Capítulo 2

Ricardo

Não sei mais por quanto tempo consigo levar essa relação com Willow. Karina já está desconfiada das minhas constantes reuniões depois do horário comercial. Minha sorte é que moramos em uma cidade mais afastada da capital.

Mais uma vez estou chegando em casa depois do horário do jantar e a primeira coisa que encontro é sua careta de insatisfação. Mas estou pouco me lixando. Meu corpo está vibrando de tesão depois de mais uma vez ser rejeitado por Willow e é melhor descarregar nela que em punheta.

Vou em sua direção e a agarro, beijando e roçando minha ereção que ia e vinha com meu pensamento nos momentos com Willow.

― Que tesão é esse outra vez? Anda chegando muito tarado.

― O que acha de um banho comigo? ― ignoro sua pergunta.

Ela não se importa. Passa as mãos pelo meu pescoço.

― Eu acho que estou gostando dessas suas reuniões. Larissa está dormindo. Vamos.

A pego no colo e subo as escadas para o quarto no segundo andar.

Transo com Karina enquanto imagino Willow de quatro para mim, apertada e lisinha como a imagino.

Preciso comer essa mulher antes que isso acabe. Porque sei que não vai demorar a acabar. Simplesmente não posso deixar tudo que construí, não posso deixar minha filha e minha mulher. E tenho certeza de que aquela garota não aceitaria continuar como minha amante.

Depois do sexo, Karina me serve o jantar.

― Vai trabalhar amanhã? ― pergunta.

― Não. Esse fim de semana está reservado para minha esposa e minha filha ― respondo.

Aproveitei que Willow vai trabalhar para dizer que vou passar o fim de semana visitando meus pais. Já fiquei o sábado passado com ela. Ficar muito tempo longe de casa é suspeito.

― Perfeito. Então o senhor vai buscar sua filha amanhã no colégio.

― Aula sábado? Não me lembro de ter aula sábado.

― A diretora está fazendo uma experiência. Dará aulas extras aos sábados de coisas como teatro, culinária, arte, artes marciais e outras coisas úteis na rotina das crianças.

― Vamos juntos buscá-la. Podemos levar a Larissa para tomar um sorvete ― sugiro. O que lhe rende um sorriso.

Esse caso com Willow está fazendo bem ao meu casamento.

― Adorei a ideia.

**

No dia seguinte, levo Larissa na escola e passo a manhã na frente da televisão.

Karina e eu vamos juntos buscá-la no fim da manhã.

― Papai! ― Larissa corre para mim ao me ver no pátio da escola. Seus cabelos são tão loiros quanto os de sua mãe. Ambas também são bem magras. A única coisa que ela herdou de mim foi os olhos verdes. ― Você veio mesmo. ― Me abraça.

― Claro, meu amor. Estava com saudades de te buscar.

― Eu não mereço um abraço? ― Karina fingi estar magoada. E nossa filha a abraça.

― Eu te amo também, mamãe.

― Pensei em levar as duas mulheres da minha vida para tomar sorvete. O que acha, filha?

― Ótima ideia, papai. ― Minha princesa fica toda feliz com a ideia do sorvete.

Também estava empolgada com a aula. Parece que a professora estava ensinando a fazer coisas com materiais recicláveis.

― Então vamos.

― Espera. ― Ela olha para trás como se tivesse esquecido algo.

― O que foi?

― Queria te mostrar o cofrinho que fiz.

― Mas não é uma surpresa para os pais? ― Karina pergunta.

― É, mas acho que não tem problema ver. A professora é legal. Ela vai deixar. Vamos!

Olho para Karina e ela balança os ombros, indiferente.

Enquanto isso Larissa puxa minha calça insistindo para irmos até sua sala. Ela insiste tanto que tenho que entrar na sala para ver sua criação.

― Professora, posso mostrar meu cofre de bichinho aos meus pais? ― pergunta tocando nas costas da moça de coque que arrumava as coisas.

Eu vejo que tudo acabou quando a mulher se vira e nos vê.

Merda!

Capítulo 3

Willow

Acordo às três e meia, me arrumo em meia hora e saio correndo para pegar o primeiro ônibus para cidade vizinha.

É duas horas até lá e tenho que estar na escola às sete.

Se tudo der certo, vou poder dar aula lá todos os sábados. Vai ser mais um dinheiro para ajudar no nosso casamento.

Por isso farei o meu melhor. Nem contei para Ricardo. Minha mãe sempre falava que dá azar contar as coisas antes de acontecer, então só contarei depois de acontecer.

Fiz um coque para ficar o mais profissional possível e coloquei meu vestido cor de rosa. Ele é para trabalho mesmo, com a diferença que não me deixa com cara de professora chata para os alunos. Isso faz um contraste legal com o coque. Tenho que agradar alunos e colegas.

A turma é de alunos entre seis e sete anos. Como já havia programado com a diretora, distribuo os materiais e ensino os alunos a fazer cofrinhos em forma de animais com garrafas pet.

Para minha alegria, eles adoram. Nem vejo o tempo passar.

No fim da aula, tenho certa dificuldade em convencê-los a deixar suas criações na escola até a comemoração de Natal. Todos eles querem levar para casa para mostrar aos pais.

Depois que os convenço e eles se vão, fico distraída organizando os cofres. É quando sinto um puxão no meu vestido. Logo uma voz infantil se faz ouvir.

― Professora, posso mostrar meu cofre de bichinho aos meus pais?

Me viro para a menina com um sorriso no rosto e um sonoro sim. Mas meu sorriso some aos ver o casal com ela.

― Ricardo? ― o nome sai como uma pergunta da minha boca. Na verdade, várias perguntas. O que está acontecendo? Por quê? Como?

― Conhece o meu marido? ― a mulher loira pergunta com desconfiança no olhar.

Ricardo me olha com os olhos arregalados. Eu vejo pavor neles. Medo de que eu dizer a essa mulher que além de seu marido ele é meu noivo, que a porra do anel na minha mão foi ele quem deu.

Mas eu não posso fazer isso sem destruir a minha vida sendo taxada de amante, enquanto essa família continuaria seguindo seu caminho. Sem contar que essa criança ― que ainda espera ansiosa pelo que criou mais cedo ― seria a mais prejudicada entre eles. Em fração de segundos minha mente soma as consequências de enfiar a mão na cara do desgraçado a minha frente.

Abro a boca sem nem saber o que responder, mas o desgraçado é mais rápido.

― Senhorita Fernandes? Não sabia que dava aula nessa escola. ― Se vira para a mulher ao seu lado. ― Amor, vendi um dos planos para ela.

Amor. Ele a chamou de amor. Essa merda de palavra confirma o que já estava mais que claro; fui amante desse desgraçado.

― Sim, foi isso. Me vendeu planos. ― Não suporto mais a presença desses dois. Me viro e pego o cofre em forma de porquinho. ― Tome, querida. Pode mostrar aos seus pais.

― Obrigada!

― Se me derem licença. Tenho que ir à secretaria.

Sem esperar resposta, pego minha bolsa e saio da sala.

Não vou para a secretaria. Saio da escola e vou direto ao ponto do ônibus. Nunca mais volto a esse lugar. Não existe chance que eu fique ensinando a filha do homem que me enganou por quase um ano.

Me sento no fundo do ônibus e choro pelas quase duas horas em que passo nele.

Todos os meus planos idiotas de um casamento simples, de uma primeira vez inesquecível, de uma vida de casal... Ele já tinha tudo isso.

E agora?

Terei que recomeçar. Abrir meu coração mesmo com medo de ser machucado novamente. Essa história de passar um tempo comigo mesma já está me deixando louca. Eu não vou achar alguém para casar de um dia para o outro. E quero desesperadamente descarregar minha frustração em sexo. Ando cada dia mais desesperada por transar. E agora minha esperança se foi.

Se eu não posso me vestir como mulher fatal e me vingar nos braços de outro, que merda posso fazer com toda essa decepção dentro de mim?

Mãe, é muito difícil cumprir essa promessa.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED