Kylee foi para o seu quarto naquela noite para arrumar suas coisas.
Kenney sempre foi distante com ela. Além disso, ele se recusava a ter relações sexuais por causa de Ruth.
Então, Kylee decidiu mudar-se diretamente para o quarto de hóspedes, dando mais espaço para Ruth.
Kenney estava em seu escritório, massageando as têmporas e suspirando.
Ele levantou os olhos e, por acaso, viu Kylee carregando sua bagagem.
"O que você está fazendo?" Ele falou de maneira fria e impaciente. "Kylee, só porque pedi para você limpar os cacos, você está voltando para a casa dos seus pais?"
Os ombros de Kylee tremeram ao ouvir suas palavras.
Ela queria dizer que estava dando mais espaço para Ruth, mas não conseguiu dizer em voz alta.
Ela o amava há nove anos...
Após um momento, ela finalmente disse: "Tenho tido dificuldade para dormir ultimamente. Achei que me sentiria mais confortável no quarto de hóspedes."
O comportamento distante de Kylee era realmente incomum.
Normalmente, ela aproveitaria qualquer chance para conversar com Kenney. Mas Kenney não deu muita importância ao comportamento incomum dela.
Kylee o amava tanto e tinha um círculo social limitado. Então, ela não podia fazer nada.
Sua atitude suavizou enquanto ele segurava sua mão e a beijava gentilmente. "Kylee, Ruth passou por momentos difíceis ao longo dos anos. Eu vi seu sofrimento. Por favor, seja compreensiva e deixe ela ter o que quiser."
Kenney sempre foi assim. Ele gentilmente pedia a Kylee para ser tolerante com Ruth. Kylee geralmente aproveitaria a oportunidade para se aninhar em seu abraço e assentir obedientemente.
Mas desta vez, ela sentiu uma dor aguda no coração.
Sem dizer uma palavra, ela retirou a mão e se afastou.
Kenney franziu o cenho com desagrado e balançou a cabeça ao ver a figura dela se afastando. "Ela é mimada..."
Kylee havia acabado de arrumar suas coisas quando a porta se abriu.
Kenney entrou em sua cadeira de rodas. Seu rosto estava sombrio, e seus olhos eram sombrios.
Kylee estava intrigada. Ele nunca vinha até ela, então era incomum vê-lo ali.
No entanto, Kylee logo entendeu a situação ao ver Ruth atrás dele.
"Kenney, deixe pra lá. Se Kylee quiser usar isso como um desabafo, tudo bem," disse Ruth, fingindo magnanimidade.
Kenney parecia sério. "Kylee, você foi longe demais? Entregue imediatamente a pulseira de Ruth. Foi um presente dos pais dela."
Kylee ficou atônita.
Ela nunca tinha ido ao quarto de Ruth e nem sabia sobre uma pulseira.
"Kenney, deve ser um mal-entendido. Eu nunca peguei a pulseira dela." Kylee esvaziou todos os bolsos para provar sua inocência.
Vendo Kenney hesitar, Ruth rapidamente se adiantou. "Kylee, eu vi você pegar da minha bolsa com meus próprios olhos. Já fui tão tolerante com você. Por que está mentindo?"
Num instante, Kylee entendeu o olhar venenoso nos olhos de Ruth.
"Kylee, apenas devolva. É um presente da minha família. Eu sei que você não gosta de mim, mas..." As lágrimas de Ruth caíram, e seu rosto estava pálido. Ela parecia completamente injustiçada.
Kenney cerrou o maxilar e disse entre dentes cerrados: "Kylee, já que você não está sendo honesta, vou mandar os empregados procurarem a pulseira no seu quarto."
Kylee olhou para Kenney e estava prestes a dizer algo. "Kenney, você realmente não sabe quem está mentindo?"
Ele virou a cabeça impaciente e fez um gesto. Então, dois empregados imediatamente entraram no quarto de Kylee.
Eles bagunçaram seu quarto, embora ela o tivesse acabado de arrumar.
"Kylee deve ter escondido!" Ruth apontou para Kylee com lágrimas nos olhos. "Kylee, apenas me devolva. Eu estava errada. Não deveria ter acusado você..."
Ruth agarrou o braço de Kenney e disse: "Kenney, já que ela não gosta tanto de mim, talvez eu deva me mudar."
Seu corpo ficou tenso instantaneamente, e a ansiedade brilhou em seus olhos.
"Não se preocupe. Eu estou aqui." Sua voz era incomumente baixa. Então ele olhou para cima. "Vá lá fora e se ajoelhe. Você poderá se levantar depois de entregar a pulseira."
Kylee foi rapidamente arrastada para o jardim, e seus joelhos cederam sob um chute violento. Ela foi obrigada a se ajoelhar.
A chuva torrencial caía impiedosamente, impedindo-a de abrir os olhos. Molhava seu vestido fino.
Ela tremia de frio, e seus lábios ficaram pálidos. Seu rosto ficou pálido de desespero.
Atordoada, ela percebeu as luzes no quarto de Kenney no segundo andar.
A tempestade rugia lá fora, enquanto dentro, a paixão estava em alta.
Duas figuras entrelaçadas moveram-se em direção à janela. Faziam isso atrás da cortina.
A mão de Ruth até pressionou contra a janela. Ela parecia estar provocando Kylee.
Ao testemunhar aquela cena, Kylee ficou completamente arrasada.
Ela quase podia ouvir sua respiração ofegante.
Ele fingia que suas pernas ainda estavam feridas, e Kylee procurava especialistas para ajudá-lo. Naquela época, ele devia estar fazendo a mesma coisa em seu quarto com Ruth.
Ironicamente, Kylee costumava vestir-se com roupas de dormir e esperava ajudar Kenney a recuperar sua capacidade sexual durante aquele período. Ele a afastava friamente todas as vezes.
Ela abaixou a cabeça, e as lágrimas se misturaram silenciosamente com a chuva.
Acontece que ele tinha desejos, mas não por Kylee.
Passou-se muito tempo antes que Kenney e Ruth parassem, e as luzes se apagassem.
"Viu o quanto Kenney me ama?" Ruth desceu as escadas em uma camisola. Seu pescoço estava adornado com marcas de beijo.
Ela se encostou no batente da porta e sorriu radiante.
De repente, as pupilas de Kylee se contraíram bruscamente.
Ruth estava vestindo a camisola de seda que os pais de Kylee haviam comprado para ela.
A chuva fria parecia gelo perfurando o peito de Kylee. Enquanto a asfixia a dominava, Ruth prendeu Kylee.
"Kylee, pare de fingir. Eu te vi na porta entregando remédios antes." Um trovão estourou, iluminando o rosto distorcido de Ruth como um fantasma. "Já que viu tudo, vou te contar a verdade. Não percebe sua situação? Você não é nada além de uma piada para Kenney. Kenney e eu somos próximos desde crianças. Nos apoiamos na família. Ele só consegue dormir tranquilamente em meus braços. Ele até aprendeu a correr por mim, porque acha que me salvaria assim que possível. Mesmo quando teve febre alta, chamou meu nome. Você acha que pode competir comigo?"
Kylee abaixou os olhos e sentiu-se totalmente ridícula.
Ela cuidou de Kenney quando ele estava inconsciente.
Durante aqueles dias, enquanto ele ardia de febre, murmurava algo.
Kylee ingenuamente pensou que ele estava chamando por ela e ficou feliz por dias. Que tola ela foi!
Vendo seu olhar desanimado, Ruth cruzou os braços e olhou para ela com superioridade. "Kylee, você é uma mulher atrevida. Kenney sempre me falou sobre uma admiradora pegajosa que o perseguia sem parar. Então, eu só queria te dar uma lição. Você precisa se comportar. O que aconteceu hoje é apenas uma amostra do que está por vir."
A testa de Kylee estava coberta de suor frio. Ela sempre foi frágil.
Ao ouvir as palavras de Ruth, seu coração se partiu.
Ela apertou a barra do vestido e lutou contra a náusea ao se levantar.
Vendo isso, Ruth correu emocionalmente e deu um tapa em Kylee. "Sua vadia, como ousa sair?"
Kylee franziu a testa para Ruth, mas em seu estado de confusão, a figura de Ruth parecia indefinida.
Os ouvidos de Kylee zumbiam, e a tontura a dominou.
"Está fingindo, não está? Você deve ficar de joelhos!" Ruth pressionou os ombros de Kylee, e o rosto da primeira estava distorcido. "Ajoelhe-se, sua mulher atrevida!"
De repente, uma voz veio da entrada. "O que você está fazendo?"
Era Kenney. Kylee sempre lembrava de sua voz.
Ela não conseguiu se segurar mais e desabou no chão, desmaiando.
Antes de perder a consciência, ela vagamente viu Kenney correndo em pânico.
Ele parecia nervoso.
Ele até esqueceu de fingir que suas pernas ainda estavam feridas.