Ivan saiu para cortar madeira, as noites estavam frias e precisava acender a lareira para manter a casa aquecida, Gabriela resolveu fazer o almoço e um pudim de leite para o marido, nunca teve ninguém para mimar e estava gostando da sensação, dá cozinha ela conseguia ouvir o barulho do machado, olhou pela janela e viu Ivan com as mangas dá camisa dobradas, parecia estar com muito calor devido à atividade física, ela fez uma limonada e foi levar para ele, ela se aproximou de vagar com a bandeja na mão, Ivan retirou a camisa, não percebeu Gabriela atrás dele, ela ficou paralisada quando viu as marcas no corpo dele, deu um passo para trás pisando em algumas folhas secas, Ivan se virou e quando viu a expressão no rosto dela vestiu a camisa e entrou com as madeiras. Gabriela ficou paralisada por um tempo, os olhos estavam ardendo, ela entrou e colocou a bandeja na mesa, tentou acalmar a voz.
Gabriela:- Fiz limonada - O olhar que recebeu de Ivan foi de ódio, ele pegou uma toalha e saiu, ela queria ir atrás dele, mas teve medo, ele foi fazer a única coisa que ainda o acalmava, saltou e mergulhou várias vezes, em um dos saltos bateu o braço em uma pedra, estava com tanta raiva que não sentiu a dor, viu o sangue escorrer e voltou para casa. Ouviu o choro de Gabriela quando passou por seu quarto.
IVAN
Ouvi Gabriela chorando trancada no quarto, eu sabia que isso aconteceria assim que ela visse as cicatrizes, ela é uma mulher bonita, porque iria querer estar casada com um monstro como eu, vi seu olhar para as cicatrizes, ela deve estar com nojo de mim e pensando em como fugir, afinal, porque ela ficaria?
Entro no chuveiro, troco minhas roupas, quando saio do quarto ela esta na cozinha, os olhos inchados e vermelhos.
Gabriela:- Posso ligar para o meu pai?- Eu sabia, ela acha que ele pode a ajudar a fugir, preciso sair daqui antes que perca a cabeça.
Ivan:- Faça o que quiser, mas não dê a localização dá minha casa - Fui caminhar pela propriedade, fui ao estábulo cuidar dos animais e resolvi cavalgar, cheguei na casa do meu irmão Luiz, ele é o que se comporta melhor em sociedade e eu precisava conversar, Bruno talvez não soubesse como me aconselhar.
Luiz saiu assim que ouviu o barulho lá fora, percebi que estava nervoso e com olheiras.
Ivan:- O que houve?
Luiz:- Eu ia te procurar, vou precisar dá sua ajuda, sei que está recém-casado, se não quiser ir, compreendo - Respirei fundo, talvez não fosse a melhor hora para conversar sobre os meus problemas, me sentei na escada dá varanda.
Iva:- Do que se trata?
Luiz:- Você se lembra dá amiga dá sua esposa que foi meu par no seu casamento?- Balanço minha cabeça, mas me lembro vagamente dá menina- Soube que o pai dela a prometeu em casamento, o noivo exigiu que ela fosse colocada no internato do convento para se manter pura para ele foi onde ela e Gabriela se conheceram, ela nem mesmo sabe que vai se casar.
Ivan:- Essas coisas acontecem na máfia, olhe o meu casamento- Minha voz saiu mais irritada do que eu queria.
Luiz:- Problemas grandão?- Franzi a testa e peguei um pedaço de madeira do chão, retirei meu canivete e comecei a esculpir, isso também me acalma.
Ivan:- Vamos falar do seu problema, por que se importa?
Luiz:- Eles não são mafiosos, mas o homem a quem ela foi prometida é Dario Tullosa. - Ao ouvir esse nome meu irmão ganhou minha total atenção, Dario Tullosa é um aliciador de quem já queríamos ter cuidado, mas outras coisas exigiram nossa atenção, por isso ele ainda estava vivo, parei meu canivete e olhei para ele.
Ivan:- O que mais você descobriu?
Luiz:- A pai de Sophia morreu quando ela tinha 14 anos, a mãe se casou novamente em menos de dois meses de luto, Pablo o padrasto a maltrata e a mãe ainda não descobri quem é de verdade, Dario a conheceu aos 14, mas já era casado com outra moça, que morreu misteriosamente, Sophia esta para fazer 18 anos.-Entendi o problema e ajudaria a moça de qualquer forma para que não caísse nas mãos de Dario Tullosa, mas percebi que existia algo mais.
Ivan:- E...?- Luiz olha para mim e parece inquieto.
Luiz:- E mais nada, só quero ajudar a garota - Não vou forçar, quando ele quiser me contar o real motivo ele contará.- Quero ir ao convento amanhã e tirar Sophia de lá
Ivan:- Você ainda tem aquela casa na cidade?- Eu não gosto de estar fora de casa, mas não quero ficar perto de Gabriela, vou dar a ela o tempo que precisa, talvez quando eu voltar ela já tenha fugido com o pai, vai ser melhor assim.
Luiz:- Sim, pronta e abastecida.
Ivan:- Certo, vou pegar minhas coisas e partimos em duas horas- Ele sorri, seu rosto se ilumina, entra correndo enquanto eu monto no cavalo.
Gabriela esta na cozinha quando chego, ela se vira para mim com um sorriso, uma cobra isso que ela é.
Gabriela:- Você não almoçou, fiz pudim para você- Como ela pode parecer tão doce, sei o que se passa nessa cabecinha.
Ivan:- Preciso viajar a trabalho, não tenho tempo para almoçar agora, saio em duas horas e devo voltar só amanhã a noite.- Já disse a ele tudo que precisava saber, assim ela terá tempo para partir.
Gabriela:- Vai me deixar sozinha aqui a noite?- Os olhos dela pareciam marejados, eu quase me aproximei, mas lembrei da expressão e do choro devido às minhas cicatrizes.
Ivan:- A casa é segura, fique tranquila, se precisar de algo a caminhonete vai estar na garagem abastecida- Falei enquanto subia as escadas, sei que estou facilitando a fuga dela, mas não quero que morra tentando andar até a cidade, pode ser atacada por algum animal ou até por algum homem. Peguei as coisas que precisava no quarto e fui ao escritório, tranquei a porta e abri o armário das armas, peguei o que achava suficiente e sai.
Ivan:- Gabriela, faça o que quiser, só peço que não revele a localização dá minha casa, isso é importante- Fiquei um tempo olhando para ela, parecia magoada, mas não me importei, seria a última vez que a veria.
Gabriela:- Ivan, fiz isso para você levar- Ele me entrega uma bolsa, com bolo, pudim e alguns salgados, isso me deixou surpreso.
Ivan:- Obrigado - Sai e fui ao encontro de Luiz.
GABRIELA
Ivan está estranho desde que vi as cicatrizes, ainda não consegui conversar com ele, percebi que se incomodou por eu ter visto, fiz almoço e pudim, pretendia conversar depois que comesse, mas ele sumiu o dia todo e agora vai me deixar sozinha por quase dois dias, fiz alguns salgados e bolo para o lanche dá tarde então embrulhei para que ele não sentisse fome no caminho.
Agora sozinha resolvi explorar a casa, não tem muito o que fazer por aqui, o escritório está trancado, queria ver por dentro o local onde ele trabalha, apesar de não saber exatamente o que ele faz.
Subo as escadas, tem uma porta que ainda não tinha entrado, no fim do corredor, fico maravilhada, tem estantes de livro enormes e uma grande janela do chão ao teto dando visão para parte dá fazenda e umas montanhas ao longe, é uma bela paisagem, existem cortinas pesadas que deixam o ambiente totalmente escuro, uma tv. e uma chase que mais parece uma cama, grande e confortável, a estrutura é de madeira com almofadas macias, ligo a tv e para meu espanto os aplicativos de filmes e series estão instalados, já sei o que farei hoje, volto para cozinha e faço uma bandeja com salgados e doces, na sala de tv me deito confortavelmente, e puxo a manta de esta dobrada aos pés, escolho uma série na Ne@@@x.
IVAN
A casa não é muito grande, mas tem dois quartos, o que agradeço mentalmente, Luiz me indica um dos quartos, me deito na cama de roupa e escuto ela ranger com o peso, não consigo dormir e logo vejo amanhecer, quando saio vejo Luiz bebendo café e olhando alguns papéis, parece que também não dormiu
Luiz:- Tome seu café, logo iremos partir -Me sirvo de café preto e me lembro dá bolsa que Gabriela me deu, retiro as vasilhas de dentro dela e coloco na mesa as destampando, meu irmão me olha e sorri. - Gabriela mandou tudo isso?
Ivan:- Cale a boca e coma- O bolo de chocolate me fez fechar os olhos, é o meu preferido, escuto a gargalhada de Luiz e abro os olhos.
Luiz:- Sua esposa está realmente te mimando
Ivan:- Cale a boca ou não vou te ajudar mais - Ele engole a risada e come, percebo que também está apreciando a comida de Gabriela, saber que ela não estará mais lá me dá uma pontada no coração, mas é melhor assim enquanto está no começo e eu nunca a toquei.
Chegamos no convento e fomos informados de que Sophia foi viajar com os pais, Luiz ficou frustrado e pensativo, percebemos que a madre sabia muito mais do que disse.
IVAN
Acabamos indo à casa dá única pessoa que poderia ajudar nesse momento Emily, irmã e futuro Don, assim que chegamos ela já estava traçando os planos, Luiz havia ligado para ela e passado todas as informações, para a invasão dá casa de Dario Tullosa.
A casa estava cheia de gente, o que me deixou desconfortável, ouvia as pessoas conversando na sala, passei a maioria do tempo na cozinha com a minha mãe.
Fui chamado por Bruno, estavam prontos para ir, no trajeto ele me contou os planos, passei todo o caminho pensando que teria a oportunidade de descarregar minha raiva em Dario e seus homens.
A ação foi rápida, não podíamos ficar muito tempo no local, as ordens de Emily era pegar a menina e sair, caso encontrássemos Dario deveríamos leva-ló vivo.
Sophia foi encontrada em um dos quartos, ela estava nua e machucada, Emily nos disse que Dario estava trancado em um quarto do panico, não sabíamos se ele havia acionado alguém, saímos dá casa deixando um soldado para vigiar o local. Emily avisou a irmã do nosso cunhado que Sara, eles vieram para o meu casamento, Mia é minha irmã e se casou com Don Charles, eles moram nos E.U.A.
Sara desceu para fazer o atendimento da menina em uma sala que Emily mantém em casa, para pequenas cirurgias.
Logo a moça foi atendida e sedada, estava fora de perigo, e foi levada para um dos quartos. Meu irmão Luiz estava muito abatido e preocupado, dá forma como ele esta agindo desconfio que desenvolveu sentimentos por Sophia, depois de tudo terminado eu ainda estava aqui, não queria ir para casa, meu medo de não encontrar Gabriela era crescente, ela ter visto as cicatrizes e o seu olhar de panico, não saiam dá minha cabeça.Emily me chama no escritório, explicou a ação de amanhã e me manda para casa ver Gabriela, não tive coragem de contar a ela que a menina não estaria lá, pois nesse momento já deveria estar longe com o pai, ou sozinha ajudada por ele. Peguei minha caminhonete e parti, seria bom voltar, o barulho dá casa esta me enlouquecendo, te medo de surtar e machucar alguém.Assim que chego, fico alguns minutos parado respirando fundo antes de entrar, a cozinha estava limpa, como se ela nunca tivesse passado por aqui, subo as escadas, escuto um barulho vindo dá sala de tv, entro com minha arma em punho. Meus olhos caem na linda mulher de cabelos vermelhos deitada e gemendo, me aproximo devagar e vejo o rosto de Gabriela contorcido de dor, me ajoelho ao lado dela.
Ivan:- O que faz aqui?- Minha expressão esta dura e minha voz mais assustadora que o normal, não sei dizer se estou nervoso por ela estar com dor ou por ela não ter de fato fugido, ela viu meu corpo porque continua aqui?Ela me olha com lagrimas nos olhos, as mãos na barriga, seguro suas mãos em busca de ferimentos e não encontro nada
Gabriela:- Cólica muita cólica, me ajuda por favor- Quando ouço a voz chorosa e seus olhos verdes me suplicando por ajuda, meu coração imediatamente amolece.
Ivan:- O que eu faço?
Gabriela:- Meu remédio por favor, no quarto- Ela me diz o remédio e corro para o seu quarto, quando entro sou golpeado pelo cheiro gostoso de morangos, esse é o cheiro dela, me perco por um momento até me lembrar o que estava fazendo ali, pego o remédio, pingo algumas gotas na água e a ajudo beber, não é hora de perguntar porque ela não foi embora, sei alguma coisa sobre o assunto, minhas mães me explicaram, mas nunca precisei lidar com isso
Ivan:- Um banho quente ajuda? - Ela balança a cabeça, mas quando estou saindo ela segura minha mão.
Gabriela:- Fique comigo um pouco por favor- Olho para mão dela pausada sobre a minha e não sei bem o que fazer, me sento na cama ao lado dela e Gabriela se enrola em mim encostando sua barriga contra o meu corpo. Me mantenho imóvel por um tempo foi o choque de ser tocado.
Ivan:- O que esta fazendo?- Meus olhos encontram os olhos marejados dela.
Gabriela:- Seu corpo é quente, me ajuda- Só então entendi, ela estava precisando esquentar a região para diminuir a dor.Ivan:- Vou pegar uma bolsa de água quente para você- Quando me afastei alguns centímetros ela gemeu e voltei ao lugar, ela se agarrou a mim se aninhando como um gatinho. Pensei que a dor deveria ser enorme para ela se agarrar ao meu corpo deformado.
Guando dei por mim ela estava aninhada em meus braços e eu fazendo massagem em suas costas, ela gemeu.
Ivan:- Isso faz doer mais?
Gabriela:- Por favor continue- Seus olhos estavam fechados e ela gemia, de alguma forma aquela visão pareceu sexy para mim e me repreendi mentalmente por ter esses pensamentos, ela estava com dor, então me deitei me ajeitando melhor na cama, ela estava quase em cima de mim, percebi quando sua respiração ficou mais suave e os gemidos de dor pararam, ela havia dormido em meus braços.
Senti o cheiro de morango que vinha de seu corpo, seus cabelos vermelhos estavam espalhados pelo meu peito e eu os toquei, eram macios e brilhantes, fiquei ali perdido no cheiro dela e uma paz invadiu meu coração.
Após estar naquela posição a algum tempo olhei no relógio, não estava tarde, mas precisava preparar as coisas para amanhã, a retirei de cima de mim com cuidado e relutância, queria ficar ali sentindo seu cheiro, coloquei um travesseiro por baixo de sua barriga e sai da sala de tv ofegante ainda tentando entender o que havia acontecido comigo, arrumei tudo que precisava e tomei um banho, fiz uma sopa e levei para ela com o remédio, pois não sabia se ela ainda acordaria com dor.Ivan:- Gabriela, trouxe sopa para você- Ela abriu os olhos devagar, parecia uma gatinha se espreguiçando e todos os meus sentidos ficaram aguçados nesse momento. Gabriela piscou seus grandes olhos verdes e tive a constatação de que estava perdido.
Gabriela:- Obrigada- Ela falou corando
Ivan:- Você esta bem?
Gabriela:- Bem melhor, ainda com dor, mas não como antes, obrigada por me ajudar.
Coloquei a bandeja com a sopa na frente dela e a observei comer
Ivan:- Gabriela, porque esta aqui?- Eu precisava saber, mesmo com medo dá resposta.Gabriela:- Desculpe, eu achei que poderia usar a sala de tv - Seus olhos se arregalaram e parecia uma criança que fez algo errado.Ivan:- Não na sala de tv, aqui em casa- Ela franziu a testa e me olhou como se eu fosse louco.Gabriela:- Somos casados- Ela fez uma pausa e me olhou com olhos marejados- Você quer que eu vá embora? - Devo estar louco, mas percebi decepção em seu olhar. Respirei fundo, precisaria ser mais claro com ela.Ivan:- Você viu minhas cicatrizes, vi seu olhar de nojo e depois estava chorando no quarto, eu entendo que para uma mulher como você ser casada com um monstro como eu deve ser difícil, quando pediu para falar com seu pai achei que era para fugir daqui - Se ela quisesse ir eu não a impediria. Ela levou a mão a boca e algumas lagrimas caíram, aquilo de causou um enorme desconforto.
Gabriela:- Você me entendeu errado, minha cara quando te vi foi de surpresa misturada com raiva, fiquei com raiva dá pessoa que fez isso a você, depois fiquei triste imaginando quanta dor você aguento, não queria falar com você porque não queria que me visse chorando, por isso fui para o quarto, lá não aguentei e chorei.- Eu olhava fixamente para o rosto dela tentando identificar algum indício de mentira, mas não encontrei.
Ivan:- Por que quis falar com seu pai?
Gabriela:- Porque estava com saudades e queria saber se ele estava bem- Me senti um idi@ta nesse momento.
Ivan:-Me desculpe por ter essas ideias, quando as pessoas veem meu corpo elas têm medo, nojo ou pena, não quero que tenha pena de mim.
Ela colocou a bandeja na mesinha e segurou minha mão, um calafrio percorreu todo o meu corpo com o toque dela.
Gabriela:- Não tenho pena ou nojo de você, apenas senti raiva por terem te feito isso.- Percebi que havia algo mais.
Ivan:- Tem medo de mim, Gabriela? Pelas cicatrizes?Gabriela:- Não, não tenho problema com suas cicatrizes, mas às vezes a forma que me olha e parece estar bravo me dá medo- Eu respirei profundamente, saber que ela não tem nojo de mim aqueceu meu coração.
Ivan:- Me desculpe por isso, vivi muito tempo sozinho, tive muitos problemas na infância, quando ganhei essas coisas- Falei apontando para o meu corpo - Às vezes esqueço de ser sociável, acho que nem sei bem como ser sociável
Gabriela;- Posso fazer uma pergunta?- Imaginei de imediato o que ela queria saber
Ivan:- Se for como consegui as cicatrizes não, quem sabe um dia te conto.
Ela não insistiu.