Capítulo 2

**Título: O Último Trem**

Em uma pequena cidade do interior, onde o tempo parecia correr de maneira diferente, Ana levava uma vida tranquila como professora de literatura. Ela sempre sonhou em conhecer lugares além dos limites da sua cidade, mas a rotina a mantinha amarrada a um cotidiano sem grandes surpresas.

Uma tarde, enquanto aguardava o trem para voltar para casa, Ana conheceu Lucas. Ele era um fotógrafo que estava passando pela cidade em busca de novas paisagens para o seu portfólio. O sol se punha, pintando o céu com tons de rosa e laranja, e ele estava capturando aquele momento mágico com sua câmera. Ana, intrigada pela forma como ele se perdia no olhar por trás da lente, acabou se aproximando.

A conversa flui naturalmente, como se eles já se conhecessem há muito tempo. Lucas falava sobre suas aventuras e os lugares que havia visitado, enquanto Ana ouvia, encantada. Ela relatou suas paixões pela literatura e a beleza que encontrava nas palavras. O trem chegou e, relutante, Ana se despediu, prometendo que se encontrariam novamente na mesma estação.

Os encontros nas tardes de quinta-feira tornaram-se um ritual. Lucas mostrava a Ana suas fotos e ela, em troca, recitava poesias que falavam de amor e liberdade. Eles exploravam a cidade juntos, transformando cada canto em uma nova aventura. O sentimento entre eles cresceu e floresceu como as flores do campo que cercavam a cidade.

Com o tempo, porém, a data do próximo trabalho de Lucas se aproximava: ele estava prestes a embarcar para uma expedição na Europa. O dia da partida chegou e, com ele, um misto de felicidade e tristeza pairava no ar. Ana se despediu dele com um beijo que guardou a promessa de um reencontro.

A ausência de Lucas foi sentida como um eco profundo em seu coração. Ana começou a escrever, despejando em suas páginas toda a saudade que a consumia. Ela pensava em cada um dos momentos que viveram juntos e como ele a havia incentivado a sonhar com novos horizontes.

Passaram-se meses até que, em uma manhã ensolarada, Ana recebeu uma carta. Era de Lucas, cheia de palavras apaixonadas e imagens da sua viagem. Ele prometia volver, trazer suas experiências e, acima de tudo, seus sentimentos. Nos últimos parágrafos, ele escreveu algo que a fez sorrir: “Mesmo a milhares de quilômetros, você é a história mais bonita que estou escrevendo.”

O tempo passou e, um dia, quando o sol começava a se pôr novamente, Ana decidiu ir até a estação. O coração batia acelerado enquanto aguardava o trem que poderia trazer Lucas de volta. E ali ele estava, com a mesma câmera e um sorriso que iluminou todo o seu ser. Nas mãos, ele carregava uma pequena caixa.

“Essa é para você”, disse Lucas, enquanto Ana abria o presente. Era um livro de poesias, mas ao invés de páginas vazias, ele tinha escrito cada poema durante sua viagem, inspirado por Ana.

Os olhares de ambos se cruzaram e, naquele instante, o mundo ao redor desapareceu. A conexão que haviam construído era forte e verdadeira, um laço que nem mesmo a distância poderia romper. Lucas segurou a mão de Ana e, com um sorriso, disse: “Vamos escrever nossa história juntos.”

E assim, entre versos e fotografias, Ana e Lucas construíram uma vida repleta de amor, onde cada dia era uma nova página a ser preenchida com sonhos, risos e eternas promessas. O último trem que os uniu foi apenas o começo de uma bela jornada a dois.

Capítulo 3

A Luz do Crepúsculo**

A pequena cidade de Eldoria sempre foi envolta em mistérios. Localizada entre colinas cobertas por densas florestas, suas ruas de paralelepípedos e casas de madeira antiga pareciam guardar segredos do passado. Acordar ali era como viver em um quadro pintado à mão, onde cada dia trazia uma nova paleta de cores.

Lara, uma jovem bibliotecária de 25 anos, havia crescido em Eldoria e sempre se sentido diferente. Desde menina, tinha sonhos vívidos que a transportavam para outra realidade. Naqueles sonhos, ela via figuras envoltas em um brilho tênue, sussurrando segredos que ela mal conseguia entender. Às vezes, era assustador; outras, reconfortante.

Certa tarde, enquanto organizava um antigo acervo de livros na biblioteca, Lara encontrou um diário empoeirado. As páginas estavam amareladas, e o cheiro de madeira antiga exalava do volume. Curiosa, começou a lê-lo. O diário pertencia a uma mulher chamada Isadora, que viveu em Eldoria há mais de um século e que falava de encontros com seres de luz e sombras. As palavras de Isadora resonavam em Lara como ecos de sua própria alma.

O Encontro**

Enquanto as sombras do crepúsculo se estendiam pela cidade, Lara decidiu explorar a floresta que cercava Eldoria, algo que sempre a fascinou. Caminhando por trilhas menores, ela se deparou com uma clareira iluminada por um brilho suave e misterioso. No centro da clareira, um lago refletia uma luz prateada, e ao seu redor, flores que pareciam brilhar como estrelas.

Foi ali que ela conheceu Ethan. Ele era diferente de qualquer pessoa que já havia encontrado. Seus olhos eram de um azul profundo, como o céu antes da tempestade, e seu sorriso emanava uma energia que a atraía irresistivelmente. Ethan revelaria mais tarde que pertencia a um mundo paralelo, onde as fronteiras entre a vida e a morte eram tênues.

“Você veio me encontrar”, disse ele, com uma voz suave que parecia misturar-se ao sussurro do vento.

“Quem é você?”, perguntou Lara, seu coração acelerando.

“Sou um guardião das almas perdidas. Venho buscar aqueles que precisam de ajuda para entender seus próprios destinos.”

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