Depois de algum tempo, Denny e eu descemos as escadas de mãos dadas. Era quase como se
fôssemos adolescentes apaixonados. Nós dois estávamos adorando viver juntos. Eu disse a Denny o que
parecíamos, e nós dois rimos quando dobrávamos a esquina para a cozinha.
A segunda coisa que eu observei sobre esta casa, logo após reparar no pequeno tamanho, era a
escassez em decorações. Era evidente que era simplesmente um lugar para dormir à noite. A casa de um
cara. Eu teria definitivamente que fazer algumas compras em breve. Era apenas demasiado árida para
qualquer garota conseguir se conter, até para mim.
A cozinha era decente, considerando. A parede do fundo tinha um balcão que terminava na
geladeira. A parede oposta era a metade do comprimento com um fogão e micro-ondas acima dele, e à
esquerda do fogão, outro balcão curto, com uma cafeteira cheia de café fresco, o cheiro que emanava
fazendo água na boca. A parte de trás da sala tinha uma mesa de tamanho moderado com quatro
cadeiras e uma grande janela que dava para o quintal.
O espaço entre a parede baixa e a janela se abria para a sala de estar e Kellan estava andando por ela.
Ele estava segurando o jornal e lendo a primeira página dobrada. Já estava vestido para o dia em shorts e
uma camiseta de manga curta, o cabelo ondulado ainda bagunçado, mas mais organizado do que antes...
perfeito. Mesmo que Kellan estivesse simplesmente vestido, de repente me senti muito simples em
minhas calças jeans básicas e t-shirt. Apertei a mão de Denny e tentei lidar com isso.
— Ei, cara. — Denny sorriu e foi até Kellan, que levantou os olhos para a sua voz.
— Ei, que bom que vocês conseguiram! — Kellan sorriu e apertou o ombro de Denny em um
abraço rápido. Eu sorri um pouco também. Garotos podiam ser tão fofos.
Com um sorriso caloroso em minha direção, Denny disse, — Você já conheceu Kiera, eu ouvi
dizer.
Meu sorriso desapareceu com a memória.
— Sim. — Os olhos de Kellan brilhavam... um pouco maliciosamente. — Mas, bom ver você de
novo. — Pelo menos ele estava sendo educado sobre isso. Ainda sorrindo, Kellan foi até a cafeteira e
pegou algumas canecas do armário acima dela. — Café?
— Não, para mim não. Não sei como vocês podem beber essas coisas, — disse Denny, fazendo uma
cara de nojo. — Já Kiera o ama. — Eu concordei com a cabeça e sorri para Denny. Ele nem sequer
gostava do cheiro de café. Ele era mais “turma do chá”, o que eu achava completamente divertido e
adorável.
Denny olhou para mim. — Com fome? Eu acho que ainda há um pouco de comida no carro.
— Morrendo de fome. — Mordi o lábio e olhei para o seu belo rosto por um segundo, em seguida,
o beijei levemente e divertidamente bati no seu estômago. Sim, nós definitivamente éramos adolescentes
apaixonados novamente.
Ele me deu um beijo breve e, em seguida, virou-se para sair. Quando ele se afastou, notei Kellan
atrás dele, olhando-nos com uma expressão divertida em seu rosto.
— Tudo bem, já volto. — Denny saiu da cozinha e o ouvi pegar as chaves na mesa da entrada, onde
ele as jogou na noite passada. A porta se fechou um segundo depois e fiquei maravilhada com a forma
como ele não estava sequer perturbado que estivesse vestindo apenas uma camiseta e as cuecas com que
tinha dormido.
Sorrindo, fui para a mesa para sentar e esperar por ele. Kellan veio alguns minutos depois com
duas xícaras de café. Eu fiz um movimento para me levantar e colocar creme e açúcar na minha, mas
olhando para o café mais de perto, pude ver que já tinha. Como ele sabia que eu gostava desse jeito?
Percebendo minha expressão de espanto, ele disse, — Eu trouxe o meu preto. Posso trocar, se você
não gosta de creme?
— Não, na verdade eu gosto assim. — Sorri para ele quando se sentou. — Eu pensei que talvez
você pudesse ler mentes ou algo assim.
— Quem dera, — ele riu, tomando um gole de café preto.
— Bem, muito obrigado. — Eu levantei minha xícara um pouco e tomei um gole...
Paraíso.
Kellan olhou através da mesa para mim, com a cabeça inclinada. — Então, Ohio hein? Buckeyes
{8}
e vaga lumes certo?
Eu sorri e mentalmente revirei os olhos por seu limitado conhecimento do meu Estado de origem.
Eu não ia pressioná-lo, embora. — Sim, é praticamente isso.
Ele me olhou com curiosidade. — Você sente falta?
Parei por um momento antes de responder-lhe. — Bem, eu sinto falta dos meus pais e minha irmã,
é claro. — Parei novamente e suspirei um pouco. — Mas eu não sei... um lugar é apenas um lugar. Além
disso, não é como se eu nunca fosse vê-lo novamente, — eu terminei, sorrindo.
Ele franziu ligeiramente a testa para mim. — Não leve a mal, mas por que você veio todo o
caminho até aqui?
Fiquei um pouco irritada com a pergunta, mas tentei ignorar o sentimento. Eu não conhecia Kellan
bem o suficiente para julgá-lo.
— Denny, — eu disse, como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Huh. — Ele não deu mais detalhes, apenas bebeu um gole de café.
Precisando mudar de tema, eu soltei a primeira coisa que veio à minha cabeça. — Por que você
canta assim? — Eu imediatamente lamentei o que disse, percebendo o quão terrivelmente ofensivo devia
soar. Não tinha a intenção de soar dessa maneira. Eu estava apenas curiosa porque ele era tão...
paquerador no palco.
Seus olhos azuis se estreitaram para mim. — O que você quer dizer? — Ele lentamente perguntou.
Eu tinha a sensação de que seu canto era algo que as pessoas geralmente não questionavam. Não
conseguia perceber se ele estava com raiva, mas eu não queria ir por esse caminho. Não era um bom
jeito de fazer uma boa impressão sobre a pessoa com quem eu agora partilhava uma casa.
Parando por um tempo, tomei um gole de café. Sabendo que eu teria que explicar a minha pergunta
terrivelmente embaraçosa, comecei a corar ligeiramente. — Você foi ótimo, — eu comecei, na esperança
de acalmá-lo. — Mas às vezes você era tão... — Me encolhi mentalmente, mas sabia que precisava ser
apenas uma adulta e dizer, — ...sexual. — Sussurrei.
Sua expressão suavizou e ele riu pelo que pareceram ser cinco minutos.
Irritação queimou por mim com força total. Eu não estava tentando ser engraçada e estava ficando
muito envergonhada, para não mencionar desconfortável. Por que eu tinha que abrir minha boca
grande? Olhei para a minha xícara de café, querendo engatinhar dentro dela e desaparecer.
Ele finalmente notou que a minha expressão tinha mudado e tentou recuperar a compostura. —
Desculpe... É apenas que, não foi o que eu pensei que você ia dizer. — Pensei por um momento no que
ele esperava que eu dissesse e olhei de volta para ele. Ainda rindo um pouco, ele pensou por um
momento. — Eu não sei. As pessoas só tendem a responder a isso.
— Ele encolheu os ombros.
Por "pessoas", eu entendi que ele quis dizer mulheres.
— Eu te ofendi? — Ele perguntou, com um brilho nos olhos.
Ótimo, agora ele pensava que eu era essa pessoa pudica que não podia lidar com ele. — Nãão. —
Prolonguei a palavra e encarei-o um pouco. — Apenas me pareceu excessivo. Além disso, você não
precisa disso... Suas músicas são ótimas.
Ele parecia um pouco surpreso com isso. Sentou-se na cadeira e me olhou de uma forma que estava
fazendo meu coração bater mais rápido. Sério, ele era apenas absurdamente bonito.
Olhei para a mesa, desconfortável.
— Obrigado. Vou tentar manter isso em mente.
Eu olhei de volta para ele. Ele estava sorrindo suavemente para mim e parecia genuíno ao dizer isso.
Mudando de assunto, ele me perguntou: — Como você e Denny se conheceram?
Eu sorri enquanto me lembrava. — Faculdade. Ele era um AP
{9} em uma das minhas aulas. Era
meu primeiro ano, seu terceiro. Pensei que ele era a pessoa mais linda que eu já tinha visto. — Corei um
pouco mais ao chamá-lo de lindo em voz alta, e, para um cara. Eu geralmente tentava não usar essa
palavra em conversas. As pessoas tendiam a olhar para mim de um jeito engraçado. Kellan estava apenas
sorrindo pacificamente para mim, no entanto. Eu supus que ele estava acostumado a ouvir uma grande
variedade de adjetivos brilhantes.
— De qualquer forma, nós apenas nos demos bem e estamos juntos desde então. — Eu não podia
deixar de sorrir para a enxurrada de lembranças que tínhamos juntos. — E você?
Como conheceu Denny? — Eu sabia o básico da história, mas não muito mais.
Ele pensou por um momento, um sorriso nos lábios que combinava com o meu. — Bem, meus pais
acharam que seria boa ideia hospedar um estudante de intercâmbio. Eu acho que seus amigos ficaram
impressionados com isso... — Seu sorriso desapareceu um pouco antes de voltar imediatamente. — Mas,
Denny e eu nos demos bem imediatamente também. Ele é um cara legal.
Ele virou o rosto e um olhar passou sobre ele que eu não podia compreender... quase tristeza. —
Eu devo muito a ele, — disse ele em voz baixa. Ele se virou para mim, seu sorriso encantador de volta
no lugar, e encolheu os ombros. — De qualquer forma, eu faria qualquer coisa pelo cara, então quando
ele me ligou e disse que precisava de um lugar para ficar, era o mínimo que eu poderia fazer.
— Oh. — Eu estava curiosa sobre a sua tristeza repentina, mas ele parecia ter voltado ao normal
agora e eu não queria pressioná-lo. De qualquer forma, Denny voltou para a cozinha nesse ponto.
Ele parecia muito arrependido. — Desculpa, tudo o que consegui encontrar foi isso. — Ele
levantou um saco de Cheetos e um saco de pretzels.
Kellan riu baixinho enquanto eu estendia minha mão e dava um sorriso doce a Denny.
— Cheetos, por favor.
Denny franziu a testa, mas deu a mim e Kellan riu mais ainda.
Nós terminamos nosso café da manhã "nutritivo", e então liguei para meus pais (a cobrar, nem
menos) para que eles soubessem que chegamos aqui e que estávamos seguros. Denny e Kellan estavam
se atualizando na vida um do outro, enquanto eu conversava com minha família. O único telefone na
casa era um verde-oliva, com fio, uma engenhoca com aparência dos anos setenta na cozinha, e as
histórias de Denny e Kellan foram ficando mais altas e mais engraçadas quando eles se sentaram à mesa
e relembravam. Eu tive que encará-los um par de vezes, com um pedido não verbal para ficarem quietos
para que eu pudesse ouvir os meus pais. Claro, eles pensaram que era hilário, e só parecia fazê-los rir
ainda mais alto, então, eventualmente, eu virei de costas para eles e ignorei a conversa feliz. Não era
como se a minha mãe e meu pai estivessem dizendo outra coisa senão, "Pronta para voltar para casa agora?"
de qualquer maneira.
Após minha conversa longa, Denny e eu voltamos lá para cima.
Ele rapidamente tomou banho enquanto eu vasculhava sua bolsa por algumas roupas. Escolhi seus
favoritos, calça jeans desbotada e uma camiseta bege claro para ele, e comecei a arrumar o resto das
nossas coisas na cama.
A pessoa que alugou este quarto antes de nós tinha sido gentil o suficiente, que tinha deixado a
cama (lençóis e tudo), uma cômoda, uma televisão pequena e uma mesa de cabeceira, com um
despertador. Eu não sabia por que, mas estava extremamente grata, pois Denny e eu não tínhamos
absolutamente nenhuma mobília. Em Atenas, tínhamos vivido com nossos parentes para economizar
dinheiro. Eu já havia tentado em várias ocasiões convencer Denny para termos um apartamento próprio,
mas o dinheiro era pouco, e ele não via lógica em perder todo o dinheiro quando nossas famílias
moravam apenas a alguns minutos da escola. Na minha cabeça, eu tinha uma longa lista de razões pelas
quais... a maioria envolvendo uma cama, lençóis e tudo.
E, claro meus pais, embora eles o adorassem, não estavam interessados em deixá-lo se mudar para o
meu quarto. Eles nem sequer tinham concordado em me deixar mudar para a casa da sua tia, e uma vez
que eles estavam pagando caro pela minha educação, eu não tinha pressionado muito a questão.
Mas agora nós meio que tínhamos que viver juntos para economizar dinheiro, então eu acho que,
no final, eu havia ganho a discussão. Sorri com esse pensamento quando comecei a colocar as roupas na
cômoda pequena de duas gavetas - as suas de um lado, as minhas do outro. Nós não tínhamos um monte
de roupas, e eu tinha terminado quando Denny voltou do chuveiro.
Vê-lo envolto apenas em uma toalha me agradou muito, e sentei-me na cama com os braços em
volta dos meus pés, a cabeça descansando sobre os joelhos, para vê-lo se vestir. Ele riu da minha atenção
extasiada, mas estava confortável o suficiente, pois ele não teve problema nenhum em largar a toalha e se
vestir. Eu teria feito ele virar, ou fechar os olhos ou algo assim, se os nossos papéis estivessem invertidos.
Uma vez que terminou, ele sentou-se na cama ao meu lado. Eu não pude resistir a correr meus
dedos por seu cabelo úmido, bagunçando-o um pouco. Ele esperou pacientemente, um brilho especial
nos olhos, um sorriso suave nos lábios.
Quando pareceu que eu estava finalmente satisfeita, ele me beijou na testa e fizemos o nosso
caminho de volta para baixo para pegar o resto de nossas caixas do carro. Levou apenas duas viagens -
nós realmente não tínhamos um monte de coisas. No entanto, aparentemente, não tínhamos nenhuma
comida. Colocamos as caixas na nossa cama e decidimos enfrentar o caminho através das ruas da cidade
em busca de alimentos. Denny tinha vivido aqui por um ano inteiro, mas isso tinha sido há vários anos, e
ele não dirigia nessa altura, portanto, pegamos algumas direções com Kellan e fizemos nossa tentativa.
Nós facilmente chegamos até o cais e a Pike Place Market
{10} para olhar ao redor e conseguir um
pouco de comida fresca. Era realmente uma bela cidade. Passeamos de mãos dadas pelo cais, vendo a luz
do sol brilhar. Era um dia quente e claro e paramos para ver as balsas e as gaivotas voando baixo sobre a
água, como nós, também buscando alimentos. Uma brisa fria trouxe o cheiro de água salgada e eu
encostei minha cabeça no peito de Denny quando ele passou os braços em volta de mim - perfeito.
— Feliz? — ele me perguntou, esfregando a mandíbula ao longo do meu pescoço, o cabelo claro
longo dele me fazendo rir.
— Delirantemente, — eu respondi, virando a cabeça para dar-lhe um beijo suave.
Fizemos todas as coisas turísticas da região - passamos por todas as lojas típicas, ouvimos os
músicos de rua, sentamos em um bonito e pequeno carrossel, e vimos os negociantes de peixe jogando
salmão enorme uns para os outros, enquanto a multidão aplaudia. Finalmente, pegamos algumas frutas
frescas, vegetais e outros alimentos, e voltamos para o carro.
Uma coisa infeliz sobre Seattle, que ficou rapidamente aparente enquanto dirigíamos para casa,
eram as colinas íngremes estilo montanha-russa, e tentar dirigir com câmbio manual através delas. Lá
pelo terceiro quase-acidente traseiro, nós estávamos rindo tão forte que eu não conseguia parar as
lágrimas. Só nos perdemos por duas vezes, finalmente conseguindo voltar para casa em uma peça.
Nós ainda estávamos rindo sobre nossa pequena aventura enquanto caminhávamos de volta para a
cozinha, carregando sacos de mantimentos. Kellan olhou para nós de onde ele estava sentado à mesa,
escrevendo notas em um bloco de papel em espiral. Letras de música, talvez? Ele nos deu um sorriso
divertido e voltou para o seu trabalho.
Denny guardou nossa comida, enquanto eu comecei a arrumar as nossas poucas coisas das caixas
no andar de cima. Foi muito rápido. Sabendo que não estávamos indo para um lugar enorme, tínhamos
só trazido o essencial com a gente, deixando a maioria das coisas que uma pessoa acumula durante um
período de tempo, no sótão da casa da minha mãe. Não demorou tanto quanto eu pensava que iria, antes
do que tinha imaginado, já havia guardado todos os nossos livros, as roupas de trabalho de Denny, meu
material da escola, e algumas fotos e lembranças. Acabei por colocar os nossos produtos de higiene
pessoal no banheiro, nosso xampu barato ao lado das coisas caras de Kellan, me fazendo sorrir. Então,
tinha terminado.
Voltando para baixo, eu me virei para a sala para encontrar Kellan e Denny assistindo ESPN{11}
. O
Voltando para baixo, eu me virei para a sala para encontrar Kellan e Denny assistindo ESPN{11}
. O
espaço era tão mal decorado como o resto da casa, eu realmente ia ter que fazer algo sobre isso em
breve. Ele praticamente consistia de uma TV grande na parede de trás, ao lado de uma porta deslizante
que dava para o quintal. Um longo sofá parecido com um rato ocupava a parede oposta, com uma
cadeira de aparência confortável no canto, e uma mesa redonda com uma lâmpada velha sobre ela
escondida entre os dois. Kellan parecia viver tão simples como se vestia.
Denny estava esparramado no sofá longo, parecendo que podia adormecer a qualquer momento -
ele provavelmente ainda estava terrivelmente cansado. Eu estava começando a sentir a longa viagem
(combinada com caminhar ao redor do cais durante toda a tarde) me alcançar, então caminhei até Denny
e engatinhei para cima dele. Ele mudou de posição para que eu pudesse afundar entre ele e o sofá, minha
perna sobre a sua, meu braço sobre o seu peito e a minha cabeça aninhada em seu ombro. Ele suspirou
satisfeito e me puxou apertado, beijando minha cabeça suavemente. Seu batimento cardíaco estava lento
e constante, e foi puxando-me para dormir. Antes que eu fechasse meus olhos, olhei para Kellan, que
estava sentado na cadeira. Ele parecia estar nos observando com curiosidade. Eu não pude fazer mais
nada exceto imaginar o porquê de sua reação, antes dos meus olhos fecharem e o sono tomar conta de
mim.
Acordei um pouco mais tarde, quando Denny se mexeu debaixo de mim.
— Desculpe, eu não quis acordá-la, — disse ele, seu sotaque quente e delicioso em torno das
palavras.
Alonguei-me luxuosamente, bocejei e me endireitei um pouco, para olhar para seu rosto. — Está
tudo bem, — eu murmurei, beijando-o levemente. — Acho que eu deveria acordar de qualquer jeito, se
quiser dormir esta noite. — Olhei ao redor, mas estávamos sozinhos na sala.
Sozinhos.
O pensamento me fez instantaneamente ciente de quão perto Denny e eu estávamos aconchegados
no sofá. Sorrindo maliciosamente, eu o beijei de novo, mas mais profundo. Ele riu um pouco, mas me
beijou de volta ansiosamente. Não demorou muito para a minha respiração acelerar e meu coração
também. Desejo me encheu por este homem caloroso e bonito debaixo de mim, e passei meus dedos em
seu peito, deslizando-os sob sua camisa, sentindo sua pele lisa.
Ele reagiu segurando meus quadris com suas mãos fortes e deslocando-me mais, até que eu estava
mais diretamente em cima dele. Eu suspirei feliz e pressionei contra ele. Em algum lugar no canto da
minha mente, eu registrei uma porta se fechando, mas as mãos de Denny me puxando ainda mais contra
ele, rapidamente levaram qualquer outro pensamento da minha cabeça.
Eu estava feliz beijando seu queixo e movendo-me para o seu pescoço, quando uma risada, fraca e
divertida, acordou-me do meu divertimento. Sentei subitamente no colo de Denny, fazendo-o grunhir de
surpresa. Eu não tinha percebido que Kellan ainda estava aqui, e tinha certeza de que a cor do meu
rosto fazia isso ser dolorosamente óbvio para ele.
— Sinto muito. — Ele estava rindo um pouco mais agora. Ele estava de pé na entrada, agarrando
sua jaqueta de um gancho perto da porta da frente. — Eu vou sair em um minuto... se quiserem esperar.
— Ele pareceu ponderar por um momento. — Ou não. Isso realmente não me incomoda. — Ele deu de
ombros, ainda rindo.
Isso me incomodou. Eu imediatamente voei para o outro lado do sofá, com vergonha de dizer
qualquer coisa. Olhei para Denny, esperando que ele pudesse de alguma forma voltar no tempo alguns
minutos. Ele só ficou lá, com um sorriso divertido no rosto também. Irritação fluiu através de mim -
homens!
Com a necessidade de mudar o foco de alguma forma, eu soltei: — Aonde você vai? — Saiu com
mais rigor do que eu queria, mas era tarde demais para mudar isso.
Ele piscou para mim, um pouco surpreso pela explosão de raiva. Eu tinha a sensação de que
realmente poderia ter feito sexo no sofá e ele não teria se importado. Aparentemente, ele era muito
aberto sobre esse tipo de coisa. Ele provavelmente tinha dito aquilo apenas para me provocar, não para
me envergonhar. Minha irritação acalmou ligeiramente.
— Pete. Temos outro show lá hoje à noite.
— Oh. — Agora que eu estava prestando mais atenção a qualquer coisa além da minha
mortificação, ele parecia vestido de forma diferente do que esta manhã - uma camisa vermelha brilhante
de mangas compridas e calça jeans desbotada perfeitamente. Ele tinha tomado banho também, seu
cabelo fabulosamente bagunçado, mas ainda um pouco úmido. Ele parecia como o deus do rock que me
lembrava da noite anterior.
— Vocês querem ir... — ele fez uma pausa, depois sorriu diabolicamente, — ou preferem ficar
aqui?
Eu soltei, mais de vergonha e irritação, do que qualquer desejo real: — Não, nós vamos. Claro.
Denny piscou para mim em confusão, e o que parecia um pouco com decepção. — Sério?
Tentando encontrar uma maneira de justificar o meu pronunciamento irrefletido, eu falei:
— Sim, eles soaram muito bem na noite passada. Estava esperando ouvir um pouco mais.
Denny sentou-se lentamente no sofá. — Tudo bem. Vou pegar minhas chaves.
Kellan balançou a cabeça para mim um pouco, um sorriso divertido no rosto. — Ok, vejo vocês
por lá, então.
No passeio de carro até lá, eu tentei cobrir minha vergonha anterior por perguntar a Denny sobre a
conversa estranha na cozinha com Kellan. Eu olhei para ele. — Kellan parece... legal? — Não tinha
intenção que saísse como uma pergunta, mas meio que saiu.
Ele olhou para mim — Não, ele é. Você meio que tem que se acostumar a ele. Ele pode parecer um
verdadeiro figjam, mas é um cara muito legal.
Eu levantei minha sobrancelha por sua gíria estranha australiana e sorri, esperando para ele explicar.
De vez em quando, ele falava umas palavras que eu não tinha ideia do que significavam. Ele sorriu,
sabendo o que eu estava esperando. — Foda-se eu sou bom, Apenas me Pergunte
{12}
, — explicou.
Corei um pouco, pensando que eu preferia a versão abreviada, e depois ri. — Você nunca falou
sobre ele antes. Eu não tinha percebido que vocês eram tão próximos. — Tentei pensar sobre as poucas
vezes que ele havia mencionado seu amigo em Washington, mas nada pulou na minha cabeça.
Ele olhou de volta para a estrada e deu de ombros. — Eu acho que nós meio que perdemos o
contato quando eu voltei para casa. Falei com ele uma ou duas vezes quando voltei para os Estados
Unidos... mas nós nunca realmente mantivemos contato. Ocupado, você sabe.
Confusa, eu disse: — Fiquei com a sensação de que eram mais próximos pelo que ele disse. Ele
meio que parece que te ama? — Me senti um pouco estranha ao dizer isso, caras não eram geralmente
tão contundentes com seus sentimentos. Não era como se Kellan tivesse escrito sonetos para ele ou algo
assim, era apenas um sentimento que eu percebi nele. Seu comentário sobre "Eu devo a Denny" e "faria
qualquer coisa por ele" – na linguagem de cara, isso igualava amor.
Denny pareceu entender o que eu estava falando e olhou para baixo por um segundo, um pouco
envergonhado. — Não é nada. Não sei por que ele dá tanta importância a isso.
Realmente, não foi grande coisa. — Ele olhou de volta para a estrada, mordendo o lábio.
Insanamente curiosa agora, eu perguntei, — O quê?
Ele fez uma pausa, como se preferisse não me dizer, mas, naturalmente, ele finalmente fez. — Bem,
você sabe que eu vivi com ele e seus pais por um ano?
— Sim, — disse eu, perplexa quanto para onde ele estava indo com isso.
— Bem, ele e seu pai tinham uma relação… tensa, acho que você poderia dizer isso. Enfim, um dia
seu pai foi longe demais e bateu nele. Eu realmente não pensei sobre isso, só queria que ele parasse. Eu
meio que dei um passo em frente e levei um golpe por ele. — Ele olhou para a minha reação por um
segundo, antes de voltar para a estrada.
Eu olhei para ele, chocada. Não tinha ouvido essa história antes. Soou exatamente como algo que
Denny faria embora. Meu coração se apertou um pouco por Kellan...
Ele balançou a cabeça, com a testa enrugada. — Isso pareceu despertar seu pai um pouco. Ele não
o incomodou novamente enquanto eu estive lá. — Ele balançou a cabeça de leve. — Não sei sobre
depois, no entanto... — Olhando para mim, ele me deu seu sorriso bobo. — De qualquer forma, Kellan
apenas sentiu uma espécie de... como se nós fossemos mais uma família do que sua verdadeira família
depois disso. — Ele riu e olhou de volta para a estrada. — Eu acho que ele está mais feliz que estou de
volta, do que eu.
Quando chegamos ao bar, Kellan já estava lá, sentado com seus três companheiros de banda em
uma mesa na parte de trás perto do palco. Ele estava sentado na ponta, parecendo relaxado e
confortável, apoiado em um joelho e bebendo uma cerveja. À sua esquerda, o baixista com cabelos
loiros mais longos que me lembrava. Em frente a ele, estava o baterista “ursinho de pelúcia” que eu
tinha esperado que fosse nosso novo companheiro de quarto, e terminando o círculo, a esquerda do
baterista, estava o último membro do grupo, o outro guitarrista loiro. Eu estava um pouco surpresa que
eles não estavam escondidos em algum lugar, ficando prontos para tocar. Mas eles pareciam
completamente confiantes de que iam ser ótimos, e estavam simplesmente relaxando com algumas
cervejas antes de ir até lá.
Duas mulheres sentadas à mesa em frente a eles estavam abertamente observando cada movimento.
Uma estava claramente babando por Kellan. Ela parecia bêbada o suficiente, e intrigada o suficiente, que
eu pensei que a qualquer momento ela ia se mover do outro lado do corredor e saltar direto para baixo
em seu colo. Apesar de Kellan não estar dando absolutamente nenhuma atenção para ela, não tinha
certeza se ele se importaria se ela decidisse fazer exatamente isso.
A atenção de Kellan, porém, estava concentrada no baixista sentado ao lado dele. Da porta eu não
poderia dizer o que eles estavam falando, mas todos os caras estavam ouvindo a sua história com
sorrisos em seus rostos.
Denny os notou e voltando-se para sorrir para mim, ele começou a nos levar para a sua mesa.
Quando chegamos perto o suficiente para ouvir as palavras do baixista, eu decidi que vir aqui foi uma
má ideia, e desejei que tivesse mantido minha boca fechada e nós estivéssemos confortavelmente
aconchegados no sofá novamente. Denny estava me puxando firmemente para frente, então eu
melancolicamente o segui.
— ...Esta menina, caramba, ela tinha os melhores peitos que eu já vi. — O baixista fez uma pausa
para fazer um gesto bruto com as mãos... como se os caras precisassem de mais uma explicação para essa
afirmação. — E a saia mais curta também. Todo o mundo em torno de nós estava completamente
chapado, por isso eu entrei debaixo da mesa e empurrei a saia tão alto quanto ela iria. Então, peguei
minha garrafa de cerveja e empurrei...
Kellan bateu-lhe no peito, notando a chegada de Denny e eu. Paramos no final da mesa diante dele,
Denny rindo um pouco. Eu tinha certeza que estava corando, e tentei manter meu rosto o mais em
branco possível.
— Cara... Estou chegando na parte boa, espere. — O baixista parecia levemente confuso.
— Griff... — Kellan apontou para mim. — Meus novos companheiros de quarto estão aqui.
Ele olhou para cima para olhar para Denny e eu. — Oh yeah... companheiros de quarto. — Ele
olhou para Kellan novamente. — Sinto falta de Joey, cara... ela era quente! Sério, por que você tinha que
botá-la para fora? Não que eu o culpe, mas…
Ele parou quando Kellan bateu-lhe no peito, ainda mais duro. Ignorando a irritação do baixista,
Kellan apontou para nós. — Gente, esse é meu amigo Denny e Kiera, sua namorada.
Eu tentei colocar um sorriso em meu rosto. Não sabia por que sua antiga colega de quarto havia
ido embora, e eu estava um pouco chocada e um pouco constrangida com a conversa grosseira que
tínhamos interrompido. Denny sorriu suavemente e disse, — Olá.
Consegui balbuciar um: — Oi.
— Hey. — O baixista acenou com a cabeça erguida em saudação. — Griffin. — Ele me olhou de
cima a baixo, fazendo-me extremamente desconfortável e eu apertei a mão de Denny mais forte,
movendo-me um pouco atrás dele.
Seu “poderia-ser-gêmeo” perto de Kellan, estendeu a mão em um cumprimento mais educado. —
Matt, oi.
— O guitarrista, certo? — Denny perguntou enquanto balançava a sua mão. — Você é muito bom!
— Sim, obrigado, cara. — Ele parecia realmente satisfeito que Denny tinha lembrado o que ele
tocava. Griffin, no entanto, bufou, e Matt lançou lhe um olhar. — Oh, supere isso, Griffin.
Griffin lançou lhe um olhar de volta. — Tudo o que eu estou dizendo, é que você estragou tudo no
último refrão. Sou ótimo nessa música, eu deveria tocá-la.
Ignorando o que soava como uma discussão antiga, o cara ursinho de pelúcia grande ao lado de
Matt se levantou e estendeu a mão para nós. — Evan, o baterista. Prazer em conhecê-los.
Apertamos sua mão, enquanto Kellan se levantou. Ele atravessou o corredor para as mulheres
embriagadas. Pensei que a que tinha estado escancarada para ele mais cedo poderia desmaiar com a sua
proximidade. Ele inclinou-se sobre as costas da cadeira dela, afastou uma mecha de seu cabelo e
sussurrou algo muito perto em seu ouvido. Ela assentiu com a cabeça, ruborizou um pouco, e então ele
se levantou, pegando um par de cadeiras vazias ao lado delas. As mulheres estavam rindo como meninas
da escola quando ele se afastou.
Ele colocou as cadeiras para nós no final da mesa, com um leve sorriso no rosto. — Aqui, sentemse.
Sentindo-me estranha com toda a troca e não totalmente confortável com nossos novos
companheiros, sentei-me com um pequeno franzir no meu rosto. O sorriso de Kellan se alargou. Ele
parecia realmente apreciar quando eu estava desconfortável.
Griffin voltou sua atenção para Denny quando nos sentamos. — Qual é o seu sotaque...
Britânico?
Denny sorriu educadamente para ele. — Australiano.
Griffin assentiu, como se ele soubesse isso o tempo todo. — Ahhhh. Ahoy, companheiro
{13}
.
Kellan e Evan riram. Matt olhou para ele como se ele fosse o maior idiota do mundo. — Cara, ele é
australiano... não um pirata.
Griffin respondeu com altivez. — Tanto faz. — E tomou um gole de sua cerveja.
Rindo um pouco, Denny perguntou: — Qual é o nome da sua banda, de qualquer maneira?
Griffin riu enquanto Kellan afirmou, — D-Bags.
{14} Olhei para ele, incrédula e depois sorri. —
Sério?
Griffin surpreendentemente franziu a testa um pouco. — Eles me obrigaram a abreviar, os maricas.
Eu queria a coisa completa. Declare-o em voz alta, declare-o orgulhoso! — Ele deu um tapa na mesa.
Matt revirou os olhos. — Se quiser tocar em algum lugar maior do que Pete, então precisamos de
um bom nome. — Pelo menos um deles parecia ter metas para um grande futuro.
Griffin lançou um olhar irritado para Matt, enquanto Kellan e Evan riam. — Cara, eu fiz
camisetas...
— Ninguém está te impedindo de usá-las, — Matt murmurou, revirando os olhos de novo.
Kellan e Evan riram mais ainda, e até mesmo Denny riu um pouco. Eu não podia deixar de sorrir
para eles. — Você são irmãos, caras?
Griffin olhou para mim com horror. — Absolutamente não!
Surpresa, eu olhei para Matt e depois para ele novamente. Eles realmente poderiam ter sido
gêmeos. — Oh, desculpe, é só que vocês parecem tão...
— Nós somos primos, — explicou Matt. — Nossos pais são gêmeos, assim, a semelhança é...
lamentável. — Ele franziu a testa.
Griffin bufou novamente. — Infeliz para você... Já que eu sou mais quente. — O resto dos caras na
mesa riu enquanto Matt revirou os olhos de novo.
Abruptamente, Kellan levantou dois dedos no ar e acenando com a cabeça erguida, apontou os
dedos para baixo, para Denny e eu. Eu olhei para o outro lado da sala, onde ele estava focado. Uma
mulher mais velha, que sorriu para ele estranhamente, estava gerindo o bar no final da sala. Ela parecia
saber exatamente o que ele quis dizer, e entregou duas garrafas de cerveja a uma garçonete, apontando-a
em nossa direção.
Olhei na direção de Kellan, mas ele já estava falando com Denny sobre a posição de Denny no
novo emprego. Kellan estava curioso sobre o que um estágio em publicidade implicava. Depois de ouvir
a história um milhão de vezes antes, desliguei da conversa e dei uma olhada ao redor do bar.
Pete era quente e confortável. O chão era de carvalho e desgastado com anos de uso. As paredes
eram de um creme agradável e vermelho com quase cada centímetro quadrado coberto com sinais de
várias marcas de cervejas. Dezenas de mesas, em vários tamanhos e estilos, estavam espalhadas pelo chão
de madeira, colocadas em cada espaço onde poderiam caber, com exceção de uma área de 6 metros na
frente do palco que ocupava uma das paredes mais curtas.
O palco era de carvalho também, a parede atrás dele pintada de preto, e coberta com guitarras
penduradas em diferentes estilos e cores. Alto-falantes enormes de ambos os lados do palco apontavam
para a multidão. As luzes sobre o palco estavam atualmente apagadas e os microfones, guitarras e
tambores descansavam no palco escuro, à espera de seus donos.
Olhei para o outro lado da grande sala retangular, enquanto os rapazes conversavam em volta de
mim. A outra parede curta era um bar longo. O espelho atrás do bar estava revestido com prateleiras,
todas cheias de cada garrafa de bebida que você poderia imaginar. O garçom estava agora ocupado
enchendo as bebidas para a multidão começando a aparecer a partir da porta dupla ao longo da parede
da frente. Grandes janelas pontilhavam essa parede, deixando entrar o brilho dos vários sinais néon.
Uma garçonete loira bonita se aproximou e entregou a Denny e a mim nossas cervejas.
Agradecemos e Kellan deu-lhe um aceno amigável, o que me deixou curiosa por um segundo. A
garçonete apenas sorriu educadamente para ele, no entanto, então eu percebi que eles eram apenas
amigos.
Bebi minha cerveja e observei a garçonete caminhar por umas portas duplas na outra parede. Eu
podia ver aço e movimento do outro lado, e ouvir o barulho de alimentos sendo preparados. Essa devia
ser a cozinha. Um arco grande, não muito longe das portas da cozinha, levava a um acervo considerável
grande que parecia ter um par de mesas de bilhar. Continuando para baixo, eu notei um corredor perto
do palco que recuava em torno de um canto, sinais acima dele indicando que os banheiros eram naquela
direção.
Como eu estava olhando para o corredor, me deparei com as duas mulheres que estavam
observando os caras mais cedo. Denny e eu agora bloqueávamos parcialmente sua visão, sentados na
ponta da mesa. A que abertamente queria Kellan não parecia feliz por eu estar sentada bem ao lado dele.
Na verdade, ela parecia francamente puta da vida. Eu rapidamente me virei.
Senti alguém se aproximar de mim por trás nessa altura, e por um momento, me preocupei que a
mulher fosse tentar começar algo comigo. Meu corpo involuntariamente ficou tenso quando olhei por
cima do meu ombro. Eu suspirei de alívio ao ver um homem mais velho se aproximando da nossa mesa.
Ele estava bem vestido, com calças caqui e uma camisa vermelha de gola com o nome do bar no
canto superior. Ele parecia em meados dos seus cinquenta anos com cabelos grisalhos e um rosto
curtido. Ele não parecia muito feliz no momento.
— Estão prontos? Vocês entram em cinco minutos, — ele suspirou profundamente.
— Você está bem, Pete? — Kellan perguntou a ele, franzindo a testa um pouco.
Eu pisquei. Pete devia ser o proprietário do bar Pete. Que bonito. — Não... Traci ligou, ela não vai
voltar. Tive que pedir a Kate para fazer um turno duplo, portanto, as coisas estão arrumadas para esta
noite. — Ele encarou Kellan com alguma raiva. Isso me deixou curiosa, até que me lembrei que a ex
companheira de quarto, Joey, saiu abruptamente por causa de Kellan. Talvez fosse um padrão com ele?
Kellan, por sua vez, encarou Griffin. Ele parecia um pouco envergonhado e tomou um longo gole
de sua cerveja antes de resmungar: — Desculpe, Pete.
Pete suspirou e balançou a cabeça. Acho que Pete estava acostumado aos riscos que envolviam seu
entretenimento.
Surpreendendo a mim mesma, disse: — Eu era garçonete. Preciso arrumar um emprego, e noites
de trabalho seriam perfeitas quando a faculdade começar.
Pete olhou para mim com curiosidade e depois voltou para Kellan. Kellan sorriu e apontou para
nós com sua garrafa. — Pete, estes são os meus novos companheiros de quarto, Denny e Kiera.
Pete assentiu e olhou para mim. — Você tem 21 anos?
Sorri nervosamente. — Sim, desde maio.
Eu me perguntei brevemente o que ele faria se eu disse "não" enquanto bebia uma cerveja?
Ele assentiu novamente. — Tudo bem. Eu poderia usar a ajuda logo, embora. Você pode começar
segunda-feira, às seis horas?
Olhei para Denny, me perguntando se eu deveria ter falado sobre isso com ele primeiro. Com seu
estágio durante o dia, as noites seriam tudo o que passaríamos juntos. Ele estava sorrindo para mim,
porém, e acenou com a cabeça quase imperceptivelmente.
— Sim, isso seria ótimo. Obrigada, — eu disse calmamente.
E foi assim que, um dia inteiro estando nesta cidade nova, eu tinha um emprego.
Ouvir a banda tocar seu conjunto completo foi incrível. Eles eram realmente bons no que faziam e
Kellan era inacreditável. Eu estava um pouco surpresa de que ninguém o tivesse encontrado ainda. Ele
era o garoto-propaganda de uma estrela do rock financiável - talentoso, sedutor e supergostoso. E eles já
tinham bastantes fãs, quase imediatamente após iniciar sua apresentação o piso ao redor do palco tinha
lotado de pessoas.
Denny puxou-me para o chão perto da borda do palco, onde tínhamos mais espaço para dançar e se
movimentar. A música que eles estavam tocando era extremamente atraente e fácil de dançar - Denny
girou-me, então me trouxe apertada para ele enquanto dançávamos juntos. Eu ri e atirei os braços em
volta de seu pescoço. Então, ele fingiu que ia me derrubar e ri mais ainda. A maioria das canções dos Dbags eram rápidas, mas Denny e eu estávamos confortáveis um com o outro e dançamos juntos
facilmente.
Ocasionalmente, eu olhava para o grupo no palco. Kellan gentilmente mantinha o ritmo da música
com seu corpo enquanto sorria sedutoramente através de suas palavras. Ele era cativante de assistir e eu
me vi fazendo isso mais e mais frequentemente enquanto a noite continuava. Enquanto via a maneira
como seu corpo balançava enquanto ele cantava, aconteceu de eu perceber Griffin olhar para Matt de
repente, então ficar carrancudo profundamente. De alguma forma, sem nunca olhar para ele ou perder
uma nota em sua guitarra, Matt conseguiu lhe mostrar o dedo, fazendo Denny e eu rir e Griffin revirar
os olhos. Evan vigiava o grupo, lentamente balançando a cabeça e rindo também. Kellan não pareceu
testemunhar a troca, ou ele apenas ignorou, com os olhos focados na multidão adoradora.
Para algumas das canções, Kellan ia pegar a guitarra e tocar junto com Matt. Sua guitarra não era
amplificada como a de Matt, e os diferentes sons misturavam bem. Ele começou uma introdução para
uma música mais lenta por si mesmo, e eu não pude deixar de notar como ele era bom nisso,
provavelmente tão bom quanto Matt. A maioria das pessoas em toda a frente do palco ainda estava se
divertindo e dançando, mesmo que a música fosse mais lenta, mas alguns dos casais perto de nós
estavam começando a diminuir o ritmo da dança.
Denny me puxou para perto, colocando os braços em volta da minha cintura. Ele sorriu para mim,
de uma forma que eu amava imensamente, e puxou-me com força contra ele. Eu suspirei feliz e coloquei
meus braços em volta de seu pescoço novamente. Passando os dedos pelo cabelo escuro, dei-lhe um
beijo suave. Quando a música aumentou e pegou intensidade, eu o abracei apertado e coloquei minha
cabeça em seu ombro, respirando seu perfume maravilhoso e familiar. Olhando por cima do ombro, vi
Kellan no palco. Ele estava sorrindo docemente para mim durante uma pausa nos vocais e eu sorri de
volta.
Então ele piscou para mim e eu pisquei surpresa. Ele riu, achando minha reação muito divertida.
Eles tocaram mais uma música de ritmo acelerado e depois disso a maioria dos casais voltou à
dança regular, mas Denny e eu optamos por ficar presos juntos, sorrindo um para o outro e nos
beijando suavemente. Quando a música terminou, a voz de Kellan falando rompeu o barulho da
multidão. — Obrigado por terem vindo esta noite. — Ele fez uma pausa, esperando que a erupção
súbita de gritos proveniente da multidão diminuísse.
Depois de um minuto, ele sorriu encantadoramente e levantou um dedo. — Eu quero ter um
segundo para apresentar a todos os meus novos colegas de quarto.
Seu dedo apontou para Denny e eu. Corei profundamente e Denny riu, movendo-se ao meu lado,
com os braços ainda ao redor da minha cintura. Eu olhei para ele, mordendo o lábio e desejando ter ido
embora após a música lenta. Ele sorriu e beijou meu rosto enquanto Kellan dizia ao bar inteiro os
nossos nomes.
Enterrei minha cabeça no ombro de Denny, mortificada, enquanto Kellan alegremente disse: —
Agora, vocês vão ficar todos felizes em saber que Kiera está se juntando a família feliz aqui no Pete,
começando segunda-feira. — A multidão gritou de novo... não tinha ideia do porquê, e corei ainda mais
e encarei Kellan, desejando que ele ficasse quieto. Ele riu do meu olhar. — Quero que todos vocês sejam
agradáveis com ela… — ele olhou para o D-Bag ao lado dele que estava sorrindo indecentemente para
mim, — ...especialmente você Griffin.
Ele disse boa noite para a multidão, que gritou mais uma vez, e então se sentou na beira do palco.
Com meu constrangimento desvanecendo, agora que a atenção não estava mais focada em mim, eu
pensei em subir e dizer-lhe o quão ótimo ele era. Embora, aparentemente, não era necessário. Quase
instantaneamente, cerca de cinco meninas estavam girando em torno dele. Uma trouxe-lhe uma cerveja,
uma brincava com seu cabelo, e uma delas até fez-se bastante confortável em seu colo. Tenho certeza de
que em algum momento eu a vi lamber seu pescoço. Depois de testemunhar isso, percebi que ele não
precisava de nenhuma palavra de incentivo de mim e que eu poderia apenas dizer-lhe algo de bom pela
manhã.
Denny e eu saímos logo após a banda terminar, e praticamente tropeçamos para a cama no nosso
cansaço. Eu não sei exatamente quando ouvi Kellan chegar em casa, mas era muito mais tarde do que
nós. Então, naturalmente, fiquei muito surpresa quando eu, grogue, fiz o meu caminho para a cozinha
na manhã seguinte, e lá estava ele, já sentado à mesa, completamente vestido, irritantemente perfeito,
enquanto tomava seu café lendo o jornal.
— Bom dia, — disse ele, demasiado alegre.
— Uh, — eu respondi irritada.
Assim, ele não só era ridiculamente talentoso e atraente, ele também era uma das pessoas que
poderiam funcionar sem problemas dormindo muito pouco. Isso me irritou um pouco.
Peguei uma caneca e servi um pouco de café, enquanto ele terminava seu jornal. No andar de cima,
pude ouvir o início de água corrente quando Denny se preparava para banho. Terminei de fazer o meu
café e fui sentar-me em frente a Kellan na mesa.
Ele sorriu para mim quando sentei. Por um segundo, me senti muito autoconsciente nas calças
largadas e regata com que tinha dormido. Irritação pelo rosto perfeito demais dele passou por mim.
Realmente, uma pessoa precisa ser tão abençoada? Não parecia cosmicamente justo. Então me lembrei
da conversa de Denny comigo no carro... Sobre Kellan e seu pai. Refrescou minha raiva. As coisas nem
sempre foram fáceis para este rapaz atraente.
— Bem, o que você achou? — Ele perguntou, sorrindo, como se já soubesse a resposta.
Eu tentei franzir a testa, como se fosse dizer algo ruim, mas não consegui e ri um pouco, em vez
disso. — Vocês são incríveis. Realmente, foi inacreditável.
Ele sorriu e acenou com a cabeça, tomando seu café novamente. Não era um grande choque para
ele, então. — Obrigado. Vou contar aos caras que você gostou. — Ele olhou para mim com o canto do
olho. — Menos ofensivo?
Eu comecei a corar, lembrando nossa conversa de ontem, mas seu desempenho começou a repetir
na minha cabeça. Com leve surpresa, percebi que ele tinha suavizado a sensualidade. Ele certamente
ainda tinha sido paquerador e charmoso, mas menos... óbvio. Sorri para ele. — Sim, muito melhor...
obrigada.
Ele riu da minha observação e agradou-me um pouco que ele tivesse realmente ouvido algo que eu
tinha dito, uma vez que eu o tinha dito como uma crítica e de um jeito grosseiro.
Bebemos nossos cafés em silêncio por alguns minutos e então algo dito em uma conversa ontem à
noite, de repente, surgiu na minha cabeça e saiu da minha boca antes que eu pudesse detê-lo.
— Joey era a companheira de quarto antes de nós? — Realmente, o que estava errado com a minha
língua se soltando ao redor dele? Eu ia ter que trabalhar nisso.
Ele parou de beber o café e, lentamente, colocou a caneca para baixo. — É... ela partiu algum tempo
antes de Denny ligar sobre o quarto.
Curiosa com o olhar estranho em seus olhos, eu perguntei, — Ela deixou um monte de coisas dela
aqui. Será que vai voltar para pegá-las?
Ele olhou para a mesa por um segundo, em seguida, voltou-se para os meus olhos. — Não... tenho
quase a certeza que ela deixou a cidade.
A surpresa soltou a minha língua de novo, — O que aconteceu? — Eu realmente não tinha tido a
intenção de fazer essa pergunta. Me perguntei se ele me responderia.
Ele ficou pensativo por um instante, como se estivesse pensando bem sobre isso. — Um… malentendido... — ele finalmente disse, lentamente.
Firmemente, eu fechei meus pensamentos e foquei em meu café. NÃO ia fazer mais perguntas. Não
era da minha conta e eu não queria perturbar o meu novo companheiro de quarto. Não importava, de
qualquer maneira, a nossa situação era tão imensamente diferente. Eu só esperava que, se ela voltasse, ela
deixasse a cama. Era incrivelmente confortável.
Denny e eu passamos o resto do domingo preguiçosos descansando e nos preparando para os
trabalhos que íamos começar no dia seguinte. O estágio de Denny não pagava quase nada, por isso
ficamos um tanto aliviados que eu tivesse encontrado um emprego tão rápido. Agradeci a Kellan pela
sua pequena parte em apresentar-nos a Pete e mentalmente agradeci a Griffin por não ser capaz de
mantê-lo em suas calças, o pensamento disso, naturalmente, me fez corar um pouco.
Eu estava nervosa sobre isso, porém. Nunca tinha sido garçonete em um bar antes.
Denny e Kellan tinham passado várias horas me perguntando sobre bebidas diferentes e o que havia
nelas. Eu protestei no começo, já que meu conhecimento realmente não era tão grande, e disse-lhes
repetidamente que o bartender é que fazia as bebidas. Eu só tinha que repetir as ordens. Mas, depois de
algumas bebidas divertidamente sugestivas, algumas das quais eu tinha certeza que Kellan tinha
completamente inventado, comecei a me divertir jogando o seu pequeno jogo. Acho que iria me ajudar
conhecer tudo o que eu podia.
Naquela noite, Denny estava começando a ficar nervoso com seu primeiro dia também. Ele pegou
três diferentes conjuntos de roupas, folheou todos os seus livros escolares antigos, organizou sua pasta
quatro vezes, e, eventualmente, se sentou no sofá, batendo os pés nervosamente. Kellan pediu licença
para se reunir com a banda - ao que parece se reuniam quase todos os dias para ensaiar, provavelmente
por isso se sentiam tão confortáveis antes de um show. Aproveitei que estávamos sozinhos para fazer
tudo o que podia para distrair a mente de Denny do nervosismo.
Na segunda vez, eu acho que ele finalmente relaxou...
A segunda-feira chegou mais rápido do que o esperado. Eu fiz o meu caminho para baixo, para
minha xícara de café da manhã, enquanto Denny ficava pronto para seu primeiro dia. Kellan estava na
mesa, casualmente inclinado para trás na cadeira, tomando um café e lendo o jornal, e eu tive que rir de
sua camisa. Ele estava vestindo uma t-shirt preta que muito corajosamente na frente lia-se em branco,
"Douchebags”. Ele percebeu minha risada e meu olhar e sorriu de forma atraente.
— Gosta disso? Eu posso te conseguir uma. — Ele piscou para mim. —Conheço pessoas. — Sorri
e acenei de volta para ele quando ele voltou a beber o seu café.
Denny desceu um pouco mais tarde, muito bonito em uma agradável camisa azul clara de botão e
calças cáqui. Ele olhou para Kellan na mesa e apontou para sua camisa. — Legal, cara...
Me arranja uma dessas.
Kellan riu e assentiu, em seguida, Denny veio e passou os braços em volta de mim. Franzi a testa
para ele quando me deu um beijo na bochecha. — O que? — Ele perguntou, olhando-se de cima a
baixo rapidamente.
Alisei a frente de sua camisa, então passei a mão ao longo de sua mandíbula. — Você... está
inteiramente demasiado atraente. Alguma loira metida vai agarrar você para longe de mim.
Ele levantou uma sobrancelha e sorriu calorosamente. — Você é muito bobinha.
Kellan se endireitou na mesa. — Não, ela está certa, cara. — Ele balançou a cabeça para ele muito a
sério. — Você está quente. — Então, sorrindo amplamente, voltou a beber o seu café.
Revirando os olhos para Kellan, eu dei a Denny um longo beijo e desejei-lhe um bom dia de
trabalho. Kellan surgiu de brincadeira e apertou a bochecha dele também. Denny riu, e ainda parecendo
um pouco nervoso, fez o seu caminho para fora da porta.
Eu não tinha muito o que fazer durante o dia, já que as aulas não começariam por mais dois meses
e meio, então liguei para minha mãe novamente e disse a ela que sentia saudade de todos. Ela
imediatamente me ofereceu uma passagem de avião de volta para casa. Assegurei-lhe que tudo estava
indo muito bem aqui e que já tinha um emprego. Suspirando repetidamente, ela me desejou sorte e
muito amor. Eu disse a ela para dar beijos ao papai e Anna para mim.
Passei o resto do dia assistindo TV ou assistindo Kellan escrever letras na mesa. Ele parecia estar
constantemente anotando coisas ou pensamentos, riscando-os, trocando as palavras de lugar e
mastigando seu lápis, pensando. Ocasionalmente, ele pedia a minha opinião sobre um verso. Eu tentei
dar a ele uma resposta o mais perspicaz possível, mas a teoria da música não era um dos meus pontos
fortes. Era fascinante vê-lo trabalhar, porém, e antes que eu percebesse, precisava me preparar para o
meu turno.
Tomei banho e, em seguida, me vesti, fiz uma maquiagem e puxei meu cabelo para trás em um rabo
de cavalo. Suspirei. Não era ótimo, mas apresentável, eu acho. Desci para pegar meu casaco do gancho na
porta da frente. — Kellan?
Ele olhou para mim da sala onde estava assistindo TV. — Sim?
— Existe um cronograma de ônibus por aqui? Eu quero olhar o percurso novamente. — Denny,
com nosso único veículo, ainda não tinha chegado em casa do trabalho, e eu queria sair mais cedo pois
não sabia quanto tempo o ônibus iria demorar.
Ele me olhou com curiosidade, antes de entender. — Não... Eu te levo.
— Não, não. Você não tem que fazer isso. — Eu realmente não queria ser um peso para ele.
— Não tem problema. Eu vou tomar uma cerveja, conversar com Sam. — Ele jogou um
encantador meio sorriso para mim. — Vou ser o seu primeiro cliente.
Ótimo, eu esperava não derramar sua cerveja em seu colo. — Ah, tudo bem. Obrigada. — Sentei
com ele no sofá para assistir TV por um tempo, já que agora eu tinha tempo.
— Aqui, eu não estava realmente assistindo nada, — disse ele, casualmente entregando o controle
remoto para mim.
— Oh, obrigada. — Isso não era necessário, mas foi um gesto doce. Eu comecei a passear pelos
canais e parei quando comecei a encontrar os canais premium. Parei no que eu achava que era HBO. —
Oh, você tem esses canais? — Pareceu-me estranho que ele pagasse os extras quando realmente não
parecia assistir nada em especial.
Ele sorriu maliciosamente para mim. — Griffin. Ele gosta de ter... tudo disponível para ele quando
visita. Acho que ele conhece alguma menina na empresa de TV a cabo.
— Oh, — eu disse, corando um pouco. Eu estava pensando sobre o que Griffin podia querer
assistir em nossa TV, quando finalmente percebi o que estava atualmente passando na TV. Eu tinha
parado em uma cena muito erótica envolvendo um homem nu e uma mulher, claramente no auge da
paixão. E o homem era um vampiro, ou tinha um fetiche grave, porque estava dando a ela uma mordida
bastante apaixonada no pescoço, com muito sangue e muitas lambidas e chupadas extremamente
sugestivas. Corando furiosamente, eu coloquei no canal onde Kellan tinha originalmente e joguei de
volta o controle remoto para ele.
Tentei ignorar o olhar que ele me deu quando riu baixinho ao meu lado. Quando ficou tarde o
suficiente Kellan desligou a TV e olhou para mim. — Pronta?
Eu tentei sorrir. — Claro.
Ele riu de mim. — Não se preocupe, você vai ficar bem.
Nós pegamos nossos casacos e fizemos o nosso caminho para fora da porta. Eu tinha esperança de
que Denny estivesse em casa a tempo de me levar, realmente tinha sentido falta dele durante o dia, mas
acho que ele ainda estava no trabalho. Esperava que seu primeiro dia tivesse corrido bem.
Esperava que meu primeiro dia corresse bem.
Nós caminhamos para o carro de Kellan e eu tive que sorrir. Era um carro velho dos anos sessenta
- um Chevrolet Chevelle Malibu, de acordo com o para-choque. Preto brilhante com cromo polido em
toda parte, era elegante e incrivelmente sexy; combinava perfeitamente com o seu condutor. Revirei os
olhos um pouco pelo extremo de sua atratividade, que o carro estranhamente parecia acentuar. O
interior era surpreendentemente espaçoso, com assentos de couro preto na frente e atrás. Eu tive que
suprimir uma risada ao ver o toca fitas antiquado. Além da sala de TV, Kellan era um pouco atrasado na
tecnologia. Não é que eu estivesse realmente á frente dele também - Denny e eu não tínhamos nem
mesmo celulares. Kellan sorriu quando deslizou atrás do volante, obviamente desfrutando de seu
veículo. O que acontecia com caras de serem tão ligados a seus carros?
Ficamos quietos durante a viagem e eu comecei a ficar nervosa com borboletas no meu estômago.
O primeiro dia em um novo emprego sempre me fazia sentir como se estivesse ficando doente. Olhei
pela janela e comecei a contar as luzes da rua para me distrair.
Chegando ao Pete, e à luz vinte e cinco, de repente eu percebi que não tinha ideia do que fazer ou
para onde ir. Felizmente, a menina bonita loira que foi nossa garçonete na outra noite, se apresentou
como Jenny, e acenando para Kellan, me levou para o corredor, que levava a um deposito, em frente aos
banheiros. O deposito era uma grande área de armazenamento com várias prateleiras ao longo de uma
parede, segurando caixas de bebidas e cerveja, guardanapos, sal, pimenta e outros suprimentos aleatórios
de bar. Um par de mesas extras estavam colocadas contra a outra parede, com pilhas de cadeiras ao lado
delas, e outra parede tinha um grupo de armários que o pessoal utilizava. Jenny pegou uma camisa de
uma das caixas em uma prateleira e me mostrou onde era o meu armário e onde me registrar no início
de cada turno. Peguei minha nova t-shirt vermelha do Pete e me troquei no banheiro. Imediatamente, me
senti um pouco mais relaxada. Algo sobre parecer com todos os que trabalhavam no bar me fez sentir
como se eu pertencesse, um pouco.
Quando eu disse a Pete que fui garçonete, embora não fosse completamente mentira, eu estava
exagerando um pouquinho. Eu tinha substituído minha irmã um verão enquanto ela saiu para
"descobrir-se", o que quer que isso significava. A lanchonete era pequena, talvez a metade da quantidade
de pessoas no Pete em uma noite típica. Eu estava um pouco apavorada.
Saindo do corredor poucos momentos depois, notei Kellan saboreando uma cerveja e encostado
no balcão. A bartender também estava inclinando-se sobre o balcão (a camisa vermelha do Pete
propositadamente cortada obscenamente curta), olhando Kellan sedutoramente. Kellan, ignorando-a,
bebeu um gole de cerveja casualmente e sorriu quando me viu.
Fiz uma careta por causa da sua cerveja. Ele percebeu o meu olhar. — Desculpe, a Rita foi mais
rápida do que você. — Ele sorriu. — Da próxima vez.
A bartender, Rita, era uma mulher mais velha loira (embora, eu duvidava que era sua cor natural)
com pele que tinha sido falsamente-bronzeada muitas vezes, e que agora tinha uma aparência um pouco
parecida com couro. Talvez em algum momento de sua vida ela tinha sido atraente, mas o tempo não
tinha sido gentil. Em seus olhos, porém, ela ainda era e era escandalosamente paqueradora. E, como eu
aprendi ao longo da noite, ela desfrutava muito do seu trabalho e parecia gostar ainda mais de todas as
fofocas que seus clientes contavam. Corei várias vezes durante o meu turno, enquanto ela repetia suas
histórias. Eu mentalmente lembrei-me de nunca (não que eu fizesse) confiar em um barman...
Especialmente esta.
Ao longo da noite, eu segui Jenny enquanto ela tomava os pedidos dos clientes. Era um pouco
confuso, pois a maioria das pessoas que vinham eram regulares que sempre solicitavam a mesma coisa.
Ela simplesmente caminhava até a mesa e dizia: — Oi, Bill, o mesmo para você hoje? — Ele assentia e
ela sorria e seguia para o bar ou para a cozinha para retransmitir uma ordem que eu nunca tinha
realmente ouvido. Era intimidante.
Ela percebeu minha expressão preocupada. — Não se preocupe, você vai conseguir. Noites de
semana são muito fáceis com os regulares... eles vão ser bons para você. — Ela franziu a testa um pouco.
— Bem, a maioria deles vai ser bom para você. Eu vou te ajudar com os restantes. — Ela sorriu
calorosamente e eu estava muito grata por sua bondade. Sua aparência era perfeita e sua personalidade
brilhante. Ela era, como se dizia, bonita como um botão - pequena, cabelos sedosos loiros, olhos azuis e
curvas apenas o suficiente para conseguir mais do que alguns olhares de admiração de alguns dos
clientes. Ela era demasiado doce para eu poder ter ciúmes no entanto, e eu imediatamente senti uma
ligação com ela.
Em algum momento da noite, Kellan veio até mim e me deu gorjeta para a bebida que eu
realmente nunca lhe dei. Ele sorriu e pediu licença para se reunir com a banda para um show que teria
em outro bar. Agradeci profundamente pela carona, beijando-o de leve no rosto, o que, por alguma
razão, me fez corar, e fez Rita levantar as sobrancelhas especulativamente.
Ele sorriu e murmurou algo sobre não ter nada que agradecer e saiu do bar.
Mais tarde na noite, Denny parou para ver como eu estava indo. Ele me deu um longo abraço e um
beijo doce, para o deleite de Rita, que olhou para ele um pouco demais para o meu gosto. Ele apenas
parou por alguns minutos, tinha um projeto que queria começar a trabalhar em casa. Ele estava
incrivelmente feliz e a felicidade me contagiou. Encontrei-me sorrindo amplamente por muito tempo
depois que ele se foi.
Quando não estava seguindo Jenny, eu limpava. Passei uma boa parte da noite limpando mesas,
lavando os copos, ajudando na cozinha, e quando as coisas ficaram lentas no fim da noite... limpei o
grafite das portas do banheiro. Pete me deu um pouco de tinta cinza e um pequeno pincel e deixou-me
lá. Rita me deu instruções para deixar ela saber das coisas interessantes escritas lá. Jenny sorriu e me
desejou boa sorte.
Eu suspirei.
Comecei com o das mulheres, pensando que seria menos ofensivo do que os dos homens, e
realmente não queria entrar em um banheiro masculino de qualquer maneira. Havia três
compartimentos, e todos eles tinham rabiscos de caneta e corretivo dentro e fora. Eu suspirei de novo e
desejei que tivessem me dado um rolo. Isso ia levar algum tempo.
Algumas das coisas eram inocentes o suficiente: Eu amo o Chris, AM + TL, Sara esteve aqui, TLF, eu
odeio vodca, Vá para casa, você está bêbado (eu tive que rir com esse). Mas tinha uns muito menos inocentes:
Estou com tesão, quero transar esta noite, meu namorado faz gostoso, palavrões aleatórios. E depois alguns eram
dirigidos a pessoas que eu conhecia: Sam me deixa quente, eu amo Jenny (hmmm, eu me perguntei sobre
esse, já que eu estava no banheiro das mulheres), Rita é uma vadia (eu ri, perguntando-me se era esse tipo
de fofoca que ela queria ouvir).
E, finalmente, uma grande parte era direcionada para os quatro membros da banda. Surpreendeume no início, mas depois pensei que fazia sentido, uma vez que tocavam aqui tantas vezes... E eram
atraentes, eu acho.
Os comentários sobre Griffin eram os mais explícitos. Eu não podia sequer lê-los plenamente.
Corando, cobri as palavras extremamente gráficas do que as meninas haviam feito para ele, ou queriam
fazer com ele, o mais rápido que pude. Havia até mesmo um desenho excepcionalmente vívido de um
ato tão absurdamente bruto, que eu me preocupei em quanto tempo ele iria ficar na minha cabeça.
Suspirei, sabendo que eu iria corar a próxima vez que visse Griffin. Ele provavelmente iria adorar.
Os tributos a Matt e Evan eram mais sutis. Meninas escreviam em adoração para Evan: Eu o amo,
Eu quero ele, Case comigo. Meninas escreviam com louvor para Matt: Droga, ele é quente, ele pode me agarrar
todo o dia, Matt balança o meu mundo.
Mas, claro, a maior parte de todo o grafite era dirigido para Kellan. As doces: Kellan me ama, Kellan
para sempre, futura Sra. Kyle... e as não tão doces. Aparentemente, Kellan estava certo quando disse que as
mulheres respondiam à sua natureza sexual. As escritas eram bastante gráficas, quase tanto quanto as de
Griffin, sobre o que elas queriam fazer com ele. Havia também uma seção de comentários que pareciam
já ter conhecimento íntimo dele. Se era real ou não, eram os mais explícitos: Kellan lambeu o meu... (eu
pintei o parágrafo sobre exatamente o que tinha sido lambido), eu chupei Kellan... (whoa, realmente agora),
para um bom tempo ligue... (Eu pisquei, na verdade era o nosso número de telefone. Eu rapidamente pinteio), Kellan empurrou seu... (ugh, eu não me incomodei mesmo em ler o resto). Eu já ia ter visões horríveis
de Griffin.
Não precisava delas sobre meu colega de casa também.
Finalmente terminei com o banheiro das mulheres e fiz meu caminho para o dos homens, não
estando mais preocupada com isso. Não havia nenhuma maneira de ser mais rude do que o material das
meninas.
Jenny docemente me deu carona para casa depois do trabalho e, mesmo que eu tentasse não fazer
barulho, Denny acordou quando entrei no quarto. Ele pacientemente ouviu histórias de meu primeiro
dia e, em seguida, falou por pelo menos uma hora de seu novo emprego. Ele estava no céu, e eu não
poderia estar mais feliz por ele.
Denny, Kellan e eu, rapidamente caímos em uma rotina fácil em casa. Kellan era quase sempre o
primeiro a acordar e geralmente sempre tinha um bule de café fresco esperando por mim quando eu
finalmente me arrastava para a cozinha. Nós conversávamos amigavelmente, tomando nosso café
enquanto Denny tomava banho e se arrumava para o seu dia no trabalho.
Denny insistia que eu não precisava acordar com ele, já que eu chegava em casa muito tarde nas
noites em que trabalhava, mas eu adorava me despedir dele todas as manhãs. Ele era todo sorrisos
quando saía. Ele estava se divertindo demais em seu novo emprego e eu estava feliz por ele. Depois que
ele ia, eu tinha um monte de tempo para mim. E mesmo que estivesse ficando ansiosa com a ideia do
início das aulas em alguns meses, eu estava realmente começando a querer alguma coisa para fazer
durante o dia. Eu principalmente só, bem, dormia e descansava.
Kellan não parecia ter qualquer outro trabalho além da banda. Ele saía por algumas horas no
período da tarde ou início da noite para se encontrar com os caras, eles tocavam um par de outros bares
menores durante a semana e Pete era toda sexta-feira e quase todos os sábados. Ele, às vezes, fazia uma
corrida durante o dia. Ele até me convidou para ir com ele algumas vezes, mas eu não estava confortável
o suficiente para dizer que sim. O resto de seu tempo era gasto descansando, lendo, escrevendo,
cantando ou tocando sua guitarra. Ele lavava sua própria roupa, fazia sua própria comida, e exceto por
sua cama bagunçada, mantinha as suas coisas arrumadas. Ele era muito fácil de lidar, tanto quanto
colegas de quarto eram.
Eu também caí em uma rotina no meu novo trabalho no Pete. Meus conhecimentos limitados de
garçonete estavam começando a reaparecer. Na primeira semana, Denny veio cada noite após o trabalho
e deixou-me "praticar" com ele. Ele pedia coisas diferentes do menu, e tornava tão complicado quanto
possível, para ver se eu conseguia acertar. Isso me fazia rir o tempo todo, mas ajudou, pela terceira noite
eu finalmente peguei a comida que ele, na verdade, tinha pedido, o que foi bom, porque os caras da
cozinha estavam ficando um pouco irritados conosco.
Fiquei surpresa com a frequência com que Kellan e sua banda entravam no bar durante a semana.
Eles sempre sentavam na mesma mesa, perto do palco. Eu não acho que teria importado para eles se já
tivesse pessoas sentadas ou não. Era conhecido no bar, essa mesa era deles, e quando eles vinham, era
melhor você se mover ou sentar com eles. As noites de semana eram cheias, mas nem de longe tão
lotadas como nos finais de semana, e enquanto as mulheres observavam Kellan abertamente, as pessoas
regulares geralmente deixavam os caras sozinhos. Em geral. Havia ainda algumas fãs adoradoras aqui e
ali. Os caras pareciam entrar depois do ensaio, ou se eles tinham um show naquela noite, eles vinham
antes do show - eles estavam lá praticamente todos os dias.
Aconteceu que sua mesa ficava na minha seção. Na minha segunda noite, todos tinham chegado
juntos, e eu cerrei os dentes para abordá-los. Felizmente, Denny estava com eles também. Isso tinha
definitivamente ajudado a falar com eles - eram apenas muito intimidantes, todos agrupados assim,
especialmente com as homenagens do banheiro ainda frescas em minha mente. E, como previsto, e corei
furiosamente para Griffin, e ele achou isso imensamente divertido.
Pela segunda-feira seguinte, depois de um fim de semana agitado de garçonete da multidão de
pessoas que os caras tinham trazido na sexta-feira e sábado à noite (que era uma loucura de cheio, eu
não conseguia nem lembrar), eu estava finalmente confortável em me aproximar do grupo. Infelizmente,
eles estavam todos muito confortáveis comigo por esse ponto também. Todos pareciam ter prazer em
me provocar. Bem, não Evan - ele era apenas um grande querido.
Observando-os entrar, eu suspirei e revirei os olhos. Aqui vamos nós outra vez. Evan chegou
primeiro e me deu um abraço de urso bem grande. Eu ri quando consegui respirar novamente. Matt e
Griffin pareciam perdidos em algum desacordo, mas Griffin ainda conseguiu bater na minha bunda no
caminho para a sua cadeira. Suspirei para ele e olhei para Sam, que estava prestando nenhuma atenção
ao quarteto. Qualquer outra pessoa teria sido expulsa em sua garupa por isso, mas, aparentemente, estes
quatro eram donos do lugar.
Kellan entrou em último, perfeito como de costume. Ele tinha seu violão a tiracolo esta noite - ele
o trazia, por vezes, quando estava trabalhando em material novo. Ele acenou para mim com um pequeno
sorriso em seu rosto adorável e tomou seu lugar.
— O de sempre, meninos? — Eu perguntei, tentando o meu melhor para soar tão confiante como
a doce Jenny.
— Sim, obrigado, Kiera, — Evan respondeu educadamente pelo grupo.
Griffin não era tão educado. — Foda-se, sim querida. — Ele sorriu para mim maliciosamente. Ele
parecia saber como sua crueza me irritava e a jogava sempre que eu estava por perto. Ignorei-o o melhor
que podia, e tentei manter minha expressão neutra.
Aparentemente, eu não tinha tentado duro o suficiente e ele percebeu minha irritação.
— Você é tão doce, Kiera. Você é como uma menina de escola inocente. — Ele balançou a cabeça
em deleite aberto. — Eu só quero... deflorar você. — Ele piscou para mim.
Empalideci e encarei-o, totalmente sem palavras.
Kellan riu suavemente, observando meu rosto, e Matt ao lado de Griffin bufou. — Cara, ela está
com Denny desde sempre. Tenho certeza de que você perdeu essa oportunidade.
Meu queixo caiu enquanto os ouvia mortificada. Eles estavam realmente discutindo minha
virgindade... bem na minha frente? Estava atordoada demais para me afastar da mesa.
Griffin virou-se para me encarar. — É muito ruim... Eu poderia ter lhe mostrado o mundo.
Evan e Kellan riram dele enquanto Matt, mal contendo seu próprio riso, disse: — Quando você
mostrou a qualquer mulher... o mundo?
Griffin fez uma careta para eles. — Eu tenho habilidades... Vocês só não sabem. Nunca tive
reclamações.
Kellan sorriu. — Nem repetições, também.
— Foda-se, homem. Eu vou te mostrar agora! Pegue uma menina... — Ele olhou ao redor do bar,
como se estivesse à procura de uma voluntária. Seus olhos finalmente descansaram em mim e eu
empalideci ainda mais e recuei um passo.
— Nããão, — Todos os caras disseram em voz alta, ao mesmo tempo, recuando um pouco e
erguendo as mãos para Griffin, como se fossem contê-lo fisicamente, se necessário.
Recuperando minha compostura, já que a conversa havia se afastado do meu nível de experiência,
achei que agora era um momento tão bom quanto qualquer outro para escapar deles. Comecei a deslizar
lentamente para o lado, mas os olhos de Griffin ainda estavam em mim. Ele sorriu amplamente ao
mesmo tempo que ignorou o riso acontecendo ao seu redor.
— Kiera, se você já tiver sido deflorada... — ele lançou um olhar irritado para os caras, — por um
idiota, tenho certeza... — ele olhou de volta para mim, enquanto eles riam mais, — ...então vamos ouvir
algo maroto. — Seus olhos pálidos brilhavam com diversão e ele começou a brincar com a língua, mais
especificamente com o piercing nela. Meu estômago virou um pouco com a sensualidade do movimento.
Eu realmente não queria responder o seu pedido estúpido.
Fiz uma careta e iniciei o movimento para ir embora. — Tenho que voltar ao trabalho, Griffin.
— Ah, vamos lá... só um pequeno palavrão. Você nunca xinga? — Ele estendeu a mão e agarrou
meu braço enquanto eu tentava passar por ele.
Mais concentrada em tentar puxar meu braço para longe de seu alcance do que no que estava
dizendo, suspirei e disse: — Sim, Griffin, eu xingo. — Imediatamente me arrependi de dizer isso.
— Então, vamos ouvir. — Ele parecia genuinamente divertido com a ideia de me ver tentar ser tão
bruta quanto ele. Evan parecia envergonhado por sua persistência e revirou os olhos. Matt colocou a
mão em seu queixo e se inclinou para frente e Kellan passou a mão pelo cabelo e recostou-se, para olhar
para mim com curiosidade. Eu estava começando a ficar desconfortável sob a análise deles.
Olhei para Griffin. — Droga.
Matt e Kellan riram. Griffin colocou seu cabelo loiro atrás das orelhas e fez beicinho. — Ooh,
vicioso. Agora vamos ouvir um real.
— Isso é um real. — Eu realmente só queria caminhar de volta para o bar, mas me sentia presa
pela conversa estranha. Kellan estava rindo abertamente do meu desconforto agora, e minha irritação,
com ele especificamente, foi crescendo.
— Ok, que tal um mais colorido... um fácil. Que tal... puta? — Ele sorriu diabolicamente para mim
enquanto cruzava os braços sobre o peito.
— Você é uma criança, Griffin. — Revirei os olhos e olhei para Evan, silenciosamente implorandolhe para acabar com essa conversa, já que ele era o único além de mim que parecia levemente
desconfortável.
Griffin riu do meu apelo óbvio. — Você realmente não consegue dizer isso, não é?
— Eu não preciso. — Não é que eu nunca xingue... é que eu geralmente o seguro na minha cabeça,
onde não é tão ofensivo. Eu não estava disposta a fazer nada só para agradar Griffin de qualquer
maneira. Considerei simplesmente andar para longe da mesa para acabar com seu jogo estúpido, mas eu
podia apenas imaginar o quanto ele iria rir.
Ele se inclinou sobre a mesa, com as mãos unidas. — Vamos lá. Alguma coisa, qualquer coisa, eu
não me importo... apenas diga algo sujo, — ele implorou.
Me mexi desconfortavelmente, ainda pensando em uma fuga. Eu poderia apenas dar um tapa nele?
Isso iria definitivamente tirar o foco de cima de mim... Mas eu não o conhecia suficientemente bem
para saber como ele reagiria a isso. Realmente não precisava dele com raiva de mim... ou excitado por
causa disso.
Kellan se intrometeu nesse ponto. — Ela me chamou de sexual uma vez.
Griffin quase caiu da cadeira, rindo.
Encarei Kellan, que olhou para mim com um olhar adoravelmente inocente em seu rosto e as mãos
ligeiramente levantadas em uma expressão que dizia claramente: "O quê"? Vendo a minha oportunidade
para ir embora (e realmente, a mesa inteira estava rindo agora, mesmo meu aliado Evan, então minha
fuga realmente não importava), eu voltei para o bar.
Esperando que meu rosto não estivesse muito vermelho, tão calmamente quanto podia, caminhei
até onde Rita já estava deixando as bebidas dos rapazes prontas. Eu cautelosamente olhei de volta para a
mesa. Griffin e Matt ainda estavam rindo do comentário estúpido de Kellan. Evan estava olhando para
mim se desculpando, pelo menos ele se sentia mal por rir. Kellan, ainda rindo um pouco, tinha agarrado
sua guitarra do chão e estava à toa dedilhando um ritmo.
Ele levemente começou a cantar uma música que eu achava que era nova. Não conseguia entender
as letras, mas a melodia deslizou por mim e era muito bonita. Instintivamente, comecei a me mover de
volta para os caras para que eu pudesse ouvi-la melhor.
— Eu não me incomodaria. — Rita estava observando-me assistir Kellan e aparentemente tinha
interpretado mal o meu interesse.
— O que?
— Esse mesmo. — Ela apontou para Kellan. — Não perca seu tempo.
Sem saber bem o que ela quis dizer, eu esqueci de dizer a ela que estava apenas interessada em sua
música e em vez disso perguntei: — O que você quer dizer?
Ela inclinou-se cúmplice, feliz pela chance de contar sua pequena história. — Ah, ele é mortalmente
atraente com certeza, mas só vai arrancar seu coração. Esse aí, ama elas e deixa-as.
— Oh. — Eu supunha que não era um choque muito grande, considerando o enxame de fãs
fanáticas que pareciam atacá-lo em todos os shows, e os inúmeros comentários que tinha sobre ele nas
paredes do banheiro. — Nós não somos assim. Ele é meu companheiro de quarto... nada mais. Eu estava
apenas ouvindo...
Ela me cortou. — Não sei como você vive com isso. — Ela olhou para ele, de forma bastante
sedutora, mordendo o lábio. — Isso me deixaria louca, dia sim, dia não. — Ela colocou um par de
garrafas de cerveja sobre o balcão.
Estava começando a ficar um pouco irritada com ela olhando para ele daquele jeito, e continuava a
chamá-lo de "isso", como se ele não fosse uma pessoa completamente formada ou algo assim. — Bem,
ter o meu namorado lá ajuda, é claro. — Saiu um pouco sarcástico, mas, sinceramente, o que ela achava
que fazíamos em nossa casa?
Ela riu um pouco. — Oh, querida... você acha que isso importa para ele? Bebê, eu era casada e isso
não pareceu intimidá-lo nem um pouco. — Ela colocou as duas últimas garrafas no balcão com um
pequeno sorriso em seus lábios. —Valeu bem a pena, no entanto. — Ela piscou.
Abri minha boca em choque. Rita tinha pelo menos duas vezes a sua idade e, pelo que eu ouvi,
estava atualmente no marido número quatro. Aparentemente Kellan não era muito seletivo sobre quem
ele trazia para casa? E eu estava começando a ter a sensação de que era todo mundo. Era estranho eu
não ter visto nenhuma das meninas na casa ainda.
Reunindo a minha compostura, eu murmurei, — Bem, é importante para mim. — Peguei as
garrafas e caminhei de volta para a mesa deles, um pouco agitada... E sem saber porquê.