a muito tempo não conversamos assim, mas parece que agora as coisas estão voltando ao normal.
— Iremos jantar hoje com uns amigos. — Papai entra na sala com um sorriso.
— Eu também irei? — Questiono.
— Não, você tirará a noite para um passeio com seus amigos. — Ele diz e dou um sorriso sem acreditar.
— Isso, você merece depois de tanto tempo estudando. — Mamãe pisca, se levantando.
— Eu vou amar sair. — Afirmo.
— Agora, precisamos trabalhar um pouco, vem querida. — Papai pega a mão da minha mãe, e eu os espero os dois saírem para subir para o meu quarto.
Pego um vestido preto, e uma jaqueta jeans, a deixo separadamente para usar mais tarde. E pego meu celular para informar a Arizona que hoje posso sair. Ela fica animada com minha ligação, e decidimos que iremos em uma casa noturna.
Passo a tarde toda me arrumando, e na hora de ir, meus pais me deixam mais uma vez dirigir, só pede para não beber.
— Então quer dizer que seus pais te deram uma trégua? — Arizona pergunta, entrando no carro.
Minha amiga é um mulherão de quase vinte e dois anos, ela tem cabelos loiros e muitos atributos encantadores. Arizona perdeu a mãe quando tinha apenas dezoito anos, ela já trabalhava em um restaurante e por isso surgiu o amor pela gastronomia, e mesmo sem o apoio dos parentes, ela conseguiu se formar com honras ontem.
— Sim, devemos aproveitar muito.
Na casa noturna, eu aproveito a música alta e deixo que a Arizona beba, enquanto apenas aproveito um pouco da liberdade.
Depois da meia noite, eu sigo para minha casa. Meus pais ainda não chegaram. Mando uma mensagem para minha mãe, avisando que já cheguei.
Deito-me em minha cama com um grande sorriso. Hoje foi um dia tão especial, espero que sempre seja assim.
Acordo, e sigo para a ginecologista, que tira todas as minhas dúvidas, e me indica um implante contraceptivo, que a minha mãe insiste que eu coloque logo, e eu a obedeço, mesmo sabendo que não irei praticar ato sexual tão cedo.
Os dias passam voando, ainda não comecei a trabalhar, mas já estou ansiosa para poder fazer parte do restaurante.
Terça eu completei vinte e um anos, a idade que tanto sonhei. Meus pais compraram bolo para comemorarmos nós três, mas a grande festa é hoje, e eu estou animada.
Levanto já organizando todos os pratos, porque quero tudo perfeito, afinal é o meu aniversário.
Mamãe me leva ao salão, e diz que preciso ficar linda, porque hoje é uma sexta especial.
Quando voltamos, o ambiente está todo arrumado. Uma decoração jovem com vários balões coloridos e algo mais requintado para os adultos.
Visto meu vestido vermelho, e me sinto linda. Nunca fiquei tão arrumada assim. Coloco um salto baixo, e sigo em direção a escada.
Ouço muito barulho e quando aponto na escada, meus pais me esperam, ansiosos.
— Recebam, Erin Reed. — Ouço uma voz e fico pasma porque eles também contrataram um DJ.
Desço, e meu pai segura minha mão, beijando minha testa, com um sorriso orgulhoso nos lábios.
— Está linda, querida. — Minha mãe segura minha outra mão, enquanto recebo os aplausos dos convidados.
— Obrigada! — Agradeço.
— Vá cumprimentar seus amigos, e depois volte, queremos te apresentar para os nossos. — Mamãe pisca.
Caminho em direção a Arizona, que está com algumas pessoas que trabalham com ela. Cumprimento todos, peço para eles ficarem à vontade e aproveitar a festa. E depois sigo em direção ao meus pais, que conversam com um homem barbudo e grande.
— Oi. — Cumprimento, e sinto um calafrio quando o homem me olha de cima a baixo, ele deve ter mais de cinquenta anos, e está me olhando como se fosse algum tipo de carne, isso não é legal.
— Erin, esse é Balduin Larsen, ele é da Dinamarca. — Mamãe apresenta e o homem estende sua mão.
— Oi, Erin. — O homem fala em dinamarquês.
— Olá, senhor. — Respondo em dinamarquês, apertando sua mão, rapidamente.
Eu aprendi dinamarquês com dez anos, eu e a Cora éramos obrigadas estudar outros idiomas, nossos pais sempre foi exigente em relação a isso, não que seja algo ruim, eu aprendi muito.
— Ela realmente fala dinamarquês. — O homem toca sua barba com um sorriso.
— Sim, Erin, é uma menina genial. — Papai dá um sorriso.
— Parabéns pelos seus vinte e um anos. — O homem felicita me olhando de cima a baixo.
— Obrigada.
— Balduin é o nosso cliente da Dinamarca, ele tem uns imóveis pela cidade. — Mamãe conta, e ela parece gostar do homem alto e barbudo.
— Que legal. Fique à vontade em minha festa. — Dou um sorriso, porque não quero parecer uma indelicada.
— Vou te apresentar os outros amigos — Mamãe seguram em meu braço, e sinto um alívio quando nos afastamos do homem.
Ela me apresenta a quase todos da festa, e depois eu volto para perto da Arizona e seus companheiros, porque iremos beber muito.
— Seus pais estão legais hoje. — Arizona diz me abraçando com um sorriso.
— Sim, eles estão felizes.
— Quer beijar na boca hoje? — Ela pergunta, apontando seus convidados homens.
— Não, só quero beber. — Falo, e ela beija meu rosto, sabendo que mesmo não tendo beijado, eu quero fazer isso também no momento certo.
— Você é um anjo. — Ela ri, e caminha para a mesa de bebidas.
Olho para todos se divertindo, e sinto os olhos do Balduin em mim, mas finjo não está vendo. Quando ele vai embora, se despede com um aceno, e eu fico aliviada, voltando a aproveitar minha festa com mais alegria.
Bebo tudo que até o momento não podia, meus pais bebem comigo, e eles também estão felizes.
Quando os adultos vão embora, só ficam os jovens, e bebemos mais ainda ao som do DJ que não para de tocar um minuto.
Quando me deito na cama, eu me sinto cansada e feliz. Foi a melhor festa de aniversário que já tive, queria que a Cora estivesse aqui, ela iria amar ver o nossos pais tão liberais.
Acordo com uma ressaca horrível, e fico o sábado toda na cama. Mamãe vem me ver algumas vezes, e pede para descansar muito, porque na segunda eu começo o meu trabalho.
À noite, eu me levanto apenas para jantar e tomar um banho, mas volto para cama rapidamente.
Acordo no dia seguinte, meus pais não estão, então faço uma corrida rápida, e volto para o café da manhã.
Recebo uma mensagem da mamãe avisando que chegará em casa somente a noite porque tem alguns trabalhos acumulados e aproveitou o domingo para fazer isso.
Passo a manhã e à tarde, vendo os cardápios que o senhor Michael me enviou, tem cada receita maravilhosa, que preparo uma para o jantar.
Quando meus pais chegam, nos sentamos na mesa, em um ambiente mais agradável. Eu os prefiro assim, mais felizes e menos protetores.
Na hora de dormir, converso um pouco com a Arizona que deseja todo sucesso amanhã e se der irá me encontrar quando sair do trabalho.
Durmo sabendo que amanhã é o novo começo da minha vida. Eu não serei apenas Erin Reed, filha de um casal rico, eu serei dona das minhas próprias conquistas.
Escuto barulho, e abro meus olhos, vendo meus pais gritarem entrando no meu quarto.
— Hoje é o dia que a minha filha começa a trabalhar! — Papai diz, animado.
Me levanto, ainda com um pouco de sono, mas com um sorriso que não consigo esconder.
— Não estaremos aqui quando você for para o restaurante, mas prometemos ir jantar. — Mamãe diz, se sentando ao meu lado.
— Que maravilha! O senhor Michael deixará que cozinhe hoje. — Conto, e papai abre um sorriso.
— Amamos sua comida. — Ele beija minha testa.
— Use meu carro. — Mamãe pede, se levantando.
— Obrigada. Amo vocês.
Os dois dão um sorriso, e saem do meu quarto falando o quanto estão orgulhosos de mim.
Deito novamente, mas agora com um sorriso nos lábios por saber que agora começarei a ter um pouco de liberdade.
Quando está perto de escurecer, eu desço para a sala, procurando a chave do carro da minha mãe, mas não a encontro. Como não quero chegar atrasada, eu resolvo ir a pé. O restaurante é próximo, e certamente chego em menos de quinze minutos.
Pego minha mochila, e saio apressada de casa. Avisando minha mãe que não encontrei a chave do carro.
Caminho apressada pelas ruas, onde o dia deixa a noite chegar, e as luzes dos postes estão ganhando vida.
Sinto uma mão forte me segurar, e meu coração começa a acelerar quando a pessoa cobre minha boca com um pano. Tento gritar, mas minha voz sai abafada, não consigo me mexer porque a pessoa é mais forte que eu.
— Te peguei, bebezinha.
Eu conheço essa voz, esse sotaque.
Tento me virar, mas sinto uma picada em meu braço, e uma enorme vontade de fechar meus olhos e deixar que a escuridão me domina, faço isso, mesmo sabendo que isso tudo não é uma brincadeira, e eu sou mais uma vítima.
Erin
Sinto que estou dentro de um carro. Ele balança muito e isso faz com que sinta enjoo, então me controlo para não vomitar.
Sequestrada.
eu fui sequestrada, disso me lembro vagamente, mas sei que aquele homem que esteve em meu aniversário está por trás disso, aquele sotaque forte não foi esquecido por mim.
Me sento e abro meus olhos lentamente, mas ao encontrar tudo escuro, eu suspiro chorosa lembrando de tudo que aconteceu comigo enquanto ia para o trabalho.
Meu coração bate em descompasso, e sinto um pouco de falta de ar. Me levanto, e vejo que minhas pernas estão com algemas.
— Não grite! — Ouço uma voz feminina sussurrar, seu sotaque suave não passa despercebido e sei que ela não é dos Estados Unidos.
— Não estou enxergando nada. — Sussurro, baixinho com o coração mais acelerado.
— Estamos em uma van. — Ela fala e percebo que o lugar é espaçoso para ser um simples carro.
— Onde estamos?
Minha voz amedrontada não me deixa manter a calma.
Se meus pais tivessem vigiados em não levar qualquer um em nossa casa, isso certamente não estaria acontecendo.
— Copenhague. — Ela responde como se fosse óbvio.
— Na Dinamarca? — Pergunto com um grito.
— Sim, eu sei que está assustada, mas se ficar gritando, eles irão te bater. — Ela informa, paciente como se estivesse acostumada com tudo isso.
— Como cheguei aqui? — Pergunto, eufórica, querendo correr para longe e voltar para meus pais.
— De avião, eu acho. — Ela fala.
Avião?
Eu nunca andei de avião.
— Você é daqui? — Pergunto, controlando minha vontade de chorar por estar longe de casa.
— Eu sou sueca, eu estou falando em inglês porque Balduin falou que você é americana. — Ela explica com uma voz tensa.
Sim, Balduin me sequestrou, não podia estar mais convicta em relação a isso, minha mente não me enganou.
— Ele também te sequestrou? —Pergunto.
— É a sua primeira vez, né? — Ela indaga, procurando minha mão, que seguro sentindo um pouco de conforto por não está sozinha.
Sua voz parece decepcionada, e ouço um fungar, ela está chorando baixinho.
— Como assim minha primeira vez? — Questiono sem entender.
— Eles estão nos levando para um prostíbulo. — Ela revela.
— Um prostíbulo? — Minha voz quase não sai, e ela aperta mais forte minha mão.
— Sim, uma casa de prostituição, sinto muito. — Ela fala, e começo a perder a fala.
Isso não pode estar acontecendo!
— Socorro! — Grito forte, a mão da mulher, que ainda não sei o nome, tenta fechar minha boca, mas me afasto dela e continuo gritando.
— Não faça isso! — Ela choraminga.
Sentimos o carro parar, e logo a porta sendo aberta, trazendo iluminação para dentro do veículo.
— Por que a putinha está gritando? — Ouço uma voz, e um homem pula para dentro da van. Ele tem uma expressão sombria, e me deixa assustada, então me recolho, fechando meus olhos.
— Não machuque a bebezinha, Harald. — Ouço uma voz conhecida, e sinto um arrepio, porque imagino quem seja, o mesmo que me sequestrou.
— Zara, controle sua nova aprendiz! — O homem assustador resmunga com a mulher ao meu lado.
Me viro para a minha companheira, que agora sei que se chama Zara. A minha colega tem um rosto angelical e ao mesmo tempo selvagem, ela parece assustada com medo de que algo aconteça.
— Oi, Erin.
Quando ouço a voz do Balduin, meu coração para e me viro para o homem que me sequestrou. O mesmo homem que estava com meus pais, agora me mantém presa em uma van.
— Por que você me sequestrou? — Pergunto, evitando olhar em seus olhos, ele me causa medo.
— Você é minha! — Ele diz, firme, levantando meu queixo para que encare seu sorriso perverso.
— Não sou de ninguém, meus pais irão me procurar e você estará ferrado! — Aviso, e ele gargalha.
— Bebezinha, eu tive que fazer o trabalho sozinho, você é uma putinha virgem, meus homens iriam querer te estuprar, e eu vou ganhar muito dinheiro com isso, mas preciso do seu rosto inocente. — Ele pisca, e fecha a van, deixando-me e a Zara no escuro.
— Me tire daqui! — Bato na lateral da van, e Zara me puxa para seus braços.
— Erin, certo? — Ela pergunta, e confirmo um sim choroso. — Não faça isso, eles podem machucar você.
— Eu estou com medo. — Conto, deixando as lágrimas rolarem por não conseguir controlar essa angústia.
— Sinto muito por tudo que está te acontecendo. — Ela suspira me mantendo em seus braços.
— Conosco, ele sequestrou nós duas. — Digo.
— Eu já estou nessa vida há anos, nunca consigo sair, eles me ameaçam toda vez, e agora fui trocada de dono. — Ela choraminga, baixinho.
— Ninguém é seu dono, Zara. — Tento ser reconfortante, mas não posso falar muitas coisas porque não conheço sua vida.
— Eles são, me sequestraram aos dezessete anos, e depois disso eu sou isso aqui, um corpo para ser usado e em recompensa ganho comida para sobreviver.
Sua voz é triste, e fecho meus olhos pedindo que isso não seja verdade. Eu estava muito feliz, as coisas estavam indo bem.
Ficamos uns minutos em silêncio, e fico aliviada quando o automóvel para. Suspiro e logo a porta é aberta.
— Chegaram ao lar. — Harald abre a porta, animado.
Sou a primeira que ele puxa, e fico aliviado por sentir um pouco de sol em meu corpo. Zara se põe ao meu lado e olhamos para o fundo da enorme casa que paramos.
O lugar deve ter uns cinco andares, é luxuoso, mas por mim parece um inferno que estou sendo arrastada.
— Hoje somente a Zara irá trabalhar, Erin ficará quietinha guardando sua virgindade para quem pagar mais caro. — Balduin diz, com um sorriso maléfico.
Harald nos puxa para dentro da mansão. Onde subimos várias escadas, sem ter chance de conhecer o ambiente e as algemas nos nossos pés dificultam toda movimentação.
— Vocês irão ficar no mesmo quarto, tem tudo que precisam! — Harald informa, abrindo a primeira porta do corredor, e nos jogando lá dentro como se fôssemos lixos.
Olho para Zara, e ela chora, seguindo em direção a cama.
— Vamos chamar a polícia. — Digo, tentando abrir a porta, que está trancada.
— Não escaparemos daqui viva. — Ela nega, se sentando na cama.
— Não posso ficar aqui. — Choramingo, indo me sentar ao seu lado.
— Não queria que perdesse a sua virgindade neste prostíbulo. — Ela lamenta, pesarosa.
— Não somos prostitutas, estamos sendo forçadas a estar aqui.
— Eles não se importam com isso. — Ela fala, e sua voz é tão amarga.
— Meus pais irão me procurar, eu te ajudarei também. — Digo, firme, confiando que meus pais estão loucos me procurando.
— Eles ameaçaram matar minha irmã mais nova, não podia deixar que isso acontecesse, eu já perdi meus pais, não quero perder minha irmãzinha. — Ela diz, e limpo suas lágrimas.
É horrível e doloroso que ela precise fazer isso para proteger sua irmã.
— Você tem quantos anos? — Pergunto.
— Vinte e três, quando eles me levaram eu estava indo para meu primeiro dia de aula na universidade, eu iria cursar Arquitetura, era meu sonho.
Seus olhos castanhos brilham com a tristeza que moldam seu semblante quando ela fala do seu sonho, esse que foi bruscamente tirado dela e hoje ela compartilha dolorosamente comigo.
Sinto tanta pena dela, e a abraço, porque preciso ser solidária, mesmo morrendo de medo de tudo que pode acontecer aqui.
— Sinto muito. — Passo a mão pelo seu ombro, e ela dá um sorriso.
— Já devia ter me acostumado.
— Não, isso que eles estão fazendo é crime! — Digo, firme.
— Sim, mas o Balduin é um dos grandes, e ele sempre escapa da polícia. Dizem que apenas nos oferecem um lugar seguro, e como aqui na Dinamarca é permitido se prostituir, eles não dão importância para garotas de programas, e muitos deles são corruptos. — Ela informa.
Meu coração começa a acelerar, e as lágrimas ficam mais forte, coloco os meus pés em cima da cama, e abraço meu joelho, sabendo que estou perdida, a única chance é que meus pais me procurem, não sei como cheguei aqui, mas sei que não foi de forma legal.
— Os documentos de vocês! — Harald abre a porta, e joga duas mochilas no chão, reconheço a minha, e corro para pegar. — Zara, volto para te buscar em duas horas, esteja linda.
Harald fecha a porta, e eu abro minha mochila a procura do meu celular, mas só tenho meus documentos. Pego meu passaporte, e certamente Balduin roubou no dia que esteve em minha casa, talvez ele estivesse me espionando há dias, e inventou que era dono de imóveis em Yuma para se aproximar dos meus pais.
Meu passaporte tem um visto de trabalho para Dinamarca, e abro minha boca, olhando a Zara que pega sua mochila.
— Eles fazem tudo perfeito, isso é legal. Eu conseguir minha cidadania dinamarquesa sem saber, como sou sueca foi mais fácil, e eles apenas jogaram meu novo documento dizendo que eu era uma puta dinamarquesa. — Ela dá de ombros, e não sei como ela suporta tudo isso.
— Eu estou com medo. — Digo, e ela me puxa para cama.
— Se você não ficar gritando, eles não te machucaram, mas precisa fazer o que eles mandam.
Zara me olha com carinho, e eu sinto pena dela por viver se prostituindo contra sua vontade, não sei como ainda existe pessoas cruéis assim.
— Eu não vou fazer nada, não deixarei que usem meu corpo. — Minha voz sai determinada, mas meu coração agitado diz que não sou tão forte assim.
— Erin, eles irão te matar.
Arregalo os olhos com suas palavras, e volto a chorar, sabendo que estou perdida, não terei salvação, mas não me entregarei a ninguém.
Meus pais desistiram da Cora, e se eles acharem que estou morta, eles me deixarão aqui, onde morrerei pela minha rebeldia.
Ela se levanta da cama, e segue para uma porta, certamente é o banheiro. Consigo olhar para o quarto, e ele é luxuoso, mas só queria uma brecha para fugir.
Me levanto e entro no closet, onde tem várias roupas sexy e chamativas. Saio do local, com uma enorme vontade de vomitar, e me sento na cama.
Depois de alguns minutos, Zara sai do banheiro com uma toalha no corpo e outra no cabelo.
— O que está fazendo? — Pergunto, e ela me encara.
— Vou ter que descer. — Ela explica, e sei que isso significa que ela terá que fazer sexo com homens que ela não quer.
— Como você suporta isso? — Ela dá de ombros.
— Eu preciso viver para a minha irmã viver e não ter o mesmo destino que o meu. — Ela explica, e isso parte o meu coração.
— Sinto muito.
— Erin, não se preocupe comigo, mas pense em você, na sua família, eu queria poder te ajudar, mas estou tão condenada quanto você.
Ela se afasta, e depois volta com um vestido azul. Zara é linda, sua pele é mil vezes mais bronzeada que a minha, seus cabelos pretos ondulados complementam com sua cor belíssima.
— Tudo é limpo não se preocupe, ele cuida da higiene das mulheres para os clientes não ficarem insatisfeitos. Pode deitar-se na cama, e se quiser tomar banho tem roupas decentes no closet. — Ela dá um sorriso, e volta para o closet.
Me deito na cama, e me encolho toda, deixando que as lágrimas me dominem por completo. Sinto todos os meus músculos doerem, e só queria que tudo isso fosse uma mentira.
Ouço a porta abrir, vozes altas, mas permaneço de olhos fechados, sabendo que não tenho força para lutar.
Quando abro os olhos, tudo está escuro. Me levanto lentamente, e alguém liga a luz, revelando Balduin sentado no sofá.
— Acordou, bebezinha. — Ele dá um sorriso genuíno.
— O que você está fazendo aqui? — Pergunto, sem o encarar.
— Quero me certificar que amanhã você está pronta para o trabalho. — Ele se levanta, e caminha em minha direção, permaneço no mesmo lugar porque não consigo me mover.
— Não irei fazer seu trabalho nojento. — Grito.
— Você é uma riquinha mimada, e terá tudo que merece aqui. — Ele sobe em cima de mim, e mesmo esperneando, ele consegue me prender.
— Me solte! — Grito mais forte.
— Eu estou louco para meter o pau em você e tirar essa inocência do seu rosto. — Ele ri, cheirando meu pescoço, e isso me causa náusea.
— Me deixe! — Grito, e ele me solta.
— Fique aí! — Ele esbraveja, e permaneço no mesmo lugar.
Balduin abaixa sua calça social, revelando uma cueca branca, e desvio o olhar, me sentindo enjoada.
— Por favor, não. — Peço.
— Olhe! — Ele exige, e fecho meus olhos.
— Ah! — Grito quando sinto sua mão atingir minha bochecha. Coloco a mão no local atingido e o encaro, evitando olhar para baixo.
— Aqui, Erin. — Ele aponta para baixo, e nego, recebendo outro tapa, que me faz sentir mais dor.
— Por favor, não me bata. — Suplico.
— Então olha aqui, você precisa aprender. — Ele resmunga, e sinto ele tocar minhas pernas com seu pênis.
— Eu poderia te comer aqui, e ouvir seu grito de súplica, isso me deixaria mais excitado, mas você é valiosa, e ganharei muito dinheiro com sua virgindade. — Ele pisca, e aproxima o pênis do meu rosto, para não apanhar, eu olho para seu membro, sentindo mais nojo ainda.
— Não me bata mais. — Peço, a ardência em meu rosto é tão intensa que eu sei que estou vermelha.
— Não farei isso, bebezinha, mas precisa cooperar comigo, com essa marca os homens não irão te querer, então te darei uma semana para melhorar. E terá que aprender com a Zara, ou eu voltarei aqui, comerei você, depois te matarei, farei o mesmo com seus pais. — Ele pisca, e sai de perto de mim. — Estamos entendidos, Erin?
— Si... Sim. — Gaguejo, e ele dá um sorriso, vitorioso.
— Por me desobedecer, irá ficar sem comer para aprender mais um pouco. — Ele caminha em direção a mesa, pega uma sacola, que imagino ser a comida, e sai me deixando sozinha.
Minha barriga ronca de fome, e limpo as lágrimas que fazem meu rosto arder com o contato delas.
Me levanto, e sigo na direção do closet, vou direto para o espelho no final, e me assusto por ver a marca da sua mão em meu rosto.
Volto a chorar, minha vida não vale muito, mas as dos meus pais, sim, então precisarei entrar nessa vida, mesmo odiando a ideia de homens me tocando sem o meu consentimento, eu preciso proteger quem eu amo.
Pego uma toalha, e sigo para o banheiro, que também é luxuoso, e tem até banheira, pelo jeito Balduin quer que as mulheres estejam confortáveis, mas isso é somente uma manobra para conquistar as pobres inocentes.
Me ajoelho em frente ao vaso sanitário, e devolvo apenas água ao vomitar, porque não comi nada durante muito tempo.
Me sinto suja a entrar debaixo do chuveiro, minhas bochechas queimam de dor, me avisando que eu sou dona das minhas escolhas.
Eu estou em um dos países mais seguros do mundo, mas não me sinto segura. Eu queria conhecer Copenhague, estava nos meus planos, mas sinto que verei a cidade apenas da janela.
Volto para o closet, seco meus cabelos, e visto uma lingerie, depois de conferir se são realmente novas, e coloco um vestido florido.
Volto para cama, e fecho meus olhos, com a mão na barriga, sabendo que sentirei fome até amanhã, e isso me faz chorar novamente.
Fecho os olhos, assim passará mais rápido, e quando acordar, eu já poderei comer algo, e espero que eles me deem comida.
— Erin?
Sinto mãos em meus cabelos, e abro meus olhos, rapidamente, me acalmando quando vejo Zara ao meu lado na cama. Ela também está com um vestido florido, e parece que chegou há muito tempo.
— Oi. — Me espreguiço.
— Eu iria dormir, mas sua barriga estava fazendo barulhos. — Ela me entrega dois bombons.
— Onde você arrumou isso? — Indago, e ela dá um sorriso.
— Roubei da cozinha, eles deixam a gente comer quando terminamos nosso serviço. — Ela explica.
— Obrigada, eu estou com muita fome.
Abro um e enfio tudo na boca, sentindo que não matará a forme, mas deixará menos estrago.
— Ele te bateu, né? — Ela pergunta, olhando meu rosto.
— Sim.
Ela toca meus cabelos, e parece triste, então dou um sorriso e como o outro bombom, me deixando mais aliviada.
— Ele disse que você precisa aprender. — Ela conta, e dou de ombros.
— Sim, mas eu não sei de nada, não sei como me comportar perto de um homem, fazê-lo me desejar. — Falo, constrangida.
— Só usar esse rostinho inocente e todos cairão ao seu pé, não queria que entrasse nisso, mas sei que ele está te ameaçando, ele faz isso com todos que vieram sequestradas. — Ela explica.
— E tem mulheres que vieram por vontade própria? — Pergunto, jogando os papéis dos bombons na lixeira próxima a cama.
— Sim, já eram garotas de programas, e estão aqui porque ganham mais do que estivesse na rua. — Ela explica.
— Nem todos tem o direito a própria vontade! — Resmungo.
— Sim, a vida não é fácil. — Ela concorda comigo.
— E tem homens de qual idade? — Indago, mas meu estômago volta embrulhar quando penso em vários homens usando meu corpo.
Sei que estou sendo curiosa, mas preciso saber com o que irei lidar já que entrei nessa vida não porque eu tive escolha.
— De vinte a sessenta no máximo, tem homens nojentos, outros carinhosos, uns não falam nada, outros precisam te xingar para se sentirem satisfeito, e uns são lindos, mas são os piores. Quanto mais pagam, mais podem te usar da maneira que desejar, e você não pode abrir a boca para reclamar, apenas dar o prazer que eles buscam.
— Isso é horrível! — Lamento, mesmo ainda não fazendo tal ato, já me sinto pior do que o abismo.
— Eu nunca me acostumo, mas toda vez que tento negar, eu lembro da minha irmã, que nunca saberei se está bem. — Ela dá de ombros, e a abraço.
Fico em silêncio, e lembro dos meus pais, eles devem estarem desesperados, e agora sei que é melhor que eles não me procurem, assim estarão seguros.
— Durma, Erin. — Zara pede, se virando para o lado oposto.
Pego meu cobertor, e me cubro sabendo que o único momento que terei paz é quando estarei presa em meus sonhos.
Sair de Yuma se tornou meu pior pesadelo, eu queria que tudo voltasse ao normal.
Fui arrancada da bolha de proteção dos meus pais, sabendo que eles me mantiveram seguro durante anos, mas agora eu os deixarei seguros, porque só dessa forma, eu o compensarei tudo que eles fizeram por mim e eu só reclamava.
Oh, céus!
Eu sou tão burra.