Claire parou e ergueu os olhos com uma lentidão intencional para Jessie, um olhar que a fez recuar meio passo antes de parar com o peito se contraindo.
Lorraine interveio num tom ríspido, embora sua mão repousasse protetoramente no braço da Jessie: "Jessie, pare de falar assim. Claire pode ser... encrenqueira às vezes, mas ela não é de roubar. Não é, Claire?"
Com um sorriso cuidadosamente ensaiado no rosto, ela olhou para Claire e continuou: "É só um colar. Se tivesse gostado, era só ter me pedido. Por que se dar a esse trabalho?"
"Não roubei", Claire interrompeu antes que Lorraine pudesse terminar, com uma voz firme e impassível.
"Não roubou? Então não vai se importar se eu der uma olhada!", zombou Jessie, estendendo a mão para pegar a antiga bolsa de lona que Claire havia deixado ao lado do sofá.
Mas Claire reagiu rápido, estendeu a mão e agarrou o pulso de Jessie, apertando firmemente, tanto quanto ferro.
Jessie se enrijeceu no mesmo instante, sem conseguir se soltar.
Por trás das lentes grossas dos óculos de Claire, seus olhos permaneciam assustadoramente calmos. "Você não tem o direito de mexer nas minhas coisas."
"Ah, é mesmo? Está com medo agora?" Sob o olhar calmo da mulher, a confiança de Jessie vacilou, fazendo um arrepio percorrer sua espinha, mas mesmo assim ela gritou para Lorraine: "Mãe, olhe para ela! É óbvio que ela roubou! Ela já esteve na prisão, então como alguém como ela poderia ver diamantes e não cobiçá-los?!"
As sobrancelhas de Lorraine se franziram com uma expressão de descontentamento. "Claire, já te negamos alguma coisa nesta casa? Se quisesse algo, era só pedir. Por que se rebaixar a esse ponto? Esse colar foi um presente de aniversário que o pai de Jessie lhe deu. A joia está avaliada em mais de 3 milhões. Isso não é qualquer coisa."
"Já disse que não roubei nada", Claire soltou o pulso de Jessie e falou com uma calma ponderada, enfatizando cada palavra.
"Claro que não roubou", zombou Jessie enquanto esfregava a marca avermelhada no seu pulso, com a raiva estampada nos seus olhos.
De repente, seu olhar se intensificou. "Espere aí. Por que sua bolsa está tão cheia?"
Antes que Claire pudesse responder, Jessie se lançou para frente, enfiando a mão no bolso lateral da bolsa de lona e tirando de lá uma caixa de joias de veludo.
"Tá vendo? Eu sabia!", ela exclamou triunfante.
Quando ela abriu a tampa, revelou-se sob as luzes um colar de diamantes de brilho intenso, cuja pedra central ofuscava tudo ao redor.
Lorraine puxou o ar bruscamente, sua voz carregada de uma decepção excessiva. "Claire! Alguma vez já te tratamos mal nesta casa? Mesmo assim, você foi capaz de fazer uma coisa dessas? Você tem noção do que as pessoas vão dizer sobre nós? Como a família vai encarar as pessoas depois disso?"
"Aqui está a prova", disse Jessie com satisfação, agitando a caixa de joias como se fosse um troféu. "Qual é a sua desculpa agora? Mãe, chame a polícia. Mande eles levarem essa ex-presidiária de volta para onde ela pertence."
Do outro lado da sala, várias empregadas que trabalhavam na sala de jantar não conseguiram deixar de cochichar entre si.
"Quem diria que ela era esse tipo de pessoa? Ela sempre parece tão quieta, mas são essas as que não se pode confiar."
"Ouvi dizer que ela já cumpriu pena. Uma criminosa de verdade. Não tem como o senhor Willis ter se casado com ela por livre e espontânea vontade. Ele deve ter sido enganado."
"As pessoas nunca mudam mesmo. Com certeza ela iria atrás da coisa mais cara que encontrasse. Um colar que vale mais de 3 milhões... Será que ela já viu tanto dinheiro assim?"
"Já chega!", Claire interrompeu os cochichos, fazendo a sala cair em silêncio imediatamente.
Seus olhos se moveram lentamente do colar — extravagante e quase agressivo em seu brilho — para as expressões cheias de artimanha e hostilidade das duas mulheres à sua frente.
De repente, toda essa cena pareceu absurda e desgastante.
Três anos da sua vida foram gastos com essas pessoas nesta casa. Durante esse tempo, ela fez mais do que o necessário por Jessie, que tinha beleza, mas pouco mais para se sustentar. Os problemas a perseguiam por toda parte, e a família sempre acabava tendo que resolver o caos que ela criava.
O último ocorrido envolveu a família Morgan, e se Claire não tivesse ido sozinha resolver a situação, Jessie teria pagado caro.
Infelizmente, Jessie acabou se voltando contra a pessoa que a ajudou.
Claire havia se esforçado ao máximo, mas só foi recompensada com insultos.
Pensando nisso, Claire se endireitou lentamente.
Embora sua aparência permanecesse inalterada, com traços comuns e vestido simples, a maneira como ela ficou parada no meio da sala transmitia uma presença diferente agora, uma pressão silenciosa, deixando o ambiente pesado. Sem entender o motivo, Jessie sentiu um estranho desconforto surgir no seu peito.
"É só um colar. E vocês se deram a todo esse trabalho só para armar esse showzinho?", Claire perguntou calmamente.
"O que está querendo dizer? Acha que isso é uma encenação?", Jessie retrucou, sua voz se elevando bruscamente.
Em vez de discutir, Claire se aproximou e estendeu a mão para Jessie.
Assustada, Jessie recuou instintivamente, apertando a caixa de joias contra o peito. "O que pensa que está fazendo? Tentando se livrar das provas?"
De repente, um leve sorriso surgiu nos lábios de Claire. No instante seguinte, sua mão se moveu rapidamente, arrancando a caixa de veludo das mãos de Jessie.
"Ei!" Jessie mal conseguiu protestar quando Claire sacudiu o pulso, fazendo a caixa passar pela porta da frente aberta num arco elegante antes de mergulhar na fonte do pátio com um forte estrondo.
"Meu colar!", Jessie gritou enquanto corria para fora.
Ao ver isso, Lorraine perdeu a compostura e seu rosto empalideceu.
Claire bateu as mãos uma na outra casualmente, como quem espantava poeira.
Então, ela encarou Lorraine novamente, com um olhar firme e um tom frio e preciso.
"Lorraine, armar para cima de mim assim é óbvio demais. Que tal verificarmos as câmeras de segurança para ver quem colocou esse colar na minha bolsa?"
A expressão de Lorraine se enrijeceu.
"E tem outra coisa que vocês precisam saber", Claire continuou num tom calmo e firme. "Dez minutos atrás, Cade e eu assinamos os papéis do divórcio. A partir de agora, não tenho nada a ver com a família de vocês. Não sou mais sua nora, e vocês não têm o direito de me difamar ou insultar quando bem entenderem. Quanto ao colar, já que ele está no fundo da fonte agora, vocês mesmas podem ir buscá-lo."
Depois de dizer isso, Claire não lançou mais nenhum olhar para as duas mulheres, virando-se para subir as escadas.
Foi só depois que o leve som de uma porta se fechando ecoou do andar de cima que Jessie voltou correndo para a sala de estar.
Com a água pingando das suas roupas, ela gritava com raiva: "Mãe! Ela... ela jogou meu colar na fonte! Ela é completamente louca! Ligue para Cade e peça para ele voltar para lidar com ela..."
"Fica quieta!", Lorraine interrompeu Jessie rispidamente, com uma expressão sombria e severa.
Com os olhos fixos na escada, a lembrança de três anos atrás ressurgiu em sua mente.
Naquela ocasião, ela havia passado pelo escritório e visto Claire parada em silêncio na mesa de Cade, onde havia documentos sobre uma aquisição no exterior, além de várias antiguidades raras.
Lorraine presumiu que Claire estava apenas observando tudo com fascínio. Na verdade, ela até achou a situação engraçada, pensando que uma órfã não reconheceria o valor do que estava vendo.
No entanto, agora um detalhe esquecido surgiu com uma clareza impressionante: Claire não estava prestando atenção nas antiguidades!
Na verdade, seus olhos percorriam uma complicada coluna de números financeiros, e ela balançou levemente a cabeça.
Ao se lembrar disso, Lorraine sentiu um arrepio percorrer sua espinha, e uma sensação crescente de desconforto apertou seu coração.
Talvez... ela nunca tivesse conhecido de verdade a mulher que havia dispensado tão facilmente.
Assim que entrou no quarto, Claire começou a arrumar as malas com movimentos rápidos e precisos.
Quando terminou, pegou outro celular e abriu um aplicativo de mensagens que não tocava há anos.
Em um pequeno grupo, com poucas pessoas, ela enviou uma mensagem: "Estou divorciada. Solteira de novo."
Na mesma hora, o celular não parou mais de vibrar — as mensagens chegavam sem parar.
Nate Singh, seu parceiro de corrida, foi o primeiro a responder: "Espere aí, o quê? Claire, alguém hackeou sua conta?"
Logo em seguida, veio a resposta de Kenneth Wright, o gênio da medicina que todos chamavam de médico dos milagres: "Isso merece uma comemoração. Você está livre agora. Vamos beber hoje à noite. Sem desculpas, hein?"
Depois, apareceu a resposta de Zayne Ford, o hacker do grupo: "Quer que eu apague seu rastro digital? Me envie seu IP, faço isso de graça. Cade não conseguirá te rastrear."
Jemma Scott, amiga de Claire e designer de joias, também entrou na conversa com uma empolgação evidente. "Já era hora! Eu te disse que aquele homem nunca foi digno de você. Claire, vou te enviar algo da minha coleção 'Renascimento'. Deixe o mundo ver o quanto você pode brilhar."
As notificações chegavam tão rápido que a tela começou a ficar embaçada.
Lendo as mensagens dos amigos, Claire sentia seu coração se aquecer. Embora fossem barulhento e teimosos, sempre foram leais.
Com calma, ela digitou uma resposta breve: "Estou falando sério. O divórcio já foi concluído. Nos vemos no mesmo lugar mais tarde."
Depois de deixar o celular de lado, ela foi até o canto mais distante do closet. Escondida atrás de uma fileira de roupas penduradas, uma gaveta secreta se abriu silenciosamente.
Dentro dela, não havia nenhuma peça de roupa, apenas uma caixa de metal preta.
Claire colocou o polegar no scanner e, com um leve clique, a trava se soltou.
Tudo dentro da caixa estava organizado impecavelmente — um bisturi cirúrgico refletia um brilho metálico frio, e ao lado dele, havia um conjunto de chaves de corrida exclusivas, um laptop elegante e de alta qualidade, e uma pilha grossa de esboços de design com traços precisos e detalhes meticulosos, trabalho tão refinado que poderia ser exposto em uma galeria.
Por três anos, ela guardou tudo isso para poder viver como esposa de Cade.
Durante esse tempo, ela enterrou seus instintos aguçados, sua motivação e cada traço da vida que já teve.
Agora, essas partes dela voltariam.
Claire pegou o laptop da caixa e o ligou. O sistema familiar apareceu na tela enquanto seus dedos se moviam rapidamente pelo teclado.
Em poucos segundos, ela entrou na rede interna do Grupo Willis. Uma a uma, ela removeu todos os registros das crises que havia resolvido silenciosamente nos últimos três anos — incluindo a tecnologia central que ela mesma desenvolvera, o mesmo projeto que o Grupo Willis pretendia usar na parceria com a família Morgan.
Até hoje, Cade achava que aqueles sucessos tinham sido sorte ou mérito dos subordinados, sem jamais perceber quantas noites ela passara acordada, eliminando os obstáculos que surgiam em seu caminho enquanto ele dormia.
Vendo na tela exibir a mensagem "EXCLUSÃO CONCLUÍDA", o rosto de Claire permanecia calmo.
O casamento havia acabado. Agora, cada conexão entre eles tinha que ser rompida.
A família Willis não tinha mais nenhum direito sobre ela. A partir de agora, eles nunca mais se beneficiariam dos seus esforços.
Depois de fechar o laptop, Claire pegou seu celular e enviou uma mensagem privada para sua amiga mais próxima, Rylie Miller: "Estou totalmente livre."
A resposta de Rylie veio quase imediatamente: "Me dê dez minutos. Estarei na porta da casa daquele idiota para te buscar."
Era assim que Rylie agia — quando tomava uma decisão, agia tão rápido que deixava as pessoas nervosas.
Ela prometeu dez minutos, mas o rugido de um motor ecoou pela rua em menos de seis.
Um carro esportivo impressionante parou na calçada bruscamente. Vestida toda de preto, Rylie se apoiou no veículo com total confiança.
No momento em que avistou Claire saindo com uma mala, um sorriso largo se espalhou pelo seu rosto.
"Parabéns! Finalmente você está livre", disse Rylie com entusiasmo.
Claire nem sequer abriu a boca quando Rylie de repente tirou uma garrafa de champanhe como um mágico de palco.
Com um movimento leve do pulso, Rylie estourou a rolha, que disparou para o alto, e a espuma borbulhante explodiu no ar sob o brilho do pôr do sol antes de respingar no ombro de Claire.
"Não tive tempo de pegar nada extravagante, então o champanhe terá que servir. Vamos comemorar seu novo começo", disse Rylie com um sorriso brincalhão.
O líquido gelado encharcou a blusa de Claire, mas ela nem percebeu, pois um calor inundou seus olhos enquanto as lágrimas ameaçavam surgir — ela estava se sentindo maravilhosa.
Agora que havia se afastado de Cade, a vida que realmente pertencia a ela estava finalmente recomeçando.
Com um sorriso travesso, Rylie lhe jogou as chaves e arqueou uma sobrancelha. "Quer dirigir? Entre aí."
Claire pegou as chaves, se sentou ao volante e pisou no acelerador sem hesitar.
O Bugatti Veyron rugiu e avançou, se afastando da casa antes de entrar no fluxo do trânsito.
A velocidade aumentou rapidamente, mas o carro permanecia perfeitamente estável sob o controle de Claire.
Rylie se recostou no banco e inclinou a cabeça em direção a Claire. "Então me diga uma coisa. O que finalmente te fez se livrar desse seu péssimo gosto por homens?"
"A mulher da vida dele voltou. Eles estão juntos novamente", disse Claire calmamente, sem tirar os olhos da estrada.
Rylie quase explodiu. "Está brincando comigo? Ela fugiu, desapareceu e depois voltou três anos depois? Não há outros homens no mundo? Ela teve que ir atrás do seu marido?"
Sua frustração só aumentava, e as palavras saíam cada vez mais rápido. "E Cade? Um completo idiota! Casado e ainda apegado à primeira paixão. Sério, ele é repugnante."
Claire não disse nada, pois o desabafo de Rylie foi tão intenso que ela não sabia como responder.
Percebendo o desconforto da amiga, Rylie tossiu levemente. "Só estou furiosa com isso. Eles podem continuar de onde pararam, enquanto você tem que desaparecer silenciosamente? Por que facilitar as coisas para eles? E essa Dina... ah, qual é. Você deveria competir com ela."
Claire respondeu calmamente: "E o que isso resolveria? Anunciar ao mundo que sou a mulher que foi deixada de lado?"
"Mas eles estão se safando com muita facilidade!"
"Não estão. De agora em diante, serei simplesmente Claire. Não sou mais um acessório de ninguém e nunca mais serei", respondeu ela suavemente, embora seu tom carregasse uma certeza silenciosa.
O humor de Rylie mudou tão rapidamente quanto havia se acendido, e a raiva desapareceu. "Isso é o que eu queria ouvir. Isso merece uma comemoração. Bebidas?"
"Faremos isso mais tarde. Preciso fazer uma parada primeiro. Vou mudar meu visual", disse Claire enquanto virava o volante ligeiramente.
"Finalmente!", disse Rylie, seus olhos brilhando de empolgação.
Então, outra ideia lhe ocorreu e ela se inclinou ligeiramente. "Ah, sim. Você ficou completamente ausente por três anos, e um monte de gente do mundo da medicina ficou praticamente louca tentando te encontrar. Quando pretende voltar?"
O rosto de Claire permaneceu calmo. "Acho que agora é o momento certo. Espalhe a notícia."
Rylie riu, claramente se divertindo. "Por falar nisso, Cade também estava te procurando. Pelo visto, o amor da vida dele precisa de tratamento. Ele não perceberá a verdade, não até que ela o atinja em cheio. A mulher que ele descartou tão casualmente é a que ele tentou desesperadamente procurar para pedir ajuda — a figura lendária, Doutora L."
Um sorriso malicioso se formou nos lábios de Rylie. "Sinceramente, mal posso esperar para ver a expressão dele quando finalmente descobrir e aquela confiança arrogante se quebrar."