Capítulo 2

Quando seus lábios colidiram com os meus, eu fiquei atordoado. Eu não esperava por isso, ainda mais vindo dela, a mulher que eu havia acabado de encontrar no telhado, gritando como se o mundo estivesse desabando.

Fiquei ali, paralisado por um momento, sentindo suas mãos agarrarem minha gola e me puxarem para mais perto. Senti o álcool nos seus lábios, amargo e forte, mas por trás disso... havia algo mais.

Me afastei e disse: "Seja lá o que te fez ficar assim, não vale a pena. Depois desta noite, confie em mim, você se sentirá melhor."

Eu não ia deixar alguém tirar a própria vida no meu hotel e, pior, no dia do casamento do meu filho.

Ela sorriu, mas não disse nada, apenas se inclinou novamente e continuou a me beijar, num beijo que foi o mais estimulante que já ganhei em muito tempo.

Eu sabia que deveria afastá-la. Droga, eu queria afastá-la, mas algo na forma como ela me beijava — o desespero, a emoção crua — mexeu com algo profundo dentro de mim.

Eu não beijava alguém assim há anos. Décadas, até. Não era só luxúria, mas algo mais, algo que eu não conseguia identificar.

Eu deveria estar no casamento do meu filho, não me envolvendo numa loucura no telhado com uma mulher qualquer. A festa estava acontecendo lá embaixo, e eu acabara de chegar de uma longa e exaustiva viagem de negócios.

Minha assistente cuidou da maior parte dos preparativos do casamento enquanto eu estava fora. Eu havia trocado algumas mensagens com Aaron, mas as coisas estavam agitadas e eu ainda nem havia conhecido a noiva.

Bom, pelo menos não pessoalmente.

Eu confiava em Aaron — ele era inteligente, responsável e independente —, mas, ainda assim, uma parte de mim se sentia culpada por não estar mais presente.

"Apareça no casamento. Não precisa ir à festa", ele havia dito esta manhã.

Então, tive que vir imediatamente.

Minha mente estava um pouco confusa por causa dos drinques que tomei na minha suíte antes de ser distraído pelos gritos vindos do telhado.

E agora, aqui estava eu, envolvido em algo que não conseguia explicar. Seus lábios se moviam contra os meus, famintos e desesperados, e Deus me ajude, pois eu não me afastei. Pelo contrário, a beijei de volta. Por razões que eu não conseguia entender, achei o gosto dela bom demais para resistir.

Seu corpo estava pressionado contra o meu, macio e quente, e por uma fração de segundo, me deixei levar por isso. Minha mente ficou em branco, o barulho do mundo lá embaixo desaparecendo em nada além do som das nossas respirações ofegantes e da sensação dos seus lábios nos meus.

Mas então, a realidade me atingiu.

O que diabos está fazendo, Kaelon?

Interrompi o beijo, me afastando bruscamente. "Espere... o que está fazendo?" Minha voz estava rouca, áspera pela súbita onda de emoções.

Ela piscou para mim, seus olhos vidrados e as pupilas dilatadas pelo álcool e pelas lágrimas. Seus lábios estavam ligeiramente entreabertos, inchados pelo beijo, e por um momento, pude ver a dor por trás da sua expressão selvagem. Ela estava sofrendo. Muito.

"Por favor... só me deixe te sentir. Preciso esquecer, mesmo que seja só por um momento", ela sussurrou, sua voz trêmula.

Suas palavras me atingiram como uma faca. Eu deveria ter ido embora, dito a ela que isso não era certo, que ela não precisava disso, que eu não era a pessoa que ela precisava. Mas a maneira como ela me olhava, implorando e vulnerável, me causou algo.

Algo que eu não sentia há muito tempo. Ela não estava apenas procurando uma fuga física, mas tentando afogar sua dor em algo, em alguém. Senti meu lobo se agitar com a vontade repentina de satisfazer sua necessidade.

"Quem... quem é você?", perguntei, minha voz mal passando de um sussurro. A pergunta pairava entre nós, pesada, enquanto eu a encarava.

Ela soltou uma risada suave, embora não houvesse humor nela. "Isso importa? Sou só uma ninguém. Apenas... mais uma garota tentando esquecer."

A dor na sua voz me atingiu em cheio. Ela estava perdida e quebrada e, embora eu não soubesse sua história, pude perceber que ela estava à beira de algo sombrio.

Meu instinto era ir embora e dizer a ela que precisava voltar para dentro e ficar sóbria, mas quando ela olhou para mim com seus olhos cheios de lágrimas, algo dentro de mim se rompeu.

Contra meu bom senso, me inclinei, segurando seu rosto suavemente com uma mão. "Isso não vai resolver nada", murmurei, mas, mesmo dizendo isso, senti minha determinação se esvair.

"Eu sei, mas... não me importo com isso agora", ela disse, sua voz quase inaudível.

Antes que eu pudesse impedi-la, ela me beijou novamente, desta vez com mais força, suas mãos se enroscando na minha camisa. E, droga, eu a beijei de volta, como não beijava ninguém há anos, como se ela fosse a única coisa que importava no mundo.

Eu deveria tê-la afastado, eu sabia disso. Eu não era um garoto imprudente que agia por impulso, mas, por alguma razão, com essa mulher, eu sentia que estava perdendo todo o meu controle.

Eu sabia que deveria ter parado antes que as coisas saíssem do controle, mas não parei.

E quando ela sussurrou: "Por favor... preciso disso", algo dentro de mim se rompeu completamente.

A puxei para mais perto, minhas mãos encontrando sua cintura, suas curvas e seu calor, pressionados contra os meus.

Sua respiração ficou ofegante quando aprofundei o beijo, meus dedos se entrelaçando nos seus cabelos. Ela se derreteu contra mim, seu corpo flexível e seus lábios famintos, como se ela estivesse sedenta por algo que não conseguia identificar.

Eu nem percebi que havíamos nos movido até minhas costas baterem na porta da suíte do telhado. Suas mãos tatearam a maçaneta e, antes que eu percebesse, já estávamos lá dentro, com a porta se fechando atrás de nós.

Interrompi o beijo por um segundo, ofegante enquanto a encarava. Seu rosto estava corado, seus olhos brilhando com algo selvagem e perigoso.

"Tem certeza? Porque depois que fizermos isso, não haverá volta", perguntei, minha voz baixa e rouca.

Ela acenou com a cabeça, mordendo o lábio, e essa foi a única resposta que eu precisava.

Seus dedos puxaram minha camisa, a tirando da minha calça e, em questão de segundos, ela estava no chão, esquecida.

"Sim, por favor. Preciso que você me faça gritar seu nome", ela implorou com os olhos fechados e os lábios cerrados.

Abri um sorriso, sabendo que eu faria exatamente isso.

Capítulo 3

Liv

Eu adoraria viver nos meus sonhos e nunca mais acordar, só que isso não era possível. Já que tive a experiência mais incrível da minha vida nos meus sonhos. O homem que vi parecia mais velho, até um pouco familiar, mas eu não conseguia me lembrar de onde o conhecia.

Só quero poder encontrá-lo de novo.

Meus pensamentos foram desviados pela luz que entrava pelas cortinas, queimando através das minhas pálpebras e me arrastando de volta à realidade. Minha cabeça latejava como se alguém tivesse dado uma martelada nela, mas isso não me incomodava tanto quanto o que eu teria que fazer naquele dia.

Quando pisquei e abri os olhos, a primeira coisa que notei foram os lençóis desconhecidos, a frieza do tecido sob minha pele, fazendo com que o pânico me invadisse.

Sentei-me, e meu coração começou a acelerar enquanto as lembranças da noite passada começavam a inundar minha mente. O lugar, o beijo, ele...

Não foi um sonho desgraçado!

"Ah, Deus...", murmurei, com a voz rouca pelo sono e pelo arrependimento. Como vim parar aqui?

Saí da cama às pressas, com o mundo girando um pouco enquanto eu procurava minhas roupas. Com as mãos trêmulas, vesti o vestido da noite anterior, sem me importar com o cabelo bagunçado ou a maquiagem borrada que manchava minhas bochechas. Meu celular vibrou em algum lugar e o encontrei no chão, ao lado dos meus sapatos.

Dezessete malditas chamadas perdidas.

"Desculpe, amor, estou com saudades. Sinto muito por ter tido que voltar para casa para pegar uma coisa e acabei dormindo como um bebê. Espero que não esteja cansada ou exausta. "A mensagem de Aaron apareceu na tela do meu celular.

Quando li, uma onda de náusea me atingiu. Meu estômago se revirou enquanto eu olhava para a tela, com a mensagem dele brilhando para mim como uma piada cruel.

Desviei o olhar do celular, ignorando a sensação de aflição no meu peito enquanto saía correndo da suíte. Minhas pernas me levaram mais rápido do que eu conseguia pensar, pelo corredor, pelo saguão até chegar ao elevador que me levou de volta ao andar da minha suíte.

Quando cheguei à porta, parei por um momento, fazendo com que as lembranças do que aconteceu na noite passada voltassem à minha mente. O toque dos lábios dele nos meus, o jeito que me joguei nos seus braços, tentando desesperadamente esquecer tudo.

Quando as portas do elevador se abriram, "Onde diabos você estava?", gritou Megan, minha madrinha de casamento, correndo em minha direção." Estávamos te procurando em todo lugar! A maquiadora está esperando há mais de uma hora!"

Olhei para além dela e me deparei com as minhas madrinhas paradas no quarto, esperando por mim. Seus olhos se arregalaram em uníssono ao verem como eu estava.

"Desculpe", gaguejei, sentindo o peso dos seus olhares sobre mim. Eu mal conseguia organizar um pensamento coerente. Minha cabeça estava girando, e meu coração batia forte enquanto eu tentava agir como se tudo estivesse normal.

Megan me lançou um olhar preocupado, mas as outras já estavam me puxando para a suíte, cuidando de mim como se eu fosse uma boneca de porcelana. Elas me fizeram sentar em frente à penteadeira, e a maquiadora imediatamente começou a trabalhar, passando pó e usando pincéis na minha pele.

"Não acredito que isso finalmente está acontecendo!", exclamou com entusiasmo uma das minhas madrinhas, segurando meu celular. "Olha, Aaron te mandou uma mensagem!"

Olhei para a tela enquanto ela lia a mensagem em voz alta, com a voz cheia de admiração. "Aww, ele é tão fofo! Estou tão feliz por você! Você tem muita sorte de ter um homem como Aaron. Queria poder encontrar alguém como ele."

Quando ouvi isso, tudo o que eu queria era gritar. Sorte? Sorte de me casar com um homem que me traiu? A imagem dele com minha meia-irmã surgiu na minha mente, o jeito que eles se beijaram, o jeito que se tocaram...

Não foi só uma aventura, foi? Não, não era... Parecia algo que eles faziam há muito tempo.

Meu estômago se revirou enquanto eu olhava para meu reflexo no espelho, vendo elas me arrumando para um casamento com um traidor. Minha pele estava tensa sob as camadas de maquiagem, e meu coração estava entorpecido sob o peso da traição. Como elas podiam sorrir e rir, tão alheias à verdade?

Como eu poderia ficar sentada aqui, fingindo que nada havia acontecido, fingindo que estava animada para me casar com um homem que havia quebrado minha confiança?

As horas se passaram rapidamente e, quando me dei conta, eu estava no altar, com minha mão repousada na de Aaron. Ele estava bonito no seu terno, com os olhos brilhando de orgulho e carinho enquanto sorria para mim. Mas tudo o que eu conseguia ver eram os lábios dele na pele da minha irmã, o jeito que ele a segurava e tocava. Minha mente estava repleta de cada lembrança repugnante e de cada segundo dessa traição.

A voz do celebrante era um eco distante enquanto ele falava. Eu mal ouvia as palavras, com meu coração batendo cada vez mais forte.

"Você, Liv Bennett, aceita este homem como seu legítimo esposo, para tê-lo e mantê-lo, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, enquanto vocês viverem?"

Minha boca estava seca e minhas mãos suadas enquanto eu abria os lábios para falar. Eu podia sentir todos os olhares do salão sobre mim, esperando pela resposta esperada.

Olhei em volta do salão por um momento e meus olhos caíram sobre minhas melhores amigas, Rose, Lara e Vio. Todas estavam usando vestidos idênticos na altura do joelho. Elas exibiam sorrisos alegres, que eu apostava que se azedariam quando soubessem o que Aaron havia feito.

Ainda bem que elas chegaram a tempo para o casamento.

Sorri, mas não foi um sorriso de alegria. Eu sabia que todos estavam esperando pela minha resposta, mas as palavras que saíram da minha boca não foram as que eles esperavam.

"Não."

Nesse momento, o salão ficou em silêncio. Um silêncio absoluto. Um murmúrio de espanto percorreu a multidão quando todos se viraram para me encarar, com seus rostos numa mistura de choque e confusão. A mão de Aaron apertou a minha, e seu rosto empalideceu enquanto ele se virava para me olhar, com a descrença estampada em cada traço do seu rosto.

"O que... o que você disse?", ele gaguejou, com a voz cheia de confusão.

Puxei minha mão da sua, com a voz firme, como se cada gota de emoção que eu estava contendo finalmente tivesse transbordado. "Eu disse não, Aaron. Não posso me casar com você."

O rosto de Aaron se abateu, e seus olhos se arregalaram de pânico enquanto ele se aproximava de mim. "Liv... do que está falando? O que está acontecendo?"

Encarei seus olhos, com a raiva borbulhando dentro de mim. "Te vi ontem à noite, Aaron. Com minha meia-irmã. Vi tudo."

Ao ouvir isso, a cor se esvaiu do rosto dele. Seus lábios se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. O salão estava estranhamente silencioso, com todos paralisados, e seus olhos se moviam entre nós dois como se estivessem assistindo a algum tipo de novela.

"Por que não me disse que era ela que você queria?", exigi, com a voz trêmula de fúria. "Por que me enganou todos esses anos, me fazendo acreditar que me amava, enquanto estava transando com ela pelas minhas costas?"

Aaron abriu a boca para falar, mas nenhum som saiu. Seus olhos se arregalaram de pânico, e sua mão se estendeu para mim, mas dei um passo para trás, com o desgosto e a traição me invadindo.

"Liv, por favor, não é o que você está pensando..."

O interrompi, com o coração batendo forte no peito. "É exatamente o que estou pensando. Eu te vi, Aaron. Te vi com ela. Não posso me casar com você. Não depois disso."

Lágrimas surgiram nos meus olhos, mas me recusei a deixá-las cair. Eu não queria que ele visse o quanto isso havia me destruído. Então, me virei e fui embora, o deixando ali, sem palavras e sozinho no altar.

Os murmúrios de espanto da multidão aumentaram, mas eu não me importei. Eu não podia me importar. Tudo o que eu sabia era que não iria me casar com um homem que não me respeitava, um homem que havia me traído da pior maneira possível.

Sem esperar por mais drama, me virei e fugi.

"Liv! Espere!", ouvi Rose gritar.

Avistei seus cabelos ruivos pelo canto do olho e sabia que, se eu parasse, os outros na igreja poderiam me alcançar.

E isso era algo que eu não queria.

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