Capítulo 2

O dia marcado para noite de Donatello e Amanda chegou. Flora foi levada logo cedo para o salão e recebeu um tratamento digno de realeza, mas ela sabia que tudo aquilo era apenas para que ela ficasse o mais parecida possível com sua prima. Saiu de lá com as unhas feitas, depilação completa, uma maquiagem em tons de preto e o batom vermelho que a deixou irreconhecível, por fim lhe colocaram uma peruca com enormes fios loiros como os de Amanda, modelaram e enfim ela estava pronta.

— Oh! Quase posso dizer que é você, Amanda. — comentou a tia ao vê-la. — Só tem um problema, Amanda é mais baixa sem os sapatos de salto.

— E você já viu a Amanda andar sem saltos? — brincou George e as duas riram, apenas Flora não viu graça alguma. Na verdade, tudo que saía da boca de seu tio soava nojento para ela. Também não se importou em se olhar no espelho, sabia que aquela não era ela de verdade.

— Vamos Flora, está na hora de ir até o hotel. — ela acompanhou a tia até o carro e ambas seguiram para o hotel no centro da cidade. Deram o nome na recepção e pegaram as chaves, Donatello só chegaria meia hora depois, então a mais velha teria tempo de lhe dar instruções do que fazer.

Assim que entraram no quarto, Flora ficou surpresa com o luxo do local, uma cama king com edredons de cetim e bordados em dourado ocupava o ponto central do quarto, um lustre de cristais fazia a iluminação, um tapete felpudo cobria quase todo o quarto. Num canto havia um frigobar, na parede uma TV e duas portas, uma do closet e outra do banheiro. Flora queria explorar o cômodo, nunca esteve num ambiente tão agradável, mas seria repreendida pela tia e por isso se comportou.

— Preciso te dar algumas orientações. Sente-se. — apontou para a cama e só então as duas notaram a sacola branca ali, a tia pegou a sacola e retirou uma camisola de renda vermelha dali, não havia calcinha, a mulher devolveu a peça para a sacola e voltou a atenção para a sobrinha. — Você deve fazer exatamente o que ele te pedir, não negue nada. Minha filha é um pouco escandalosa, então você também precisa ser, mas nunca, nunca diga que está com dor ou chore, sei que é uma chorona, mas nesse momento segure o choro. Evite diálogos, sua voz é diferente da dela e não sabemos se ele conhece ou não a Amanda. Não faça nada estúpido como tentar fugir ou dizer a verdade, pois quando te acharmos, vamos te trancar no quartinho. Se lembra dele?

Flora engoliu em seco. Faziam anos que não ia para o quartinho, mas se lembrava perfeitamente do que sofreu lá. Passava fome e frio por dias, além de apanhar todas as manhãs e ser tocada por seu tio, que aproveitava que estavam sozinhos, Flora se lembrava perfeitamente dos momentos de angústia e dor que passou no quartinho.

— Sim, senhora.

— Ótimo. Siga minhas ordens e não sofrerá nenhuma consequência. — ela olhou seu relógio de pulso. — A deixarei sozinha a partir de agora, mas a porta ficará trancada. Se troque e espere pelo noivo de sua prima. E lembre-se, não tente nada que nos prejudique.

Depois que a tia saiu, Flora entrou em desespero. O que faria quando o homem descobrisse que ela não é virgem? E quando a família descobrisse? Eles com certeza a deixariam no quartinho por meses. Mas ela não tinha tempo para pensar, em pouco tempo o homem entraria no quarto e ela precisava estar vestida.

Se levantou e foi até o banheiro, encontrando ali uma enorme banheira, bancada em mármore branco, piso de porcelanato branco e os detalhes em dourado. Tirou o vestido justo e vermelho que a mandaram colocar, dobrou a peça juntamente com a calcinha e vestiu a camisola. Ficou um pouco largo no busto, já que era mais magra que sua prima, mas ela gostou de como ficou com a peça.

Depois que saiu do banheiro, por curiosidade abriu o closet, percebendo que estava cheio de roupas masculinas, principalmente ternos e sapatos sociais. Ansiosa e com medo, saiu dali às pressas e se sentou na cama para aguardar seu acompanhante, foi como se adivinhasse, mal havia se sentado e a porta se abriu.

Donatello caminhou à passos lentos para dentro do quarto, observando a mulher que prontamente se pôs de pé. Flora prendeu a respiração ao reconhecer aquele homem, como que por ironia do destino, foi com ele que perdeu a virgindade. Seu coração se apertou, o desejo era de se esconder em qualquer lugar ou até mesmo pular a janela, apenas para evitar passar por aquela noite angustiante. O que ele faria se lembrasse dela?

— Por que Amanda não está aqui? — perguntou, a voz soou fria e seca, fazendo Flora estremecer e perder a voz, não se parecia mais com o homem atraente e sexy que a seduziu anos atrás.— Está muda?

Donatello não esqueceria aquele rosto, da moça que encontrou andando por sua mansão e o olhou como um gatinho assustado. Ele estava entediado com a festa e fez algo que nunca havia feito antes, a levou para o seu quarto. Isso a fez inesquecível, nunca antes ou depois uma mulher deitou em sua cama, sempre as levava para hotéis de sua confiança. E agora ela estava ali em sua frente novamente e mais uma vez ele não esperava encontrá-la.

Ela estava diferente, mais magra, com uma maquiagem forte e cabelo loiro, mas era ela. Por um momento, pensou que ela poderia ser uma profissional do sexo enviada por George afim de enganá-lo, mas a garota parecia assustada demais, com medo e em sua primeira noite, ela não foi nada profissional.

— Deixe eu adivinhar, eles pensaram que você era virgem e tentaram me enganar. — soltou um riso suspirado, pensando que aquilo era bem melhor para o seu plano, um motivo muito mais plausível..

— Eu sou a Amanda, foi o senhor que tirou minha virgindade. — Flora falou num sopro de voz, pensando que talvez pudesse convencê-lo de que ele conheceu sua prima aquele dia. Um pensamento tolo, pois ele descobriria quando visse a verdadeira Amanda.

Donatello não era um homem fácil de enganar, em sua posição, aprendeu a estar atento à detalhes, memorizar nomes e rostos. Jamais esqueceria das mulheres com quem dormiu e aquela era diferente.

— Eu pedi por Amanda, não pela cachorrinha dela. — respondeu ríspido. Flora não ligou para o comentário, era assim que se sentia, então simplesmente puxou as alças da camisola a deixando cair de seu corpo. Não voltaria para casa sem ter ao menos cumprido sua missão, talvez assim o castigo não fosse tão duro.

Donatello analisou a atitude dela, havia sido mandada com um propósito e estava disposta cumprir, talvez uma mulher obediente e sem má fama lhe fosse mais útil e lhe desse menos trabalho. Além dos benefícios, havia algo naquela mulher, algo que o fez quebrar uma regra certa vez, algo que não o fez expulsá-la do quarto logo de início.

— Tire essa peruca ridícula.

Ela retirou a peruca, vendo suas mãos tremerem, seu coração estava acelerado, seu corpo não respondia seus comandos e continuou segurando a peruca até que Donatello se aproximou e a tirou de sua mão.

— Qual o seu nome? — perguntou olhando em seus olhos, a garota baixou o rosto para desviar o olhar, mas Donatello não permitiu, segurou seu rosto fazendo com que o encarasse. — Olhe para mim quando falo com você.

— Flora… Flora Callegari. — Donatello não demonstrou, mas seus pensamentos se turbilharam mediante a descoberta. Se é que fosse verdade. Estaria George tentando enganá-lo novamente?

— Seu nome de verdade. — sua voz soou calma, mas Flora se sentiu muito mais intimidada.

— Esse é meu nome de verdade. — engoliu em seco, temendo vacilar e fazê-lo pensar que mentia.

Ele a estudou por longos segundos e tocou a pele desnuda da garota a puxando para perto. Donatello não gostava de enrolação, mas estava decidido a fazer de Flora sua esposa e lhe beijou, ela o aceitou sem hesitar, mantendo na memória a noite na mansão. Mas não era a mesma situação, o medo corria em suas veias, medo dele matá-la, medo da sua família e do que os dois poderiam fazer.

Don parou o beijo e sem delongas se despiu. Flora rapidamente se lembrou que havia ficado encantada com o homem, as tatuagens a deixava curiosa, queria ver cada uma, as cicatrizes a deixava intrigada, ela também as tinha, o corpo musculoso e o rosto frio, mas belo. Tentou trazer à tona aquele sentimento que teve quase três anos antes, mas estava muito nervosa com o que aconteceria depois.

— Não quero te machucar, mas é isso que vai acontecer se ficar dura como pedra. — Donatello murmurou em seu ouvido, arrancando um arrepio dela e se deitou na cama, apoiando as costas no travesseiro. — Preciso de um incentivo, Flora.

Ela engoliu em seco, sem ter muita certeza do que fazer e como fazer, ficou estática por alguns segundos, até que deu um passo em direção à cama. Subiu na cama, se ajoelhando no colchão e encarando o membro quase duro do don. Flora se inclinou e sentiu os dedos dele entrarem em seu cabelo, fechou os olhos e o colocou na boca, fez o que imaginava que devia, esperando alguma reação dele, mas tudo que obteve foi um puxão de cabelo, a tirando dali.

Donatello pediu que ela se deitasse e ela o fez, agora já estava mais calma e pronta para o que faria. Só porque era ele. Don se colocou em cima dela e num ímpeto a penetrou, Flora soltou um grito e agarrou os lençóis ao senti-lo, mas a dor não veio, não como na primeira vez. Ele se inclinou, apoiando as palmas das mãos na cama, Flora focou os olhos nele, enquanto o sentia se mover, deslizando dentro de si.

Ela estava gostando, mais do que esperava e com isso relaxava cada vez mais. Don estava atento a isso e aumentou o ritmo, tirando um gemido alto da garota, o som das estocadas e das respirações pesadas eram o único que se ouvia, mas os dois estavam focados em suas sensações. Donatello queria mais, porém, decidiu não exigir demais daquela garota ingênua.

Quando terminou, ele se dirigiu ao banheiro, tomou um banho e retornou. Ela permanecia deitada, como se quisesse se fundir a cama e evitar sua realidade. Talvez, poderia pedir a ele que mentisse.

— Deveria se limpar, Flora. — falou a tirando dos pensamentos enquanto colocava suas roupas.

Ela concordou se levantando, cobriu os seios com os braços e foi até o banheiro envergonhada, Donatello a observou com graça, pois a garota voltou a parecer um gatinho assustado. Quando ela terminou o banho, estava decidida a pedir que ele fingisse ter acreditado, mas Don já havia partido, então caminhou até a cama macia e puxando os edredons notou uma pequena mancha molhando o tecido, uma lembrança da noite que teve. Talvez a melhor que teve em anos.

Aquela era a melhor cama que já esteve, mas não conseguiu pregar os olhos pensando no que a esperava na manhã seguinte.

Capítulo 3

Quando a manhã chegou, Flora percebeu que era cedo e aproveitou que ainda tinha tempo para tomar um longo banho, lavou seu cabelo com o shampoo e creme disponibilizado pelo hotel, percebendo que até isso era melhor do que o que tinha em casa. Retirou tudo que ficou da maquiagem e finalmente pôde se reconhecer no espelho, apesar de não gostar da imagem refletida. Colocou o vestido vermelho e guardou a camisola de renda na sacola em que veio.

Quando ia descer para esperar o táxi que a família iria enviar, a porta do quarto se abriu e Donatello entrou sem aviso. Flora se assustou, não esperava vê-lo, pensava que aquela seria a última noite que o veria e deu um passo para trás, com medo de que ele teria voltado para machucá-la.

— Te levarei para sua casa apenas para que pegue suas coisas, você virá comigo. — informou ele, Flora entendeu que era uma ordem, mas não entendia o que ele queria.

— Por que? — questionou.

— Você será minha esposa. — respondeu e se virou saindo para o corredor. Flora levou alguns segundos para assimilar o que tinha ouvido, mas o acompanhou, sem fazer mais perguntas.

Nunca pensou que se casaria, ainda mais com um homem como ele, mas estava aliviada, se Donatello agisse como naquela noite, esse casamento seria amplamente melhor que morar na casa dos tios.

Um Rolls-Royce os esperava na entrada do hotel. O motorista abriu a porta para que eles entrassem, Flora entrou primeiro, admirada com o luxo e beleza dentro do automóvel.

Donatello olhou para a mulher percebendo que ela analisava os detalhes do carro e pensou que ela era como todas as outras, interessada apenas no luxo e riqueza, afinal os LeBlanc adoravam exibir até o que não tinham.

Ele sabia pouco sobre ela, Flora era filha de Leonel Callegari que se casou com a irmã da senhora LeBlanc, Leonel era o braço direito de seu pai e numa fatídica noite num jantar especial, os pais de Flora foram mortos juntamente com a mãe de Donatello. A menina que na época tinha cinco anos, também foi dada como morta naquela noite, mas aparentemente, os LeBlanc apenas estavam a escondendo e cometeram o grave erro de deixa-la em suas mãos por uma noite.

Investigando um pouco, ele descobriu que os LeBlanc usaram todo o dinheiro da herança de Flora enquanto ela era menor de idade e estava sob tutela deles. Talvez fosse por isso que esconderam a menina, mas seu instinto lhe dizia que havia algo a mais nessa história, algo que envolvesse o atentado que matou sua mãe e quase tirou a vida de seu pai. Ter Flora consigo era como tirar uma carta boa do baralho, lhe dava uma vantagem que seu pai não teve quando buscou descobrir a verdade sobre aquela noite.

Ele só precisava descobrir o que ela sabia.

Quando o carro de luxo preto estacionou na frente da mansão LeBlanc, George pediu para Amanda se esconder.

— Ele deve ter vindo pessoalmente trazer a nossa "filha". Deve ser um bom sinal. — comentou com a esposa. — Aja como se ela realmente fosse a Amanda.

— Não seja tão otimista, ele pode ter descoberto. — ralhou a mulher.

— Só se ele já conhecesse a Flora, mas isso é quase impossível.

O casal ficou lado a lado e quando a porta se abriu, se assustaram ao ver Flora sem a peruca e a maquiagem. O homem que a acompanhava era mais novo do que eles esperavam e pensaram se tratar de algum segurança vindo se livrar do lixo deixado no hotel.

— Senhor e senhora LeBlanc, finalmente nos conhecemos. Vim pessoalmente trazer a sobrinha de vocês. — Donatello disse e em seguida se virou para Flora. — Vá pegar suas coisas e seja rápida.

Flora saiu andando à passos largos para a cozinha, tinha deixado suas coisas do lado de fora para tentar fugir, mas estava tendo a chance de se livrar daquele inferno, mesmo que talvez fosse passar por outro, não era tão ingênua a ponto de não saber que sua família era ligada a coisas ilegais.

— Quero informá-lo que nossos negócios se encerram aqui, sr. LeBlanc. Te darei dois dias para pagar tudo que me deve.

— Senhor Puzzo, peço piedade. — o homem deu um passo à frente.

— Deveriam pedir piedade à sobrinha de vocês, talvez ela permita que vendam a casa para pagar a dívida.

O casal se entreolhou e quando Flora retornou com uma sacola de roupas, Donatello entendeu, ela nunca soube que tudo aquilo pertencia a ela e a julgar pela maneira que ela trouxe suas roupas, ela não teve o melhor tratamento.

A senhora LeBlanc segurou o braço de Flora e a encarou ameaçando com o olhar.

— Não vá. — ordenou quase num sussurro.

Flora respirou fundo antes de dizer a palavra que tanto desejou dizer em voz alta para aquela família. Suas mãos tremiam e ela sentia uma trava na garganta, mas não suportaria viver sob mais um minuto sequer sob aquele teto, com aquela família e sob as ameaças dos tios.

— Nunca mais ouse tocar em mim. — ela agora tinha uma escolha e jamais permitiria ser humilhada por eles novamente.

— Flora, seu tio tem uma dívida alta comigo, mas te darei a escolha, se aprecia o que seus tios te fizeram durante todos esses anos, eu aceito essa casa como pagamento da dívida. — ela olhou para Donatello sem entender o que dizia, por que ela deveria escolher? — A casa é sua, Flora, e a fortuna que a família usufruiu por anos é herança deixada pelos seus pais em seu nome.

— O que está acontecendo? — Amanda questionou descendo as escadas.

— Isso é verdade? — Flora questionou olhando para os tios.

— Não! — respondeu o tio rindo. — Claro que não, esse homem está louco!

— Esse é o tal Donatello? — interrompeu Amanda, completamente perdida sobre o que acontecia. — Acho que posso gostar muito desse casamento.

Flora olhou para o homem que parecia possuir o controle do mundo, ela seria sua esposa, não poderia mais ser pisada por ninguém e nem permitir que sua bondade fosse vista como fraqueza. E ela seria fraca se tivesse pena de quem nunca teve dela.

— Terão que pagar cada centavo que gastaram da herança e quanto a casa, quero que desocupem no máximo em três dias.

Donatello sorriu orgulhoso da escolha da futura esposa, não podia esperar menos de uma Callegari. Não conheceu Leonel, mas conhecia a história do desembargador que confiou em seu pai e se aliou a ele. Era como se a união de Donatello e Flora fosse coisa do destino, pois se os pais da moça não tivessem morrido, teriam interesse em unir os dois.

— Flora… — a tia se aproximou e a moça deu um passo para trás, abraçando a sacola em seu peito, nada a impediria de ir embora.

— Vamos. — Donatello tocou o ombro dela e os dois saíram.

Flora sequer olhou para trás ao entrar novamente no carro. Depois de alguns minutos em silêncio, Donatello decidiu fazer algumas considerações.

— Fez o que seu pai faria se estivesse vivo. — ela o olhou, mal se lembrava dos pais.

— Você o conheceu?

— Não, mas ouvi falar sobre ele. Leonel Callegari foi importante para o sucesso da minha família. — respondeu.

Finalmente ele parou para observar a mulher que seria sua esposa, Flora era bela aos seus olhos, mas não tanto quanto Amanda, era magra e tinha o semblante apático, a pele pálida como porcelana, a tornava frágil como uma, não havia nada nela que a tornasse muito desejável, mas era como um diamante bruto e ele poderia torná-la apresentável.

Flora não percebeu o olhos atentos de Donatello sobre si, olhava o caminho pensando em como sua vida mudou em menos de 24 horas. O futuro era incerto, mas não esperava amor do homem que iria se casar, no fundo sabia que aquilo tinha um propósito, mas estava agradecida por se livrar daquela família. Qualquer coisa que Donatello lhe pedisse, ela faria de bom grado, desde que não fosse maltrada como foi na casa dos tios.

— Dentro de dois dias irei anunciar nosso noivado e dentro de um mês assinaremos os papéis. Tem que ser um casamento legítimo. Estou me casando, porque preciso de herdeiros, por isso amanhã mesmo você irá numa clínica realizar todos os exames necessários. No demais, nunca pense em me trair e em qualquer lugar que estiver aja como uma mulher de respeito, você não me conhece, mas eu sou um homem perigoso e tenho uma reputação a zelar, não admitirei nenhuma afronta a minha pessoa.

— Sim, senhor, farei como deseja. — respondeu e Donatello relaxou no banco, apesar de que a facilidade com que Flora aceitou lhe parecesse suspeito. Que tipo de mulher aceita tão facilmente se casar com um completo desconhecido? Precisava descobrir mais sobre ela.

Quando chegaram, todos os funcionários os aguardava em fila na frente de sua mansão. O chafariz com uma estátua de querubim no topo, permanecia jorrando sua água cristalina que brilhava sob o sol daquela manhã, Flora ficou encantada com sua beleza, entendendo que sua vida estava prestes a mudar totalmente. Assim que desceram do carro, motorista o levou até a garagem.

— Bom dia a todos, quero que conheçam Flora Callegari, minha noiva. — Donatello informou.

— Don, por que não avisou que a traria cedo? Teríamos preparado uma recepção melhor. — disse Branca, governanta da mansão. — Já tomou seu café da manhã, querida?

Antes que pudesse responder, Branca apoiou a mão nas costas da garota e a levou para dentro da mansão. Flora estava preocupada com suas coisas e se virou para ver se não iriam jogar fora por estar numa sacola.

— Não se preocupe, suas coisas serão levadas ao seu quarto. Aproveite o café da manhã, se quiser algo a mais, posso pedir na cozinha.

A mesa estava farta, havia uma variedade de pães, queijos, frutas, bebidas e doces. Flora nem mesmo sabia por onde começar, Donatello se aproximou, pegou uma xícara de café e saiu, indo para seu escritório.

— Quantas pessoas moram aqui? — ela perguntou para Branca, surpresa pela quantidade de comida.

— Apenas o senhor Puzzo, srta. Callegari. — respondeu prontamente com um sorriso. — Mas a comida é dividida com os funcionários, então não se preocupe com desperdícios.

Ela costumava tomar o café com os empregados, pão com geleia ou torrada e café. Nem mesmo já presenciou tanta fartura e ficou feliz por saber, Flora sorriu para Branca, aliviada ao perceber que o empregados eram bem tratados, se fosse como eles, ainda seria melhor que com os LeBlanc.

Ela se sentou e experimentou um pouco de tudo, muitas coisas eram novas e percebeu o quanto foi privada de coisas simples e era pior pensar que não deveria ter sido assim. Se seus pais não tivessem morrido, ela jamais teria passado por tudo aquilo, teria uma vida tranquila, talvez teria feito faculdade e namorado vários garotos até encontrar aquele com quem desejasse se casar, mas se casaria sem amor, apenas para fugir da maldade de seus tios.

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