Capítulo 2

Acordo um pouco atordoada, e com uma dor de pescoço muito, muito forte. Afinal, o que foi isso?.

Ainda sem abrir os olhos, me concentro para escutar qualquer tipo de voz ou cheiro, afinal, seria útil.

- parece que passou um caminhão por cima dela- um homem fala preocupado.

-fica quieto e dirige, temos muito caminho pela frente- outra voz diz, notoriamente impaciente.

Abro os olhos lentamente, e observo a janela, ainda estava escuro. Provavelmente eu não tinha me afastado muito de Bronvill.

Eu estava sozinha no banco de trás, o que me dava uma boa vantagem, isso torta até que divertido, que tipo de sequestrador confia tanto em um sonífero a ponto de deixar a vítima no banco de trás sozinha?.

Amadores...

Sinto cada parte do meu corpo formigar, coloco toda a força que ainda me restava e dou um chute na porta do carro, o que faz o motorista se assustar e andar um curto trecho em ziguezague, enquanto seu comparsa tenta me segurar. Pulo do carro enquanto ainda é tempo, e corro floresta a dentro, sentindo algumas folhas e galhos baterem em mim.

A minha sorte, é que ontem foi lua cheia, o que de alguma forma, deixa meus sentidos mais aguçados, e neste caso, isso inclui a minha força.

Ainda de longe, escuto o carro frear bruscamente, e os dois cabeças de bagre correrem atrás de mim.

Ou pelo menos tentarem

Depois de alguns minutos de corrida, me certifico de que consegui despistar ambos, e então me jogo em uma poça de lama para disfarçar meu cheiro. 

(...)

Andei algumas horas, e finalmente cheguei na cidade, eu sabia que não tinha me afastado tanto assim. Eu não poderia voltar para casa agora, a solução seria procurar alguém de confiança.

Saio da minha forma lupina, exausta e cansada, e com esforço subo as escadas para o apartamento de Ana. Depois de batidas contínuas na porta, ela abre impaciente pronta para reclamar, mas ao ver o meu estado ela rapidamente fecha a boca e me apoia em seus braços. 

- Céus!! O que houve com você?!- ela me encaminha para uma poltrona e volta para fechar a porta rapidamente.

- Ana eu fui sequestrada- digo ainda ofegante.

Ela coloca a mão na boca horrorizada, e então puxa uma cadeira para perto de mim, afim de que eu contasse a história mais detalhadamente.

- precisamos avisar a alguma autoridade!- ela diz me dando um copo de água.

- não, eles podem acabar tendo alguma informação sobre de onde eu venho, e sobre quem é a minha família- explico.

Ana sabia o que realmente aconteceu quando me mudei para Bronvill, e ao contrário do que eu pensei, ela não me julgou. Na verdade, foi ela que me indicou para a empresa em que trabalho. Ela foi meu verdadeiro anjo da guarda, desde que minha vida virou de cabeça pra baixo.

- ok, precisamos ir até a sua casa buscar seus pertences básicos. Você vai ficar aqui uns dias- ela diz decidida andando de um lado para o outro.

- você acha que meu irmão pode ter algo haver com isso?- digo pensativa.

- que tipo de irmão é esse?- ela fala com as sobrancelhas arqueadas- quem sabe um cartão postal ou uma mensagem com emojis fofos seria mais adequado do que mandar dois brutamontes sequestrarem você!- completa falando rápido.

Ana quando se empolga, acaba perdendo o freio das palavras e fala muito, muito rápido.  Essa é uma das coisas que mais gosto nela, ela me faz rir até nos momentos em que eu deveria estar desesperada.

- Ana!- seguro seus ombros- você está mais nervosa que eu! Fique calma- digo.

- tudo bem, o que vamos fazer então?

- vamos continuar as nossas vidas. Se isso acontecer de novo, estarei pronta- digo decidida.

(...)

Quando acordei, Ana não estava em casa, o que me faz estranhar já que ela estava super assustada hoje de manhã. Me levanto e quando olho no relógio do meu celular, meu coração quase para.

Eu estava super atrasada para o trabalho.

Ligação

- Ana, por que não me acordou?!

- bom dia flor do dia, eu disse para a Olívia que você sofreu um acidente de carro ontem, por isso não pode vir. Acredita que a vaca te desejou melhoras?- ela ri.

- Ana, como vou aparecer no trabalho amanhã?! Que acidente de carro é esse que não me causa nenhum arranhão?

- ah... eu não tinha pensado nisso. Ah relaxa! Qualquer coisa a gente quebra um vaso na sua cabeça. Vou desligar, beijos!!

####

Assim que Ana desliga na minha cara, bufo e me jogo no sofá em que dormi. Ok, eu preciso de um plano, não dá pra ficar aqui pra sempre, e não quero mudar de cidade agora, justo quando tudo estava dando certo!. É duro ter que tomar uma decisão dessas da noite pro dia, é como se você pudesse ver todas as expectativas positivas se esvaindo.

Aproveito o tempo em que Ana estava trabalhando e vou fazer algo de útil, o que era meio difícil nas condições atuais, já que a casa de Ana é mais arrumada do que a minha gaveta de calcinhas. Pra ter uma noção, se eu passasse o dedo no chão, não vinha nenhuma partícula de poeira, o que me deixava um tanto frustrada.

Não havia se quer um fio de cabelo no chão, Ana era tão caprichosa com tudo que fazia, que parece que ela é que foi criada num castelo, não eu. Sua penteadeira era repleta de produtos, seu guarda roupa cheirava a lavanda e tinha um cronograma capilar grudado na parede do banheiro. Fala sério... Eu nem penteei meu cabelo hoje!

Ana parecia uma princesa saída se algum conto de fadas, típica jovem de cabelos claros, sorriso perfeito e corpo que cabia perfeitamente em uma calça tamanho 38.

Sinto até um pouco de vergonha, já que o meu esforço para manter a minha casa relativamente arrumada em dias de correria era completamente em vão.

(...)

- cheguei baby!- Ana diz fechando a porta do apartamento, e entrando com duas sacolas grandes.

- o que é isso?- pergunto.

- são algumas guloseimas da nova loja de doces do centro da cidade. Hoje era a inauguração, lembra?- ela diz tirando suas botas.

- eu ia tirar as fotos da inauguração hoje...- choramingo.

- não esquenta Isa- ela me tenta tranquilizar- você não perdeu muita coisa além dos garçons super lindos de lá.

- sua assanhada- ela me faz rir.

Sem demorar muito, me levanto e coloco algumas rosquinhas num prato, Ana sabia perfeitamente como melhorar o meu dia.

- sabe, podíamos arrumar outro lugar para você morar. Quer dizer, eu amo ter a sua presença aqui comigo, mas do jeito que você é hiperativa, você vai ficar entediada aqui comigo- ela diz se jogando do meu lado e roubando uma de minhas rosquinhas.

- eu também estava pensando nisso... acho que vou ver uns apartamentos simples amanhã- explico roubando a rosquinha de volta.

Eu não fazia a menor questão de uma casa espaçosa, afinal, só eu ia morar lá. Lembro-me que na minha antiga casa, antes da fulga, meu quarto era simplesmente enorme, então eu me lembro perfeitamente como era difícil achar as coisas lá dentro.

- posso te deixar no endereço antes de ir pro trabalho

- Eu adoraria, odeio andar muito na forma humana-reviro os olhos.

- sedentária- ela ri.

(...)

No dia seguinte, me organizo para sair em busca de um novo apê, já que agora meu endereço antigo está em risco. O que me deixava um pouco triste, sabe... eu até que gostava de lá, era bem pequeno, mas muito aconchegante.

Depois que Ana me deixou na frente da rua do apartamento, caminho com um papel na mão, em busca do prédio 17.

- 15...16...17- paro olhando para aonde o prédio deveria estar, mas tinha apenas um beco, e forçando os olhos, havia uma porta. Em outras circunstâncias eu nem consideraria entrar nesse lugar, mas dado ao meu total estado de desespero para não ser encontrada, eu precisava fazer isso. O mundo é um lugar pequeno demais quando se tem um irmão psicopata te caçando.

Me arrisco a entrar no beco, mas desisto na metade do caminho. Quando me viro para dar meia volta, havia um homem vestindo um casaco preto na entrada que faz meu corpo tremer, isso era como a cena de um filme de terror.

- Desculpe, sabe me dizer aonde fica o prédio 17?- pergunto tentando parecer firme.

- você ainda não sabe disfarçar as suas emoções- o homem se aproxima.

- o que disse?- digo sentindo meu coração bater tão forte que parece que vai sair do meu peito.

- sentiu minha falta?- ele chega mais perto, possibilitando que eu identificasse seu rosto.

- foi você, eu sabia que você tinha algo haver com isso...- falo sentindo o ar ficar pesado, e um pânico me dominar por inteiro.

- quando meus guardas chegaram na alcatéia dizendo que perderam uma garotinha de 19 anos, eu tive que vir pessoalmente- ele ri convencido.

- o que está fazendo aqui, Jason?- pergunto com desgosto.

- sua aventura solo acabou, Isabelle. É hora de voltar para casa- ele fala sério.

- vai se ferrar!- digo sentindo meus membros ficarem tensos.

- resposta errada- ele me joga na parede e coloca um pano contra a minha boca.

Tento o empurrar, mas o desgraçado nem se mexe. Aos poucos, sinto minhas pálpebras ficarem pesadas, e minhas pernas bambas.

- eu sinto muito, mas você não me deixou escolha...- ele diz me segurando.

Desgraçado!.

Capítulo 3

Acordo novamente em um ambiente desconhecido, e para a minha "sorte" pelo menos eu não estou em um carro balançando pra lá e pra cá, com dois idiotas dirigindo.

Não entendo essa mania de sequestro, um SMS iria resolver tudo. Tudo bem que eu me livraria do celular e do chip depois, mas mesmo assim... rs.

-que bom que acordou- Jason suspira se levantando de uma poltrona que ficava de frente para a cama em que eu estava deitada.

Aparentemente, este é o meu antigo quarto, e aparentemente não havia nenhuma mudança. Era o único lugar onde podia me expressar sem a interferência da minha mãe. Havia uma estante de livros, que ficava ao lado de uma mesinha para estudos, a lareira com umas poltronas em volta, a porta para o banheiro e closet. Minha decoração se caracterizava em alguns pôsteres colados atrás da porta e alguns quadros e fotos. Na verdade, eu amava esse lugar, porque eu olhava pra ele e via a mim mesma, não a garota que eu tinha que ser.

-vai se ferrar- falo seca  passando a mão pela minha cabeça, que latejava sem parar.

- tome isso, para a sua dor de cabeça- ele joga uma cartela de comprimidos em mim.

- eu não vou tomar nada que você me der. Não confio em você- observo seus movimentos.

- em breve você descobrirá em quem deve realmente depositar sua desconfiança- ele responde sério antes de sair e bater a porta do quarto.

- seu idiota!- grito jogando a cartela de remédio, que acaba batendo na porta.

Ok... eu preciso de um plano.

Tento me levantar o mais rápido possível, mas acabo tendo que me apoiar nas paredes. Acho que o sonífero que Jason usou em mim foi mais forte que a agulhada que recebi no primeiro sequestro, se não, não estaria tão grogue. Jason deve ter ficado com o rabo entre as pernas com a possibilidade de eu acordar enquanto estivesse voltando pra esse lugar.

Covarde.

Poucos minutos depois, uma garota que parecia ter uns 28 anos, entra no quarto. Infelizmente, não havia escapatória, se eu pulasse pela sacada, se a queda não me matasse, certamente eu seria pega pelos guardas, que ao contrário dos cabeças de bagre do antigo sequestro, são violentos quanto a fugitivos, mesmo sendo da família governante.

O mundo sobrenatural pode ter muitas coisas belas e extraordinárias, até mesmo a nossa raça. Mas somos famosos pela força bruta e inteligência para comandar. Eu não ousaria desafiar um oficial, apenas armada com minhas garras.

-boa noite, senhora. A família Daskov pede que se junte a eles no jantar em 20 minutos- ela diz de cabeça baixa.

- e suponho que você esteja aqui para me ajudar a ficar apresentável para os queridinhos Daskov, estou certa?- pergunto de braços cruzados.

Admito que tem até um pouco de graça nesta situação. Boa parte das famílias mais ricas dos lobisomens, não deve nem amarrar os próprios cadarços sozinhos.

-sim, senhora- ela diz serena.

- esta tudo bem, eu posso fazer sozinha. Pode voltar para os seus afazeres, tenho certeza de que tem mais a fazer do que ajudar uma adulta a realizar tarefas simples, como tomar banho- dou uma risada simpática.

- como quiser, senhora- ela ri timidamente.

(...)

Depois de um longo banho, sem a menor preocupação com o tempo, eu começo a me arrumar. Céus, Ana deve estar muito preocupada comigo... o imbecil do Jason levou meu celular, ou seja, eu não poderia mandar nenhuma mensagem pra ela.

Isso parece mais um assalto. Espera... eles levaram o meu relógio também?!.

Quando abro o guarda roupa, chego a ficar sem ar pela quantidade de roupas cor de rosa que vejo. Procuro no meio daquilo tudo, algo que seja vinho ou até mesmo branco. Coloco um vestido preto de mangas compridas que ia até o meio das minhas coxas, junto com uma meia calça e sapatos de saltos pequenos. Uma das vantagens de ser loba, é que o frio que sentimos no inverno é consideravelmente mais ameno, do que as outras espécies. Depois de pentear meus cabelos, e colocar o mínimo de maquiagem, saio do quarto.

Enquanto ando lentamente pelos corredores, lembranças começam a tomar minha mente, uma atrás da outra. Lembranças da minha infância, da minha mãe brigando comigo por correr, falar ou sentar sem cruzar as pernas, lembranças do meu pai. Por um momento, sua risada vem em minha mente.

Parada na frente da porta da sala de jantar, busco dentro de mim forças para parecer o mais firme possível na frente da minha família. Eu precisava ser forte, isso não era uma opção.

- a senhora está bem?- pergunta um segurança que eu nem tinha visto atrás de mim.

Balanço minha cabeça em sinal de positivo, e abro as portas. Não demorou muito para que os olhares se voltassem para mim, e com isso, eu quero dizer os olhares de Jason e de minha mãe.

Minha mãe é o que as pessoas podem chamar de "dama". E mesmo com o seu jeito perfeccionista, confesso que senti um pouco sua falta. Nós não tínhamos uma relação de melhores amigas, porque eu nunca me identifiquei com algumas coisas, e ela não é do tipo que gosta de ser contrariada. Por isso dei tanta falta do meu pai após sua morte, ele me entendia, ele sabia quem eu era, cada pedacinho de mim.

-Isabelle - minha mãe pronúncia meu nome quase em um sussurro.

Ela levanta e corre ao meu encontro, me abraçando com as duas mãos. Coloco meus braços ao seu redor para retribuir.

- estou muito satisfeita que esteja aqui- ela toca em meu rosto, como se estivesse me analisando.

Já já vem uma crítica.

- não é como se eu tivesse tido opção- digo aborrecida.

Ok, se controla, se controla. Ela é a sua mãe, pense nisso... se controla porra!

- ora Jason! Eu pedi para ser delicado- ela se volta para meu irmão, que se encontrava muito bem acomodado bebendo seu whisky.

- não é como se ela facilitasse as coisas- ele diz se servindo mais.

- vai a merda, Jason!- rosno.

- parem vocês dois!- minha mãe nos interrompe- vamos jantar em família, e depois conversar.

Vamos nos aproximando da mesa, e assumimos os nossos devidos lugares.

(...)

- e então Isabelle, soube que é fotógrafa- minha mãe quebra o gelo.

- como sabe disso?- pergunto parando de cortar a carne em meu prato.

- achou mesmo que não sabíamos onde estava, e o que fazia esse tempo todo?- Jason ri irônico.

- foi bom esquecer de que você existia- rebato.

- mas e então, você gosta do seu trabalho?- minha mãe coça a garganta.

- o que realmente eu estou fazendo aqui de novo?- pergunto impaciente largando os talheres sobe a mesa.

- esta aqui porque sua aventura de garota revoltada acabou!- Jason bate na mesa- acha que pode abandonar sua família e sua alcatéia? Você tem deveres a cumprir!.

- não tenho deveres nenhum aqui! Quando não estava trancada dentro desses muros, era obrigada a ir em jantares e reuniões onde minha presença não era nem requisitada! Eu não vou me privar de viver, só porque você quer manter a postura de boa família! Eu me recuso a viver no cativeiro que vocês me aprisionaram por longos 18 anos!- vocifero- você não tem esse direito- falo entre dentes.

- como pode ser tão egoísta, Isabelle?- minha mãe me repreende.

- eu?! Eu sou egoísta?!- me exalto- você nunca se dignou a me perguntar, me perguntar de verdade como eu estava, como eu me sentia! Só sabia falar o quanto eu deveria ser igual ao Jason e que deveria manter uma postura impecável!. Você queria que eu fosse um robô, não sua filha!- completo sentindo cada pedacinho da minha alma se descolar do meu corpo.

Eu acho que depois que a gente se acostuma com a paz, quando vem a confusão de novo, nós sentimos a serenidade que habitava na gente ir embora de novo, e nossos corpos serem consumidos por toda energia negativa. Eu não estava preparada pra isso, eu não quero nada disso!

- papai queria que ficássemos juntos! Ele queria você aqui!- Jason aponta o dedo no meu rosto.

- papai queria que fôssemos felizes! E vocês nunca deixaram que eu fosse por muito tempo!. Como estão fazendo de novo agora!- falo entre lágrimas.

- Jason! Isabelle!- minha mãe bate na mesa, fazendo uma grande rachadura em seu meio.

- o que foi que vocês sofreram com a minha ausência?- digo secando as lágrimas- tendo que mostrar para todos que os Daskov não são tão impecáveis afinal? É isso?. Sabe... a única coisa que nos mantia juntos era o papai, e no fundo... vocês sabem disso- completo com a voz rouca.

- se você se sentia presa, era só ter falado. Isso tudo podia ser evitado- minha mãe diz calma.

Como se eu já não tivesse tentando conversar com você...

- não, vocês não iam fazer nada. Talvez seja vida pra outras garotas ir a festas, chás e reuniões frequentes para manter uma boa imagem. Mas pra mim não é. Eu só pude ir a um cinema, ou a um shopping esse ano, acredita?. Pude trabalhar e estudar para algo que eu realmente gosto, pude fazer amigos de verdade, não interesseiros que só se aproximavam para cair nas suas graças- digo séria olhando no fundo dos olhos dos dois.

- Isabelle, assim que você fugiu, soubemos de exatamente tudo que você fez ou deixou de fazer. Mas agora é hora de voltar para casa, e ficar. Você já é uma adulta, então comporte-se como uma- minha mãe diz séria.

- está na hora de assumir seu lugar na alcatéia, e talvez você não goste dele, talvez seja muito infeliz, mas não vai fugir de novo. As vezes, as coisas nem sempre são como nós queremos, e você não tem o direito de escolha aqui- Jason diz frio.

- eu quero mais que uma vida só de manter uma imagem. Eu quero viajar, estudar para alguma profissão, quero viver!. Por favor não me privem disso- digo quase suplicando.

- nós não nascemos com esse direito- Jason diz fazendo sinal para dois guardas, que logo agarram meus braços.

- certifiquem-se de que ela não vai fugir de novo- minha mãe fala com pesar, antes das portas se fecharem atrás de mim.

E mais uma vez... o inferno continua.

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