Capítulo 2

Geralmente, dividíamos sua cama king size, mas preciso ir para o sofá sempre que Joaquin vem para passar a noite. Não preciso dizer que a situação não é exatamente ideal. Eu estava a fim de um upgrade e de um descanso decente, então, em vez de tentar dormir com os dois gritando "isso, assim" no meu ouvido, decidi procurar outro lugar para passar a noite. Li um artigo no Reddit quando estava na faculdade que explicava exatamente como se infiltrar em uma coletiva de imprensa. Sedutor, o artigo ensinava passo a passo como falsificar credenciais de imprensa e aproveitar bufes e outras vantagens de festas particulares. Era só ligar para o hotel e fingir ser uma assistente em busca da lista de pessoas que iam comparecer ao evento para confirmar quem ficaria em qual quarto. Se alguém dissesse que isso já fora feito, era só reclamar do meu chefe. Então, o próximo passo era ligar para a empresa e confirmar as presenças. Se alguma mulher não pudesse comparecer, eu tomava o lugar dela. Na verdade, uma vez eu fui um Fred Sautermeier e ninguém se tocou. — Fred? O agente da recepção perguntou. — Fredricka - eu esclareci, e já estava tudo certo. Eu tinha até uma carteira de motorista com meu nome falso completo. Como eu estava atrasada e não deu tempo de fazer minha mágica com o hotel, pesquisei algum evento no qual poderia entrar de fininho. Dei sorte quando encontrei uma festa de lançamento de uma nova vinícola. Embora esse não fosse o lugar mais escandaloso possível para conseguir algumas notícias, a festa era em uma bela pousada em Rhode Island, e todos aqueles políticos na lista de convidados me dizia que algo mais estava acontecendo. Olhei para a janela para ver a Casa Branca à distância. Embora eu mesma não tenha ambições políticas, amava viver no meio da atmosfera política, que era tanto um antro de depravação quanto um centro humanitário ao mesmo tempo. Tão emocionante, tão contraditório. Eu estava com medo, mas excitada pela missão seguinte. Agora era dormir o suficiente para dar conta de tudo no dia seguinte. Voltei para o sofá, grata por Harper finalmente ter atingido o clímax e os dois se acalmarem. Pelos roncos leves, ambos dormiram bem rápido. Fui pega pelo sono meio de surpresa e quase caí no chão quando o alarme do meu celular tocou. Entrei no chuveiro antes que mais alguém acordasse, sabendo que ia ter que disputar o banho e talvez ficar na fila se desse bobeira. Sem querer me gabar, sei que sou uma mulher bonita. Tenho um corpo forte, que mantenho caminhando, dançando e me mantendo ativa. Meu cabelo é curto e bonito como o de uma fada. Meus olhos são de um verde profundo que puxei da minha mãe biológica. Fui chamada de Ofélia em homenagem a uma personagem shakespeariana. Minha mãe amava tragédias. Já eu detestava meu nome. Quando fui adotada após a morte da minha mãe, fiz todos me chamarem de Leah, para esconder o horror que minha mãe biológica tinha causado em mim com esse nome. Saí do banho revigorada, usando um top decotado e uma saia um pouco curta demais. Eu precisava me destacar e a sexualidade sutil das minhas roupas fazem os homens abrirem portas para mim. Essa é minha melhor estratégia, especialmente para lidar com política, que é um jogo de homens. — Meu Jesus amado - Disse Joaquin assim que saiu do quarto de Harper usando apenas uma calça jeans. — Nada como uma boa blasfêmia logo de manhã, não é, Joaquin? Eu o provoquei com uma expressão séria. — Você é a garota de coque que sempre dorme no sofá, não é? Quer dizer, pelo menos essa era você ontem. — Eu mesma! Fiz um movimento com os quadris e comecei a juntar minhas coisas. Minha pesquisa na noite anterior descobriu que Virginia Sayles tinha uma reserva no Coastway Seaside Bed and Breakfast, mas, após ligar para o lugar onde ela trabalhava na manhã seguinte, descobri que seu filho havia lhe passado gripe. Foi aí que eu, "Virginia Sayles", me vesti com um look incrível e me preparei para ir à pousada e, mais importante, ao lançamento da vinícola que aconteceria lá essa noite. Com sorte, teria um furo de reportagem! JoBob Rails confirmou presença. Por si só, isso já valeria a pena o esforço. JoBob era um bilionário polêmico que, segundo rumores, queria concorrer à presidência. Ele tem ovos em vários cestos e ninguém sabe direito como ele fez fortuna. Ele tinha algumas criações de gado e condomínios, mas isso não era suficiente para torná-lo bilionário ou um possível candidato à presidência. Logo, eu estava pronta. Só precisava chamar um Uber, ir parar em Rhode Island e dar uma olhada nele de perto. — Que se dane, você está uma delícia - Disse Joaquin enquanto Harper saía do quarto usando uma camisola e uma calça por baixo. — Obrigada, mas é melhor sossegar porque Harper já está cuidando de você... Sabe, quem dorme no sofá sempre escuta. Pego no flagra, Joaquin foi até Harper colocar panos quentes na situação. — É que normalmente ela é... tão desleixada... sabe? Foi só um comentário. Engolir sapo logo de manhã não deve ser muito bom. — Some daqui! Harper mal o deixou acabar de falar. Ela é muito cabeça-quente, mas algo assim acontecia toda semana por um motivo ou outro. Em pouco tempo, ela se acalmaria e recomeçaria o ciclo outra vez.

  — O que houve? Eliza finalmente surgiu do quarto, parecendo descansada, mas desgrenhada. — Joaquin está indo embora! Harper me olhou. — Harper está exagerando - disse ele enquanto pegava sua mochila e ia em direção à porta. — Vejo você amanhã à noite. Me encolhi só de pensar na ideia. Assim que ele passou pela porta Eliza comentou que ele era um cara e homens pensam com seus paus. — Leah está bonita, não fique toda nervosa com o cara por isso. Eliza se sentou na bancada do café da manhã e se serviu de um café que eu havia feito mais cedo. — Pickle, você não cresceu com ela. Ela roubou todos os meus namorados - Harper disse enquanto se jogou na cadeira ao lado dela, ainda fumegante. — Não intencionalmente, mas... — Harper, você é linda e eu nunca roubei seus caras de você. Você só curte idiotas. Joaquin é um exemplo e você sabia disso desde que começou a sair com ele. Você sabe que agora mesmo ele está lá na cafeteria dando muffins de graça pela chance de transar com alguma garota. Você só está brava porque ele não te deu sua transa matutina. Peguei minha xícara de café frio, esquecendo que já havia me servido há um tempo. — É, tem isso. Apesar de eu nem ter certeza de que queria. Ele diz que quer ficar só comigo, sabe? Como um cara que não faz esse truque dos muffins, mas ele... Eu não estou tão a fim dele assim. Quero dizer, quanto tempo leva para os homens crescerem? Acho que eu soube da verdade o tempo todo. — Acho que só preciso de uma desculpa para dar um pé na bunda dele. Desculpe, Leah, você é meu bode expiatório. — Eu não sei se os homens vão crescer um dia, mas vou ser seu bode expiatório sempre que precisar. Dei um grande sorriso para ela e estávamos bem novamente. — Acho que os caras crescem quando têm filhos ou quando o Mago de Oz dá a eles coragem, um coração e um cérebro. Parece que Joaquin está envolvido demais para acabar com tudo, talvez você devesse esperar um pouco até a poeira abaixar - apontou Liz. — Vamos ver, ainda não tenho certeza. E você, Leah, está indo para outra festa de políticos? Por isso que você está tão gata assim? Finalmente, Harper estava se acalmando. — Uhum. JoBob Rails vai estar lá - contei, ansiosa para começar minha aventura. — Sua vida é tão excitante, ousada e sedutora - disse Eliza com olhos sonhadores. Elizabeth Piquel era colega de quarto de Harper. Elas moram juntas desde a faculdade e são muito amigas. Eu já não era tão próxima da Eliza, mas gostávamos muito uma da outra. Fico feliz por Harper ter uma amiga tão boa, pois ela podia ser intensa às vezes e era bom ter alguém com quem conversar. Não para falar dela pelas costas, no caso, para ajudá-la nas horas que ela fica muito nervosa. Eliza é muito bonita e doce... Quase daquele tipo doce demais. Nós a chamávamos de Pickle porque isso a irritava. Seu sobrenome Frances é pronunciado como "pick kale", mas a gente adora provocá-la. Além disso, ela não gostava que a chamássemos de Elizabeth porque era sério demais. — Hum... ok. Minha vida não é tão ousada ou sedutora, mas de vez em quando eu consigo alguma informação interna... Quem sabe. Pelo menos os quartos são legais, olha só. Virei meu laptop para as meninas verem a suíte que deram a uma tal de Virginia Sayles. Meu coração disparou quando pensei no golpe que ia dar e estava pronta para muito vinho, paz, sossego e o lindo loft com cama de dossel. — Ligue se alguma coisa acontecer, pois o que você está fazendo parece perigoso. Harper sempre foi cética.

Capítulo 3

É a primeira invasão jornalística a uma pousada chique no lançamento de uma vinícola. O que pode dar errado? Muita coisa podia dar errado e eu sabia disso, mas não me importava... A aventura era inebriante demais. — Vejamos, você pode ser pega pela polícia, acabar na cadeia, ser estuprada por algum político nojento... - Minha ansiedade só aumentava enquanto ela continuava. — Ou eu poderia conhecer um jornalista arrojado e/ou talvez um dos muitos bilionários presentes… pare de enxergar o copo meio vazio. Se eu conseguir, teremos vinho por dias. Com isso, saltei da banqueta do bar e fui até a impressora pegar minhas credenciais e usei a laminadora que comprei para ocasiões como essa. Após terminar o meu café e me despedir das garotas, eu peguei um Uber X para Rhode Island. O trajeto não demorou muito, mas me deu tempo para pensar. Eu não queria gastar dinheiro com uma condução cara, mas precisava manter as aparências. A ambição acabou vencendo meus nervos. Sempre quis ser jornalista. De vez em quando, realizar meus sonhos envolvia correr riscos. Não queria sossegar ou viver uma vida chata, então entrei no trem da vida com ele em movimento e tenho me segurado firme até então. Quando cheguei à recepção, estava empolgada e pronta para a ação! — Virginia Sayles, Delaware Daily Press,” eu disse entediada, indiferente... apenas fazendo meu check in. — Bem-vinda, Sra. Sayles. — Posso ver um documento, por favor? A simpática atendente da recepção sorriu para mim enquanto saquei minha habilitação que fiz ainda nessa manhã. — Obrigada. Ela pegou o documento. — Parece que seu quarto e comodidades já estão pagas. Só preciso da sua assinatura. Mais fácil impossível... Eu havia praticado a assinatura dela a manhã inteira e fiz um ótimo trabalho de falsificação. Após me entregarem as chaves, cheguei a uma suíte gloriosa que agora era só minha, com uma cama king-size e uma cesta cheia de garrafas de vinho, queijo, frutas, nozes... era o paraíso! Eu estava pronta para a ação quando faltavam 20 minutos para os coquetéis do meio-dia... Naquele momento, a vida não podia estar melhor. Respirei fundo, alonguei os músculos tensos e desci até o bar com minhas credenciais novas em folha. Como eu era a única jornalista do Delaware Daily Press, não precisava evitar ninguém em particular. Era só tomar vinho e beliscar alguma coisa. Descobri que o local tinha poucos frequentadores, mas era como um clube exclusivo e secreto das pessoas mais ricas e influentes da Costa Leste. Peguei um belo Pinot Noir e um sanduíche com algum tipo de queijo e caviar... delícia. Acho que comi uns sete desses. Estava prestes a comer ainda mais quando um homem de quase 50 anos que estava usando um terno creme se aproximou de mim. — Delaware Daily News? Ele me olhou com ceticismo. — Interessante. — Não achei que o Delaware Daily estivesse interessado em assuntos culturais. Por um segundo, achei que meu disfarce havia sido descoberto, mas, felizmente, eu li o Delaware Daily News para me preparar, então... — Nossas páginas de sociedade andam um pouco vazias hoje em dia; esse é um belo encontro, cheio de pessoas que importam. — Junte isso ao vinho e é um furo de reportagem bom demais para deixar passar. Eu não tinha muito mais o que dizer, então sacudi a cabeça, peguei meu último caviar, ou seja, lá o que estava comendo e fui embora. Em seguida, veio um homem que só podia ser um político. Sorriso perfeito, cabelo perfeito, terno caro, sapatos incríveis e um olhar diabólico. — Já experimentou o Malbec? É perfeito. Seus olhos ardiam enquanto deslizavam pelo meu corpo e eu dancei conforme a música. Uma boa forma de conseguir informação privilegiada em uma conversa é geralmente começar com um flerte. Homens sempre flertavam nesse tipo de evento e, por algum motivo, eu sempre recebia muita atenção. Inclinei a cabeça ligeiramente, empinei o bumbum e me inclinei para frente. — Mesmo? — Ainda não experimentei. Deixei meus olhos deslizarem até os dele, grandes e atentos. — Bom, deixe-me lhe servir uma taça - ele ofereceu enquanto eu lambia os lábios suave e sutilmente. Enquanto ele foi atrás do vinho, vi Asher Davis, o bilionário mais poderoso e rico do DC olhando na minha direção. Capítulo 2 ASHER Não queria ir de carro até Rhode Island por um pouco de vinho, mas JoBob, meu melhor cliente, me convidou. Ele estava prestes a comprar milhões de dólares em espaço de armazenamento, tanto físico quanto cibernético, para aumentar a vasta quantidade que já possuía. O conteúdo da nova conta estava para ser determinado, mas ele já havia pagado por nosso pacote de segurança mais robusto. No mundo do JoBob, segurança significava que as coisas não deveriam ser questionadas ou mencionadas, apenas guardadas. Inicialmente, eu criei o "Safe" minha empresa de armazenamento físico e cibernético, como uma plataforma única para todas as necessidades de movimentação e armazenamento. Eu tive navios para o transporte, armazéns para o armazenamento, nuvens para dados cibernéticos e podia fazer qualquer coisa desaparecer… do nada! Havia algum nível questionável em meu negócio que beirava a corrupção, mas eu não sabia de nada. A beleza do meu negócio era que, se os clientes pagassem, eu fazia ouvido de mercador e ignorava tudo, pois nada mais me importava. Se você quisesse um quarteirão de armazenamento subterrâneo refrigerado e por um preço acessível... eu não fazia perguntas. Armazenamento virtual, criptografia, esconder dinheiro, corpos... tudo isso poderia ser feito. Eu tinha algumas pessoas monitorando as coisas do nosso lado para evitar que violássemos leis. Já os nossos clientes, eu já não colocava a mão no fogo por eles. Eu tinha uma equipe enorme de funcionários que cuidava da burocracia, pois a Safe era uma empresa pública que oferecia serviços a preços razoáveis para a comunidade. Alguns outros serviços mais privados eram oferecidos a portas fechadas e em eventos como o lançamento de vinhos. Então, eu precisava estar lá. Eu trouxe uma acompanhante para me divertir, Carrie, Witshaw. Ela era incrível na cama. Na verdade, acho que era a única coisa que eu gostava nela. Então, levei ela com essa única finalidade, pois duvidava que encontraria alguém com quem passar a noite no evento. Para a minha surpresa, no entanto, estava olhando para uma beldade de cabelos negros que havia comido seu terceiro sanduíche de caviar. Ou ela não podia pagar por essas coisas, ou estava morrendo de fome por algum motivo. Enquanto Carrie se ocupava no bar, aproveitei a oportunidade para observar a linda mulher no bufê. Ela tinha pernas enormes e seios perfeitos que praticamente chamavam meu nome. Mas quem diabos era ela? Eu precisava saber.

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