Capítulo 2

Apenas alguns minutos antes da abertura do clube Kauã, a equipe de segurança já estava sendo organizada.

— Vamos lá, pessoal, todos aos seus postos. Estamos prestes a abrir. E, garotas, mantenham-se afastadas dos indivíduos embriagados. Júlia, você está deslumbrante!

— Obrigada, Kauã!

— (Risos) Vocês dois, procurem um quarto.

— LUCY.

Trinta minutos depois, o clube estava repleto, dificultando a circulação com as bandejas.

— Garota, venha aqui.

— Sim, senhor Fred.

— Lucy, me disseram que você sabe dançar.

— Sim, sei. Faço aulas de dança desde a infância.

— Qual é a sua opinião sobre dançar aqui hoje?

— Não, de forma alguma. Se meus pais souberem, ficarão extremamente desapontados.

— Considere, será uma boa quantia mais gorjeta, e você estará liberada pelo resto da noite.

— Contudo, se eu aceitar, não vou de forma alguma me despir completamente.

— Tudo bem, aceito suas condições. Você entrará em meia hora, e eu a apresentarei como Alex.

Meia hora depois, já estava pronta. Lucy me forneceu uma máscara para que eu pudesse permanecer anônima. A música havia parado e, minutos depois, ouvi a voz do senhor Fred ao microfone.

— Apresentamos a encantadora Alex.

Entrei um tanto nervosa, realizando um breve aceno com a cabeça. A música começou a tocar e concentrei-me na letra, caminhando com passos largos e graciosos pelo palco. Já estava completamente imersa na melodia quando subi no poste, dançando de maneira sensual e exibicionista.

Quando a música se aproximava do fim, desci do poste e dirigi-me à plateia, dançando em sintonia com o ritmo.

Havia um grupo de homens ali presentes, e não conseguia desviar meu olhar dos olhos de um deles.

Ele não cessava de me observar; sua aparência era atraente, vestindo uma jaqueta de couro e jeans rasgados, além de exibir um semblante de rapaz travesso. Assim que a música terminou, enviei um beijo para a plateia e deixei o palco apressadamente, enquanto os aplausos e gritos ecoavam atrás de mim.

— Mulher, foi excepcional!

— Obrigada, Lucy! No entanto, estou tremendo um pouco.

— O Fred comentou que, assim que você se trocar, deve ir ao escritório.

— Certo, obrigada!

Já me dirigia em direção à porta do vestiário quando ouvi uma voz:

— Olá, garota mistério.

— Olá!

Era ele, o cara da plateia, atraente, com sua voz rouca e sua aparência de "bad boy".

— Você estava deslumbrante lá em cima!

— Agradeço!

— Como posso me comunicar com você fora deste ambiente?

— Não é possível, estou aqui apenas por motivos profissionais.

— Você é misteriosa e evasiva.

— Isso faz parte da minha apresentação; agora, com licença, preciso me retirar.

Ele agarrou meu pulso, forçando-me a direcionar o olhar para ele. Sua aparência era extremamente atraente, e senti uma forte atração por ele; uma onda de excitação me envolveu e, sem hesitar, puxei-o para mais perto.

Ele me beijou com intensa paixão e reverência; a maneira como nossos corpos se encaixaram foi extremamente sedutora, pressionando-me contra a porta, enquanto sua ereção pulsava sobre mim.

Um breve momento de clareza foi o que precisei para recuperar a razão; afastei-me dele o mais rapidamente possível, antes que tomasse uma decisão imprudente. Pouco tempo depois, Kauã passou por nós.

— Alex, está tudo bem? Esse cara está te incomodando?

— Está tudo bem, Kauã, e ele já está se retirando. Dirigi-me ao vestiário, troquei de roupa, peguei meu dinheiro no escritório e fui para casa.

Trinta minutos depois, após consumir um grande copo de café da padaria mais próxima de minha residência, lá estava eu.

— Você se sente bem? Chegou em casa cedo hoje.

— Nina, você não faz ideia do que me aconteceu.

— Então, compartilhe comigo.

Relatei toda a história referente ao clube para ela; ao concluir, percebi que sua expressão era semelhante à de alguém que assistia a uma trama de novela mexicana.

— Que sorte a sua! Você ganhou uma quantia considerável e ainda conheceu um garoto mal.

— Eu estava tão fascinada por ele que, se estivéssemos em outra circunstância, não responderia por meus atos.

— Você pretende continuar dançando no clube?

— O Fred me fez a proposta de dançar em vez de servir bebidas, mas ainda não tomei uma decisão.

— Aceite logo! Você não ficará exposta, ganhará mais e poderá dormir mais horas por noite.

— É verdade, e esse dinheiro será bem-vindo. Boa noite, vou dormir, estou exausta.

A semana transcorreu e aceitei o trabalho como dançarina; agora eu dormia mais horas por noite e desempenhava minhas atividades diurnas de forma mais eficiente. Contudo, infelizmente, o hábito de me atrasar permanecia inalterado.

No dia subsequente, às 07h35, e já atrasada novamente, eu me vestia de maneira apressada enquanto procurava o restante dos meus pertences.

— Nina, você viu minhas chaves?

— Estão na mesinha de centro, amiga. Você gostaria de uma torrada?

— Não, obrigada, estou atrasada.

— (Risos) É comum; aceite que você nunca conseguirá registrar seu ponto antes das 08h10.

— Você é realmente engraçadinha, não é? Até mais tarde.

— E Júlia, você abotoou todos os botões da camisa de maneira errada. (Risos)

— Todas as manhãs, acabo proporcionando sua alegria, não é mesmo?

— Porque você é a minha amiga excêntrica. Beijos, te amo.

Às 08:15, subi dois lances de escada e me infiltrei na reunião.

— Como mencionei na última reunião, meu filho Fernando tomará posse da nossa empresa hoje.

Todos aplaudiram, e ele ocupou seu lugar de direito ao lado do pai. Eu congelei naquele momento; não conseguia acreditar que ele era o rapaz do clube, aquele que eu havia beijado, e agora ele era meu chefe.

Bom dia a todos os presentes no início da reunião, assim como àqueles que acabaram de chegar. Senti-me um pouco constrangida, uma vez que todos os olhares se dirigiram a mim. Como meu pai já mencionou, hoje assumo a direção da empresa e pretendo implementar algumas mudanças, contando com a colaboração de todos vocês. Gostaria de ter conversas individuais com cada um de vocês ainda hoje em meu escritório. Senhorita Atraso, você será a primeira.

— Eu?

— Sim, conforme observei, você foi a única a se atrasar. Os demais podem retornar às suas atividades.

"Pelo pouco que pude perceber, o dia seria longo.”

Capítulo 3

— Prepare-se, amiga, pois você será a primeira a ser alvo das atenções do nosso atraente chefe.

— Não brinque, justamente hoje eu precisava chegar atrasada.

— Querida, a proposta continua válida. Venha morar comigo. Prometo que vou te acordar todos os dias de uma forma que você vai ficar ansiosa pelos amanheceres.

— Ivan, as chances de isso ocorrer são inexistentes, entenda que somos apenas bons amigos.

Sentei-me à minha mesa, liguei o sistema e comecei a trabalhar. Duas horas depois, a voz dele quebrou minha concentração, causando-me um leve constrangimento ao lembrar-me do meu atraso anterior.

— Senhorita Atraso?

— Boa sorte, amiga.

Disse Tereza me parecendo aflita.

— Pelo que percebo, vou precisar de muito mais que sorte.

Levantei-me e dirigi-me em sua direção; ao passar por ele e entrar em sua sala, declarei:

— Meu nome é Júlia senhor.

— Não compreendi.

— Meu nome, senhor Fernando, é Júlia.

— Certo, por favor, sente-se, senhorita Júlia.

— Agradeço!

— Estou analisando seu feedback e percebo que você se destaca em suas atividades; as maiores contas foram atribuídas a você e à sua colega Tereza.

Ao me sentar ali, percebi que meus problemas não eram tão significativos. Nunca o havia visto antes na casa de shows, e era evidente que ele não retornaria a esse local. Aparentemente, sua presença se devia à despedida de solteiro de um de seus amigos. E Deus do céu, como ele é encantador! Sentada em sua frente, a única coisa que conseguia pensar era naquele beijo.

— Agradeço, senhor Fernando!

— Não precisa me agradecer ainda. Também notei que você tem dificuldades em cumprir os horários estabelecidos.

Se a Nina estivesse ali ela poderia com toda a certeza confirmar isso.

— Peço desculpas, isso não se repetirá.

Bem, eu gostaria de ter fé nisso e me empenharei ao máximo para concretizá-lo.

— Muito bem, senhorita Júlia, a partir deste momento, conto com sua colaboração.

— Sim, senhor Fernando.

Já estávamos de pé, dirigindo-nos à porta, quando ele agarrou minha mão e a segurou.

— E Júlia?

— Sim senhor.

— Eu já te conhecia de algum outro lugar antes?

— Não que eu me recorde, por quê?

— É que seus olhos são tão familiares.

Pai eterno, ele não pode descobrir, pois, caso contrário, serei dispensada.

— Não, senhor Fernando, eu nunca o havia visto antes até aquele momento.

— Muito bem, por favor, chame a Tereza para mim.

— Sim, claro.

Saí da sala, fechando a porta atrás de mim, passei pela mesa da Tereza e a avisei. Em seguida, dirigi-me rapidamente ao banheiro, pois precisava me refrescar. Meu corpo estava em chamas de excitação. Quando ele segurou minha mão, todo o desejo e a lembrança do nosso beijo retornaram.

Minutos depois, já havia retornado à minha mesa, decidida a dar o melhor de mim. Precisava me concentrar em algo para esquecer todos os acontecimentos recentes.

— Ivan, necessito das cópias do contrato do advogado Garcia.

— Lamento informar, mas já as encaminhei para a sala de arquivos.

— Que frustrante, Ivan. Espero que a primeira providência do senhor Fernando seja a reorganização dessa sala de arquivos.

Trabalhei com as contas que ainda possuía em mãos e, uma hora depois, dirigi-me à sala de arquivos.

Decidi utilizar as escadas em vez do elevador.

— Olá, está se exercitando?

— Senhor Fernando, na verdade, os elevadores raramente funcionam. Portanto, para evitar o risco de ficar presa em uma pequena caixa de metal, prefiro utilizar as escadas.

— De fato, sob essa perspectiva, parece mais prudente optar pelas escadas.

— E por que o senhor não utilizou o elevador?

— Bem, ele está fora de funcionamento.

— (Risos) Compreendi.

— Para onde a senhorita está indo?

— Para a sala de arquivos.

— Eu também.

Trancada com ele na sala de arquivos, meu corpo se tornou ainda mais febril. Eu queria sair dali o mais rápido possível, mas, por motivos profissionais, respirei fundo e agi como a profissional que sou.

— Não consigo entender por que meu pai construiu uma sala tão grande para arquivos. Preciso mudar isso; todas essas pastas deveriam estar armazenadas na nossa rede. Não conheço ninguém que trabalhe com tantos documentos impressos como nós. Além de dificultar o trabalho, isso ainda nos atrasa.

— Por favor, minhas pernas agradecem.

Ele me analisou de forma curiosa, avaliando-me de cima a baixo, especialmente minhas pernas, e minhas mãos começaram a suar enquanto meu corpo ficava ainda mais quente. Naquele momento, percebi que, se não fosse demitida por ser dançarina em um clube de striptease, o motivo da minha demissão provavelmente seria o meu relacionamento com o chefe.

— Júlia, para onde você está indo? Ele perguntou parecendo curioso.

— Estou a caminho, do escritório já localizei meus arquivos.

— Precisarei de sua presença aqui na sala durante o restante do mês.

— Não compreendi. Para que?

— Precisamos transferir todos os arquivos dos armários para o nosso sistema.

— Não compreendi por que você precisaria de mim aqui. No entanto, estou ocupado com uma conta.

— Encaminhe essa conta para a Tereza; providenciarei dois notebooks e me encontrarei com você aqui em meia hora.

— Muito bem, senhor Fernando.

O que eu necessitava era exatamente isso: permanecer confinada em uma sala por algumas semanas, acompanhada do homem mais atraente do mundo.

— Júlia?

— Sim.

— Está tudo bem?

— Sim, claro, irei e já retornarei.

Na mesa da Tereza eu repassei tudo o que precisaria ser feito, explicando a ele toda a situação.

— Prezada amiga, o senhor Fernando solicitou que eu transferisse a minha conta para você.

— Qual é a razão desta solicitação?

— Estou auxiliando-o na migração de todos os arquivos da sala jurássica para o nosso sistema.

— Isso é excelente, pois facilitará significativamente nossas atividades.

— Eu compreendo, mas o que você talvez não perceba é que estou desenvolvendo uma atração por ele.

— Não se preocupe, acredito que todas nós estamos experimentando sentimentos semelhantes.

— Tereza, você não está compreendendo; eu já o conhecia anteriormente. Ele é o "bad boy" do clube que mencionei.

— Amiga, você está se metendo em sérios problemas.

Nem me fale!

— Nem me fale, eu gostaria de tirar uma licença e só voltar aqui quando todo aquele arquivo já estiver no sistema.

Assim que finalizei o relatório da conta e o entreguei a Tereza, dirigi-me à sala jurássica, ansiosa e amedrontada pelo o que viria.

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